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Conteúdo complementar de aulas
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Vida em Branco
Zélia Duncan
Você não precisa de artistas?
Então me devolve os momentos bons.
Os versos roubados de nós.
As cores do seu caminho.
Arranca o rádio do seu carro, destrói a caixa de som.
Joga fora os instrumentos e todos aqueles quadros, deixa as paredes em
branco, assim como a sua cabeça.
Seu cérebro cimento, silêncio, cheio de ódio.
Armas para dormir, nenhuma canção de ninar, e suas crianças em guarda,
esperando a hora incerta para mandar ou receber rajadas.
Você não precisa de artistas?
Então fecha os olhos, mora no breu.
Esquece o que a arte te deu, finge que não te deu nada. Nenhum som,
nenhuma cor, nenhuma flor na sua blusa. Nem Van Gogh, nem Tom Jobim, nem
Gonzaga, nem Diadorim. Você vai rimar com números.
Vai dormir com raiva, e acordar sem sonhos, sem nada.
E esse vazio no seu peito não tem refrão para dar jeito, não tem balé
para bailar.
Você não precisa de artistas?
Então nos perca de vista. Nos deixe de fora desse seu mundo perverso,
sem graça, sem alma. Bom dia para quem tem alma!
AUTOR: SAULO MENDONÇA
Saulo Marques Mendonça nasceu na cidade de Alagoa
Grande, estado da Paraíba, em 1950. Além de ser poeta, é jornalista, cronista e
publicitário. Tem diversos livros publicados, figurando entre a crônica e a
poesia, desde a década de 1970. Sua principal forma de construção poética é o
haicai. Por isso, sua obra faz parte de diversas antologias na Paraíba, no
Brasil e no exterior, visto que integra uma antologia publicada no Japão pela
Aliança Cultural Brasil-Japão. Além disso, participou de várias bienais
internacionais de livro e de vários congressos brasileiros de escritores, levando
o nome da Paraíba ao mundo. Vale salientar que seus poemas foram publicados em
mais de setenta países através da revista colombiana “Neblina”.
Seus haicais são de valiosa beleza, sobretudo pela
construção de imagens poéticas, que fascinam os olhos e a alma do leitor. Dito
de outra forma, Saulo consegue, em sua poesia, construir a logopeia e a
fanopeia de que nos fala Ezra Pound. Segundo Chaves (2019), “Saulo traz para
dentro de seus haicais, o cotidiano e as marcas de suas experiências. Tudo isso
sob a forma original haicaísta composta de uma única estrofe com versos de 5,7
e 5 sílabas respectivamente”.
Dentre seus livros, podemos citar “Libélula” (1990);
“Pirilampo” (2005), “Luz de Musgo” (2008). Entre os variados ensaios críticos
acerca de sua obra, vale citar “Epifania da poesia: ensaios sobre os haicais de
Saulo Mendonça”, escrito pelo professor, poeta e crítico literário Amador
Ribeiro Neto (UFPB). Dois haicais que demonstram a genialidade poética de
Saulo:
Um gato dorme
sobre a balança:
sono pesado.
***
A moça nubente
resolvida, despe-se:
mais um sim.
A escolha do nome de Saulo Mendonça para integrar
este fórum dá-se em virtude da sua poesia haicaísta ser de muita valia para o
estímulo à leitura e à escrita, além de despertar nos estudantes a
sensibilidade para lidar com as imagens poéticas que se revelam a cada leitura.
Ademais, é possível, de maneira interdisciplinar, trabalhar a releitura dos
haicais em diálogo com as artes visuais, estimulando a construção de painéis,
de mosaicos e outras formas de expressão artística que dialogam com a poesia e
incentivam a criatividade dos discentes.
Referência
CHAVES, Manuelly De Carvalho Silva. Linguagem
poética paraibana: a poesia haicaísta de Saulo Mendonça. Anais IV CONAPESC...
Campina Grande: Realize Editora, 2019. Disponível em:
<https://www.editorarealize.com.br/artigo/visualizar/56970>;. Acesso em:
15/12/2025 14:47.
1. O que você faria se ela entrasse por aquela porta?
2. Antes que essa coluna fosse publicada, tomei a decisão.
3. “Nossa aventura existencial terá mais ou menos chance
à medida
que esse chão for confiável.”
4. Conquanto estivesse descontente, não desistia do plano.
5. Segundo previu o economista, o mercado se estabilizou.
6. As vendas subirão, uma vez que os juros baixaram.
7. A comida era tão boa que todos silenciaram em volta da mesa.
8. As mulheres sempre são mais maldosas que os homens.
9. Faremos esforço, para que não haja conflitos.
10. Mal se sentou na cadeira presidencial, passou a ver
conspirações em tudo.
11. Mesmo que insista no pedido, não irei à posse do prefeito.
Indique qual das alternativas contém uma oração subordinada
adverbial temporal.
a) Gastou tanto dinheiro que em pouco tempo perdeu tudo o que
tinha.
b) Já que ninguém diz nada, não vou insistir.
c) Uma vez que você ajude, podemos fazer o trabalho em dupla.
d) Mal a secretária se levantou, o telefone começou a tocar.
e) Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece.
Relacione as orações subordinadas adverbiais aos seus tipos.
I - oração subordinada adverbial causal
II - oração subordinada adverbial concessiva
III - oração subordinada adverbial condicional
IV - oração subordinada adverbial final
a) Embora eu queira falar, não tenho coragem.
b) Desde que você vá, eu também vou.
c) Fez o possível e o impossível para que não faltasse nada a sua
família.
d) Fui à biblioteca a fim de pegar mais livros como este.
e) Não fui porque ninguém me chamou.
Classifique as orações subordinadas adverbiais abaixo.
a) Como choveu muito, a plantação ficou destruída.
b) Choveu tanto que a plantação ficou destruída.
c) Se não chovesse, a plantação não ficaria destruída.
d) Choveu conforme era esperado.
e) Mal parou de chover, saímos para ver os tragos.
Qual das alternativas abaixo mantém a mesma ideia de que a oração
“Por mais que eu fale, eles não me ouvem.”?
a) Embora eu fale, eles não me ouvem.
b) Quanto mais eu falo, menos me ouvem.
c) Quando eu falo, ninguém me ouve.
d) Falo a fim de que alguém me ouça.
e) Uma vez que eu fale,
alguém vai me ouvir.
Indique a alternativa em que a classificação da oração está
incorreta.
a) Meu livro é mais interessante do que o seu. (comparativa)
b) Quanto mais eu leio, mais vontade tenho de ler. (temporal)
c) Os alunos não fizeram nenhuma pergunta, de sorte que pareciam
esclarecidos. (consecutiva)
d) Guardei dinheiro a fim de viajar nas férias. (final)
e) A nota será dada consoante a participação nas aulas. (conformativa)
Identifique as orações subordinadas adverbiais de cada período
abaixo.
a) É esperta como o irmão.
b) Ligo assim que chegar.
c) Faça a sobremesa conforme diz a receita.
d) Estudei até no fim de semana para que tivesse uma nota boa.
e) Mesmo que ele não ajude, farei o trabalho.
https://solinguagem.blogspot.com/2016/05/lista-de-exercicios-de-colocacao.html
Enunciado: Em quais frases a colocação pronominal está de acordo
com a norma-padrão?
a) Nunca me contaram essa história antes.
b) Me disseram que você viajaria amanhã.
c) Contar-lhe-ei todos os detalhes do projeto.
d) Os alunos se prepararam bem para a prova.
e) Tinha falado-lhe sobre o problema ontem.
Gabarito: a, c e d
Explicação: A alternativa (a) está correta porque a palavra
"nunca" é um advérbio que atrai o pronome, exigindo próclise. A
alternativa (c) está correta porque utiliza mesóclise com o futuro do presente
do indicativo, forma adequada na norma-padrão. A alternativa (d) está correta
porque o pronome reflexivo "se" está corretamente posicionado antes
do verbo. A alternativa (b) está incorreta porque não se deve iniciar frase com
pronome oblíquo átono na norma-padrão; o correto seria "Disseram-me".
A alternativa (e) está incorreta porque, em locuções verbais com particípio, o
pronome não deve vir após o verbo auxiliar com hífen quando há verbo no
particípio; o correto seria "Tinha-lhe falado" ou "Lhe tinha
falado".
Questão 2 - Objetiva de resposta múltipla
Enunciado: Identifique as frases em que ocorre próclise obrigatória
segundo a norma-padrão:
a) Aqui se trabalha com dedicação.
b) Encontrei-o na biblioteca pela manhã.
c) Quem te disse essa informação?
d) Espero que nos convidem para a festa.
e) Amanhã lhe entregarei o documento.
Gabarito: a, c e d
Explicação: A alternativa (a) apresenta próclise obrigatória devido
ao advérbio "aqui", que atrai o pronome. A alternativa (c) está
correta porque o pronome interrogativo "quem" exige próclise. A
alternativa (d) está correta porque a conjunção subordinativa "que"
atrai o pronome, exigindo próclise. A alternativa (b) apresenta ênclise, que é
facultativa neste contexto, não obrigatória. A alternativa (e) também apresenta
próclise facultativa, pois o advérbio "amanhã" no início da frase não
exige obrigatoriamente a próclise; seria possível também "Amanhã
entregar-lhe-ei".
Questão 3 - Objetiva de resposta múltipla
Enunciado: Em quais sentenças a colocação do pronome oblíquo átono
em locuções verbais está adequada à norma-padrão?
a) Os países devem se preocupar com o meio ambiente.
b) Eu quero preparar-me para o concurso.
c) A equipe vem nos trazendo bons resultados.
d) Todos tinham-se esforçado bastante.
e) Vou me dedicar aos estudos este ano.
Gabarito: a, b, c, d e e
Explicação: Todas as alternativas estão corretas. As alternativas
(a), (c) e (e) apresentam os pronomes me, nos e se antes do verbo principal, o
que é adequado na norma-padrão. A alternativa (b) apresenta o pronome após o
infinitivo, o que atribui maior formalismo ao texto e está correto. A
alternativa (d) apresenta o pronome após o verbo auxiliar seguido de
particípio, marcado com hífen, forma que indica maior formalismo e está de
acordo com a norma-padrão.
Questão 4 - Objetiva de resposta múltipla
Enunciado: Quais frases apresentam mesóclise corretamente
empregada?
a) Realizar-se-á a reunião na próxima semana.
b) Dir-lhe-ia a verdade se pudesse.
c) Encontrar-te-ei no parque amanhã.
d) Faria-lhe um favor se fosse possível.
e) Convidar-nos-ão para a cerimônia.
Gabarito: a, b, c e e
Explicação: As alternativas (a), (b), (c) e (e) apresentam
mesóclise corretamente empregada com verbos no futuro do presente ou futuro do
pretérito do indicativo. A alternativa (d) está incorreta porque o verbo
"faria" está no futuro do pretérito, mas a colocação utilizada foi
ênclise ("Faria-lhe") em vez de mesóclise; o correto seria
"Far-lhe-ia". A mesóclise só é possível com formas do futuro do
presente ou do pretérito do indicativo, e o pronome deve ser inserido no meio
da forma verbal.
Questão 5 - Objetiva de resposta múltipla
Enunciado: Em quais alternativas a colocação pronominal deve ser
evitada, mesmo na linguagem coloquial, por estar em desacordo com a
norma-padrão?
a) Tinha convidado-a para o jantar.
b) Não posso ajudar-te neste momento.
c) Me falaram sobre o novo projeto.
d) Haviam-nos procurado ontem.
e) Te espero na entrada do cinema.
Gabarito: c e e
Explicação: As alternativas (c) e (e) apresentam próclise em início
de frase, o que deve ser evitado até mesmo na linguagem coloquial, pois está em
desacordo com a norma-padrão. Não se deve iniciar frases com pronomes oblíquos
átonos. A alternativa (a) apresenta ênclise após particípio, que, embora não
seja a forma mais recomendada, não é tão grave quanto iniciar frase com
pronome. A alternativa (b) está incorreta porque após a palavra negativa
"não" deve-se usar próclise ("Não posso te ajudar" ou
"Não te posso ajudar"). A alternativa (d) apresenta uma colocação
possível, embora "Haviam nos procurado" seja mais comum.
Questão 6 - Objetiva de resposta múltipla
Enunciado: Identifique as frases em que palavras atrativas exigem o
uso de próclise:
a) Ninguém nos avisou sobre a mudança de horário.
b) Talvez se arrependam da decisão tomada.
c) Sempre me lembro daqueles momentos felizes.
d) Certamente encontrar-te-ei na festa.
e) Jamais te esquecerei, meu amigo.
Gabarito: a, b, c e e
Explicação: As alternativas (a), (b), (c) e (e) apresentam palavras
atrativas que exigem próclise: "ninguém" (pronome indefinido),
"talvez" (advérbio), "sempre" (advérbio) e
"jamais" (advérbio). Essas palavras atraem o pronome oblíquo átono
para antes do verbo. A alternativa (d) está incorreta porque
"certamente" não exige próclise obrigatória; neste caso, foi
utilizada mesóclise com o futuro do presente, o que está correto, mas não há
exigência de próclise por palavra atrativa.
Questão 7 - Objetiva de resposta múltipla
Enunciado: Em quais sentenças a colocação do pronome em relação à
locução verbal está adequada para um texto formal?
a) A mudança climática vem trazendo-nos problemas.
b) Os diretores me haviam convidado para a reunião.
c) Todos os países tinham-se preocupado com a questão.
d) Quero me preparar adequadamente para o exame.
e) Devem preocupar-se com as consequências.
Gabarito: a, b, c e e
Explicação: As alternativas (a), (c) e (e) apresentam o pronome
após o gerúndio ou infinitivo, ou após o verbo auxiliar, formas que atribuem
maior formalismo ao texto. A alternativa (b) apresenta o pronome antes do verbo
auxiliar, forma que também indica formalismo, principalmente na escrita. A
alternativa (d), embora correta, é menos formal; em um texto mais formal, seria
preferível "Quero preparar-me" ou "Preparar-me-ei".
Questão 8 - Objetiva de resposta múltipla
Enunciado: Quais frases apresentam colocação pronominal adequada
quando há conjunções subordinativas?
a) Espero que se lembrem do compromisso.
b) Quando me procurarem, estarei no escritório.
c) Embora esforçou-se muito, não conseguiu aprovação.
d) Se nos convidarem, iremos à festa.
e) Porque te preocupas tanto com isso?
Gabarito: a, b, d e e
Explicação: As alternativas (a), (b), (d) e (e) apresentam próclise
correta após conjunções subordinativas ("que", "quando",
"se", "porque"), que atraem o pronome para antes do verbo.
A alternativa (c) está incorreta porque a conjunção subordinativa
"embora" exige próclise; o correto seria "Embora se esforçou
muito" ou, melhor ainda, "Embora se tenha esforçado muito". As
conjunções subordinativas são palavras atrativas que exigem o uso de próclise.
Questão 9 - Objetiva de resposta múltipla
Enunciado: Em quais alternativas os pronomes o, a, os, as estão
corretamente posicionados segundo a norma-padrão formal?
a) Vou encontrá-lo na biblioteca amanhã.
b) Quero a conhecer melhor antes de decidir.
c) Preciso vê-los antes da reunião.
d) Desejo cumprimentá-la pessoalmente.
e) Espero os receber em minha casa.
Gabarito: a, c e d
Explicação: As alternativas (a), (c) e (d) apresentam os pronomes
o, os, a corretamente posicionados após o infinitivo, com a devida adaptação
fonética (encontrá-lo, vê-los, cumprimentá-la). Na linguagem formal, os
pronomes o, a, os, as geralmente vêm após o infinitivo ou gerúndio. As alternativas
(b) e (e) estão incorretas porque, na norma-padrão formal, esses pronomes devem
vir após o verbo principal no infinitivo: "Quero conhecê-la" e
"Espero recebê-los".
Questão 10 - Objetiva de resposta múltipla
Enunciado: Identifique as frases em que a colocação pronominal está
adequada para contextos que exigem maior formalidade:
a) Me empresta seu livro de português?
b) Dar-te-ei todas as informações necessárias.
c) Não se preocupe com os detalhes.
d) Informar-lhe-emos sobre os resultados em breve.
e) Te agradeço pela ajuda prestada.
Gabarito: b, c e d
Enunciado: Quando um adjetivo se refere a substantivos de gêneros diferentes, há duas possibilidades de concordância. Explique quais são essas possibilidades e que diferença de sentido cada uma pode produzir.
Gabarito: Quando um adjetivo se refere a substantivos de gêneros
diferentes, há duas possibilidades: I) O adjetivo vai para o masculino plural,
concordando com todos os substantivos; II) O adjetivo concorda em gênero e
número com o substantivo mais próximo. A escolha fará diferença no sentido: na
primeira opção, o adjetivo qualifica todos os substantivos mencionados; na
segunda opção, pode parecer que apenas o substantivo mais próximo recebe a
qualificação. Por exemplo, em "calça e casaco coloridos", ambos são
coloridos; em "calça e casaco colorido", apenas o casaco parece ser
colorido.
Enunciado: Assinale a alternativa em que a concordância nominal está
correta de acordo com a norma-padrão.
a) As políticas de inclusão foi implementada com sucesso.
b) Encontrados no sótão, os livros antigos foram considerados
valiosos.
c) Minha empresa, minhas regras, meu decisões.
d) Imposto sobre imposto sem possibilidade de opção é considerada
venda casada.
e) Todos os fabricantes deve adotar políticas de logística reversa.
Gabarito: b) Encontrados no sótão, os livros antigos foram
considerados valiosos.
Explicação: Na alternativa B, há concordância correta entre o
substantivo "livros" (masculino plural) e seus modificadores
"os" (artigo), "antigos" (adjetivo) e
"encontrados" (particípio), todos no masculino plural. As demais
alternativas apresentam erros: em A, "foi implementada" deveria ser
"foram implementadas" para concordar com "políticas"; em C,
"meu decisões" deveria ser "minhas decisões"; em D,
"considerada" deveria ser "considerado" para concordar com
"imposto"; em E, "deve" deveria ser "devem" para
concordar com "fabricantes".
Questão 2 - Objetiva de resposta única
Enunciado: Complete a frase "A moça veste calça e casaco
_" de modo que apenas o casaco receba a qualificação de colorido.
a) coloridos
b) coloridas
c) colorido
d) colorida
e) de colorido
Gabarito: c) colorido
Explicação: Quando um adjetivo se refere a substantivos de gêneros
diferentes, há duas possibilidades de concordância. Para que apenas o casaco
seja qualificado como colorido, o adjetivo deve concordar em gênero e número
com o substantivo mais próximo. Como "casaco" é masculino singular, o
adjetivo fica "colorido" (masculino singular). Se o adjetivo fosse
para o masculino plural ("coloridos"), indicaria que tanto a calça
quanto o casaco são coloridos.
Questão 3 - Objetiva de resposta única
Enunciado: Qual alternativa apresenta concordância verbal correta
de acordo com a norma-padrão?
a) Você acordaram às quatro e meia da manhã.
b) Nós acordou às quatro e meia da manhã.
c) Eu acordei às quatro e meia da manhã.
d) Eles acorda às quatro e meia da manhã.
e) Tu acordamos às quatro e meia da manhã.
Gabarito: c) Eu acordei às quatro e meia da manhã.
Explicação: A regra básica da concordância verbal determina que o
verbo concorda com o sujeito em pessoa e número. Na alternativa C, o verbo
"acordei" está corretamente flexionado na 1ª pessoa do singular para
concordar com o sujeito "eu". As demais alternativas apresentam erros
de concordância: "você" exige verbo na 3ª pessoa do singular
(acordou); "nós" exige 1ª pessoa do plural (acordamos);
"eles" exige 3ª pessoa do plural (acordaram); "tu" exige 2ª
pessoa do singular (acordaste/acordou).
Questão 4 - Objetiva de resposta única
Enunciado: Analise a frase: "Encontrados no empoeirado sótão
da velha casa da fazenda, os livros foram considerados valiosos." Qual
fator pode dificultar a concordância nominal nesse caso?
a) A presença de muitos adjetivos no texto.
b) O fato de o modificador estar distante do substantivo no plural.
c) A ausência de artigos definidos.
d) O uso de verbos no particípio.
e) A presença de locuções adjetivas.
Gabarito: b) O fato de o modificador estar distante do substantivo
no plural.
Explicação: Na frase apresentada, o modificador
"encontrados" está separado do substantivo "livros" por
várias palavras ("no empoeirado sótão da velha casa da fazenda"), o
que pode dificultar a percepção da necessidade de concordância. Esse
distanciamento entre o substantivo e seu modificador é um fator que
frequentemente causa erros de concordância, pois o escritor pode perder de vista
o termo com o qual deve concordar.
Questão 5 - Objetiva de resposta única
Enunciado: Na frase "A moça veste calça e casaco
coloridos", qual é o efeito de sentido produzido pela concordância do
adjetivo no masculino plural?
a) Apenas a calça é colorida.
b) Apenas o casaco é colorido.
c) Tanto a calça quanto o casaco são coloridos.
d) Nenhuma das peças é colorida.
e) A cor se refere apenas aos acessórios.
Gabarito: c) Tanto a calça quanto o casaco são coloridos.
Explicação: Quando um adjetivo se refere a substantivos de gêneros
diferentes e é flexionado no masculino plural, ele qualifica todos os
substantivos mencionados. Neste caso, "coloridos" (masculino plural)
indica que tanto a calça (feminino) quanto o casaco (masculino) possuem cores.
Essa é uma das possibilidades de concordância quando o adjetivo se relaciona
com substantivos de gêneros distintos.
Questão 6 - Objetiva de resposta única
Enunciado: Complete corretamente a frase: "Todos os meus lápis
e canetas _" de modo que apenas as canetas recebam a qualificação de
novos.
a) novos
b) novas
c) novo
d) nova
e) de novos
Gabarito: b) novas
Explicação: Para que apenas as canetas recebam a qualificação, o
adjetivo deve concordar em gênero e número com o substantivo mais próximo. Como
"canetas" é feminino plural, o adjetivo fica "novas"
(feminino plural). Dessa forma, a concordância indica que somente as canetas
são novas, não os lápis. Se o adjetivo fosse "novos" (masculino
plural), indicaria que tanto os lápis quanto as canetas são novos.
Questão 7 - Objetiva de resposta única
Enunciado: Qual é a regra básica da concordância nominal de acordo
com a norma-padrão?
a) O substantivo concorda com o verbo em número e pessoa.
b) As palavras que se associam ao substantivo concordam com ele em
gênero e número.
c) O adjetivo sempre fica no masculino plural.
d) O artigo não precisa concordar com o substantivo.
e) Os modificadores concordam apenas em número, não em gênero.
Gabarito: b) As palavras que se associam ao substantivo concordam
com ele em gênero e número.
Explicação: A regra básica da concordância nominal estabelece que
as palavras que se associam ao substantivo (ou ao pronome substantivo) devem
concordar com ele em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural).
Isso inclui os modificadores como adjetivos, numerais, artigos e pronomes
adjetivos. Por exemplo, em "minhas regras", o pronome possessivo
"minhas" concorda em gênero (feminino) e número (plural) com o
substantivo "regras".
Questão 8 - Objetiva de resposta única
Enunciado: Assinale a alternativa que apresenta erro de
concordância verbal.
a) As políticas de inclusão geram lucro ao atingir novos públicos.
b) A implementação de políticas de inclusão na sociedade geram
lucro.
c) Nós acordamos às quatro e meia da manhã.
d) Você acordou às quatro e meia da manhã.
e) Os livros foram considerados valiosos.
Gabarito: b) A implementação de políticas de inclusão na sociedade
geram lucro.
Explicação: Na alternativa B, o verbo "geram" está no
plural, mas deveria concordar com o núcleo do sujeito
"implementação", que está no singular. A forma correta seria "A
implementação de políticas de inclusão na sociedade gera lucro". O erro
ocorre porque o verbo foi indevidamente concordado com "políticas"
(que faz parte de uma locução adjetiva) em vez de concordar com o núcleo do
sujeito. Todas as demais alternativas apresentam concordância verbal correta.
Questão 9 - Objetiva de resposta única
Enunciado: Na frase "Minha empresa, minhas regras", qual
tipo de concordância está sendo observado?
a) Concordância verbal entre sujeito e predicado.
b) Concordância nominal entre substantivo e modificador.
c) Concordância ideológica ou silepse.
d) Concordância de tempo verbal.
e) Não há concordância nessa frase.
Gabarito: b) Concordância nominal entre substantivo e modificador.
Explicação: Na frase apresentada, há concordância nominal entre os
substantivos "empresa" e "regras" e seus respectivos
modificadores (pronomes possessivos). "Minha" (feminino singular)
concorda com "empresa" (feminino singular), e "minhas"
(feminino plural) concorda com "regras" (feminino plural). Essa é uma
aplicação da regra básica de concordância nominal, em que o modificador
(pronome possessivo) concorda em gênero e número com o substantivo.
Questão 10 - Objetiva de resposta única
Enunciado: Complete corretamente: "Todos os meus lápis e
canetas _" de modo que tanto os lápis quanto as canetas recebam a
qualificação de novos.
a) nova
b) novo
c) novas
d) novos
e) de novo
Gabarito: d) novos
AUTOR: LUÍS DA CÂMARA CASCUDO
Luís da
Câmara Cascudo representa um pilar da literatura brasileira norte-rio-grandense
como folclorista, antropólogo e cronista potiguar. Nascido em 31 de agosto de
1898, em Natal (RN), filho de um advogado e uma professora, formou-se em
Direito pela Faculdade de Direito do Recife em 1920, se apresentou como
jornalista, advogado e professor de Direito Internacional na UFRN a partir de
1951. Faleceu em 2 de setembro de 1986, revelando mais de 200 obras sobre
cultura popular, fundando em 1941 a Sociedade Brasileira de Folclore, da qual
foi presidente vitalício.
Sua
trajetória incluiu estudos sobre invasões holandesas, literatura oral e
costumes nordestinos, com estreia em Alma patrícia (1921) e destaques
como Dicionário do Folclore Brasileiro (1954), Contos tradicionais do
Brasil (1946), Geografia do Brasil holandês (1956) e Literatura
Oral no Brasil (1978), além de crônicas jornalísticas que popularizaram o
saber popular. Jornalista prolífico em veículos como A República,
dedica-se à preservação de provérbios, lendas, cantigas e história regional,
consolidando-se como referência nacional e internacional na etnografia
brasileira. Recebeu homenagens como o título de "corifeu da
intelectualidade potiguar" e influência em projetos educacionais sobre cultura
oral.
Luís da
Câmara Cascudo produziu obras acessíveis que preservam o folclore brasileiro,
ideais para o ensino básico por sua linguagem simples e narrativas lúdicas.
Contos tradicionais como lendas de Iara, Zumbi ou Romãozinho captam a atenção
das crianças, fomentando a imaginação e a identidade cultural.
Essas
obras alinhadas à BNCC ao valorizar patrimônio imaterial, estimulando linguagem
oral, empatia e interação social por meio de dramatizações ou recitais em
grupo. Para o contexto potiguar, reforçam raízes nordestinas, promovendo
inclusão e criatividade no ensino fundamental. Escolher Luís da Câmara Cascudo
enriquecer aulas de literatura no ensino fundamental ao trazer contos
tradicionais acessíveis, ideais para estimular a linguagem oral, memória e
interação social em alunos com necessidades especiais, como autismo. Suas
narrativas folclóricas fomentam identidade regional potiguar, valores éticos e
diversidade cultural via atividades lúdicas como contação de histórias ou
dramatizações em grupo. Alinha-se à BNCC por valorizar o patrimônio imaterial
nordestino, promovendo inclusão e criatividade em sala de aula.
Texto
I
A
foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro
Imagem
de criança observando fogos no réveillon de Copacabana levanta debate
María Martín
Um menino negro, na
beira do mar, admira de olho grande e boca aberta os fogos da virada do ano na
praia de Copacabana. Está aparentemente sozinho, veste uma bermuda molhada, com
os pulsos entrelaçados na altura do umbigo, enquanto em outro plano, na areia,
a massa vestida de branco comemora a entrada de 2018. Alguns dão as costas ao
menino, ao mar e aos fogos para tirar suas selfies,
e outros comemoram absortos o espetáculo. A imagem em preto e branco, tirada
pelo fotógrafo Lucas Landau para agência Reuters,
está tomando as redes sociais de milhares de brasileiros com infinidade de legendas
diferentes. A fotografia fala de um menino negro de nove anos numa praia durante
uma festa, mas, vista a repercussão, fala também de como a interpretamos.
Os primeiros
compartilhamentos da foto, que originalmente foi enviada em cores à agência,
viram nela da “invisibilidade do nosso cotidiano” à “imagem da exclusão social”.
Muitos enxergaram um menino perdido, pobre, assustado, sendo ignorado pela massa
branca. Viu-se até a imagem das “consequências do golpe” e foi um “soco no estômago”
de outros tantos. “Essa é a nossa humanidade hipócrita”, “que essa imagem sirva
de reflexão para o que podemos ser em 2018: mais sensíveis, mais tolerantes,
mais inclusivos”, “de um lado o encanto. Do outro a indiferença”, legendavam os
internautas. Houve também quem, fugindo da interpretação racial, viu a
autenticidade de uma criança curtindo o espetáculo enquanto os adultos davam as
costas à pirotecnia para tirar seu melhor autorretrato. E também quem
aproveitou a imagem e criou memes exaltando pautas da esquerda.
Enquanto a foto viralizava, ativistas do movimento negro lançavam uma outra questão: enxergaríamos essa foto da mesma maneira se o protagonista fosse um menino branco e loiro?
“O problema não é a
foto, é a interpretação dela, do seu contexto. As pessoas que olham aquela foto
estão precondicionadas a entender que a imagem de uma pessoa negra é associada
a pobreza e abandono, quando na verdade é só uma criança negra na praia. Essa
precondição é racismo estrutural, que vem da má educação do povo brasileiro
sobre ele mesmo”, lamenta o escritor Anderson França. [...]
Sob o apelo “Parem com
os estereótipos de crianças negras”, Mayara Assunção, do Coletivo Kianda, um grupo
de mulheres negras que discute maternidade, arte, educação e cultura, escrevia:
“Eu vejo uma criança que parou para olhar a queima de fogos no meio de uma
festa. Sinceramente, nós temos que parar de achar que todo menino negro e sem
camisa está abandonado, triste, sozinho, infeliz e contrastando com a
felicidade dos outros. Temos que parar de achar que todo menino sozinho é
criança que vive em situação de rua. Temos que parar de achar um monte de
coisas. Inclusive, que é legal expor nossas crianças para a branquitude começar
o ano com pena e compaixão de nós. Ah, por favor né, a gente tem essa mania
horrível de reforçar os estereótipos de nossas crianças: ‘Que pena!’, ‘É o
retrato do Brasil!’, ‘Imagem muito impactante, reforça as desigualdades do
país’. Parem! Vocês nem sabem quem é aquele menino. E vocês não querem saber
também. Para 2018, menos estereótipos para crianças negras por favor.”
Suzane Jardim,
educadora e historiadora e cuja reflexão sobre a repercussão da imagem foi
compartilhada mais de mil vezes, sustenta que “a questão é perceber como o corpo
negro deixa de ser dotado de individualidade para se tornar um símbolo que
dialoga com a culpa de pessoas que o percebem como inferior na primeira
olhada”. E alerta: Não há na imagem qualquer indicação de status social, precariedade ou abandono. Há uma criança sem camisa
no mar observando fogos de artifícios maravilhada em uma imagem que de fato é
bela, mas nada diz sobre questões sociopolíticas”. Para Jardim “dar a essa imagem
esse caráter de ‘retrato da desigualdade’ é presumir pela corporeidade do sujeito
(no caso criança, negra, sem camisa) que ali há precariedade e sofrimento, o
que só pode acontecer em uma sociedade que liga a negritude a esses elementos”.
[...]
MARTÍN,
María. A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro. El País, 3 jan. 2018. Disponível em:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/02/politica/1514924485_498274.html.
Acesso
em: 17 dez. 2025.
Texto
II
Esclarecimento
de Landau no Facebook
Fotografo
profissionalmente há 12 anos; publico fotos na internet desde 2005. Mas mesmo
com anos ou mesmo décadas de experiência, nenhum fotógrafo consegue prever que
uma imagem vai viralizar. Jamais adivinharia que uma saída (como falamos no
jargão do fotojornalismo) para cobrir fogos de artifício fosse gerar tamanha
repercussão.
Fui contratado, e pago,
obviamente, para documentar os fogos da festa de réveillon em Copacabana. Nos
17 minutos que tive para compor essa história, aconteceu de encontrar uma
criança deslumbrada, assistindo ao espetáculo. A pureza dos seus gestos e o
encantamento no seu olhar me tocaram.
Sou contador de
histórias, por isso, busco criar vínculos com todos os personagens que cruzam o
meu caminho. Acredito que apenas com esses laços, com essa troca, é possível
documentar a vida de outro ser humano (como tento aprender com as obras de Ed
Kashi, Ron Haviv e Lynsey Addario, entre outros).
No entanto, em 17
minutos, infelizmente, não foi possível criar vínculos com todos os personagens
– somou-se a isso o fato de que, encerrado o show pirotécnico, eu deveria voltar para casa o mais depressa
possível para transmitir o material para a agência, afinal, eu tinha uma
encomenda fotográfica para entregar naquela noite.
A foto de uma criança
vidrada nos fogos foi compartilhada, a partir das minhas redes sociais, na
tarde do primeiro dia de 2018, em uma velocidade assustadora. Fico contente de
ver a fotografia cumprindo seu papel enquanto arte: levantando discussões,
ensinando, questionando, gerando debates que nos fazem evoluir como sociedade.
Essa é a minha fala: a
foto. É assim que me expresso, fotografando. Não acredito ter algo a
acrescentar, além do que já contextualizei. Nesse caso em que a fotografia cria
vida própria, a opinião do fotógrafo de nada importa. Cada um projeta as suas próprias
bagagens quando olha para o menino no réveillon.
O conheci cinco dias
depois da nossa vida ter mudado. Conheci também sua mãe. Foi um encontro
emocionante em que pudemos criar nossos vínculos, finalmente. Escolhemos manter
esse momento privado, assim como a nossa relação. Pedimos que as pessoas e a
imprensa compreendam e nos respeitem.
Agradeço imensamente
por todas as mensagens carinhosas que recebi. E agradeço às críticas pois me
fazem refletir e me ensinam constantemente. Um 2018 de muitos aprendizados e de
muita arte que gere debate. Estamos só começando!
LANDAU,
Lucas. Facebook, 6 jan. 2018. Disponível em: www.facebook.com/lucaslandau/posts/10215049874222439.
Acesso
em: 17 dez. 2025.
1. A leitura de uma fotografia deve
combinar a observação do conteúdo (o assunto, a cena fotografada) e a análise dos
meios de expressão (linguagem visual, técnicas e escolhas do fotógrafo para
captar a imagem)
a. Considerando esses aspectos, comente a
descrição da foto apresentada no primeiro parágrafo da reportagem
b. Quais são os grandes contrastes que a
foto apresenta, segundo a descrição da jornalista?
2. Segundo a reportagem, a foto
“viralizou” devido ao modo como os internautas a interpretaram.
a. Que tipo de significado ou de
simbologia os internautas atribuíram à imagem?
b. Os internautas que fizeram essa interpretação
criticaram negativamente a foto e/ou o fotógrafo? Explique.
c. Em torno de qual tema girou a polêmica
desencadeada pela postagem da foto, segundo a reportagem?
3. O título da reportagem interpreta o
tema da foto, afirmando que ela “fala de como vemos um menino negro”
a. Lendo o esclarecimento do fotógrafo
(Texto II), podemos afirmar que sua intenção era abordar a temática atribuída
pelos internautas à sua foto?
b. O verbo “falar” utilizado no título
deve ser entendido literalmente? Explique, levando em conta o comentário do
escritor Anderson França no parágrafo 4 do Texto I.
4. Releia o comentário de Mayara Assunção,
do Coletivo Kianda (Texto I)
a. A quem se dirige a principal crítica de
Mayara?
b. Entre ela e Anderson França há
concordância ou discordância? Explique.
c. Mayara poupa de críticas o autor da
foto? Explique.
1.
a. Grande parte da descrição ocupa-se do conteúdo, ou seja, dos detalhes
da cena fotografada – local, ocasião, personagens, trajes, gestos,
comportamentos. Há referência a alguns poucos elementos da linguagem visual: a
composição dos planos (o menino na beira do mar, no primeiro plano, e a “massa
vestida de branco”, na areia, no segundo plano) e a cor da imagem (preto e
branco).
b. Os contrastes entre as personagens: o isolamento do menino no
primeiro plano e o ajuntamento da multidão no outro plano; a cor do menino
(negra) contra as roupas da multidão (brancas); a admiração silenciosa (boca
aberta) do menino e a comemoração dos outros, mais interessados nas selfies;
enfim, o contraste do preto e branco da imagem.
2.
a. Os internautas atribuíram à imagem um significado de cunho
social, interpretando-a como uma denúncia da situação de abandono das crianças
negras e pobres.
b. De modo geral, não criticaram negativamente a foto nem o
fotógrafo. Podemos depreender que esses intérpretes gostaram da foto e mesmo a
elogiaram, por denunciar eficientemente (“um soco no estômago”) a indiferença,
por revelar a “invisibilidade do cotidiano” (invisibilidade dos problemas
sociais e da exclusão social).
c. A reportagem afirma que a polêmica girou em torno do preconceito
racial a que, segundo alguns internautas, estão sujeitas as crianças negras.
3.
a. Não. Em seu esclarecimento, Lucas Landau não se refere nenhuma
vez à temática social – ou seja, à condição social do menino ou à sua cor.
Segundo ele, o que lhe chamou a atenção e o levou a tirar a foto foi o
deslumbramento da criança com o espetáculo dos fogos, a pureza de seus gestos e
o encantamento de seu olhar. Com a frase “essa é a minha fala: a foto”, ele
está afirmando que a imagem vale por si mesma, por sua beleza e sensibilidade.
Outros significados são projeções de quem a contempla.
b. Não pode ser entendido literalmente, pois, referindo-se a uma mensagem
visual, o verbo “falar” tem um sentido figurado. O modo “como vemos um menino
negro” é, na verdade, o tema de interpretações feitas pelos internautas. Quem
“associa a pobreza e o abandono” à imagem da criança negra são alguns
intérpretes da foto, não a própria foto nem o fotógrafo.
4.
a. A crítica de Mayara Assunção dirige-se aos internautas que viram
na foto o tema da exclusão social, do abandono e, principalmente, do racismo.
b. Entre ela e o escritor Anderson França há concordância: ele
considera que a associação da imagem à pobreza e ao abandono de uma criança negra
é “precondicionada” por um “racismo estrutural”; ela considera que essa
associação é um estereótipo: se a criança é negra e está sozinha, as pessoas
inferem que é pobre, abandonada e infeliz.
c. Não poupa. Embora a foto não seja o centro de suas críticas, mas
os internautas, ela atribui ao fotógrafo a intenção de “expor nossas crianças
para a branquitude começar o ano com compaixão de nós”.
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