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09 agosto 2026

LEITURA DE IMAGEM: REDES SOCIAIS

 



Texto I

A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro

Imagem de criança observando fogos no réveillon de Copacabana levanta debate

 

María Martín

Um menino negro, na beira do mar, admira de olho grande e boca aberta os fogos da virada do ano na praia de Copacabana. Está aparentemente sozinho, veste uma bermuda molhada, com os pulsos entrelaçados na altura do umbigo, enquanto em outro plano, na areia, a massa vestida de branco comemora a entrada de 2018. Alguns dão as costas ao menino, ao mar e aos fogos para tirar suas selfies, e outros comemoram absortos o espetáculo. A imagem em preto e branco, tirada pelo fotógrafo Lucas Landau para agência Reuters, está tomando as redes sociais de milhares de brasileiros com infinidade de legendas diferentes. A fotografia fala de um menino negro de nove anos numa praia durante uma festa, mas, vista a repercussão, fala também de como a interpretamos.

Os primeiros compartilhamentos da foto, que originalmente foi enviada em cores à agência, viram nela da “invisibilidade do nosso cotidiano” à “imagem da exclusão social”. Muitos enxergaram um menino perdido, pobre, assustado, sendo ignorado pela massa branca. Viu-se até a imagem das “consequências do golpe” e foi um “soco no estômago” de outros tantos. “Essa é a nossa humanidade hipócrita”, “que essa imagem sirva de reflexão para o que podemos ser em 2018: mais sensíveis, mais tolerantes, mais inclusivos”, “de um lado o encanto. Do outro a indiferença”, legendavam os internautas. Houve também quem, fugindo da interpretação racial, viu a autenticidade de uma criança curtindo o espetáculo enquanto os adultos davam as costas à pirotecnia para tirar seu melhor autorretrato. E também quem aproveitou a imagem e criou memes exaltando pautas da esquerda.

Enquanto a foto viralizava, ativistas do movimento negro lançavam uma outra questão: enxergaríamos essa foto da mesma maneira se o protagonista fosse um menino branco e loiro?

“O problema não é a foto, é a interpretação dela, do seu contexto. As pessoas que olham aquela foto estão precondicionadas a entender que a imagem de uma pessoa negra é associada a pobreza e abandono, quando na verdade é só uma criança negra na praia. Essa precondição é racismo estrutural, que vem da má educação do povo brasileiro sobre ele mesmo”, lamenta o escritor Anderson França. [...]

Sob o apelo “Parem com os estereótipos de crianças negras”, Mayara Assunção, do Coletivo Kianda, um grupo de mulheres negras que discute maternidade, arte, educação e cultura, escrevia: “Eu vejo uma criança que parou para olhar a queima de fogos no meio de uma festa. Sinceramente, nós temos que parar de achar que todo menino negro e sem camisa está abandonado, triste, sozinho, infeliz e contrastando com a felicidade dos outros. Temos que parar de achar que todo menino sozinho é criança que vive em situação de rua. Temos que parar de achar um monte de coisas. Inclusive, que é legal expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com pena e compaixão de nós. Ah, por favor né, a gente tem essa mania horrível de reforçar os estereótipos de nossas crianças: ‘Que pena!’, ‘É o retrato do Brasil!’, ‘Imagem muito impactante, reforça as desigualdades do país’. Parem! Vocês nem sabem quem é aquele menino. E vocês não querem saber também. Para 2018, menos estereótipos para crianças negras por favor.”

Suzane Jardim, educadora e historiadora e cuja reflexão sobre a repercussão da imagem foi compartilhada mais de mil vezes, sustenta que “a questão é perceber como o corpo negro deixa de ser dotado de individualidade para se tornar um símbolo que dialoga com a culpa de pessoas que o percebem como inferior na primeira olhada”. E alerta: Não há na imagem qualquer indicação de status social, precariedade ou abandono. Há uma criança sem camisa no mar observando fogos de artifícios maravilhada em uma imagem que de fato é bela, mas nada diz sobre questões sociopolíticas”. Para Jardim “dar a essa imagem esse caráter de ‘retrato da desigualdade’ é presumir pela corporeidade do sujeito (no caso criança, negra, sem camisa) que ali há precariedade e sofrimento, o que só pode acontecer em uma sociedade que liga a negritude a esses elementos”. [...]

MARTÍN, María. A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro. El País, 3 jan. 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/02/politica/1514924485_498274.html.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

Texto II

Esclarecimento de Landau no Facebook

Fotografo profissionalmente há 12 anos; publico fotos na internet desde 2005. Mas mesmo com anos ou mesmo décadas de experiência, nenhum fotógrafo consegue prever que uma imagem vai viralizar. Jamais adivinharia que uma saída (como falamos no jargão do fotojornalismo) para cobrir fogos de artifício fosse gerar tamanha repercussão.

Fui contratado, e pago, obviamente, para documentar os fogos da festa de réveillon em Copacabana. Nos 17 minutos que tive para compor essa história, aconteceu de encontrar uma criança deslumbrada, assistindo ao espetáculo. A pureza dos seus gestos e o encantamento no seu olhar me tocaram.

Sou contador de histórias, por isso, busco criar vínculos com todos os personagens que cruzam o meu caminho. Acredito que apenas com esses laços, com essa troca, é possível documentar a vida de outro ser humano (como tento aprender com as obras de Ed Kashi, Ron Haviv e Lynsey Addario, entre outros).

No entanto, em 17 minutos, infelizmente, não foi possível criar vínculos com todos os personagens – somou-se a isso o fato de que, encerrado o show pirotécnico, eu deveria voltar para casa o mais depressa possível para transmitir o material para a agência, afinal, eu tinha uma encomenda fotográfica para entregar naquela noite.

A foto de uma criança vidrada nos fogos foi compartilhada, a partir das minhas redes sociais, na tarde do primeiro dia de 2018, em uma velocidade assustadora. Fico contente de ver a fotografia cumprindo seu papel enquanto arte: levantando discussões, ensinando, questionando, gerando debates que nos fazem evoluir como sociedade.

Essa é a minha fala: a foto. É assim que me expresso, fotografando. Não acredito ter algo a acrescentar, além do que já contextualizei. Nesse caso em que a fotografia cria vida própria, a opinião do fotógrafo de nada importa. Cada um projeta as suas próprias bagagens quando olha para o menino no réveillon.

O conheci cinco dias depois da nossa vida ter mudado. Conheci também sua mãe. Foi um encontro emocionante em que pudemos criar nossos vínculos, finalmente. Escolhemos manter esse momento privado, assim como a nossa relação. Pedimos que as pessoas e a imprensa compreendam e nos respeitem.

Agradeço imensamente por todas as mensagens carinhosas que recebi. E agradeço às críticas pois me fazem refletir e me ensinam constantemente. Um 2018 de muitos aprendizados e de muita arte que gere debate. Estamos só começando!

LANDAU, Lucas. Facebook, 6 jan. 2018. Disponível em: www.facebook.com/lucaslandau/posts/10215049874222439.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

1. A leitura de uma fotografia deve combinar a observação do conteúdo (o assunto, a cena fotografada) e a análise dos meios de expressão (linguagem visual, técnicas e escolhas do fotógrafo para captar a imagem)

a. Considerando esses aspectos, comente a descrição da foto apresentada no primeiro parágrafo da reportagem

b. Quais são os grandes contrastes que a foto apresenta, segundo a descrição da jornalista?

2. Segundo a reportagem, a foto “viralizou” devido ao modo como os internautas a interpretaram.

a. Que tipo de significado ou de simbologia os internautas atribuíram à imagem?

b. Os internautas que fizeram essa interpretação criticaram negativamente a foto e/ou o fotógrafo? Explique.

c. Em torno de qual tema girou a polêmica desencadeada pela postagem da foto, segundo a reportagem?

3. O título da reportagem interpreta o tema da foto, afirmando que ela “fala de como vemos um menino negro”

a. Lendo o esclarecimento do fotógrafo (Texto II), podemos afirmar que sua intenção era abordar a temática atribuída pelos internautas à sua foto?

b. O verbo “falar” utilizado no título deve ser entendido literalmente? Explique, levando em conta o comentário do escritor Anderson França no parágrafo 4 do Texto I.

4. Releia o comentário de Mayara Assunção, do Coletivo Kianda (Texto I)

a. A quem se dirige a principal crítica de Mayara?

b. Entre ela e Anderson França há concordância ou discordância? Explique.

c. Mayara poupa de críticas o autor da foto? Explique.






1.

a. Grande parte da descrição ocupa-se do conteúdo, ou seja, dos detalhes da cena fotografada – local, ocasião, personagens, trajes, gestos, comportamentos. Há referência a alguns poucos elementos da linguagem visual: a composição dos planos (o menino na beira do mar, no primeiro plano, e a “massa vestida de branco”, na areia, no segundo plano) e a cor da imagem (preto e branco).

b. Os contrastes entre as personagens: o isolamento do menino no primeiro plano e o ajuntamento da multidão no outro plano; a cor do menino (negra) contra as roupas da multidão (brancas); a admiração silenciosa (boca aberta) do menino e a comemoração dos outros, mais interessados nas selfies; enfim, o contraste do preto e branco da imagem.

2.

a. Os internautas atribuíram à imagem um significado de cunho social, interpretando-a como uma denúncia da situação de abandono das crianças negras e pobres.

b. De modo geral, não criticaram negativamente a foto nem o fotógrafo. Podemos depreender que esses intérpretes gostaram da foto e mesmo a elogiaram, por denunciar eficientemente (“um soco no estômago”) a indiferença, por revelar a “invisibilidade do cotidiano” (invisibilidade dos problemas sociais e da exclusão social).

c. A reportagem afirma que a polêmica girou em torno do preconceito racial a que, segundo alguns internautas, estão sujeitas as crianças negras.

3.

a. Não. Em seu esclarecimento, Lucas Landau não se refere nenhuma vez à temática social – ou seja, à condição social do menino ou à sua cor. Segundo ele, o que lhe chamou a atenção e o levou a tirar a foto foi o deslumbramento da criança com o espetáculo dos fogos, a pureza de seus gestos e o encantamento de seu olhar. Com a frase “essa é a minha fala: a foto”, ele está afirmando que a imagem vale por si mesma, por sua beleza e sensibilidade. Outros significados são projeções de quem a contempla.

b. Não pode ser entendido literalmente, pois, referindo-se a uma mensagem visual, o verbo “falar” tem um sentido figurado. O modo “como vemos um menino negro” é, na verdade, o tema de interpretações feitas pelos internautas. Quem “associa a pobreza e o abandono” à imagem da criança negra são alguns intérpretes da foto, não a própria foto nem o fotógrafo.

4.

a. A crítica de Mayara Assunção dirige-se aos internautas que viram na foto o tema da exclusão social, do abandono e, principalmente, do racismo.

b. Entre ela e o escritor Anderson França há concordância: ele considera que a associação da imagem à pobreza e ao abandono de uma criança negra é “precondicionada” por um “racismo estrutural”; ela considera que essa associação é um estereótipo: se a criança é negra e está sozinha, as pessoas inferem que é pobre, abandonada e infeliz.

c. Não poupa. Embora a foto não seja o centro de suas críticas, mas os internautas, ela atribui ao fotógrafo a intenção de “expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com compaixão de nós”.

 


01 fevereiro 2026

MAPA (3) - AENEAS




A map illustrating the epic journey of Aeneas, a Trojan hero (according to Virgil’s poem The Aeneid) who, destined to found Rome, flees Troy after its fall and, much like Odysseus, spends years wandering the Mediterranean. He encounters the Cyclopes, loses his father, falls in love with Dido, Queen of Carthage, betrays her (and, if the legend is to be believed - sows the seeds of the Punic Wars of the future), descends into the Underworld, loses friends and battles enemies in Italy.

 

Um mapa que ilustra a viagem épica de Enéias, um herói troiano (segundo o poema de Virgílio A Eneida) que, destinado a fundar Roma, foge de Troia após sua queda e, muito parecido com Odisseu, passa anos vagando pelo Mediterrâneo. Encontra os ciclopes, perde o pai, apaixona-se por Dido, rainha de Cartago, trai-a (e, se a lenda é para ser acreditada - semeia as sementes das Guerras Púnicas do futuro), desce ao submundo, perde amigos e inimigos na Itália.

 

 

Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=383144917560024&set=a.205686711972513


08 setembro 2023

RESOLUÇÃO

-Play with coin:

HEADS (side with the main design): one space

TAILS: (side with value or number): two spaces

 

ANSWER KEY

According to the clues, the crime happened around midnight and the thief is tall, has dark hair, smokes and has access to the front-door key.

 

Chloe Campbell/Sandra Cruz, the secretary, has dark hair, always carries a laptop computer, has access to the front door key, but she is only 1.60 m.

 

Joshua Johnson/Oliver Amaro, the butler, is tall. has dark hair and has access to the house, but he is allergic to cigarettes, so he can’t smoke, and he wouldn’t have left the smell of cigarettes in Mrs. Gallagher’s/Elizabeth room.

 

Ashley Anderson/Livia Aquino, the doctor, smokes, has dark hair and is tall (1.80 m), but she doesn’t have access to the key.

 

Grace Gallagher/Tatiana Santos, the stepdaughter, has access to the key, but she is not tall and she has red hair.

 

Michael Murray/João Pimentel, the nephew, is tall and has access to the key, but he has light brown hair.

 

Megan Murray/Luísa Pimentel, the niece, is tall, smokes and has access to the key, but she is blonde.

 

Nathan Norris/Cristiano Guimarães, the ex-husband, is tall and has dark hair. He also smokes and has access to the key, but he is in a wheelchair, so he couldn’t go to the room on the second floor.

 

Logan Lewis/Edson Bragança the editor, is tall and has dark hair. He smokes and has access to the key. So, he probably is the thief.

 

Note:

Two clues have no importance in the solution of the crime: “Grace/Tatiana is 18 years old” and “Megan Murray/Luísa has green eyes.

Two clues are misleading, but are clarified by other two: “A neighbor saw a redheaded person leave the house at around 11 o’clock (It was Mrs. Gallagher/Elizabeth) and “The detective found gray hair in the room” (It belonged to Mrs. Gallagher’s/Elizabeth cat).


09 fevereiro 2022

LINGUAGEM CORPORAL II - É POSSÍVEL RECONHECER?

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11 outubro 2021

SELFIES

 



“People take pictures to remember times, but they can only experience it through a camera lens.”

“Photography is the story I fail to put into words. “

“A thing that you see in my pictures is that I was not afraid to fall in love with these people.”


A. What is the the traditional process of developing films? Complete the sentences using passive voice and the verbs given.

print – send (2x) – write – remove (2x) – pick up – develop – check – put – take back

 

EXAMPLE: Photographs were taken.

1. The film __________________________ from the cartridge.

2. The film __________________________ to the store.

3. The film __________________________ in an envelope after the customer’s name and address __________________________ on it.

4. All the envelopes __________________________ to the laboratory.

5. In the lab, the film __________________________ from the cartridge.

6. The photographs __________________________.

7. The photographs __________________________ to the store and finally __________________________.

 

B. Nathan and Mr. Spencer are talking about the history of selfies. Read and answer.

Nathan: Dad, remember what you said earlier about photo cartridges? I was browsing on the net and I’ve found out that selfies are older than that stuff you have.

Mr. Spencer: Are you for real?

Nathan: I am. Listen: the first selfie was taken in 1839 by a chemist from Philadelphia named Robert Cornelius. Setting up his camera at the back of the family store, he took the image by removing the lens cap and then running into frame where he sat for more than fifteen minutes covering up the lens again. And there’s this Russian girl, Anastasia Nikolaievna, who also took a selfie in front of a mirror, holding a camera in 1914.

Mr. Spencer: That’s the same Anastasia from the movie you used to watch, remember?

Nathan: Oh, that’s nice. Then, in 1920, New York photographer Joseph Byron took a rooftop selfie with his friends. That’s weird: not all of them are looking at the camera. It was probably large and heavy, which explains why two of them are holding it up.

Mr. Spencer: Maybe selfies didn’t become so popular because these people weren’t so famous back then, I wonder if they were one of these celebrities we have these days…

Nathan: I both agree and disagree. Frank Sinatra took a selfie in 1938 in his bathroom, he was 23 and not famous yet. He was charming back then, giving the OK sign. Curiously, at the same age Beatle George Harrison took a selfie in front of the Taj Mahal in 1966.

 1. How long did it take Robert Cornelius to take the first selfie?

2. Where does Mr. Spencer know Anastasia from?

3. Why does Nathan think Byron’s camera was heavy?

4. What’s one similarity and one difference between Frank Sinatra and George Harrison when they took their selfies?


C. Listen to the history of modern selfies, add the year to the photos in the clothesline and complete the paragraph.




Selfie is defined as “a photograph that one has taken of _________________, typically one taken with a _________________ or _________________”. The name is motivated by the _________________ way of shortening words, so selfie would be the equivalent to _________________ as a comparison to barbie (_________________), tinnie (_________________) and firie (_________________). An analogy to selfie is the word ussie, or “a self photo”, but the word never reached the _________________.

 

D. Technology has evolved a lot regarding photos and gadgets. Would you be able to say what this picture is? What’s its name? How is it used?




E. Match.

1. The world’s most expensive photograph, Rhein II, was taken in 1999 by Andreas Gursky.

2. The oldest known surviving photograph is View from the Window at Le Gras,

3. The most viewed photograph in history is the Windows XP’s default wallpaper.

4. There is an average of 300 million photos

5. The first photograph of a total solar eclipse was taken

6. The world’s largest camera collection belongs to Dilish Parekh of Mumbai.

 

(n) He owns approximately 4,500 cameras!

(n) In 2011, a print was auctioned for 4.3 million dollars in New York.

(n) It was photographed by Charles O’Rear on a medium format camera in 1996.

(n) taken by Nicéphore Niépce in 1826 or 1827.

(n) by Julius Berkowski on July 28, 1851.

(n) uploaded to Facebook per day. 


LEITURA DE IMAGEM: REDES SOCIAIS

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