18 julho 2023

NA PRINCESA LAVÍNIA, O HERÓI ENCONTRA O PRÊMIO DE SUA CORAGEM VITORIOSA

Pelas terras do Lácio percorreu um grito de guerra. Comandados por Turno, latinos e rútulos unem-se para combater os troianos, ainda cansados de recentes batalhas.

Como o rei Latino recusasse a lutar contra Enéias, negou-se a abrir as portas do templo de Jano, segundo o costume em tempo de guerra. Mas, descendo do Olimpo, a própria Juno descerrou aquelas portas, anunciando que o Lácio já não vivia em paz.

Turno conta com o apoio de Mezêncio, o terrível rei dos etruscos, que, fugindo de uma revolta em seu país, buscava abrigo entre os rútulos. Conta igualmente que a bravura de Camila, uma jovem que amava as armas e vivia nos bosques. Com ela marchavam outros guerreiros, temíveis e valentes.

Os troianos são poucos e estão enfraquecidos pela longa guerra que haviam enfrentado. A derrota parece certa.

Enéias, dominado pelo cansaço, dorme. E no sonho ouve o conselho de Tibre: o deus do rio recomenda-lhe que procure Evandro, rei de Pantaléia.

Imediatamente, o herói desperta e ruma ao encontro do possível aliado. Depara com um soberano triste de uma terra empobrecida, sem armas e sem guerreiros. Toda a ajuda que Evandro pode dar-lhe é enviá-lo ao povo etrusco, juntamente com seu filho Palas. Ao saber que Mezêncio é um os inimigos, os etruscos não hesitam em aliar-se aos troianos.

Longe da batalha, Enéias não pode ver o sofrimento dos companheiros: frágeis muralhas os protegem e a sombra da derrota paira como uma nuvem negra, querendo apagar a esperança. Quando todos estão prestes a sucumbir, o herói surge trazendo consigo a força de muitos guerreiros.

As lutas banham de sangue as guerras e as armas. Do lado inimigo, Camila e Mezêncio tombam. Entre os aliados dos troianos também ocorre grande perda: Palas, o corajoso filho de Evandro.

A batalha está no fim, e a morte passeia livre por entre os homens, quando Enéias e Turno defrontam. A força do troiano supera o valor do rútulo, e o inimigo cai morto, vítima do massacre que desencadeara.

Enéias, vitorioso, encontra em Lavínia o prêmio de sua coragem. Unido a ela, funda uma cidade a que ele chama Lavínio. E após a morte de Latino, realizando a profecia, torna-se rei. Troianos e latinos formam um povo único. O grande destino está cumprido. Dido é agora somente uma lembrança.




RÔMULO E REMO, FILHOS DO SEGREDO

A herança está dividida. Amúlio e Numitor aguardam, ansiosos, a hora de receber sua parte dos bens e do poder. Procas, o pai moribundo, mal sabe que os filhos – e próprio povo – não haverão de chorar sua morte. Tudo que lhes interessa é saber quem ficará com as riquezas e quem receberá o trono de Alba Longa, a cidade do Lácio.

No leito de agonia, finalmente, Procas decide: Numitor receberá o reino; Amúlio ficará com os tesouros.

Entretanto, assim que o pai morre, Amúlio contrata um exército mercenário, invade o palácio real e apodera-se da coroa. O povo não se revolta. E Numitor, apavorado, foge, deixando seus dois filhos entregues à ambição do usurpador.

Depois de matar o sobrinho, temendo que este lhe tirasse o poder, Amúlio tenta impedir que Réia Sílvia, filha de Numitor, tenha descendentes. Assim, obriga a bela jovem a tornar-se vestal, consagrada à castidade. Réia Sílvia tinha, porém, outro destino. Passeava um dia pelos campos sagrados à procura de água para seu cotidiano sacrifício a Vesta, quando foi vista por marte.

Subitamente enamorado, o deus aproxima-se e, usando de violência, possui a jovem, nela gerando dois gêmeos.

Ao nascerem as crianças, Amúlio manda colocá-los numa cesta e atirá-las no rio Tibre. Réia Sílvia chora. Mas nada pode fazer. Que Marte, pai daquelas infelizes criaturas, se incumba de salvá-las.

As águas do Tibre sobem vertiginosamente com a chuva. Uma contracorrente acaba atirando a cesta dos recém-nascidos ao sopé do monte Cérmalo, sob uma figueira. Ali, uma loba, enviada pelo deus da guerra, amamenta os gêmeos Rômulo e Remo.




UM PASTOR ADOTA OS FILHOS DO DEUS

É fim de tarde. À sombra de uma árvore, Fáustulo, o pastor, descansa dos trabalhos de um dia fatigante. Leve a brisa refresca-lhe o corpo suado. O sono aproxima-se, pouco a pouco, envolvendo-o mansamente.

As pálpebras cerram-se. Fáustulo está prestes a mergulhar no mundo dos sonhos, quando o despertam gritos alegres.

O pastor abre os olhos: duas crianças, rosadas e belas, brincam com uma loba, sem demonstrar receio. Acariciam as patas do animal, puxam-lhe os pêlos, amamentam-se de seu leite. Enquanto a loba, como se também fosse humana, consente em servir-lhes de mãe.

Curioso, Fáustulo ergue-se de seu leito de relva e caminha em direção ao grupo. A certa distância, contudo, pára. Olha para a loba, tentando perceber-lhes os sentimentos. O animal retribui o olhar, com mansidão.

Não há perigo. O pastor aproxima-se das três estranhas criaturas. Ajoelha-se junto a ela e mudo de emoção ante tão grande mistério, põe-se a contemplá-las.

O tempo transcorre calmo e quieto. A noite se faz densa quando Fáustulo toma uma decisão. Apanha as crianças nos braços, com um olhar respeitoso despede-se da loba e parte rumo à sua cabana. Aca Larência, sua esposa, recebe os pequenos desconhecidos como se fossem os filhos que em vão rogara aos deuses durante muitos anos. Logo trata de banhá-los em água morna. Aconchega-os em lençóis macios. Acalenta-os com doces cantigas de ninar.

Na casa do pastor, Rômulo e Remo aprendem os costumes humanos. Entretanto, não perdem a divina força que herdaram do seu pai, o deus Marte. Nem deixam apagar em si o corajoso vigor que lhes transmitira o leite da loba, sua primeira ama sobre a terra.





17 julho 2023

NORMA-PADRÃO E VARIAÇÃO

 


A norma-padrão aparece fora do universo da variação, fora dos usos sociais da língua empiricamente comprováveis. Com isso, [...] a norma-padrão não faz parte da língua, não corresponde a nenhum uso real da língua, constituindo-se muito mais como um modelo, uma entidade abstrata, um discurso sobre a língua, uma ideologia linguística, que exerce evidentemente um grande poder simbólico sobre o imaginário dos falantes em geral, mas principalmente sobre os falantes urbanos mais escolarizados (por isso, coloquei ela dentro de uma “nuvenzinha” de pensamento abstrato, como nas histórias em quadrinhos.

 

BAGNO, Marcos. O Português são três. IN: ____. Nada na língua é por acaso...cap. 5. Parábola: São Paulo, 2007


DISTRIBUIÇÃO DE SONS VOCÁLICOS


 

SOUZA, Paulo Chagas; SANTOS, Raquel Santana. Fonologia. IN: FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à linguística. Vol. 2. Princípios de análise. São Paulo : Contexto, 2002.

08 julho 2023

VOZES VERBAIS

Para relembrar:


Para as atividades das questões de 1 a 3, leia a sinopse (um resumo) das histórias de alguns livros.




1. Nos resumos de livros das páginas anteriores, há frases destacadas. Faça um quadro separando cada uma das frases de acordo com a voz verbal correspondente.

2. Escolha quatro frases da voz passiva e escreva o agente da passiva de cada.

3. Escolha quatro frases da voz passiva e reescreva-as, na voz ativa.

4. Reescreva as frases a seguir, passando-as para a voz passiva e fazendo as adequações necessárias.

a) Este livro narra o encontro inusitado entre João, um barqueiro branco, e Toro, um canoeiro indígena no Rio Amazonas.

b) Eles descobrem a base secreta de piratas.

 

5. Dos resumos dos livros, copie um exemplo de frase com voz reflexiva.

 



Leia a seguir uma manchete publicada pelo jornal O Globo em 11 de junho de 2015. Observe as foram feitas na construção para passar a frase da voz ativa para a voz passiva.


Câmara muda data da posse de Presidente da República e governadores.


SUJEITO: Câmara

PREDICADO: muda data da posse de Presidente da República e governadores.

OBJETO DIRETO: data da posse de Presidente da República e governadores.

 

Voz passiva analítica:

A data da posse de Presidente da República e governadores é mudada pela câmara.

Voz passiva sintética:

Mudou-se a data da posse de Presidente da República e governadores.

 

6. Conforme as orientações, reescreva as manchetes a seguir nas duas formas de voz passiva.

a) “Motorista abandona cão na ponte Rio-Niterói”.
b) “Criminosos explodem caixas eletrônicos em cidade do interior”.
c) “Produção de comidas de festa junina gera empregos em Caruaru”.
d) “Braço mecânico reproduz movimentos humanos”






1. checked - plain

2. polka-dot - striped

3. print

4. striped - flowered - plaid

5. animal print - plain

 

5 – 2 – 4 – 3 – 1


05 julho 2023

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 2 - 9º ANO 2021

Texto para questões de 1 a 6

Conto Carioca

O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica. Vinha despreocupa­do, assoviando um blue, os olhos esquecidos no asfalto em retração. A noite era longa, alta e esférica, cheia de uma paz talvez macabra, mas o rapaz nada sentia. Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino, o que lhe dava essa sensação de comando do homem que paga: porque tratava-se de um “duro”, e era o automóvel o carro paterno, obtido depois de uma promessa de fazer força nos estudos. O show estivera agradável e ele flertara com quase todas as mulheres da sua mesa. A Lua imobilizava-se no céu, impartici­pante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam, mas como que em silêncio.

De súbito, em frente ao Lido, uma mulher sentada num banco. Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente. O freio de pé agiu quase automaticamente e a borra­cha deslizou, levando o carro maneiroso até o meio-fio, onde estacou num rincho ousado. Depois ele deu ré, até junto da dama branca.

– Sozinha a essas horas?

Ela não respondeu. Limitou-se a olhar serenamente o rapaz do Cadillac, com seu olhar extraordinariamente fluido, enquanto o vento sul agitava-lhe docemente os cabelos cor de cinza.

– Sabe que é muito perigoso ficar aqui até estas horas, uma mulher tão bonita?

A voz veio de longe, uma voz branca, branca como a mulher, e ao mesmo tempo cresta­da por um ligeiro sotaque nórdico:

– Perdi a condução... Não sei... é tão difícil arranjar condução... [...]

– Vem... Eu levo você...

Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avan­çasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada talvez emoção – o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como o éter. Vinha dela um suave perfume de flores que o levou para longe. Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos.

Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso. A moça branca pa­recia mais branca ainda, e agora olhava o mar, de onde vinha um vento branco. Ele disse:

– Amor, vou levar você agora.

Ela deu-lhe seus olhos quase inexistentes, de tão claros:

– Em Botafogo, por favor.

Tocou o carro. A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva da General Polidoro num ângulo quase absurdo.

– É aqui – disse ela em voz baixa.

Ele parou. Olhou para ela espantado:

– Por que aqui?

– Eu moro aqui. Venha me ver quando quiser. Muito obrigada por tudo.

E dando-lhe um último longo beijo, frio como o éter, abriu a porta do carro, passou atra­vés do portão fechado do cemitério e desapareceu.

Disponível em: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/prosa/conto-carioca. (Adaptado).

 

Vocabulário

Rincho: ruído áspero, cortante.

Tiritar: tremer (de frio, medo ou febre).

Letargo: estado de cansaço que envolve diminuição da energia, da capacidade mental e da motivação.

 

QUESTÃO 01

No conto anterior, há um evento que altera a situação de normalidade da noite. Tal evento está rela­cionado diretamente à(ao)

a) jogatina feita durante a noite.

b) chegada ao cemitério.

c) surgimento da mulher de branco.

d) troca de beijos entre o rapaz e a moça.

e) perda da condução por parte da mulher.

 

QUESTÃO 02

Observe o trecho destacado do conto:

“Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino.”

Nesse período, a oração destacada expressa

a) finalidade.

b) causa.

c) proporção.

d) tempo.

e) condição.

 

QUESTÃO 03

A descrição feita pelo narrador permite a construção de um ambiente misterioso. Um exemplo dessa ambientação é:

a) “Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos.”

b) “O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica.”

c) “A Lua imobilizava-se no céu, imparticipante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam [...]”

d) “Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente.”

e) “A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva da General Polidoro num ângulo quase absurdo.”

 

QUESTÃO 04

Observe um trecho do conto:

“Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avan­çasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada – talvez emoção – o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como o éter. Vinha dela um sua­ve perfume de flores que o levou para longe.”

A palavra que funciona como referente do termo em destaque é:

a) Madrugada

b) Perfume

c) Noite

d) Mármore

e) Rapaz

 

QUESTÃO 05

Nesse mesmo trecho, o pronome “que” exerce função sintática de

a) sujeito.

b) objeto direto.

c) objeto indireto.

d) adjunto adnominal.

e) complemento nominal.

 

QUESTÃO 06

Releia: “Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso.”

A oração que introduz o período é classificada como oração subordinada adverbial

a) proporcional.

b) final.

c) temporal.

d) concessiva.

e) causal.

 

Texto para as questões de 7 a 9

 

Meus oito anos

Oh! Que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais!

 

Como são belos os dias

Do despontar da existência!

− Respira a alma inocência

Como perfumes a flor;

O mar é − lago sereno,

O céu − um manto azulado,

O mundo – um sonho dourado,

A vida − um hino d’amor!

 

Que auroras, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado d’estrelas,

A terra de aromas cheia,

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!

Disponível em: https://www.academia.org.br/academicos/casimiro-de-abreu/textos-escolhidos.

 

QUESTÃO 07

No poema de Casimiro de Abreu, é perceptível a valorização, a partir da descrição, de uma das fases da vida do eu poético.

A estratégia usada pelo poeta para dar ênfase à descrição é(são)

a) a sequenciação de ações.

b) o uso dos verbos no pretérito.

c) a utilização das vírgulas.

d) o uso da adjetivação.

e) as marcações pelos travessões.

 

QUESTÃO 08

O termo “que”, destacado no 4º verso da primeira estrofe do poema, estabelece um elo coesivo cujo referente é:

a) Vida

b) Aurora

c) Anos

d) Saudades

e) Infância

 

QUESTÃO 09

A função sintática exercida pelo pronome destacado no 4º verso da primeira estrofe do poema é

a) objeto indireto.

b) objeto direto.

c) adjunto adnominal.

d) complemento nominal.

e) adjunto adverbial.

 

QUESTÃO 10

Com braçadeira e comemoração, elenco do Flamengo manda recado sobre importância de Diego Alves

A goleada do Flamengo sobre o Santos, por 4 a 1 no Maracanã, teve como destaque o posicionamento do elenco rubro-negro diante da indefinição sobre a permanência do go­leiro Diego Alves, cujo contrato se encerra em 31 de dezembro e, por ora, não há um acerto entre a direção do clube e o jogador.

Com a braçadeira de capitão e a comemoração de Gabriel Barbosa, o time deixou ainda mais claro o desejo pela permanência do camisa 1, um dos principais líderes da equipe que conquistou cinco títulos desde julho de 2019.

Disponível em: https://www.lance.com.br/flamengo/com-bracadeira-comemoracao-elenco-manda-recado-sobre-importancia-diego-alves.html.

 

A função sintática do pronome destacado e seu valor semântico são, respectivamente, de

a) objeto direto e paciente.

b) sujeito e agente.

c) adjunto adnominal e posse.

d) adjunto adverbial e lugar.

e) agente da passiva e meio.



1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

C

A

D

B

A

C

D

E

B

C

MAP (4) - OS ARGONAUTAS