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09 agosto 2026

LEITURA DE IMAGEM: REDES SOCIAIS

 



Texto I

A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro

Imagem de criança observando fogos no réveillon de Copacabana levanta debate

 

María Martín

Um menino negro, na beira do mar, admira de olho grande e boca aberta os fogos da virada do ano na praia de Copacabana. Está aparentemente sozinho, veste uma bermuda molhada, com os pulsos entrelaçados na altura do umbigo, enquanto em outro plano, na areia, a massa vestida de branco comemora a entrada de 2018. Alguns dão as costas ao menino, ao mar e aos fogos para tirar suas selfies, e outros comemoram absortos o espetáculo. A imagem em preto e branco, tirada pelo fotógrafo Lucas Landau para agência Reuters, está tomando as redes sociais de milhares de brasileiros com infinidade de legendas diferentes. A fotografia fala de um menino negro de nove anos numa praia durante uma festa, mas, vista a repercussão, fala também de como a interpretamos.

Os primeiros compartilhamentos da foto, que originalmente foi enviada em cores à agência, viram nela da “invisibilidade do nosso cotidiano” à “imagem da exclusão social”. Muitos enxergaram um menino perdido, pobre, assustado, sendo ignorado pela massa branca. Viu-se até a imagem das “consequências do golpe” e foi um “soco no estômago” de outros tantos. “Essa é a nossa humanidade hipócrita”, “que essa imagem sirva de reflexão para o que podemos ser em 2018: mais sensíveis, mais tolerantes, mais inclusivos”, “de um lado o encanto. Do outro a indiferença”, legendavam os internautas. Houve também quem, fugindo da interpretação racial, viu a autenticidade de uma criança curtindo o espetáculo enquanto os adultos davam as costas à pirotecnia para tirar seu melhor autorretrato. E também quem aproveitou a imagem e criou memes exaltando pautas da esquerda.

Enquanto a foto viralizava, ativistas do movimento negro lançavam uma outra questão: enxergaríamos essa foto da mesma maneira se o protagonista fosse um menino branco e loiro?

“O problema não é a foto, é a interpretação dela, do seu contexto. As pessoas que olham aquela foto estão precondicionadas a entender que a imagem de uma pessoa negra é associada a pobreza e abandono, quando na verdade é só uma criança negra na praia. Essa precondição é racismo estrutural, que vem da má educação do povo brasileiro sobre ele mesmo”, lamenta o escritor Anderson França. [...]

Sob o apelo “Parem com os estereótipos de crianças negras”, Mayara Assunção, do Coletivo Kianda, um grupo de mulheres negras que discute maternidade, arte, educação e cultura, escrevia: “Eu vejo uma criança que parou para olhar a queima de fogos no meio de uma festa. Sinceramente, nós temos que parar de achar que todo menino negro e sem camisa está abandonado, triste, sozinho, infeliz e contrastando com a felicidade dos outros. Temos que parar de achar que todo menino sozinho é criança que vive em situação de rua. Temos que parar de achar um monte de coisas. Inclusive, que é legal expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com pena e compaixão de nós. Ah, por favor né, a gente tem essa mania horrível de reforçar os estereótipos de nossas crianças: ‘Que pena!’, ‘É o retrato do Brasil!’, ‘Imagem muito impactante, reforça as desigualdades do país’. Parem! Vocês nem sabem quem é aquele menino. E vocês não querem saber também. Para 2018, menos estereótipos para crianças negras por favor.”

Suzane Jardim, educadora e historiadora e cuja reflexão sobre a repercussão da imagem foi compartilhada mais de mil vezes, sustenta que “a questão é perceber como o corpo negro deixa de ser dotado de individualidade para se tornar um símbolo que dialoga com a culpa de pessoas que o percebem como inferior na primeira olhada”. E alerta: Não há na imagem qualquer indicação de status social, precariedade ou abandono. Há uma criança sem camisa no mar observando fogos de artifícios maravilhada em uma imagem que de fato é bela, mas nada diz sobre questões sociopolíticas”. Para Jardim “dar a essa imagem esse caráter de ‘retrato da desigualdade’ é presumir pela corporeidade do sujeito (no caso criança, negra, sem camisa) que ali há precariedade e sofrimento, o que só pode acontecer em uma sociedade que liga a negritude a esses elementos”. [...]

MARTÍN, María. A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro. El País, 3 jan. 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/02/politica/1514924485_498274.html.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

Texto II

Esclarecimento de Landau no Facebook

Fotografo profissionalmente há 12 anos; publico fotos na internet desde 2005. Mas mesmo com anos ou mesmo décadas de experiência, nenhum fotógrafo consegue prever que uma imagem vai viralizar. Jamais adivinharia que uma saída (como falamos no jargão do fotojornalismo) para cobrir fogos de artifício fosse gerar tamanha repercussão.

Fui contratado, e pago, obviamente, para documentar os fogos da festa de réveillon em Copacabana. Nos 17 minutos que tive para compor essa história, aconteceu de encontrar uma criança deslumbrada, assistindo ao espetáculo. A pureza dos seus gestos e o encantamento no seu olhar me tocaram.

Sou contador de histórias, por isso, busco criar vínculos com todos os personagens que cruzam o meu caminho. Acredito que apenas com esses laços, com essa troca, é possível documentar a vida de outro ser humano (como tento aprender com as obras de Ed Kashi, Ron Haviv e Lynsey Addario, entre outros).

No entanto, em 17 minutos, infelizmente, não foi possível criar vínculos com todos os personagens – somou-se a isso o fato de que, encerrado o show pirotécnico, eu deveria voltar para casa o mais depressa possível para transmitir o material para a agência, afinal, eu tinha uma encomenda fotográfica para entregar naquela noite.

A foto de uma criança vidrada nos fogos foi compartilhada, a partir das minhas redes sociais, na tarde do primeiro dia de 2018, em uma velocidade assustadora. Fico contente de ver a fotografia cumprindo seu papel enquanto arte: levantando discussões, ensinando, questionando, gerando debates que nos fazem evoluir como sociedade.

Essa é a minha fala: a foto. É assim que me expresso, fotografando. Não acredito ter algo a acrescentar, além do que já contextualizei. Nesse caso em que a fotografia cria vida própria, a opinião do fotógrafo de nada importa. Cada um projeta as suas próprias bagagens quando olha para o menino no réveillon.

O conheci cinco dias depois da nossa vida ter mudado. Conheci também sua mãe. Foi um encontro emocionante em que pudemos criar nossos vínculos, finalmente. Escolhemos manter esse momento privado, assim como a nossa relação. Pedimos que as pessoas e a imprensa compreendam e nos respeitem.

Agradeço imensamente por todas as mensagens carinhosas que recebi. E agradeço às críticas pois me fazem refletir e me ensinam constantemente. Um 2018 de muitos aprendizados e de muita arte que gere debate. Estamos só começando!

LANDAU, Lucas. Facebook, 6 jan. 2018. Disponível em: www.facebook.com/lucaslandau/posts/10215049874222439.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

1. A leitura de uma fotografia deve combinar a observação do conteúdo (o assunto, a cena fotografada) e a análise dos meios de expressão (linguagem visual, técnicas e escolhas do fotógrafo para captar a imagem)

a. Considerando esses aspectos, comente a descrição da foto apresentada no primeiro parágrafo da reportagem

b. Quais são os grandes contrastes que a foto apresenta, segundo a descrição da jornalista?

2. Segundo a reportagem, a foto “viralizou” devido ao modo como os internautas a interpretaram.

a. Que tipo de significado ou de simbologia os internautas atribuíram à imagem?

b. Os internautas que fizeram essa interpretação criticaram negativamente a foto e/ou o fotógrafo? Explique.

c. Em torno de qual tema girou a polêmica desencadeada pela postagem da foto, segundo a reportagem?

3. O título da reportagem interpreta o tema da foto, afirmando que ela “fala de como vemos um menino negro”

a. Lendo o esclarecimento do fotógrafo (Texto II), podemos afirmar que sua intenção era abordar a temática atribuída pelos internautas à sua foto?

b. O verbo “falar” utilizado no título deve ser entendido literalmente? Explique, levando em conta o comentário do escritor Anderson França no parágrafo 4 do Texto I.

4. Releia o comentário de Mayara Assunção, do Coletivo Kianda (Texto I)

a. A quem se dirige a principal crítica de Mayara?

b. Entre ela e Anderson França há concordância ou discordância? Explique.

c. Mayara poupa de críticas o autor da foto? Explique.






1.

a. Grande parte da descrição ocupa-se do conteúdo, ou seja, dos detalhes da cena fotografada – local, ocasião, personagens, trajes, gestos, comportamentos. Há referência a alguns poucos elementos da linguagem visual: a composição dos planos (o menino na beira do mar, no primeiro plano, e a “massa vestida de branco”, na areia, no segundo plano) e a cor da imagem (preto e branco).

b. Os contrastes entre as personagens: o isolamento do menino no primeiro plano e o ajuntamento da multidão no outro plano; a cor do menino (negra) contra as roupas da multidão (brancas); a admiração silenciosa (boca aberta) do menino e a comemoração dos outros, mais interessados nas selfies; enfim, o contraste do preto e branco da imagem.

2.

a. Os internautas atribuíram à imagem um significado de cunho social, interpretando-a como uma denúncia da situação de abandono das crianças negras e pobres.

b. De modo geral, não criticaram negativamente a foto nem o fotógrafo. Podemos depreender que esses intérpretes gostaram da foto e mesmo a elogiaram, por denunciar eficientemente (“um soco no estômago”) a indiferença, por revelar a “invisibilidade do cotidiano” (invisibilidade dos problemas sociais e da exclusão social).

c. A reportagem afirma que a polêmica girou em torno do preconceito racial a que, segundo alguns internautas, estão sujeitas as crianças negras.

3.

a. Não. Em seu esclarecimento, Lucas Landau não se refere nenhuma vez à temática social – ou seja, à condição social do menino ou à sua cor. Segundo ele, o que lhe chamou a atenção e o levou a tirar a foto foi o deslumbramento da criança com o espetáculo dos fogos, a pureza de seus gestos e o encantamento de seu olhar. Com a frase “essa é a minha fala: a foto”, ele está afirmando que a imagem vale por si mesma, por sua beleza e sensibilidade. Outros significados são projeções de quem a contempla.

b. Não pode ser entendido literalmente, pois, referindo-se a uma mensagem visual, o verbo “falar” tem um sentido figurado. O modo “como vemos um menino negro” é, na verdade, o tema de interpretações feitas pelos internautas. Quem “associa a pobreza e o abandono” à imagem da criança negra são alguns intérpretes da foto, não a própria foto nem o fotógrafo.

4.

a. A crítica de Mayara Assunção dirige-se aos internautas que viram na foto o tema da exclusão social, do abandono e, principalmente, do racismo.

b. Entre ela e o escritor Anderson França há concordância: ele considera que a associação da imagem à pobreza e ao abandono de uma criança negra é “precondicionada” por um “racismo estrutural”; ela considera que essa associação é um estereótipo: se a criança é negra e está sozinha, as pessoas inferem que é pobre, abandonada e infeliz.

c. Não poupa. Embora a foto não seja o centro de suas críticas, mas os internautas, ela atribui ao fotógrafo a intenção de “expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com compaixão de nós”.

 


12 junho 2026

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 2 - 9º ANO 2026

– Leia este fragmento para responder às questões 1 a 3 – 

A 24 de maio de 1863, um domingo, meu tio, o professor Lidenbrock, voltou precipitadamente para sua casinha no número 19 da Königstrasse, uma das ruas mais antigas do velho bairro de Hamburgo.

A boa Marthe deve ter achado que estava muito atrasada, pois o jantar mal começara a chiar no fogão da cozinha. [...]

– O senhor Lidenbrock já chegou! – exclamou Marthe, estupefata, entreabrindo a porta da sala de jantar.

– Já, Marthe; mas o jantar tem o direito de não estar pronto, pois não são nem duas horas.

Acabou de dar a meia hora em São Miguel.

– Então por que o senhor Lidenbrock está de volta?

– Logo saberemos por ele mesmo.

– Ei-lo! Vou sumir, senhor Axel; o senhor se encarregue de fazer com que se mostre razoável.

E a boa Marthe desapareceu em seu laboratório culinário. [...]

Preparava-me para voltar ao meu quartinho no último andar quando as dobradiças da porta rangeram; a escada de madeira estalou sob os grandes pés, e o dono da casa, depois de atravessar a sala de jantar, precipitou-se imediatamente para seu gabinete de trabalho.

Durante a rápida passagem jogara num canto sua bengala com um quebra-nozes na ponta, seu grande chapéu de pelos arrepiados na mesa, e as seguintes palavras retumbantes a seu sobrinho:

– Axel, siga-me!

Eu mal tivera tempo de me mexer, e o professor já gritava num tom vivo de impaciência:

– Vamos! Por que ainda não está aqui?

Corri para o gabinete de meu temível mestre.

VERNE, Júlio. Viagem ao centro da Terra. São Paulo: Ática, 1998.

 

Questão 1

O foco desse fragmento de romance está no(a)

A) obediência de Axel ao seu tio Lidenbrock.

B) atraso no jantar pelo descuido da governanta da casa, Marthe.

C) impaciência do professor diante das reações lentas do sobrinho.

D) quantidade de ruídos e barulhos ao mesmo tempo presentes na casa.

E) tensão gerada pela chegada antecipada do professor Lidenbrock à sua casa.

 

Questão 2

Com base no trecho lido, infere-se que o personagem professor Lidenbrock pode ser caracterizado como

A) inseguro e ansioso.

B) excêntrico e calmo.

C) medroso e discreto.

D) impulsivo e impaciente.

E) reservado e observador.

 

Questão 3

No fragmento, a ordenação temporal da narrativa é construída principalmente por meio da

A) antecipação de fatos futuros, criando expectativa no leitor.

B) descrição detalhada dos ambientes, que suspende a progressão temporal.

C) indicação precisa de data e da sequência de ações encadeadas cronologicamente.

D) alternância entre falas das personagens, que interrompem o avanço do tempo narrativo.

E) retomada de acontecimentos do passado distante por meio de lembranças do narrador.

 

– Leia o conto para responder às questões de 4 a 11 –

Três tesouros perdidos

Uma tarde, eram 4 horas, o sr. X. voltava à sua casa para jantar. O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolet que estava parado à sua porta. Entrou, subiu a escada, penetra na sala, e... dá com os olhos em um homem que passeava a largos passos como agitado por uma interna aflição.

Cumprimentou-o polidamente; mas o homem lançou-se sobre ele, e com uma voz alterada diz-lhe:

– Senhor, eu sou F., marido da Sra. D. E.

– Estimo muito conhecê-lo – responde o Sr. X. –; mas não tenho a honra de conhecer a Sra. D. E.

– Não a conhece! Não a conhece!... Quer juntar a zombaria à infâmia?...

– Senhor!...

E o Sr. X. deu um passo para ele.

– Alto lá!

O Sr. F., tirando do bolso uma pistola, continuou:

– Ou o senhor há de deixar esta Corte, ou vai morrer como um cão!

– Mas, senhor - disse o Sr. X., a quem a eloquência do Sr. F. tinha produzido um certo efeito –, que motivo tem o senhor?...

– Que motivo! É boa! Pois não é um motivo andar o senhor fazendo a corte à minha mulher?

– A corte à sua mulher! Não compreendo!

– Não compreende! Oh! Não me faça perder a estribeira.

– Creio que se engana...

– Enganar-me!.. É boa!... Mas eu o vi... sair duas vezes de minha casa...

– Sua casa!

– No Andaraí... por uma porta secreta... Vamos! Ou...

– Mas, senhor, há de ser outro, que se parece comigo...

– Não; não; é o senhor mesmo... Como escapar-me este ar de tolo que ressalta de toda a sua cara? Vamos, ou deixar a cidade, ou morrer... Escolha!

Era um dilema. O Sr. X. compreendeu que estava metido entre um cavalo e uma pistola; pois toda a sua paixão era ir a Minas. Escolheu o cavalo.

Surgiu, porém, uma objeção.

– Mas, senhor – disse ele –, os meus recursos...

– Os seus recursos! Ah! Tudo previ... Descanse... Eu sou um marido previdente.

E, tirando da algibeira da casaca uma linda carteira de couro da Rússia, diz-lhe:

– Aqui tem dous contos de réis para os gastos da viagem; vamos, parta! Parta imediatamente. Para onde vai?

– Para Minas.

– Oh! A pátria do Tiradentes! Deus o leve a salvamento... Perdoo-lhe, mas não volte mais a esta Corte... Boa viagem!

Dizendo isto, o Sr. F. desceu precipitadamente a escada, e entrou no cabriolet, que desapareceu em uma nuvem de poeira.

O Sr. X. ficou por alguns instantes pensativo. Não podia acreditar nos seus olhos e ouvidos; pensava sonhar. Um engano trazia-lhe dous contos de réis, e a realização de um dos seus mais caros sonhos. Jantou tranquilamente, e daí a uma hora partia para a terra de Gonzaga, deixando em sua casa apenas um moleque encarregado de instruir, pelo espaço de oito dias, aos seus amigos sobre o seu destino.

No dia seguinte, pelas onze horas da manhã, voltava o Sr. F. para a sua chácara de Andaraí; pois tinha passado a noite fora.

Entrou, penetrou na sala, e, indo deixar o chapéu sobre uma mesa, viu ali o seguinte bilhete:

Meu caro esposo! Parto no paquete em companhia do teu amigo P... Vou para a Europa. Desculpa a má companhia; pois melhor não podia ser.

Tua E.

Desesperado, fora de si, o Sr. F. lança-se a um jornal que perto estava: o paquete tinha partido às 8 horas.

– Era P..., que eu acreditava meu amigo... Ah! Maldição! Ao menos não percamos os dous contos! Tornou a meter-se no cabriolet e dirigiu-se à casa do Sr. X., subiu; apareceu o moleque.

– Teu senhor?

– Partiu para Minas.

O Sr. F. desmaiou.

Quando deu acordo de si estava louco... louco varrido!

Hoje, quando alguém o visita, diz ele com um tom lastimoso:

– Perdi três tesouros a um tempo: uma mulher sem igual, um amigo a toda prova, e uma linda carteira cheia de encantadoras notas... que bem podiam aquecer-me as algibeiras!...

Neste último ponto, o doudo tem razão, e parece ser um doudo com juízo.

ASSIS, Machado de. Disponível em: https://machadodeassis.net/texto/tres-tesouros-perdidos/33373. Acesso em: 13 nov. 2025.

 

Questão 4

O conto “Três tesouros perdidos”

A) critica o romantismo exagerado, típico dos casais do século XIX.

B) expõe as vantagens de abandonar a cidade para viver no campo.

C) celebra a coragem e a honra masculina diante das dificuldades.

D) defende a fidelidade conjugal como elemento essencial da vida familiar.

E) ironiza a ingenuidade dos maridos crédulos, que confiam em suas esposas e amigos.

 

Questão 5

Leia as afirmações sobre os elementos narrativos do conto:

I. O autor utiliza o modo direto de apresentação de personagens.

II. O tempo é ordenado linearmente, sem cortes, saltos, desvios ou recuos.

III. O protagonista, Sr. X, é uma caricatura dos maridos ingênuos e traídos.

IV. O ponto culminante do conto é a leitura do bilhete da esposa.

 

Estão corretas apenas as afirmações:

A) II e III.

B) III e IV.

C) II, III e IV.

D) II e IV.

E) I, III e IV

 

Questão 6

No desfecho do conto, o narrador apresenta o Sr. F. já louco, repetindo sempre a mesma queixa sobre os “três tesouros” perdidos. O efeito produzido por esse final é o de

A) reforçar a moralidade da história, mostrando que a virtude sempre é recompensada ao final.

B) apresentar a loucura como punição exemplar para todas as personagens envolvidas na confusão.

C) destacar o sofrimento profundo do Sr. F., convidando o leitor a compadecer-se sinceramente de seu destino.

D) valorizar a ação heroica do Sr. X, que teria enfrentado os riscos para defender sua honra e sua integridade.

E) evidenciar o ridículo da situação, expondo como o ciúme precipitado e os equívocos conduzem a um final cômico e inesperado.

 

Questão 7

No trecho “Perdoo-lhe, mas não volte mais a esta Corte...”, a conjunção coordenativa estabelece, entre as orações, a relação de sentido de

A) adição.

B) conclusão.

C) alternância.

D) explicação.

E) adversidade.

 

Questão 8

No período “O Sr. X. compreendeu que estava metido entre um cavalo e uma pistola”, a oração em destaque exerce a função sintática de

A) complemento nominal do verbo “compreender”.

B) predicativo do sujeito da oração principal.

C) objeto direto do verbo “compreender”.

D) aposto explicativo do sujeito.

E) adjunto adverbial de modo.

 

Questão 9

Considere estes dois períodos do conto.

I. O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolet que estava parado à sua porta.

II. Dizendo isto, o Sr. F. desceu precipitadamente a escada, e entrou no cabriolet, que desapareceu em uma nuvem de poeira.

 

As orações adjetivas em destaque apresentam as seguintes características:

A) A primeira restringe o sentido de “cabriolet”, enquanto a segunda acrescenta uma informação acessória a esse mesmo termo.

B) A primeira é desenvolvida e a segunda é reduzida, diferenciando-se pela forma verbal empregada.

C) Ambas são explicativas, acrescentando informações acessórias sobre o termo antecedente.

D) A primeira é explicativa, ao passo que a segunda é restritiva, modificando o sentido.

E) Ambas são restritivas, limitando o sentido dos termos a que se referem.

 

Questão 10

No trecho “O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolet [...]”, o pronome relativo em destaque estabelece função

A) apenas anafórica, pois retoma o termo anterior sem introduzir nova oração.

B) causal, porque indica a causa pela qual o personagem não percebeu o cabriolet.

C) simultaneamente anafórica e conectiva, pois retoma o termo “O apetite” e introduz a oração “que levava”.

D) apenas conectiva, pois introduz uma oração que não mantém relação com o termo antecedente “O apetite”.

E) explicativa, pois acrescenta uma informação sobre o termo antecedente, sem estabelecer relação sintática de retomada.

 

Questão 11

No trecho “dá com os olhos em um homem que passeava a largos passos como agitado por uma interna aflição”, o efeito da oração adjetiva é

A) ampliar o sentido do termo “homem”, sugerindo características gerais aplicáveis a qualquer pessoa em situação semelhante.

B) acrescentar uma informação secundária e acessória sobre o homem, funcionando como comentário explicativo.

C) indicar a causa da aflição sentida pelo homem, explicando por que ele caminhava a passos largos.

D) caracterizar o homem de modo a permitir sua identificação específica na cena, limitando o sentido.

E) apresentar uma consequência da ação principal, indicando o que aconteceu após a personagem ver o homem.

 

Questão 12 



Na interlocução entre as personagens da tira, a linguagem

A) está de acordo com a norma-padrão, para se adequar ao gênero textual.

B) é informal, pois se trata de comunicação oral em uma situação descontraída.

C) enquadra-se no registro coloquial, gerando falta de entendimento na comunicação.

D) varia com o objetivo de demonstrar o baixo nível de escolaridade das falantes.

E) varia com o objetivo de indicar o sotaque da região onde cada personagem vive.

 

– Leia esta introdução de uma carta aberta para responder às questões de 13 a 15 –

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO BRASILEIRA

Prezados Cidadãos e Cidadãs,

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. No Brasil o processo iniciou-se a partir de 1960 e as mudanças se dão a largos passos. Em 1940, a população brasileira era composta por 42% de jovens com menos de 15 anos enquanto os idosos representavam apenas 2,5%. No último Censo realizado pelo IBGE, em 2010, a população de jovens foi reduzida a 24% do total. Por sua vez, os idosos passaram a representar 10,8% do povo brasileiro, ou seja, mais de 20,5 milhões de pessoas possuem mais de 60 anos, isto representa incremento de 400% se comparado ao índice anterior. A estimativa é de que nos próximos 20 anos esse número mais que triplique.

Infelizmente, nosso País ainda não está preparado para atender às demandas dessa população. A Política Nacional do Idoso assegura, em seu art. 2º, direitos que garantem oportunidades para a preservação de sua saúde física e mental, bem como seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social em condições de liberdade e dignidade.

Apesar de avanços, como a aprovação do Estatuto do Idoso, a realidade é que os direitos e necessidades dos idosos ainda não são plenamente atendidos. No que diz respeito à saúde do idoso, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não está preparado para amparar adequadamente esta população. [...]

Disponível em: https://portal.cfm.org.br/noticias/carta-da-sociedade-brasileira-de-geriatria-e-gerontologia-chama-atencaopara-avancos-e-fragilidades-da-atencao-a-saude-do-idoso. Acesso em: 14 nov. 2025

 

Questão 13

Essa carta aberta tem a finalidade de

A) narrar episódios históricos que explicam a formação demográfica do país.

B) relatar experiências individuais de idosos atendidos pelo Sistema Único de Saúde.

C) instruir os cidadãos sobre como acessar serviços de saúde voltados à população idosa.

D) prestar homenagem às pessoas idosas que contribuíram para o desenvolvimento do Brasil.

E) alertar a população e o poder público sobre problemas e necessidades relacionados ao envelhecimento no Brasil.

 

Questão 14

Uma opinião presente na carta aberta é

A) “A estimativa é de que nos próximos 20 anos esse número mais que triplique.”.

B) “No Brasil o processo iniciou-se a partir de 1960 e as mudanças se dão a largos passos.”.

C) “Infelizmente, nosso País ainda não está preparado para atender às demandas dessa população.”.

D) “Em 1940, a população brasileira era composta por 42% de jovens com menos de 15 anos enquanto os idosos representavam apenas 2,5%.”.

E) “os idosos passaram a representar 10,8% do povo brasileiro, ou seja, mais de 20,5 milhões de pessoas possuem mais de 60 anos, isto representa incremento de 400% se comparado ao índice anterior.”.

 

Questão 15

O argumento do trecho “No último Censo realizado pelo IBGE, em 2010, a população de jovens foi reduzida a 24% do total.” é do tipo

A) argumento histórico.

B) argumento por raciocínio lógico.

C) argumento de comparação.

D) argumento por exemplificação.

E) argumento de provas concretas.

 

Questão 16

A seguir, veja o passo a passo para fazer o download do WhatsApp no seu celular e tire suas dúvidas para concluir o registro na plataforma.

1. Acesse a Google Play Store ou App Store para baixar o WhatsApp

Entre na loja de aplicativos do seu celular e digite “WhatsApp” na barra de pesquisas, no topo da tela. Toque em “Instalar” (ou “Obter”) e aguarde o download do mensageiro. Então, toque em “Abrir”.

2. Selecione o idioma e aceite os Termos de Serviço

Selecione o idioma para configurar o WhatsApp e toque na seta verde, no canto inferior direito, para avançar. Depois, leia e aceite os Termos de Serviço tocando em “Concordar e continuar”.

3. Informe seu número para criar uma conta no WhatsApp

Insira um número de telefone válido, com DDD, para criar uma nova conta no WhatsApp. O número não pode ter sido usado em outra conta existente. Na tela seguinte, confirme o número tocando em “Sim”. [...]

Disponível em: https://tecnoblog.net/responde/como-criar-um-whatsapp-veja-como-baixar-instalare-fazer-uma-conta-no-mensageiro/. Acesso em: 14 nov. 2025.

 

A partir da leitura do trecho, conclui-se que sua finalidade é

A) orientar o leitor, de maneira sequencial e objetiva, sobre como instalar o WhatsApp e criar uma conta no aplicativo.

B) apresentar a história do WhatsApp, explicando sua criação e as principais atualizações do aplicativo desde o lançamento.

C) convencer o leitor a baixar o WhatsApp ao destacar as vantagens do mensageiro em relação a outros aplicativos de comunicação.

D) relatar a experiência de um usuário iniciante que teve dificuldade para instalar o WhatsApp e precisou de ajuda para concluir o processo.

E) comparar diferentes lojas de aplicativos disponíveis para celulares, explicando as diferenças entre a Google Play Store e a App Store.

 

Questão 1

Read the text.

Fast fashion does not only have a huge environmental impact. In fact, the industry also poses societal problems, especially in developing economies. According to non-profit Remake, 80% of apparel is made by young women between the ages of 18 and 24. A 2018 US Department of Labor report found evidence of forced and child labour in the fashion industry in Argentina, Bangladesh, Brazil, China, India, Indonesia, Philippines, Turkey, Vietnam and others. Rapid production means that sales and profits supersede human welfare.

Disponível em: https://earth.org/fast-fashions-detrimental-effect-on-the-environment/. Acesso em: 14 out. 2025.

 

Read the sentences below about fast fashion and write T for True or F for False.

1. Fast fashion has only environmental impacts and does not affect society.

2. The majority of apparel is made by young women aged 18 to 24.

3. Evidence of forced and child labor in the fashion industry has only been reported in countries like Bangladesh, India, and Brazil.

4. Fast fashion prioritizes human welfare over profits and sales.

5. Non-profit organizations, like Remake, provide data on societal problems in the fashion industry.

A) T, T, F, F, F

B) F, F, T, T, T

C) F, T, F, F, F

D) F, F, F, F, F

E) T, F, T, F, T

 

Questão 2

Read the text.

Gen Z

Born between 1997 and 2012, they represent a significant consumer force with an estimated global annual spending power exceeding $450 billion in 2024 (Source: Statista, 2024).

This generation prioritizes experiences, digital goods, and sustainable brands. They are heavily influenced by social media, often relying on recommendations and reviews from peers and influencers when making purchasing decisions.

Gen Z consumers are also more likely to support brands that align with their values, such as those that prioritize social responsibility, environmental sustainability, and diversity and inclusion.

• Over 50% of Gen Z consumers prefer to shop online.

• 45% of Gen Z consumers discover new products through social media.

• 60% of Gen Z consumers are influenced by influencer recommendations when making purchasing decisions.

• 60% of Gen Z consumers are willing to pay a premium for sustainable products.

Disponível em: https://porchgroupmedia.com/blog/generational-consumer-shopping-trends/. Acesso em: 14 out. 2025.

 

According to the text, what most influences Gen Z consumers when making purchasing decisions?

A) Recommendations from influencers and peers.

B) Direct sales representatives.

C) Television advertisements.

D) Newspaper reviews.

E) Family traditions.

 

Questão 3

Complete the sentences with the present perfect tense and the prepositions “for” or “since”. Use the verbs in parentheses.

1. I ___________ clothes online ___________ three years. (to buy)

2. She ___________ a loyal customer of that brand ___________ 2020. (to be)

3. We ___________ to the shopping mall ___________ last summer. (to go/negative)

4. My parents ___________ groceries online ___________ a long time. (to order)

5. He ___________ the same credit card ___________ he started working. (to use)

 

Check the correct alternative.

A) bought, since / was, for / went, for / has ordered, since / used, for.

B) has bought, since / has been, since / have gone, for / has ordered, for / used, for.

C) have bought, for / has been, since / have gone, since / ordered, since / have used, since.

D) has bought, for / have been, since / haven’t gone, for / has ordered, since / has used, since.

E) have bought, for / has been, since / haven’t gone, since / have ordered, for / has used, since.

 

Questão 4

Read the text.

Cultural heritage has a significant impact on food choices, influencing the types of foods consumed, cooking methods, and meal patterns. For instance, many African cultures have a strong tradition of consuming stews and soups, which are often made with locally available ingredients and cooked over an open flame.

Cultural Heritage → Food Choices → Traditional Cuisine → Cooking Methods → Meal

Patterns

Disponível em: https://www.numberanalytics.com/blog/cultural-views-on-food-and-health#:~:text=Different%20societies%20have%20unique%20perspectives%20on%20nutrition%2C%20shaped,on%20nutrition%2C%20and%20the%20implications%20for%20global%20health. Acesso em: 8 dez. 2025.

 

According to the text, how does cultural heritage influence food choices?

A) It only determines which foods are forbidden in each culture.

B) It influences the types of foods consumed, cooking methods, and meal patterns.

C) It affects only the way food is presented.

D) It exclusively defines meal times in all cultures.

E) It impacts only the use of processed ingredients in recipes.

 

Questão 5

Read the text.

What is responsible consumption?

Responsible consumption aims to integrate social, environmental, and ethical aspects into purchasing decisions. Consumers committed to this model are informed individuals who seek to minimize the environmental footprint of their actions and have a positive impact on society.

When it comes to addressing excessive consumption, responsible purchasing is guided by the following principles:

• Reduction: The aim is to limit consumption, while assessing the need for certain purchases.

• Energy efficiency: Consumers also seek efficient, low-consumption products that can be reused or recycled.

• Preventing negative effects on the environment: Finally, consumers check that the components don’t have a negative effect on the environment once the item reaches its useful life.

The “use and throw away” linear economy has environmental consequences, as it creates waste. This waste decomposes in anaerobic conditions, generating methane (CH4), CO2 and other gases that contribute to global warming and, consequently, climate change. The transition from a linear to a circular economy model can mitigate these negative effects of consumption. Until now, actions to promote the circular economy in Europe have focused mainly on responsible production and the role of companies and industries, displacing the role of consumers, who are essential in this transition towards an economic model of more responsible development.

Disponível em: https://www.repsol.com/en/energy-move-forward/energy/responsible-consumption/index.cshtml. Acesso em: 8 dez. 2025.

 

Match each concept (1–5) with the correct definition (a–e) based on the text about responsible consumption.

Concepts

1. Responsible consumption

2. Reduction

3. Energy efficiency

4. Environmental impact

5. Circular economy

Definitions

I. A system that aims to minimize waste by reusing, recycling, and keeping resources in use for as long as possible.

II. Choosing products that use less energy and can be reused or recycled.

III. Buying less and evaluating whether each purchase is truly necessary.

IV. A form of consumption that considers social, environmental, and ethical aspects.

V. The negative consequences that discarded products can cause to nature, including greenhouse gas emissions.

Check the correct alternative.

A) 1I, 2II, 3III, 4IV, 5V.

B) 1II, 2I, 3IV, 4V, 5III.

C) 1IV, 2III, 3II, 4V, 5I.

D) 1III, 2IV, 3I, 4II, 5V.

E) 1V, 2I, 3III, 4II, 5IV.

LEITURA DE IMAGEM: REDES SOCIAIS

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