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19 setembro 2026

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 3 - 9º ANO 2026

– Leia o texto para responder às questões de 1 a 4 –

Faço parte do povo indígena Wapichana da comunidade Truaru da Cabeceira, na zona rural do município de Boa Vista, capital de Roraima. Meus pais tiveram oito filhos, sendo eu a caçula. Minha mãe quis ver os filhos na escola, e essa foi uma das razões da mudança para a capital. Meu pai, que é originário de outra comunidade indígena chamada Guariba, no município de Amajari (RR), nunca gostou da ideia de morar na cidade e, por isso, permaneceu na comunidade. Cresci entre esses dois mundos: o indígena e o não indígena.

Eu era uma das poucas indígenas na escola em Boa Vista. Não tenho como esconder a minha identidade: está no meu jeito de ser, na minha aparência, nos meus valores e na minha família. Às vezes era chamada de “caboquinha”, uma forma de menosprezar minha origem. Era como se dissessem: “Você é pobre, boba e marginalizada. Você vive no mato e não sabe de nada.” Apesar de nós, indígenas, sofrermos discriminação quando estudamos ou trabalhamos nas cidades, eu me sentia desafiada a me esforçar e a me destacar. Os Wapichana são conhecidos por serem pacientes, calmos e ótimos observadores. Eu prestava atenção nas aulas e me saía bem nos estudos.

Pelo que me lembro, foi aos 11 anos de idade que vi um aparelho de televisão pela primeira vez. Olhei as imagens de longe, na casa de um vizinho em Boa Vista. Fui escondida porque minha mãe não gostava que eu frequentasse a vizinhança. Ela tinha medo de entrar na casa dos vizinhos por temer acusações. Ela dizia: “Se você for à casa do vizinho e sumir alguma coisa, vão dizer que foi você quem pegou.”

WAPICHANA, Joania. O marco temporal esconde outras ameaças. 19 jul. 2023. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/o-marco-temporal-esconde-outras-ameacas/. Acesso em: 10 fev. 2026.

 

Questão 1

No depoimento, a autora afirma que cresceu entre “dois mundos”. Essa expressão indica que ela

A) deixou de conviver com sua comunidade indígena ao iniciar sua vida escolar na capital.

B) manteve contato com a cultura indígena e com a vida urbana ao longo de sua formação.

C) viveu alternando sua convivência entre diferentes cidades brasileiras ao longo de sua infância.

D) teve dificuldade em reconhecer sua identidade cultural ao conviver com pessoas de origens diferentes.

E) passou a adotar costumes urbanos após mudar-se para a cidade para evitar situações de discriminação.

 

Questão 2

Releia o seguinte trecho.

“Apesar de nós, indígenas, sofrermos discriminação quando estudamos ou trabalhamos nas cidades, eu me sentia desafiada a me esforçar e a me destacar. Os Wapichana são conhecidos por serem pacientes, calmos e ótimos observadores.”

A oração em destaque é subordinada adverbial porque

A) acrescenta uma informação explicativa sobre as características do povo Wapichana.

B) apresenta o motivo que leva a autora a se esforçar e a buscar destaque nos estudos.

C) estabelece uma condição necessária para que a autora consiga se destacar na escola.

D) expressa uma circunstância de oposição em relação à atitude de se esforçar e se destacar.

E) indica uma circunstância de tempo relacionada ao período em que a autora estudava na cidade.

 

Questão 3

Releia o seguinte trecho.

“Fui escondida porque minha mãe não gostava que eu frequentasse a vizinhança.”

 

A relação de sentido estabelecida entre as orações desse período é de

A) temporalidade, pois a autora frequentava a vizinhança quando sua mãe desaprovava isso.

B) causa, pois o motivo de a autora frequentar escondida a vizinhança era sua mãe não gostar.

C) finalidade, pois a autora frequentava a vizinhança com o objetivo de gerar insatisfação na mãe.

D) proporcionalidade, pois, quanto mais a mãe proibia a autora de ir à vizinhança, mais ela queria ir.

E) condição, pois a ação de frequentar escondida a vizinhança dependia da desaprovação da mãe.

 

Questão 4

Releia o seguinte trecho.

“Se você for à casa do vizinho e sumir alguma coisa, vão dizer que foi você quem pegou.”

 

Nesse período, a oração subordinada adverbial é

A) condicional.

B) concessiva.

C) consecutiva.

D) comparativa.

E) conformativa.

 

Questão 5

Leia o texto a seguir

Recordarei sempre nitidamente porque foi simples e sem circunstâncias inúteis. Irene estava tricotando em seu quarto, eram oito da noite e, de repente, eu me lembrei de levar a chaleira do mate ao fogo. Fui pelo corredor até chegar à porta de carvalho, que estava entreaberta, e dava a volta ao cotovelo que levava à cozinha quando ouvi alguma coisa na sala de jantar ou na biblioteca. O som vinha impreciso e surdo, como o tombar de uma cadeira sobre o tapete ou um abafado murmúrio de conversação. E o ouvi, também, ao mesmo tempo ou um segundo depois, no fundo do corredor que vinha daquelas peças até a porta. Atirei-me contra a porta antes que fosse demasiado tarde, fechei-a violentamente, apoiando meu corpo; felizmente a chave estava do nosso lado e, além disso, passei nessa porta o grande ferrolho para maior segurança.

Fui então à cozinha, fervi a água da chaleira e, quando voltei com a bandeja do mate, disse a Irene:

– Tive que fechar a porta do corredor. Tomaram a parte dos fundos.

Deixou cair o tricô e me olhou com os seus graves olhos cansados.

– Você tem certeza?

Disse que sim.

– Então – disse, recolhendo as agulhas – teremos que viver neste lado.

[...] Os primeiros dias nos pareceram penosos porque ambos tínhamos deixado muitas coisas que amávamos na parte tomada. Meus livros de leitura francesa, por exemplo, estavam todos na biblioteca. Irene sentia falta de umas toalhas, um par de chinelas que a abrigavam muito no inverno. [...]

CORTÁZAR, Júlio. Casa tomada. Disponível em: https://www.ifmg.edu.br/governadorvaladares/noticias/dialogos-debate-conto-doliterato-argentino-julio-cortazar/texto-casa-tomada-de-julio-cortazar.pdf. Acesso em: 24 mar. 2026.

 

O fragmento apresenta características do gênero fantástico porque

A) narra fatos com base em acontecimentos reais e comprováveis.

B) relata uma experiência pessoal do narrador explicada de forma lógica.

C) apresenta acontecimentos impossíveis que são aceitos como normais pelos personagens.

D) descreve uma situação comum do cotidiano, sem elementos que causem estranhamento.

E) introduz um elemento estranho cuja natureza não é esclarecida, gerando dúvida sobre o que ocorreu.

 

– Leia o texto para responder às questões de 6 a 8 –


@minsaude As brincadeiras são o momento ideal para reduzir o tempo de tela e incentivar a atividade física.

Ao ar livre, no bairro, ou em qualquer outra área da cidade, jogos, esportes e movimento fortalecem a saúde e melhoram o sono, o humor e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Espaços públicos, inclusão e participação fazem a diferença para todos. #SaúdeDasCrianças #AtividadeFísica

 

Comentários

Comentário 1: Isso tudo é muito saudável. Mas, as pessoas não têm espaços de lazer, e quando têm é dominado pelo tráfico ou pela violência. De quais crianças e territórios estamos falando?

Comentário 2: Esse direito deveria ser executado dentro do lar, nos espaços urbanos (programados para as crianças brincarem livres) e nas ESCOLAS. No plano atual/programa escolar supervisionado pelo Ministério da Educação deveria ser OBRIGATÓRIO “o brincar”, como matéria tão importante quanto as outras. A quantidade de matéria exigida só permite um intervalo de 15 minutos (para comer, ir ao banheiro e brincar). Tem que priorizar a criança!

MINISTÉRIO DA SAÚDE. @minsaude. Disponível em:  https://www.instagram.com/p/DUlObpUlZXz/?igsh=MTQ2YWV2MWxxYmRv. Acesso em: 10 fev. 2026. (Adaptado).

 

Questão 6

A comparação entre os comentários ao post governamental mostra que

A) o primeiro comentário defende a obrigatoriedade do brincar nas escolas, e o segundo critica a proposta do post.

B) os dois comentários concordam com o post e acrescentam exemplos de atividades para crianças para ilustrar o tema.

C) o primeiro comentário apresenta propostas de políticas públicas, enquanto o segundo relata uma experiência pessoal.

D) ambos apresentam críticas ao post com linguagem inadequada e sem relação com o tema das brincadeiras infantis.

E) o primeiro comentário questiona as condições reais de acesso ao lazer, e o segundo propõe medidas institucionais para garantir o direito de brincar.

 

Questão 7

No trecho do comentário 1, “Isso tudo é muito saudável. Mas, as pessoas não têm espaços de lazer, e quando têm é dominado pelo tráfico ou pela violência”, a conjunção “mas” funciona como um operador argumentativo com o efeito de sentido de

A) retomar a ideia principal do post governamental para reafirmá-la com maior ênfase argumentativa.

B) introduzir uma explicação para a afirmação inicial de que a prática é saudável, detalhando suas causas.

C) estabelecer uma condição para que a prática mencionada anteriormente possa ocorrer nos territórios citados.

D) contrapor a ideia inicial de que a prática é saudável, problematizando sua viabilidade diante da falta de espaços seguros de lazer.

E) acrescentar uma informação complementar sobre o tema do brincar, sem alterar a orientação argumentativa do enunciado.

 

Questão 8

Releia o trecho:

“Esse direito deveria ser executado dentro do lar, nos espaços urbanos (programados para as crianças brincarem livres) e nas ESCOLAS. No plano anual/programa escolar supervisionado pelo Ministério da Educação deveria ser OBRIGATÓRIO “o brincar”, como matéria tão importante quanto as outras.”

 

Nesse trecho do comentário 2, o uso de letras maiúsculas nas duas palavras tem a função de

A) retomar termos mencionados no post governamental.

B) conferir destaque visual a informações secundárias do comentário.

C) enfatizar elementos considerados centrais pelo autor do comentário.

D) expressar ironia em relação à importância atribuída ao brincar no contexto escolar.

E) indicar nomes próprios relacionados a instituições responsáveis pela política educacional mencionada.

 

Questão 9

Leia o texto a seguir.

A cada canto um grande conselheiro,

Que nos quer governar cabana e vinha;

Não sabem governar sua cozinha,

E podem governar o mundo inteiro.

 

Em cada porta um bem frequente olheiro,

Que a vida do vizinho e da vizinha

Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,

Para o levar à praça e ao terreiro.

MATOS, Gregório. Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia. In: ______. Poemas escolhidos. Seleção e organização de José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

 

As duas estrofes apresentam exemplos de comportamentos criticados no poema. O alvo da sátira e as características dessas figuras caricaturadas são o(s)

A) povo pobre da cidade, caracterizado pela ignorância política e pela incapacidade de participar da vida pública.

B) governantes da cidade, retratados como inexperientes e incapazes de exercer funções administrativas básicas.

C) trabalhadores rurais, representados como curiosos e responsáveis por espalhar notícias no espaço público.

D) comerciantes locais, descritos como ambiciosos e preocupados em ampliar sua influência econômica e social.

E) indivíduos que opinam sobre a vida alheia, retratados como fofoqueiros e incapazes de administrar a própria vida.

 

– Leia o texto para responder às questões de 10 a 13 –

Do celular à IA: desafios e oportunidades da educação digital

Escolas públicas e privadas estão se movimentando para incluir novos conteúdos em seus currículos e envolver a comunidade em seu planejamento, seguindo determinação do Conselho Nacional de Educação para 2026

O Conselho Nacional de Educação determinou que 2026 será o ano da implementação da educação digital e midiática nas escolas brasileiras. Ou seja, o tema já não é mais uma escolha, pois o próprio MEC (Ministério da Educação) o reconhece como uma necessidade. E, dada a importância de tópicos como a proibição de celulares nas escolas, o uso (ou restrição) da inteligência artificial em sala de aula, o combate ao bullying e ciberbullying, a implementação do ECA Digital, etc., a introdução curricular dessa área do conhecimento é urgente. Em função disso, escolas públicas e privadas estão se movimentando para não apenas abordar esses conteúdos, mas envolver toda a comunidade escolar em seu planejamento, para que compreendam o que são e para que servem. A ideia é entender que são transversais e parte da vida cotidiana das crianças e adolescentes – portanto, todos têm seu papel a desempenhar nessa tarefa.

ALVES, J. C. Do celular à IA: desafios e oportunidades da educação digital. Nexo Jornal, 5 fev. 2026. Disponível em: www.nexojornal.com.br/colunistas/2026/02/05/educacao-digital-implementacaoescolas-2026-januaria-cristina-alves-opiniao. Acesso em: 12 fev. 2026.

 

Questão 10

O trecho do artigo de opinião apresenta como ideia central que o(a)

A) uso da inteligência artificial em sala de aula representa um risco ao ensino e deve ser restringido para evitar prejuízos pedagógicos.

B) educação digital deve ser aplicada exclusivamente pelos professores, pois envolve conteúdos técnicos específicos da área tecnológica.

C) proibição do uso de celulares nas escolas constitui a principal medida para melhorar a aprendizagem e reduzir conflitos entre estudantes.

D) educação digital e midiática passa a ser uma necessidade curricular e requer a participação de toda a comunidade escolar em sua implementação.

E) bullying e o ciberbullying devem ser enfrentados prioritariamente por políticas públicas externas, independentes das ações desenvolvidas no contexto escolar.

 

Questão 11

Nesse trecho de artigo de opinião, o tipo textual predominante é o

A) injuntivo, pois orienta escolas e comunidade escolar sobre como devem agir para implementar a educação digital no cotidiano escolar.

B) descritivo, pois apresenta características do contexto educacional brasileiro e detalha elementos que compõem a educação digital nas escolas.

C) narrativo, pois relata acontecimentos situados no tempo, como decisões institucionais e ações das escolas, organizando fatos em sequência.

D) argumentativo, pois defende uma posição pessoal da autora ao avaliar as políticas educacionais e tentar convencer o leitor a aderir a esse posicionamento.

E) expositivo, pois informa sobre a determinação do Conselho Nacional de Educação, explica a importância da inclusão da educação digital e midiática no currículo escolar e informa sobre a movimentação de escolas para que toda a comunidade escolar seja envolvida no planejamento.

 

Questão 12

Releia o trecho:

“E, dada a importância de tópicos como a proibição de celulares nas escolas, o uso (ou restrição) da inteligência artificial em sala de aula, o combate ao bullying e ciberbullying, a implementação do ECA Digital, etc., a introdução curricular dessa área do conhecimento é urgente.”

 

Nesse trecho, o movimento argumentativo presente é o de

A) refutação, pois contesta a ideia de que a educação digital deva integrar o currículo escolar.

B) sustentação, pois expressa concordância com a tese de que a educação digital deve integrar o currículo.

C) refutação, pois rejeita a necessidade de abordar temas como inteligência artificial e ciberbullying no contexto escolar.

D) negociação, pois reconhece a relevância da educação digital, mas defende que sua implementação deve ser opcional para as escolas.

E) negociação, pois concorda com a presença de tecnologias na escola, mas discorda de sua regulamentação institucional.

 

Questão 13

No título do artigo de opinião, “Do celular à IA: desafios e oportunidades da educação digital”, as palavras “desafios” e “oportunidades” antecipam ao leitor que o texto abordará

A) a defesa de que tecnologias digitais devem substituir métodos tradicionais de ensino nas escolas.

B) uma descrição neutra de recursos tecnológicos disponíveis para uso escolar, sem avaliação do fenômeno.

C) a ideia de que a implementação da educação digital ocorrerá sem impactos relevantes para a comunidade escolar.

D) a rejeição da educação digital, apresentada como tendência prejudicial ao processo de ensino-aprendizagem.

E) uma avaliação que reconhece simultaneamente problemas e circunstâncias oportunas da educação digital no contexto escolar.

 

Questão 14

Leia o texto a seguir.

Papos

– Me disseram...

– Disseram-me.

– Hein?

– O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.

– Eu falo como quero. [...]

VERISSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

 

A comparação entre as formas “me disseram” e “disseram-me” evidencia que a norma-padrão da língua portuguesa recomenda que o pronome oblíquo átono

A) ocupe posição livre na frase.

B) venha antes do verbo em quaisquer situações.

C) ocorra antes do verbo quando inicia o período.

D) seja colocado depois do verbo em início de período.

E) apareça antes ou depois do verbo a depender da ênfase desejada.

 

Questão 15

Leia o texto a seguir.

A revolta das crianças no Roblox: sobre o direito à fala

Protestos virtuais em plataforma de jogos têm muito a ensinar sobre autonomia e liberdade, segurança e participação, sobre o equilíbrio necessário entre proteger e privar.

ALVES, J. C. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2026/01/22/placas-roblox-protesto-felca. Acesso em: 12 fev. 2026.

 

No título e no subtítulo do artigo de opinião, as expressões “sobre o direito à fala” e “têm muito a ensinar” antecipam ao leitor o ponto de vista da articulista, que

A) defende que manifestações virtuais infantis representam riscos à segurança e devem ser proibidas.

B) sugere que os protestos são episódios isolados sem relevância para a discussão sobre direitos infantis.

C) aconselha pais e responsáveis a evitar que crianças utilizem as plataformas digitais para se manifestar.

D) é a favor da participação ativa das crianças em debates que envolvem seus direitos no ambiente digital.

E) considera os protestos virtuais um problema de indisciplina que deve ser contido por meio de maior controle adulto sobre as crianças.

 

Questão 16

Leia o texto a seguir.

Sobre o blogue

Você está no Blogue do Ernani Terra, professor e autor de diversos livros nas áreas de língua portuguesa, literatura de língua portuguesa, leitura e produção de textos.

Este blogue (prefiro a forma aportuguesada) é um espaço para falar de língua e literatura, por meio de conteúdos relevantes. Como foi pensado para ser lido, privilegiou-se um leiaute que favorece a leitura, que pode até ser feita em modo focado, bastando clicar no ícone que está no início de cada post, que vem precedido de uma estimativa de tempo para a leitura.

Disponível em: https://www.ernaniterra.com.br/blogue-do-ernani-terra/#:~:text=Voc%C3%AA%20est%C3%A1%20no%20Blogue%20do,por%20meio%20de%20conte%C3%BAdos%20relevantes. Acesso em: 19 fev. 2026.

 

As palavras “blogue” e “leiaute”, usadas pelo autor na apresentação do seu site, são estrangeirismos assimilados pela língua portuguesa por um processo de

A) xenismo, já que mantêm as formas gráficas de origem.

B) decalque, já que os estrangeirismos são traduzidos com exatidão.

C) adaptação, pois se acomodam às formas gráficas da língua portuguesa.

D) sigla, pois as expressões estrangeiras são representadas pelas iniciais das palavras que as compõem.

E) adaptação e xenismo, respectivamente, pois a primeira se acomoda à língua portuguesa e a segunda mantém a forma de origem.

 

Questão 1

Read the text.

Understanding Sustainable Housing

Sustainable housing is essential for creating a greener and more sustainable future. It encompasses the design, construction, and operation of residential buildings that prioritize energy efficiency, environmental responsibility, and social and economic sustainability.

At its core, this type of housing aims to minimize environmental impact and maximize the health and well-being of its occupants. It considers various factors, including using energy efficiently, conserving water, using renewable materials, reducing waste, and ensuring good indoor air quality.

The key principles of sustainable housing focus on reducing energy consumption, conserving resources, promoting social equity, and ensuring long-term affordability. By incorporating these principles into the design and construction process, such housing projects can significantly reduce carbon emissions, conserve water, and create healthier living spaces.

Sustainable housing offers numerous benefits for individuals and the community. Energy-efficient homes reduce utility bills and overall energy consumption, resulting in cost savings for homeowners. Additionally, this type of housing improves indoor air quality, reduces exposure to harmful chemicals, and promotes healthier living environments.

Furthermore, sustainable housing contributes to community well-being by reducing strain on local resources and infrastructure. It helps mitigate climate change by reducing greenhouse gas emissions and reliance on fossil fuels. Additionally, such housing projects often create job opportunities and support local economies.

Available at: What is Sustainable Housing? - Steers Global Real Assets. Accessed on: January 23, 2026.

 

Which option best explains how sustainable housing benefits both individuals and the community, according to the text?

A) By lowering construction costs while increasing the use of fossil fuels.

B) By improving indoor air quality and reducing pressure on local resources.

C) By promoting rapid urban expansion and higher energy consumption.

D) By replacing renewable materials with cheaper alternatives.

E) By focusing exclusively on environmental issues and ignoring social factors.

 

Questão 2

Read the sentences below about how to use debate language. Decide which option correctly identifies the statements as true (T) or false (F).

1. “I believe that sustainable transport is essential” is an example of starting your argument.

2. “Do you have any evidence to support that?” is an example of agreeing with someone.

3. “Overall, sustainable cities reduce pollution” is an example of summarizing your argument.

4. “I see it differently because green spaces are more important than skyscrapers” is an example

of disagreeing.

5. “Although I agree with renewable energy, I think affordability is a challenge” is an example of conceding a point.

 

Choose the correct alternative:

A) (T), (T), (F), (T), (F)

B) (F), (F), (T), (T), (T)

C) (T), (F), (T), (T), (T)

D) (T), (T), (T), (F), (T)

E) (F), (T), (T), (T), (F)

 

Questão 3

Read the sentence below:

“If cities invested more in public transport, people would use their cars less, and pollution

would decrease.”

What does the use of the second conditional in this sentence show?

A) It describes a real situation that is already happening in cities now.

B) It shows a future plan that governments are committed to implementing.

C) It imagines a possible but unreal present situation and its consequences.

D) It gives advice to citizens about what they should do in their daily lives.

E) It refers to a law that forces people to stop using their cars.

 

Questão 4

Read the following text.

How to Prepare for Disasters

To prepare yourself and your family for a disaster, you should:

1) Know Your Risks;

2) Make a Plan; and

3) Take Action.

1. Know Your Risks Understand the risks you and your family may face. Most communities face many types of hazards. It is important to learn the risks specific to your home and the ways to assess your risks if you are away from home. Know how and when to take action before, during, and after different hazards.

2. Make a Plan Make a communications plan and prepare for both evacuating and sheltering. Prepare for your family’s unique needs with customized plans and supplies. In addition, use your social networks to help friends and family members prepare and participate in community-wide disaster preparedness activities. Moreover, you should gather emergency supplies and secure the information and important documents you will need to start your recovery.

3. Take Action Put your plan into action. Be ready and able to face disasters, no matter where you are and when they occur. It is important to get the insurance you need and understand your coverage options. Moreover, you should make a list of your personal property and its condition and protect your property by considering how to minimize damage. Practice your disaster plans, take advantage of existing alert and warning systems, and explore ways to serve your community.

Available at: https://www.ready.gov/sites/default/files/2021-11/are-you-ready-guide.pdf. Accessed on: March 3, 2026.

 

Read the sentences below and choose the correct option according to the text:

1. Knowing the specific risks of your home and community is an essential part of disaster preparation.

2. Families should only think about evacuation plans, not sheltering options.

3. Social networks can help individuals and communities prepare for disasters.

4. Insurance coverage and documentation are unnecessary before a disaster occurs.

5. Practicing disaster plans and using alert systems can reduce risks during emergencies.

A) False, True, False, True, False

B) True, False, True, False, True

C) True, True, False, False, True

D) False, False, True, True, False

E) True, False, False, True, False

 

Questão 5

Read the text.

During an earthquake, it is important to follow safety instructions carefully. Imperatives are often used to give clear and direct orders. For example: Stay calm. Do not run. Protect your head. Listen to oficial instructions. These commands are short, direct, and leave no space for confusion, which is crucial during emergencies.

Which of the following statements about the use of the imperative tense in the text is correct?

A) The imperatives in the text are used to describe past actions people took during earthquakes.

B) Imperatives are used in the text to express wishes and polite requests.

C) The text uses imperatives to give urgent and direct commands that are crucial in emergencies.

D) Imperatives in the text function as conditional clauses, showing what would happen in the future.

E) The imperatives in the text are examples of suggestions rather than strong instructions.

09 agosto 2026

LEITURA DE IMAGEM: REDES SOCIAIS

 



Texto I

A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro

Imagem de criança observando fogos no réveillon de Copacabana levanta debate

 

María Martín

Um menino negro, na beira do mar, admira de olho grande e boca aberta os fogos da virada do ano na praia de Copacabana. Está aparentemente sozinho, veste uma bermuda molhada, com os pulsos entrelaçados na altura do umbigo, enquanto em outro plano, na areia, a massa vestida de branco comemora a entrada de 2018. Alguns dão as costas ao menino, ao mar e aos fogos para tirar suas selfies, e outros comemoram absortos o espetáculo. A imagem em preto e branco, tirada pelo fotógrafo Lucas Landau para agência Reuters, está tomando as redes sociais de milhares de brasileiros com infinidade de legendas diferentes. A fotografia fala de um menino negro de nove anos numa praia durante uma festa, mas, vista a repercussão, fala também de como a interpretamos.

Os primeiros compartilhamentos da foto, que originalmente foi enviada em cores à agência, viram nela da “invisibilidade do nosso cotidiano” à “imagem da exclusão social”. Muitos enxergaram um menino perdido, pobre, assustado, sendo ignorado pela massa branca. Viu-se até a imagem das “consequências do golpe” e foi um “soco no estômago” de outros tantos. “Essa é a nossa humanidade hipócrita”, “que essa imagem sirva de reflexão para o que podemos ser em 2018: mais sensíveis, mais tolerantes, mais inclusivos”, “de um lado o encanto. Do outro a indiferença”, legendavam os internautas. Houve também quem, fugindo da interpretação racial, viu a autenticidade de uma criança curtindo o espetáculo enquanto os adultos davam as costas à pirotecnia para tirar seu melhor autorretrato. E também quem aproveitou a imagem e criou memes exaltando pautas da esquerda.

Enquanto a foto viralizava, ativistas do movimento negro lançavam uma outra questão: enxergaríamos essa foto da mesma maneira se o protagonista fosse um menino branco e loiro?

“O problema não é a foto, é a interpretação dela, do seu contexto. As pessoas que olham aquela foto estão precondicionadas a entender que a imagem de uma pessoa negra é associada a pobreza e abandono, quando na verdade é só uma criança negra na praia. Essa precondição é racismo estrutural, que vem da má educação do povo brasileiro sobre ele mesmo”, lamenta o escritor Anderson França. [...]

Sob o apelo “Parem com os estereótipos de crianças negras”, Mayara Assunção, do Coletivo Kianda, um grupo de mulheres negras que discute maternidade, arte, educação e cultura, escrevia: “Eu vejo uma criança que parou para olhar a queima de fogos no meio de uma festa. Sinceramente, nós temos que parar de achar que todo menino negro e sem camisa está abandonado, triste, sozinho, infeliz e contrastando com a felicidade dos outros. Temos que parar de achar que todo menino sozinho é criança que vive em situação de rua. Temos que parar de achar um monte de coisas. Inclusive, que é legal expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com pena e compaixão de nós. Ah, por favor né, a gente tem essa mania horrível de reforçar os estereótipos de nossas crianças: ‘Que pena!’, ‘É o retrato do Brasil!’, ‘Imagem muito impactante, reforça as desigualdades do país’. Parem! Vocês nem sabem quem é aquele menino. E vocês não querem saber também. Para 2018, menos estereótipos para crianças negras por favor.”

Suzane Jardim, educadora e historiadora e cuja reflexão sobre a repercussão da imagem foi compartilhada mais de mil vezes, sustenta que “a questão é perceber como o corpo negro deixa de ser dotado de individualidade para se tornar um símbolo que dialoga com a culpa de pessoas que o percebem como inferior na primeira olhada”. E alerta: Não há na imagem qualquer indicação de status social, precariedade ou abandono. Há uma criança sem camisa no mar observando fogos de artifícios maravilhada em uma imagem que de fato é bela, mas nada diz sobre questões sociopolíticas”. Para Jardim “dar a essa imagem esse caráter de ‘retrato da desigualdade’ é presumir pela corporeidade do sujeito (no caso criança, negra, sem camisa) que ali há precariedade e sofrimento, o que só pode acontecer em uma sociedade que liga a negritude a esses elementos”. [...]

MARTÍN, María. A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro. El País, 3 jan. 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/02/politica/1514924485_498274.html.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

Texto II

Esclarecimento de Landau no Facebook

Fotografo profissionalmente há 12 anos; publico fotos na internet desde 2005. Mas mesmo com anos ou mesmo décadas de experiência, nenhum fotógrafo consegue prever que uma imagem vai viralizar. Jamais adivinharia que uma saída (como falamos no jargão do fotojornalismo) para cobrir fogos de artifício fosse gerar tamanha repercussão.

Fui contratado, e pago, obviamente, para documentar os fogos da festa de réveillon em Copacabana. Nos 17 minutos que tive para compor essa história, aconteceu de encontrar uma criança deslumbrada, assistindo ao espetáculo. A pureza dos seus gestos e o encantamento no seu olhar me tocaram.

Sou contador de histórias, por isso, busco criar vínculos com todos os personagens que cruzam o meu caminho. Acredito que apenas com esses laços, com essa troca, é possível documentar a vida de outro ser humano (como tento aprender com as obras de Ed Kashi, Ron Haviv e Lynsey Addario, entre outros).

No entanto, em 17 minutos, infelizmente, não foi possível criar vínculos com todos os personagens – somou-se a isso o fato de que, encerrado o show pirotécnico, eu deveria voltar para casa o mais depressa possível para transmitir o material para a agência, afinal, eu tinha uma encomenda fotográfica para entregar naquela noite.

A foto de uma criança vidrada nos fogos foi compartilhada, a partir das minhas redes sociais, na tarde do primeiro dia de 2018, em uma velocidade assustadora. Fico contente de ver a fotografia cumprindo seu papel enquanto arte: levantando discussões, ensinando, questionando, gerando debates que nos fazem evoluir como sociedade.

Essa é a minha fala: a foto. É assim que me expresso, fotografando. Não acredito ter algo a acrescentar, além do que já contextualizei. Nesse caso em que a fotografia cria vida própria, a opinião do fotógrafo de nada importa. Cada um projeta as suas próprias bagagens quando olha para o menino no réveillon.

O conheci cinco dias depois da nossa vida ter mudado. Conheci também sua mãe. Foi um encontro emocionante em que pudemos criar nossos vínculos, finalmente. Escolhemos manter esse momento privado, assim como a nossa relação. Pedimos que as pessoas e a imprensa compreendam e nos respeitem.

Agradeço imensamente por todas as mensagens carinhosas que recebi. E agradeço às críticas pois me fazem refletir e me ensinam constantemente. Um 2018 de muitos aprendizados e de muita arte que gere debate. Estamos só começando!

LANDAU, Lucas. Facebook, 6 jan. 2018. Disponível em: www.facebook.com/lucaslandau/posts/10215049874222439.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

1. A leitura de uma fotografia deve combinar a observação do conteúdo (o assunto, a cena fotografada) e a análise dos meios de expressão (linguagem visual, técnicas e escolhas do fotógrafo para captar a imagem)

a. Considerando esses aspectos, comente a descrição da foto apresentada no primeiro parágrafo da reportagem

b. Quais são os grandes contrastes que a foto apresenta, segundo a descrição da jornalista?

2. Segundo a reportagem, a foto “viralizou” devido ao modo como os internautas a interpretaram.

a. Que tipo de significado ou de simbologia os internautas atribuíram à imagem?

b. Os internautas que fizeram essa interpretação criticaram negativamente a foto e/ou o fotógrafo? Explique.

c. Em torno de qual tema girou a polêmica desencadeada pela postagem da foto, segundo a reportagem?

3. O título da reportagem interpreta o tema da foto, afirmando que ela “fala de como vemos um menino negro”

a. Lendo o esclarecimento do fotógrafo (Texto II), podemos afirmar que sua intenção era abordar a temática atribuída pelos internautas à sua foto?

b. O verbo “falar” utilizado no título deve ser entendido literalmente? Explique, levando em conta o comentário do escritor Anderson França no parágrafo 4 do Texto I.

4. Releia o comentário de Mayara Assunção, do Coletivo Kianda (Texto I)

a. A quem se dirige a principal crítica de Mayara?

b. Entre ela e Anderson França há concordância ou discordância? Explique.

c. Mayara poupa de críticas o autor da foto? Explique.






1.

a. Grande parte da descrição ocupa-se do conteúdo, ou seja, dos detalhes da cena fotografada – local, ocasião, personagens, trajes, gestos, comportamentos. Há referência a alguns poucos elementos da linguagem visual: a composição dos planos (o menino na beira do mar, no primeiro plano, e a “massa vestida de branco”, na areia, no segundo plano) e a cor da imagem (preto e branco).

b. Os contrastes entre as personagens: o isolamento do menino no primeiro plano e o ajuntamento da multidão no outro plano; a cor do menino (negra) contra as roupas da multidão (brancas); a admiração silenciosa (boca aberta) do menino e a comemoração dos outros, mais interessados nas selfies; enfim, o contraste do preto e branco da imagem.

2.

a. Os internautas atribuíram à imagem um significado de cunho social, interpretando-a como uma denúncia da situação de abandono das crianças negras e pobres.

b. De modo geral, não criticaram negativamente a foto nem o fotógrafo. Podemos depreender que esses intérpretes gostaram da foto e mesmo a elogiaram, por denunciar eficientemente (“um soco no estômago”) a indiferença, por revelar a “invisibilidade do cotidiano” (invisibilidade dos problemas sociais e da exclusão social).

c. A reportagem afirma que a polêmica girou em torno do preconceito racial a que, segundo alguns internautas, estão sujeitas as crianças negras.

3.

a. Não. Em seu esclarecimento, Lucas Landau não se refere nenhuma vez à temática social – ou seja, à condição social do menino ou à sua cor. Segundo ele, o que lhe chamou a atenção e o levou a tirar a foto foi o deslumbramento da criança com o espetáculo dos fogos, a pureza de seus gestos e o encantamento de seu olhar. Com a frase “essa é a minha fala: a foto”, ele está afirmando que a imagem vale por si mesma, por sua beleza e sensibilidade. Outros significados são projeções de quem a contempla.

b. Não pode ser entendido literalmente, pois, referindo-se a uma mensagem visual, o verbo “falar” tem um sentido figurado. O modo “como vemos um menino negro” é, na verdade, o tema de interpretações feitas pelos internautas. Quem “associa a pobreza e o abandono” à imagem da criança negra são alguns intérpretes da foto, não a própria foto nem o fotógrafo.

4.

a. A crítica de Mayara Assunção dirige-se aos internautas que viram na foto o tema da exclusão social, do abandono e, principalmente, do racismo.

b. Entre ela e o escritor Anderson França há concordância: ele considera que a associação da imagem à pobreza e ao abandono de uma criança negra é “precondicionada” por um “racismo estrutural”; ela considera que essa associação é um estereótipo: se a criança é negra e está sozinha, as pessoas inferem que é pobre, abandonada e infeliz.

c. Não poupa. Embora a foto não seja o centro de suas críticas, mas os internautas, ela atribui ao fotógrafo a intenção de “expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com compaixão de nós”.

 


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