23 outubro 2026

FONÉTICA DO PORTUGUÊS ORAL E ESCRITO

1. Fonética vs. Fonologia

Para iniciarmos nossas reflexões teóricas, precisamos responder a uma pergunta primordial: o que constitui o objeto de estudo da Fonética e como ele se diferencia do objeto da Fonologia?

A Fonética é a ciência linguística que se dedica à investigação dos aspectos físicos, fisiológicos e acústicos da produção e percepção dos sons da fala humana. Seu foco recai sobre a articulação motora, a transmissão das ondas sonoras pelo ar e a recepção auditiva dos segmentos fônicos, investigando a substância do som em sua concretude empírica, independentemente de sua função gramatical ou da alteração de significado em uma língua específica. O objeto concreto da Fonética é o fone (ou som da fala), que corresponde à realização física e individual da emissão vocal, representado obrigatoriamente entre colchetes.

Em contrapartida, a Fonologia ocupa-se da dimensão abstrata, funcional e sistêmica da linguagem. Seu objeto de estudo é o fonema, representado entre barras inclinadas. O fonema não é o som físico em si, mas uma unidade mental mínima capaz de estabelecer contraste e opor significados dentro do sistema de uma língua (por exemplo, a oposição funcional entre /p/ e /b/ que estabelece a diferença de sentido entre as palavras pato e bato).

O quadro a seguir sintetiza e compara as divergências teóricas e metodológicas entre ambos os campos da Linguística:

 

Critério

Fonética

Fonologia

Natureza do objeto

Concreta, física, fisiológica e acústica.

Abstrata, mental, funcional e sistêmica.

Unidade de análise

Fone (som da fala concretamente realizado).

Fonema (unidade fônica mínima com valor distintivo)

Representação

Entre colchetes: [...]

Entre barras inclinadas: /.../

Foco da abordagem

Produção anatômica, propriedades acústicas e percepção auditiva.

Função linguística, valor opositivo e regras de distribuição no sistema.

Sensibilidade à variação

Captura variações individuais, geográficas, sociais e contextuais.

Neutraliza variações não distintivas (alofonia), focando na abstração formal.

 

Importante: Esteja atento à convenção formal! Quando estivermos descrevendo a realização física e articulatória de um som concreto, utilizaremos obrigatoriamente colchetes, como em [t]. Quando nos referirmos à unidade abstrata e funcional pertencente ao sistema mental da língua, utilizaremos barras inclinadas, como em /t/.

 

2. Anatomia do aparelho fonador

A produção da fala humana é um fenômeno fisiológico que reaproveita estruturas anatômicas cujas funções primárias são vitais para a sobrevivência, como a respiração e a mastigação. O conjunto integrado dessas estruturas recebe o nome de Aparelho Fonador.

Antes de detalharmos a anatomia, convido você a fazer uma breve experiência cinestésica:

Prática Articulatória: Coloque os dedos levemente sobre a sua laringe (na região do pomo de Adão) e pronuncie o som sustentado [sssss]. Em seguida, sem interromper o fluxo de ar, transicione para o som [zzzzz]. Percebeu a nítida vibração que surge sob os seus dedos durante o segundo som? Essa vibração é a sua glote em plena atividade!

Didaticamente, dividimos o aparelho fonador em três partes constituintes, responsáveis pela geração de energia, produção do som base e modulação acústica:

a) Órgãos respiratórios (sistema respiratório)

Compreende os pulmões, os brônquios, a traqueia e a musculatura torácica (músculos intercostais e diafragma). Na imensa maioria das línguas do mundo, incluindo o português, a fala é produzida por meio de um fluxo de ar egressivo (que sai dos pulmões em direção ao exterior). Os pulmões funcionam como um fole dinâmico que fornece a energia necessária: a corrente de ar sob pressão que subirá pela traqueia até atingir a laringe.

b) Laringe e glote (sistema fonatório)

Localizado na região anterior do pescoço, o sistema fonatório é constituído pelo arcabouço cartilaginoso da laringe e pelas pregas vocais (estruturas musculomembranosas). O espaço variável entre as pregas vocais recebe o nome de glote. Quando o ar egressivo passa pela glote, as pregas vocais podem se aproximar e vibrar rapidamente em resposta à pressão subglótica (efeito Bernoulli), gerando os sons vozeados (ou sonoros). Caso as pregas vocais permaneçam relaxadas e afastadas, o ar escoa sem provocar vibração, produzindo sons não-vozeados (ou surdos).

c) Cavidades de ressonância (sistema articulatório)

Situam-se acima da laringe e abrangem as cavidades faríngea, oral (boca) e nasal. Este sistema atua como uma caixa de ressonância acústica e um filtro modulador flexível. Conforme o ar passa por essas cavidades, o movimento e a configuração dos órgãos articuladores alteram a forma do trato vocal, transformando o som primário emitido pela laringe nos múltiplos fones consonânticos e vocálicos da língua.

Sintetizando as funções de parte na produção fônica:

Orgãos respiratórios: fornecem a fonte energética (corrente de ar pulmonar egressiva).

Laringe e glote: Atuam como gerador acústico primário (vibração ou ausência de vibração das pregas vocais na glote).

Cavidades de ressonância: Funcionam como filtro ressonador e articulador final (modulação acústica nas cavidades faríngea, oral e nasal).

 

3. Dinâmica articulatória: articuladores ativos e passivos

No interior das cavidades de ressonância, a variedade de sons que conseguimos emitir resulta do encontro ou da aproximação entre duas categorias de estruturas anatômicas: os articuladores ativos e os articuladores passivos.

Articuladores ativos: são as estruturas móveis que se deslocam ativamente no espaço do trato vocal para provocar oclusões, estreitamentos ou desvios na passagem da corrente de ar.

- Língua: o articulador mais dinâmico e flexível, subdividido em ápice (ponta), lâmina, dorso e raiz.

- Lábio inferior: estrutura flexível que pode se mover em direção ao lábio superior ou aos dentes incisivos superiores.

- Véu palatino (palato mole): estrutura muscular móvel localizada na porção posterior do teto da boca, capaz de se elevar ou abaixar.

Articuladores passivos: São as estruturas fixas ou imóveis contra as quais os articuladores ativos se apoiam ou se aproximam para moldar o som.

- Lábio superior: ao contrário do inferior, o lábio superior não se move na articulação.

- Dentes superiores: especialmente os incisivos centrais superiores.

- Alvéolos: a região saliente e rugosa situada imediatamente atrás dos dentes incisivos superiores.

- Palato duro: a abóbada óssea rígida que constitui o teto anatômico da cavidade oral (céu da boca).

- Úvula: pequeno apêndice cônico de tecido muscular e mucosa localizado na parte posterior do palato mole.

Teste articulatório: Faça a experiência agora mesmo – pronuncie devagar a palavra tatu e perceba exatamente onde o ápice da sua língua toca. Em seguida, diga faca e observe o contato do seu lábio inferior com os dentes superiores. Notou como o seu cérebro e seu trato vocal coordenam esses movimentos em milissegundos?

Importante: O véu palatino desempenha um papel de “válvula” decisiva na definição do caminho acústico do som. Quando o véu palatino está elevado e pressionado contra a parede posterior da faringe, a passagem para a cavidade nasal fica completamente bloqueada; o ar é forçado a sair exclusivamente pela boca, produzindo sons orais (como [a], [p], [s]). Quando o véu palatino se abaixa, o ar ganha acesso livre à cavidade nasal e ressoa nela, produzindo sons nasais (como [m], [n], [ɐ̃]).

 

4. Parâmetros de classificação fonética e transcrição em IPA

Para descrever e registrar qualquer som da fala humana de maneira rigorosa e globalmente compreensível, a Linguística utiliza o Alfabeto Fonético Internacional (IPA - International Phonetic Alphabet). A classificação dos segmentos fônicos divide-se entre consoantes e vogais, aplicando critérios articulatórios delimitados.

Classificação das consoantes

As consoantes são produzidas por meio de algum tipo de obstrução ou estreitamento significativo na passagem do ar pelo trato vocal. São classificadas a partir de três critérios primordiais:

1. Modo de articulação: refere-se ao tipo de obstáculo ou modificação imposta à corrente de ar.

- Oclusivas: fechamento total do trato vocal seguido de soltura repentina do ar (ex.: [p], [b], [t], [d]).

- Fricativas: estreitamento parcial que gera um ruído de fricção audível (ex.: [f], [v], [s], [z], [ʃ], [ʒ]).

- Africadas: segmentos complexos que combinam uma fase de oclusão seguida de imediatamente por uma soltura fricativa no mesmo ponto articulatório (ex.: [tʃ] em tia; [dʒ] em dia).

- Nasais: oclusão na cavidade oral com abaixamento do véu palatino, permitindo a saída livre do ar pela cavidade nasal (ex.: [m], [n], [ɲ]).

- Laterais: a língua bloqueia a passagem central da boca, forçando o ar a escoar pelas laterais da cavidade oral (ex.: [l], [ʎ]).

- Vibrantes simples (tepes/flepes): golpe rápido e único de um articulador ativo com um articulador passivo (no caso do português, da língua contra a região alveolar, já que temos apenas [ɾ] como em caro).

2. Ponto de articulação: identifica a região anatômica precisa onde o articulador ativo se aproxima ou toca o articulador passivo.

- Bilabial: contato entre o lábio inferior e o lábio superior (ex.: [p], [b], [m]).

- Labiodental: aproximação entre o lábio inferior e os dentes incisivos superiores (ex.: [f], [v]).

- Dental/alveolar: o ápice ou lâmina da língua toca os dentes superiores ou a região alveolar (ex.: [t], [d], [s], [z], [l], [n], [ɾ]).

- Palatal: o dorso da língua aproxima-se ou toca o palato duro (ex.: [ɲ], [ʎ], [ʃ], [ʒ], [tʃ], [dʒ]).

- Velar: o dorso posterior da língua aproxima-se ou toca o véu palatino (ex.: [k], [g]).

- Glotal: feitos com a manipulação da abertura/fechamento das pregas vocais, havendo em português apenas as fricativas [h] e [ɦ].

3. Vozeamento/Sonoridade: Refere-se à atividade das pregas vocais na laringe.

- Surdas / Não vozeadas: Produzidas sem vibração das pregas vocais (ex.: [p], [t], [k], [f], [s], [ʃ], [tʃ]).

- Sonoras / Vozeadas: Produzidas com vibração ativa das pregas vocais (ex.: [b], [d], [g], [v], [z], [ʒ], [m], [n], [l], [ɾ], [dʒ]).

 

Classificação das vogais

As vogais são produzidas por uma passagem contínua e livre da corrente de ar egressiva, sem oclusões ou fricções audíveis no trato vocal. São classificadas a partir de quatro parâmetros fundamentais:

a) Altura da língua (eixo vertical): altas/fechadas (ex.: [i], [u]), médias-fechadas (ex.: [e], [o]), médias-abertas (ex.: [ɛ], [ɔ]) e baixas/abertas (ex.: [a]).

b) Anterioridade/posterioridade (eixo horizontal): anteriores (ex.: [i], [e], [ɛ]), centrais (ex.: [a]) e posteriores (ex.: [u], [o], [ɔ]).

c) Arredondamento dos lábios: Arredondadas (ex.: [u], [o], [ɔ]) e não arredondadas (ex.: [i], [e], [ɛ], [a]).

d) Ressonância (caminho do ar): orais (ar escoa exclusivamente pela boca) e nasais (ar passa também pela cavidade nasal, como [ɐ̃], [ĩ], [ũ]).

Exercício: você pode perceber como funciona a classificação se tentar pronunciar, em sequência, <a é ê i u ô ó a>. A cavidade oral e a língua estão numa configuração neutra com [a], e ficam em posição anterior em [ɛ], [e], [i], o que é perceptível ao vermos os nossos dentes. A cada vogal, a boca se fecha um pouco mais. Já em [u], vai-se ao fundo da boca e os lábios formam um bico (arredondamento). Em [o] e [ɔ], mantém-se a posição posterior, mas a boca se abre um pouco mais a cada vogal, até retornarmos ao [a]. Repita a sequência algumas vezes.

O quadro a seguir apresenta um inventário fonético com alguns dos segmentos representativos do Português do Brasil, seus símbolos no IPA, a descrição articulatória completa e exemplos contextualizados:

 

Símbolo

Descrição articulatória

Exemplo no português

[p]

Consoante oclusiva bilabial surda

pato ['pa.tu]

[b]

Consoante oclusiva bilabial sonora

bato ['ba.tu]

[t]

Consoante oclusiva alveolar surda

tatu [ta'.tu]

[tʃ]

Consoante africada pós-alveolar surda

tia ['tʃi.ɐ]

[dʒ]

Consoante africada pós-alveolar sonora

dia ['dʒi.ɐ]

[f]

Consoante fricativa labiodental surda

faca ['fa.kɐ]

[s]

Consoante fricativa alveolar surda

sapo ['sa.pu]

[m]

Consoante nasal bilabial sonora

mapa ['ma.pɐ]

[ɾ]

Consoante tepe alveolar sonora

caro ['ka.ɾu]

[i]

Vogal alta anterior não-arredondada

vida ['vi.dɐ]

[e]

Vogal média-alta anterior não arredondada

vê ['ve]

[ɛ]

Vogal média-alta anterior não-arredondada

pé ['pɛ]

[a]

Vogal baixa central não-arredondada

pai ['paj]

[ɔ]

Vogal média-baixa posterior arredondada

avó [a'vɔ]

[o]

Vogal média-alta posterior arredondada

avô [a'vo]

[u]

Vogal alta posterior arredondada

tudo ['tu.du]

[ɐ̃]

Vogal baixa central não-arredondada nasalizada

fã ['fɐ̃]

 

Numa representação mais próxima do Alfabeto Fonético Internacional, podemos representar o inventário fonético do português brasileiro também como no quadro a seguir (ver Barbosa e Albano, 2004):

Consoantes

Modo / Lugar

Bilabial

Labiodental

Dento-alveolar

Pós-alveolar

 

Palatal

Velar

Glotal

Oclusiva

p b

 

t d

 

 

k ɡ

 

Africada

 

 

 

(tʃ) (dʒ)

 

 

 

Nasal

m

 

n

 

ŋ

 

 

Tepe

 

 

ɾ

 

 

 

 

Fricativa

 

f v

s z

ʃ ʒ

 

(x) (ɣ)

(h) (ɦ)

Lateral

 

 

l

 

ʎ

 

 

 

Vogais orais

 

Anterior

Central

Posterior

Alta

i (ɪ)

 

u (ʊ)

Média-alta

e

 

o

Média-baixa

ɛ

 

ɔ

Baixa

 

a (ɐ)

 

 

Vogais nasalizadas

 

Anterior

Central

Posterior

Alta

ĩ

 

ũ

Média

ẽ

ɐ̃

õ

Baixa

 

 

 

 

Existe ainda uma última categoria de sons que é o das semivogais ou semiconsoantes, assim chamadas por sua transitoriedade entre as duas classes. No que tange à articulação, são aproximantes: os articuladores se aproximam até quase se tocarem, mas sem haver obstrução de fato. Em português brasileiro, há a aproximante palatal sonora [j] e a aproximante lábio-velar sonora [w]. Quando ocorrem em ditongos, alguns autores consideram que são variantes não silábicas (que não são núcleo de sílaba) de /i/ e /u/: mais [ˈmajs], mau [ˈmaw].

P.s.: Estão entre parênteses os fones de ocorrência restrita a alguns casos de alofonia.

 

5. Assimetria entre fala e escrita e aplicações no ensino de português como língua estrangeira (PLE)

Um dos maiores equívocos no estudo e no ensino da linguagem é confundir o som da fala com a letra da escrita. Entre o sistema fônico (realidade acústica e articulatória) e o sistema ortográfico (convenção gráfica e visual), existe uma marcante assimetria (não biunivocidade). Isso significa que não existe uma correspondência direta e rígida de um para um entre fones e grafemas.

Observemos como essa assimetria se manifesta no Português do Brasil:

- Um mesmo grafema representando múltiplos fones: O grafema <x> pode representar fones fricativos e complexos distintos dependendo do contexto vocabular: [ʃ] em enxame, [z] em exame, [ks] em táxi, e [s] em texto.

- Múltiplos grafemas representando um mesmo fone: O fone fricativo alveolar vozeado [z] é representado graficamente por letras totalmente distintas em zebra, casa e exame.

- Grafemas sem qualquer correspondência fônica: A letra <h> em início de palavras (hoje, história) não possui realização no português contemporâneo.

 

Implicações no ensino de português como língua estrangeira (PLE)

Essa assimetria exige atenção metodológica redobrada dos educadores de Português como Língua Estrangeira (PLE). Aprendizes estrangeiros fazer trocas devido a interferência ortográfica, tentando pronunciar o texto escrito com base nas regras de correspondência grafema-fone de sua língua materna ou aplicando uma leitura estritamente literal das letras.

Ao realizarmos uma análise contrastiva, percebemos desafios específicos a depender da língua de origem do estudante (seguem alguns exemplos):

a) Falantes nativos de espanhol: tendo um sistema vocálico composto por apenas 5 vogais orais /a, e, i, o, u/, aprendizes hispanofalantes enfrentam enorme dificuldade para perceber e produzir as oposições entre vogais médias-altas e médias-baixas no português ([e] vs. [ɛ] em ele/ela; [o] vs. [ɔ] em post/poste). Além disso, como o espanhol não possui as fricativas vozeadas [v] e [z], é comum que fundam [v] com [b] (pronunciando vaca como ['ba.ka]) ou [z] com [s] (pronunciando casa como ['ka.sa]).

b) Falantes nativos de inglês: Estudantes anglófonos frequentemente enfrentam grandes barreiras para produzir as vogais nasais do português ([ɐ̃], [õ], [ĩ]). Em vez de abaixarem o véu palatino durante a emissão da vogal, eles tendem a pronunciar uma vogal oral seguida de uma consoante nasal implosiva [n] ou [ŋ] (pronunciando pão como [paŋ] ou mão como [man]).

 

Aplicação no ensino de PLE

Para o ensino de fonética em turmas de PLE, o professor pode considerar as seguintes diretrizes pedagógicas em sala de aula:

- Separação conceitual explícita: Demonstre desde a primeira aula a distinção entre letra (grafema visual) e som (fone acústico), desmistificando a leitura literal.

- Uso consciente de transcrições em IPA: Utilize símbolos do IPA no quadro para explicitar visualmente a pronúncia de palavras altamente assimétricas (ex.: demonstrando a diferença entre sede ['se.dʒi] e sede ['sɛ.dʒi]).

- Treinamento auditivo discriminativo: Antes de cobrar a produção motora perfeita de um fone, promova exercícios de escuta ativa para que o aprendiz consiga primeiramente discriminar auditivamente as oposições inexistentes em sua língua materna.

- Trabalho com pares mínimos: Empregue pares de palavras que se diferenciem por apenas um segmento fônico (ex.: pau ['paw] vs. mau ['maw]; caça ['ka.sɐ] vs. casa ['ka.zɐ]; vovô [vo'vo] vs. vovó [vo'vɔ]) para consolidar a percepção articulatória e fonológica.

 

Em síntese:

- A Fonética estuda a realização física e concreta do som ([...]), ao passo que a Fonologia investiga a unidade mental abstrata e funcional (/.../).

- O Aparelho fonador é tripartite: sistema respiratório (fonte de energia pulmonar), sistema fonatório (gerador de som primário na glote) e sistema articulatório (modulador e ressonador acústico).

- A articulação dos sons decorre do encontro dinâmico entre articuladores ativos (língua, lábio inferior, véu palatino) e articuladores passivos (dentes superiores, alvéolos, palato duro).

- O IPA fornece uma notação objetiva para classificar consoantes (modo, ponto e vozeamento) e vogais (altura, anterioridade e arredondamento).

- Existe uma assimetria estrutural entre fala e escrita, cuja compreensão através da análise contrastiva é indispensável para o ensino de PLE.

 

Referências

COLLISCHONN, Gisela. Fonologia do português brasileiro: da sílaba à frase. Porto Alegre: UFRGS, 2008.

SEARA, Izabel Christine; NUNES, Vanessa Gonzaga; LAZZAROTTO-VOLCÃO, Cristiane. Fonética e Fonologia do português brasileiro. Disponível em: http://ppglin.posgrad.ufsc.br/files/2013/04/Livro_Fonetica_e_Fonologia.pdf.

CRISTÓFARO, Thaïs. Fonética e Fonologia. 2025. Disponível em: https://fonologia.org/. Acesso em: 19 set. 2026.

KELLER, Tatiana. Caderno didático: fonética e fonologia do português. Santa Maria: UFSM, 2019. Disponível em: http://repositorio.ufsm.br/handle/1/19989. Acesso em: 19 set. 2026.





 

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