02 setembro 2026

AUTORES BRASILEIROS (2)

 AUTOR: SAULO MENDONÇA

 

Saulo Marques Mendonça nasceu na cidade de Alagoa Grande, estado da Paraíba, em 1950. Além de ser poeta, é jornalista, cronista e publicitário. Tem diversos livros publicados, figurando entre a crônica e a poesia, desde a década de 1970. Sua principal forma de construção poética é o haicai. Por isso, sua obra faz parte de diversas antologias na Paraíba, no Brasil e no exterior, visto que integra uma antologia publicada no Japão pela Aliança Cultural Brasil-Japão. Além disso, participou de várias bienais internacionais de livro e de vários congressos brasileiros de escritores, levando o nome da Paraíba ao mundo. Vale salientar que seus poemas foram publicados em mais de setenta países através da revista colombiana “Neblina”.

 

Seus haicais são de valiosa beleza, sobretudo pela construção de imagens poéticas, que fascinam os olhos e a alma do leitor. Dito de outra forma, Saulo consegue, em sua poesia, construir a logopeia e a fanopeia de que nos fala Ezra Pound. Segundo Chaves (2019), “Saulo traz para dentro de seus haicais, o cotidiano e as marcas de suas experiências. Tudo isso sob a forma original haicaísta composta de uma única estrofe com versos de 5,7 e 5 sílabas respectivamente”.

 

Dentre seus livros, podemos citar “Libélula” (1990); “Pirilampo” (2005), “Luz de Musgo” (2008). Entre os variados ensaios críticos acerca de sua obra, vale citar “Epifania da poesia: ensaios sobre os haicais de Saulo Mendonça”, escrito pelo professor, poeta e crítico literário Amador Ribeiro Neto (UFPB). Dois haicais que demonstram a genialidade poética de Saulo:

 

Um gato dorme

sobre a balança:

sono pesado.

 

***

 

A moça nubente

resolvida, despe-se:

mais um sim.

 

A escolha do nome de Saulo Mendonça para integrar este fórum dá-se em virtude da sua poesia haicaísta ser de muita valia para o estímulo à leitura e à escrita, além de despertar nos estudantes a sensibilidade para lidar com as imagens poéticas que se revelam a cada leitura. Ademais, é possível, de maneira interdisciplinar, trabalhar a releitura dos haicais em diálogo com as artes visuais, estimulando a construção de painéis, de mosaicos e outras formas de expressão artística que dialogam com a poesia e incentivam a criatividade dos discentes.

 

 


 

Referência

CHAVES, Manuelly De Carvalho Silva. Linguagem poética paraibana: a poesia haicaísta de Saulo Mendonça. Anais IV CONAPESC... Campina Grande: Realize Editora, 2019. Disponível em: <https://www.editorarealize.com.br/artigo/visualizar/56970>;. Acesso em: 15/12/2025 14:47.

01 setembro 2026

EXERCÍCIOS 9º ANO

 1. O que você faria se ela entrasse por aquela porta?

2. Antes que essa coluna fosse publicada, tomei a decisão.

3. “Nossa aventura existencial terá mais ou menos chance à medida que esse chão for confiável.”

4. Conquanto estivesse descontente, não desistia do plano.

5. Segundo previu o economista, o mercado se estabilizou.

6. As vendas subirão, uma vez que os juros baixaram.

7. A comida era tão boa que todos silenciaram em volta da mesa.

8. As mulheres sempre são mais maldosas que os homens.

9. Faremos esforço, para que não haja conflitos.

10. Mal se sentou na cadeira presidencial, passou a ver conspirações em tudo.

11. Mesmo que insista no pedido, não irei à posse do prefeito.

 

 

Indique qual das alternativas contém uma oração subordinada adverbial temporal.

a) Gastou tanto dinheiro que em pouco tempo perdeu tudo o que tinha.

b) Já que ninguém diz nada, não vou insistir.

c) Uma vez que você ajude, podemos fazer o trabalho em dupla.

d) Mal a secretária se levantou, o telefone começou a tocar.

e) Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece.

 

Relacione as orações subordinadas adverbiais aos seus tipos.

 

I - oração subordinada adverbial causal

II - oração subordinada adverbial concessiva

III - oração subordinada adverbial condicional

IV - oração subordinada adverbial final

 

a) Embora eu queira falar, não tenho coragem.

b) Desde que você vá, eu também vou.

c) Fez o possível e o impossível para que não faltasse nada a sua família.

d) Fui à biblioteca a fim de pegar mais livros como este.

e) Não fui porque ninguém me chamou.

 

 

Classifique as orações subordinadas adverbiais abaixo.

a) Como choveu muito, a plantação ficou destruída.

b) Choveu tanto que a plantação ficou destruída.

c) Se não chovesse, a plantação não ficaria destruída.

d) Choveu conforme era esperado.

e) Mal parou de chover, saímos para ver os tragos.

 

 

 

Qual das alternativas abaixo mantém a mesma ideia de que a oração “Por mais que eu fale, eles não me ouvem.”?

a) Embora eu fale, eles não me ouvem.

 

 

b) Quanto mais eu falo, menos me ouvem.

c) Quando eu falo, ninguém me ouve.

d) Falo a fim de que alguém me ouça.

 e) Uma vez que eu fale, alguém vai me ouvir.

 

 

Indique a alternativa em que a classificação da oração está incorreta.

a) Meu livro é mais interessante do que o seu. (comparativa)

b) Quanto mais eu leio, mais vontade tenho de ler. (temporal)

c) Os alunos não fizeram nenhuma pergunta, de sorte que pareciam esclarecidos. (consecutiva)

d) Guardei dinheiro a fim de viajar nas férias. (final)

e) A nota será dada consoante a participação nas aulas. (conformativa)

 

 

Identifique as orações subordinadas adverbiais de cada período abaixo.

a) É esperta como o irmão.

b) Ligo assim que chegar.

c) Faça a sobremesa conforme diz a receita.

d) Estudei até no fim de semana para que tivesse uma nota boa.

e) Mesmo que ele não ajude, farei o trabalho.

 

 

https://solinguagem.blogspot.com/2016/05/lista-de-exercicios-de-colocacao.html

 

Enunciado: Em quais frases a colocação pronominal está de acordo com a norma-padrão?

 

a) Nunca me contaram essa história antes.

b) Me disseram que você viajaria amanhã.

c) Contar-lhe-ei todos os detalhes do projeto.

d) Os alunos se prepararam bem para a prova.

e) Tinha falado-lhe sobre o problema ontem.

 

Gabarito: a, c e d

 

Explicação: A alternativa (a) está correta porque a palavra "nunca" é um advérbio que atrai o pronome, exigindo próclise. A alternativa (c) está correta porque utiliza mesóclise com o futuro do presente do indicativo, forma adequada na norma-padrão. A alternativa (d) está correta porque o pronome reflexivo "se" está corretamente posicionado antes do verbo. A alternativa (b) está incorreta porque não se deve iniciar frase com pronome oblíquo átono na norma-padrão; o correto seria "Disseram-me". A alternativa (e) está incorreta porque, em locuções verbais com particípio, o pronome não deve vir após o verbo auxiliar com hífen quando há verbo no particípio; o correto seria "Tinha-lhe falado" ou "Lhe tinha falado".

 

Questão 2 - Objetiva de resposta múltipla

 

Enunciado: Identifique as frases em que ocorre próclise obrigatória segundo a norma-padrão:

 

a) Aqui se trabalha com dedicação.

b) Encontrei-o na biblioteca pela manhã.

c) Quem te disse essa informação?

d) Espero que nos convidem para a festa.

e) Amanhã lhe entregarei o documento.

 

Gabarito: a, c e d

 

Explicação: A alternativa (a) apresenta próclise obrigatória devido ao advérbio "aqui", que atrai o pronome. A alternativa (c) está correta porque o pronome interrogativo "quem" exige próclise. A alternativa (d) está correta porque a conjunção subordinativa "que" atrai o pronome, exigindo próclise. A alternativa (b) apresenta ênclise, que é facultativa neste contexto, não obrigatória. A alternativa (e) também apresenta próclise facultativa, pois o advérbio "amanhã" no início da frase não exige obrigatoriamente a próclise; seria possível também "Amanhã entregar-lhe-ei".

 

Questão 3 - Objetiva de resposta múltipla

 

Enunciado: Em quais sentenças a colocação do pronome oblíquo átono em locuções verbais está adequada à norma-padrão?

 

a) Os países devem se preocupar com o meio ambiente.

b) Eu quero preparar-me para o concurso.

c) A equipe vem nos trazendo bons resultados.

d) Todos tinham-se esforçado bastante.

e) Vou me dedicar aos estudos este ano.

 

Gabarito: a, b, c, d e e

 

Explicação: Todas as alternativas estão corretas. As alternativas (a), (c) e (e) apresentam os pronomes me, nos e se antes do verbo principal, o que é adequado na norma-padrão. A alternativa (b) apresenta o pronome após o infinitivo, o que atribui maior formalismo ao texto e está correto. A alternativa (d) apresenta o pronome após o verbo auxiliar seguido de particípio, marcado com hífen, forma que indica maior formalismo e está de acordo com a norma-padrão.

 

Questão 4 - Objetiva de resposta múltipla

 

Enunciado: Quais frases apresentam mesóclise corretamente empregada?

 

a) Realizar-se-á a reunião na próxima semana.

b) Dir-lhe-ia a verdade se pudesse.

c) Encontrar-te-ei no parque amanhã.

d) Faria-lhe um favor se fosse possível.

e) Convidar-nos-ão para a cerimônia.

 

Gabarito: a, b, c e e

 

Explicação: As alternativas (a), (b), (c) e (e) apresentam mesóclise corretamente empregada com verbos no futuro do presente ou futuro do pretérito do indicativo. A alternativa (d) está incorreta porque o verbo "faria" está no futuro do pretérito, mas a colocação utilizada foi ênclise ("Faria-lhe") em vez de mesóclise; o correto seria "Far-lhe-ia". A mesóclise só é possível com formas do futuro do presente ou do pretérito do indicativo, e o pronome deve ser inserido no meio da forma verbal.

 

Questão 5 - Objetiva de resposta múltipla

 

Enunciado: Em quais alternativas a colocação pronominal deve ser evitada, mesmo na linguagem coloquial, por estar em desacordo com a norma-padrão?

 

a) Tinha convidado-a para o jantar.

b) Não posso ajudar-te neste momento.

c) Me falaram sobre o novo projeto.

d) Haviam-nos procurado ontem.

e) Te espero na entrada do cinema.

 

Gabarito: c e e

 

Explicação: As alternativas (c) e (e) apresentam próclise em início de frase, o que deve ser evitado até mesmo na linguagem coloquial, pois está em desacordo com a norma-padrão. Não se deve iniciar frases com pronomes oblíquos átonos. A alternativa (a) apresenta ênclise após particípio, que, embora não seja a forma mais recomendada, não é tão grave quanto iniciar frase com pronome. A alternativa (b) está incorreta porque após a palavra negativa "não" deve-se usar próclise ("Não posso te ajudar" ou "Não te posso ajudar"). A alternativa (d) apresenta uma colocação possível, embora "Haviam nos procurado" seja mais comum.

 

Questão 6 - Objetiva de resposta múltipla

 

Enunciado: Identifique as frases em que palavras atrativas exigem o uso de próclise:

 

a) Ninguém nos avisou sobre a mudança de horário.

b) Talvez se arrependam da decisão tomada.

c) Sempre me lembro daqueles momentos felizes.

d) Certamente encontrar-te-ei na festa.

e) Jamais te esquecerei, meu amigo.

 

Gabarito: a, b, c e e

 

Explicação: As alternativas (a), (b), (c) e (e) apresentam palavras atrativas que exigem próclise: "ninguém" (pronome indefinido), "talvez" (advérbio), "sempre" (advérbio) e "jamais" (advérbio). Essas palavras atraem o pronome oblíquo átono para antes do verbo. A alternativa (d) está incorreta porque "certamente" não exige próclise obrigatória; neste caso, foi utilizada mesóclise com o futuro do presente, o que está correto, mas não há exigência de próclise por palavra atrativa.

 

Questão 7 - Objetiva de resposta múltipla

 

Enunciado: Em quais sentenças a colocação do pronome em relação à locução verbal está adequada para um texto formal?

 

a) A mudança climática vem trazendo-nos problemas.

b) Os diretores me haviam convidado para a reunião.

c) Todos os países tinham-se preocupado com a questão.

d) Quero me preparar adequadamente para o exame.

e) Devem preocupar-se com as consequências.

 

Gabarito: a, b, c e e

 

Explicação: As alternativas (a), (c) e (e) apresentam o pronome após o gerúndio ou infinitivo, ou após o verbo auxiliar, formas que atribuem maior formalismo ao texto. A alternativa (b) apresenta o pronome antes do verbo auxiliar, forma que também indica formalismo, principalmente na escrita. A alternativa (d), embora correta, é menos formal; em um texto mais formal, seria preferível "Quero preparar-me" ou "Preparar-me-ei".

 

Questão 8 - Objetiva de resposta múltipla

 

Enunciado: Quais frases apresentam colocação pronominal adequada quando há conjunções subordinativas?

 

a) Espero que se lembrem do compromisso.

b) Quando me procurarem, estarei no escritório.

c) Embora esforçou-se muito, não conseguiu aprovação.

d) Se nos convidarem, iremos à festa.

e) Porque te preocupas tanto com isso?

 

Gabarito: a, b, d e e

 

Explicação: As alternativas (a), (b), (d) e (e) apresentam próclise correta após conjunções subordinativas ("que", "quando", "se", "porque"), que atraem o pronome para antes do verbo. A alternativa (c) está incorreta porque a conjunção subordinativa "embora" exige próclise; o correto seria "Embora se esforçou muito" ou, melhor ainda, "Embora se tenha esforçado muito". As conjunções subordinativas são palavras atrativas que exigem o uso de próclise.

 

Questão 9 - Objetiva de resposta múltipla

 

Enunciado: Em quais alternativas os pronomes o, a, os, as estão corretamente posicionados segundo a norma-padrão formal?

 

a) Vou encontrá-lo na biblioteca amanhã.

b) Quero a conhecer melhor antes de decidir.

c) Preciso vê-los antes da reunião.

d) Desejo cumprimentá-la pessoalmente.

e) Espero os receber em minha casa.

 

Gabarito: a, c e d

 

Explicação: As alternativas (a), (c) e (d) apresentam os pronomes o, os, a corretamente posicionados após o infinitivo, com a devida adaptação fonética (encontrá-lo, vê-los, cumprimentá-la). Na linguagem formal, os pronomes o, a, os, as geralmente vêm após o infinitivo ou gerúndio. As alternativas (b) e (e) estão incorretas porque, na norma-padrão formal, esses pronomes devem vir após o verbo principal no infinitivo: "Quero conhecê-la" e "Espero recebê-los".

 

Questão 10 - Objetiva de resposta múltipla

 

Enunciado: Identifique as frases em que a colocação pronominal está adequada para contextos que exigem maior formalidade:

 

a) Me empresta seu livro de português?

b) Dar-te-ei todas as informações necessárias.

c) Não se preocupe com os detalhes.

d) Informar-lhe-emos sobre os resultados em breve.

e) Te agradeço pela ajuda prestada.

 

Gabarito: b, c e d

EXERCÍCIOS 8º ANO

Enunciado: Quando um adjetivo se refere a substantivos de gêneros diferentes, há duas possibilidades de concordância. Explique quais são essas possibilidades e que diferença de sentido cada uma pode produzir.

 

Gabarito: Quando um adjetivo se refere a substantivos de gêneros diferentes, há duas possibilidades: I) O adjetivo vai para o masculino plural, concordando com todos os substantivos; II) O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo mais próximo. A escolha fará diferença no sentido: na primeira opção, o adjetivo qualifica todos os substantivos mencionados; na segunda opção, pode parecer que apenas o substantivo mais próximo recebe a qualificação. Por exemplo, em "calça e casaco coloridos", ambos são coloridos; em "calça e casaco colorido", apenas o casaco parece ser colorido.

 

 

 

Enunciado: Assinale a alternativa em que a concordância nominal está correta de acordo com a norma-padrão.

 

a) As políticas de inclusão foi implementada com sucesso.

b) Encontrados no sótão, os livros antigos foram considerados valiosos.

c) Minha empresa, minhas regras, meu decisões.

d) Imposto sobre imposto sem possibilidade de opção é considerada venda casada.

e) Todos os fabricantes deve adotar políticas de logística reversa.

 

Gabarito: b) Encontrados no sótão, os livros antigos foram considerados valiosos.

 

Explicação: Na alternativa B, há concordância correta entre o substantivo "livros" (masculino plural) e seus modificadores "os" (artigo), "antigos" (adjetivo) e "encontrados" (particípio), todos no masculino plural. As demais alternativas apresentam erros: em A, "foi implementada" deveria ser "foram implementadas" para concordar com "políticas"; em C, "meu decisões" deveria ser "minhas decisões"; em D, "considerada" deveria ser "considerado" para concordar com "imposto"; em E, "deve" deveria ser "devem" para concordar com "fabricantes".

 

Questão 2 - Objetiva de resposta única

 

Enunciado: Complete a frase "A moça veste calça e casaco _" de modo que apenas o casaco receba a qualificação de colorido.

 

a) coloridos

b) coloridas

c) colorido

d) colorida

e) de colorido

 

Gabarito: c) colorido

 

Explicação: Quando um adjetivo se refere a substantivos de gêneros diferentes, há duas possibilidades de concordância. Para que apenas o casaco seja qualificado como colorido, o adjetivo deve concordar em gênero e número com o substantivo mais próximo. Como "casaco" é masculino singular, o adjetivo fica "colorido" (masculino singular). Se o adjetivo fosse para o masculino plural ("coloridos"), indicaria que tanto a calça quanto o casaco são coloridos.

 

Questão 3 - Objetiva de resposta única

 

Enunciado: Qual alternativa apresenta concordância verbal correta de acordo com a norma-padrão?

 

a) Você acordaram às quatro e meia da manhã.

b) Nós acordou às quatro e meia da manhã.

c) Eu acordei às quatro e meia da manhã.

d) Eles acorda às quatro e meia da manhã.

e) Tu acordamos às quatro e meia da manhã.

 

Gabarito: c) Eu acordei às quatro e meia da manhã.

 

Explicação: A regra básica da concordância verbal determina que o verbo concorda com o sujeito em pessoa e número. Na alternativa C, o verbo "acordei" está corretamente flexionado na 1ª pessoa do singular para concordar com o sujeito "eu". As demais alternativas apresentam erros de concordância: "você" exige verbo na 3ª pessoa do singular (acordou); "nós" exige 1ª pessoa do plural (acordamos); "eles" exige 3ª pessoa do plural (acordaram); "tu" exige 2ª pessoa do singular (acordaste/acordou).

 

Questão 4 - Objetiva de resposta única

 

Enunciado: Analise a frase: "Encontrados no empoeirado sótão da velha casa da fazenda, os livros foram considerados valiosos." Qual fator pode dificultar a concordância nominal nesse caso?

 

a) A presença de muitos adjetivos no texto.

b) O fato de o modificador estar distante do substantivo no plural.

c) A ausência de artigos definidos.

d) O uso de verbos no particípio.

e) A presença de locuções adjetivas.

 

Gabarito: b) O fato de o modificador estar distante do substantivo no plural.

 

Explicação: Na frase apresentada, o modificador "encontrados" está separado do substantivo "livros" por várias palavras ("no empoeirado sótão da velha casa da fazenda"), o que pode dificultar a percepção da necessidade de concordância. Esse distanciamento entre o substantivo e seu modificador é um fator que frequentemente causa erros de concordância, pois o escritor pode perder de vista o termo com o qual deve concordar.

 

Questão 5 - Objetiva de resposta única

 

Enunciado: Na frase "A moça veste calça e casaco coloridos", qual é o efeito de sentido produzido pela concordância do adjetivo no masculino plural?

 

a) Apenas a calça é colorida.

b) Apenas o casaco é colorido.

c) Tanto a calça quanto o casaco são coloridos.

d) Nenhuma das peças é colorida.

e) A cor se refere apenas aos acessórios.

 

Gabarito: c) Tanto a calça quanto o casaco são coloridos.

 

Explicação: Quando um adjetivo se refere a substantivos de gêneros diferentes e é flexionado no masculino plural, ele qualifica todos os substantivos mencionados. Neste caso, "coloridos" (masculino plural) indica que tanto a calça (feminino) quanto o casaco (masculino) possuem cores. Essa é uma das possibilidades de concordância quando o adjetivo se relaciona com substantivos de gêneros distintos.

 

Questão 6 - Objetiva de resposta única

 

Enunciado: Complete corretamente a frase: "Todos os meus lápis e canetas _" de modo que apenas as canetas recebam a qualificação de novos.

 

a) novos

b) novas

c) novo

d) nova

e) de novos

 

Gabarito: b) novas

 

Explicação: Para que apenas as canetas recebam a qualificação, o adjetivo deve concordar em gênero e número com o substantivo mais próximo. Como "canetas" é feminino plural, o adjetivo fica "novas" (feminino plural). Dessa forma, a concordância indica que somente as canetas são novas, não os lápis. Se o adjetivo fosse "novos" (masculino plural), indicaria que tanto os lápis quanto as canetas são novos.

 

Questão 7 - Objetiva de resposta única

 

Enunciado: Qual é a regra básica da concordância nominal de acordo com a norma-padrão?

 

a) O substantivo concorda com o verbo em número e pessoa.

b) As palavras que se associam ao substantivo concordam com ele em gênero e número.

c) O adjetivo sempre fica no masculino plural.

d) O artigo não precisa concordar com o substantivo.

e) Os modificadores concordam apenas em número, não em gênero.

 

Gabarito: b) As palavras que se associam ao substantivo concordam com ele em gênero e número.

 

Explicação: A regra básica da concordância nominal estabelece que as palavras que se associam ao substantivo (ou ao pronome substantivo) devem concordar com ele em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural). Isso inclui os modificadores como adjetivos, numerais, artigos e pronomes adjetivos. Por exemplo, em "minhas regras", o pronome possessivo "minhas" concorda em gênero (feminino) e número (plural) com o substantivo "regras".

 

Questão 8 - Objetiva de resposta única

 

Enunciado: Assinale a alternativa que apresenta erro de concordância verbal.

 

a) As políticas de inclusão geram lucro ao atingir novos públicos.

b) A implementação de políticas de inclusão na sociedade geram lucro.

c) Nós acordamos às quatro e meia da manhã.

d) Você acordou às quatro e meia da manhã.

e) Os livros foram considerados valiosos.

 

Gabarito: b) A implementação de políticas de inclusão na sociedade geram lucro.

 

Explicação: Na alternativa B, o verbo "geram" está no plural, mas deveria concordar com o núcleo do sujeito "implementação", que está no singular. A forma correta seria "A implementação de políticas de inclusão na sociedade gera lucro". O erro ocorre porque o verbo foi indevidamente concordado com "políticas" (que faz parte de uma locução adjetiva) em vez de concordar com o núcleo do sujeito. Todas as demais alternativas apresentam concordância verbal correta.

 

Questão 9 - Objetiva de resposta única

 

Enunciado: Na frase "Minha empresa, minhas regras", qual tipo de concordância está sendo observado?

 

a) Concordância verbal entre sujeito e predicado.

b) Concordância nominal entre substantivo e modificador.

c) Concordância ideológica ou silepse.

d) Concordância de tempo verbal.

e) Não há concordância nessa frase.

 

Gabarito: b) Concordância nominal entre substantivo e modificador.

 

Explicação: Na frase apresentada, há concordância nominal entre os substantivos "empresa" e "regras" e seus respectivos modificadores (pronomes possessivos). "Minha" (feminino singular) concorda com "empresa" (feminino singular), e "minhas" (feminino plural) concorda com "regras" (feminino plural). Essa é uma aplicação da regra básica de concordância nominal, em que o modificador (pronome possessivo) concorda em gênero e número com o substantivo.

 

Questão 10 - Objetiva de resposta única

 

Enunciado: Complete corretamente: "Todos os meus lápis e canetas _" de modo que tanto os lápis quanto as canetas recebam a qualificação de novos.

 

a) nova

b) novo

c) novas

d) novos

e) de novo

 

Gabarito: d) novos

AUTORES BRASILEIROS (1)

AUTOR: LUÍS DA CÂMARA CASCUDO

Luís da Câmara Cascudo representa um pilar da literatura brasileira norte-rio-grandense como folclorista, antropólogo e cronista potiguar. Nascido em 31 de agosto de 1898, em Natal (RN), filho de um advogado e uma professora, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife em 1920, se apresentou como jornalista, advogado e professor de Direito Internacional na UFRN a partir de 1951. Faleceu em 2 de setembro de 1986, revelando mais de 200 obras sobre cultura popular, fundando em 1941 a Sociedade Brasileira de Folclore, da qual foi presidente vitalício.

Sua trajetória incluiu estudos sobre invasões holandesas, literatura oral e costumes nordestinos, com estreia em Alma patrícia (1921) e destaques como Dicionário do Folclore Brasileiro (1954), Contos tradicionais do Brasil (1946), Geografia do Brasil holandês (1956) e Literatura Oral no Brasil (1978), além de crônicas jornalísticas que popularizaram o saber popular. Jornalista prolífico em veículos como A República, dedica-se à preservação de provérbios, lendas, cantigas e história regional, consolidando-se como referência nacional e internacional na etnografia brasileira. Recebeu homenagens como o título de "corifeu da intelectualidade potiguar" e influência em projetos educacionais sobre cultura oral.

Luís da Câmara Cascudo produziu obras acessíveis que preservam o folclore brasileiro, ideais para o ensino básico por sua linguagem simples e narrativas lúdicas. Contos tradicionais como lendas de Iara, Zumbi ou Romãozinho captam a atenção das crianças, fomentando a imaginação e a identidade cultural.

  • Contos Tradicionais do Brasil (1946): Compila 44 histórias divididas em capítulos temáticos, com lições morais como "O bem se paga com o bem", perfeito para contato oral e discussão ética em sala.
  • Geografia dos Mitos Brasileiros (1947): Explora mitos regionais por estado, de leitura fácil para fundamental I e II, incentivando mapas e desenhos sobre diversidade cultural.
  • Lendas de Câmara Cascudo (compilações): Inclui "A Princesa Encantada de Jericoacoara" e "Barba Ruiva", usadas em murais e atividades interativas para alunos com necessidades especiais

Essas obras alinhadas à BNCC ao valorizar patrimônio imaterial, estimulando linguagem oral, empatia e interação social por meio de dramatizações ou recitais em grupo. Para o contexto potiguar, reforçam raízes nordestinas, promovendo inclusão e criatividade no ensino fundamental. Escolher Luís da Câmara Cascudo enriquecer aulas de literatura no ensino fundamental ao trazer contos tradicionais acessíveis, ideais para estimular a linguagem oral, memória e interação social em alunos com necessidades especiais, como autismo. Suas narrativas folclóricas fomentam identidade regional potiguar, valores éticos e diversidade cultural via atividades lúdicas como contação de histórias ou dramatizações em grupo. Alinha-se à BNCC por valorizar o patrimônio imaterial nordestino, promovendo inclusão e criatividade em sala de aula.





09 agosto 2026

LEITURA DE IMAGEM: REDES SOCIAIS

 



Texto I

A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro

Imagem de criança observando fogos no réveillon de Copacabana levanta debate

 

María Martín

Um menino negro, na beira do mar, admira de olho grande e boca aberta os fogos da virada do ano na praia de Copacabana. Está aparentemente sozinho, veste uma bermuda molhada, com os pulsos entrelaçados na altura do umbigo, enquanto em outro plano, na areia, a massa vestida de branco comemora a entrada de 2018. Alguns dão as costas ao menino, ao mar e aos fogos para tirar suas selfies, e outros comemoram absortos o espetáculo. A imagem em preto e branco, tirada pelo fotógrafo Lucas Landau para agência Reuters, está tomando as redes sociais de milhares de brasileiros com infinidade de legendas diferentes. A fotografia fala de um menino negro de nove anos numa praia durante uma festa, mas, vista a repercussão, fala também de como a interpretamos.

Os primeiros compartilhamentos da foto, que originalmente foi enviada em cores à agência, viram nela da “invisibilidade do nosso cotidiano” à “imagem da exclusão social”. Muitos enxergaram um menino perdido, pobre, assustado, sendo ignorado pela massa branca. Viu-se até a imagem das “consequências do golpe” e foi um “soco no estômago” de outros tantos. “Essa é a nossa humanidade hipócrita”, “que essa imagem sirva de reflexão para o que podemos ser em 2018: mais sensíveis, mais tolerantes, mais inclusivos”, “de um lado o encanto. Do outro a indiferença”, legendavam os internautas. Houve também quem, fugindo da interpretação racial, viu a autenticidade de uma criança curtindo o espetáculo enquanto os adultos davam as costas à pirotecnia para tirar seu melhor autorretrato. E também quem aproveitou a imagem e criou memes exaltando pautas da esquerda.

Enquanto a foto viralizava, ativistas do movimento negro lançavam uma outra questão: enxergaríamos essa foto da mesma maneira se o protagonista fosse um menino branco e loiro?

“O problema não é a foto, é a interpretação dela, do seu contexto. As pessoas que olham aquela foto estão precondicionadas a entender que a imagem de uma pessoa negra é associada a pobreza e abandono, quando na verdade é só uma criança negra na praia. Essa precondição é racismo estrutural, que vem da má educação do povo brasileiro sobre ele mesmo”, lamenta o escritor Anderson França. [...]

Sob o apelo “Parem com os estereótipos de crianças negras”, Mayara Assunção, do Coletivo Kianda, um grupo de mulheres negras que discute maternidade, arte, educação e cultura, escrevia: “Eu vejo uma criança que parou para olhar a queima de fogos no meio de uma festa. Sinceramente, nós temos que parar de achar que todo menino negro e sem camisa está abandonado, triste, sozinho, infeliz e contrastando com a felicidade dos outros. Temos que parar de achar que todo menino sozinho é criança que vive em situação de rua. Temos que parar de achar um monte de coisas. Inclusive, que é legal expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com pena e compaixão de nós. Ah, por favor né, a gente tem essa mania horrível de reforçar os estereótipos de nossas crianças: ‘Que pena!’, ‘É o retrato do Brasil!’, ‘Imagem muito impactante, reforça as desigualdades do país’. Parem! Vocês nem sabem quem é aquele menino. E vocês não querem saber também. Para 2018, menos estereótipos para crianças negras por favor.”

Suzane Jardim, educadora e historiadora e cuja reflexão sobre a repercussão da imagem foi compartilhada mais de mil vezes, sustenta que “a questão é perceber como o corpo negro deixa de ser dotado de individualidade para se tornar um símbolo que dialoga com a culpa de pessoas que o percebem como inferior na primeira olhada”. E alerta: Não há na imagem qualquer indicação de status social, precariedade ou abandono. Há uma criança sem camisa no mar observando fogos de artifícios maravilhada em uma imagem que de fato é bela, mas nada diz sobre questões sociopolíticas”. Para Jardim “dar a essa imagem esse caráter de ‘retrato da desigualdade’ é presumir pela corporeidade do sujeito (no caso criança, negra, sem camisa) que ali há precariedade e sofrimento, o que só pode acontecer em uma sociedade que liga a negritude a esses elementos”. [...]

MARTÍN, María. A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro. El País, 3 jan. 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/02/politica/1514924485_498274.html.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

Texto II

Esclarecimento de Landau no Facebook

Fotografo profissionalmente há 12 anos; publico fotos na internet desde 2005. Mas mesmo com anos ou mesmo décadas de experiência, nenhum fotógrafo consegue prever que uma imagem vai viralizar. Jamais adivinharia que uma saída (como falamos no jargão do fotojornalismo) para cobrir fogos de artifício fosse gerar tamanha repercussão.

Fui contratado, e pago, obviamente, para documentar os fogos da festa de réveillon em Copacabana. Nos 17 minutos que tive para compor essa história, aconteceu de encontrar uma criança deslumbrada, assistindo ao espetáculo. A pureza dos seus gestos e o encantamento no seu olhar me tocaram.

Sou contador de histórias, por isso, busco criar vínculos com todos os personagens que cruzam o meu caminho. Acredito que apenas com esses laços, com essa troca, é possível documentar a vida de outro ser humano (como tento aprender com as obras de Ed Kashi, Ron Haviv e Lynsey Addario, entre outros).

No entanto, em 17 minutos, infelizmente, não foi possível criar vínculos com todos os personagens – somou-se a isso o fato de que, encerrado o show pirotécnico, eu deveria voltar para casa o mais depressa possível para transmitir o material para a agência, afinal, eu tinha uma encomenda fotográfica para entregar naquela noite.

A foto de uma criança vidrada nos fogos foi compartilhada, a partir das minhas redes sociais, na tarde do primeiro dia de 2018, em uma velocidade assustadora. Fico contente de ver a fotografia cumprindo seu papel enquanto arte: levantando discussões, ensinando, questionando, gerando debates que nos fazem evoluir como sociedade.

Essa é a minha fala: a foto. É assim que me expresso, fotografando. Não acredito ter algo a acrescentar, além do que já contextualizei. Nesse caso em que a fotografia cria vida própria, a opinião do fotógrafo de nada importa. Cada um projeta as suas próprias bagagens quando olha para o menino no réveillon.

O conheci cinco dias depois da nossa vida ter mudado. Conheci também sua mãe. Foi um encontro emocionante em que pudemos criar nossos vínculos, finalmente. Escolhemos manter esse momento privado, assim como a nossa relação. Pedimos que as pessoas e a imprensa compreendam e nos respeitem.

Agradeço imensamente por todas as mensagens carinhosas que recebi. E agradeço às críticas pois me fazem refletir e me ensinam constantemente. Um 2018 de muitos aprendizados e de muita arte que gere debate. Estamos só começando!

LANDAU, Lucas. Facebook, 6 jan. 2018. Disponível em: www.facebook.com/lucaslandau/posts/10215049874222439.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

1. A leitura de uma fotografia deve combinar a observação do conteúdo (o assunto, a cena fotografada) e a análise dos meios de expressão (linguagem visual, técnicas e escolhas do fotógrafo para captar a imagem)

a. Considerando esses aspectos, comente a descrição da foto apresentada no primeiro parágrafo da reportagem

b. Quais são os grandes contrastes que a foto apresenta, segundo a descrição da jornalista?

2. Segundo a reportagem, a foto “viralizou” devido ao modo como os internautas a interpretaram.

a. Que tipo de significado ou de simbologia os internautas atribuíram à imagem?

b. Os internautas que fizeram essa interpretação criticaram negativamente a foto e/ou o fotógrafo? Explique.

c. Em torno de qual tema girou a polêmica desencadeada pela postagem da foto, segundo a reportagem?

3. O título da reportagem interpreta o tema da foto, afirmando que ela “fala de como vemos um menino negro”

a. Lendo o esclarecimento do fotógrafo (Texto II), podemos afirmar que sua intenção era abordar a temática atribuída pelos internautas à sua foto?

b. O verbo “falar” utilizado no título deve ser entendido literalmente? Explique, levando em conta o comentário do escritor Anderson França no parágrafo 4 do Texto I.

4. Releia o comentário de Mayara Assunção, do Coletivo Kianda (Texto I)

a. A quem se dirige a principal crítica de Mayara?

b. Entre ela e Anderson França há concordância ou discordância? Explique.

c. Mayara poupa de críticas o autor da foto? Explique.






1.

a. Grande parte da descrição ocupa-se do conteúdo, ou seja, dos detalhes da cena fotografada – local, ocasião, personagens, trajes, gestos, comportamentos. Há referência a alguns poucos elementos da linguagem visual: a composição dos planos (o menino na beira do mar, no primeiro plano, e a “massa vestida de branco”, na areia, no segundo plano) e a cor da imagem (preto e branco).

b. Os contrastes entre as personagens: o isolamento do menino no primeiro plano e o ajuntamento da multidão no outro plano; a cor do menino (negra) contra as roupas da multidão (brancas); a admiração silenciosa (boca aberta) do menino e a comemoração dos outros, mais interessados nas selfies; enfim, o contraste do preto e branco da imagem.

2.

a. Os internautas atribuíram à imagem um significado de cunho social, interpretando-a como uma denúncia da situação de abandono das crianças negras e pobres.

b. De modo geral, não criticaram negativamente a foto nem o fotógrafo. Podemos depreender que esses intérpretes gostaram da foto e mesmo a elogiaram, por denunciar eficientemente (“um soco no estômago”) a indiferença, por revelar a “invisibilidade do cotidiano” (invisibilidade dos problemas sociais e da exclusão social).

c. A reportagem afirma que a polêmica girou em torno do preconceito racial a que, segundo alguns internautas, estão sujeitas as crianças negras.

3.

a. Não. Em seu esclarecimento, Lucas Landau não se refere nenhuma vez à temática social – ou seja, à condição social do menino ou à sua cor. Segundo ele, o que lhe chamou a atenção e o levou a tirar a foto foi o deslumbramento da criança com o espetáculo dos fogos, a pureza de seus gestos e o encantamento de seu olhar. Com a frase “essa é a minha fala: a foto”, ele está afirmando que a imagem vale por si mesma, por sua beleza e sensibilidade. Outros significados são projeções de quem a contempla.

b. Não pode ser entendido literalmente, pois, referindo-se a uma mensagem visual, o verbo “falar” tem um sentido figurado. O modo “como vemos um menino negro” é, na verdade, o tema de interpretações feitas pelos internautas. Quem “associa a pobreza e o abandono” à imagem da criança negra são alguns intérpretes da foto, não a própria foto nem o fotógrafo.

4.

a. A crítica de Mayara Assunção dirige-se aos internautas que viram na foto o tema da exclusão social, do abandono e, principalmente, do racismo.

b. Entre ela e o escritor Anderson França há concordância: ele considera que a associação da imagem à pobreza e ao abandono de uma criança negra é “precondicionada” por um “racismo estrutural”; ela considera que essa associação é um estereótipo: se a criança é negra e está sozinha, as pessoas inferem que é pobre, abandonada e infeliz.

c. Não poupa. Embora a foto não seja o centro de suas críticas, mas os internautas, ela atribui ao fotógrafo a intenção de “expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com compaixão de nós”.

 


AUTORES BRASILEIROS (2)

  AUTOR: SAULO MENDONÇA   Saulo Marques Mendonça nasceu na cidade de Alagoa Grande, estado da Paraíba, em 1950. Além de ser poeta, é jo...