01 abril 2026

CONTE UM CONTO SEM AUMENTAR UM PONTO

 ABL divulga o resultado do concurso cultural “Conte o conto sem aumentar um ponto”

 

A Academia Brasileira de Letras apresentou no dia 4 de novembro os três ganhadores do concurso cultural “Conte o conto sem aumentar um ponto”. [...]

         Durante quase 4 meses de concurso, a ABL recebeu contos que tinham por objetivo finalizar, de forma distinta do original, o conto “A Cartomante”, de Machado de Assis. Dentre os trabalhos recebidos, praticamente todos os estados brasileiros participaram, dando destaque para Rio, São Paulo e Minas Gerais. E foram recebidos, inclusive, contos de Portugal e Suíça.

         O concurso contou com participações de diversos níveis de escolaridade, passando pelo ensino fundamental, médio, superior e especializações, e, segundo os inscritos, o maior divulgador do “Conte o conto sem aumentar um ponto” foi o Twitter, seguido do Portal da ABL.

 

Confira os contos premiados 

1º Lugar - Maristela Fernandes Mendes – Lajedo, PE

 

O pensamento de Camilo viajava em sintonia com a velocidade da charrete. Mesmo depois de sentir-se aliviado com as palavras da cartomante, ainda assim assaltava-lhe o espírito o conteúdo da carta. Era mais cômodo tentar enganar a si mesmo pensando que o convite do amigo para comparecer lá urgente não era nada relacionado ao seu romance com a esposa dele. Porque se ele tivesse descoberto, o procuraria e o mataria. Sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha. A charrete freou, e com ela as suas conjeturas. Desceu. Olhou ao redor. Dirigiu-se para a casa. Em pé na soleira da porta, o amigo o esperava. Os olhos azuis serenos.

- Bom dia, Camilo. Por um momento pensei que não virias. Já estava vendo a tua felicidade se desbotando.

Espantado e sem entender nada, Camilo foi fazendo menção de falar, mas foi interrompido com um gesto do amigo, que o convidou a entrar. Linda e radiante, estava Rita andando de um lado para o outro. Ao vê-lo correu para os seus braços. Atônito, tentou afastá-la, mas foram em vão os esforços, ela o beijava com paixão e volúpia, ele cedeu.

- Meu amor, o que está acontecendo? Isto é um sonho do qual eu não quero acordar.

- Não é um sonho, mas é uma boa realidade. Contei ao Vilela que nós dois estávamos apaixonados.

- Meu Deus! Você é louca.

- Louca seria eu continuar sacrificando a nossa felicidade.

- Agora entendi, “felicidade desbotando”. Falou Camilo para si. E olhando para uma delicada mala, sussurrou para Rita, - enchendo-a de beijos - vamos minha vida, vamos!

Lá fora o sol brilhava. Vilela, parado, ficou observando os dois caminharem abraçados rumo ao caminho da felicidade. Uma lágrima rolou pelo seu rosto. E sombrio pensou: O amor pode dar certo, ou não. A vida pode ser curta ou longa. Ouviu-se um estampido... dois... três.

 

2º Lugar - Afonso Caramano – Jaú, SP

 

Não demorou a chegar. Ainda ao portão de ferro, ajeitou a casaca e entrou. Vinha com o coração de moço renovado, e soavam-lhe mais fortes aos ouvidos as palavras da cartomante que as do bilhete do amigo. Subiu os degraus de pedra com a displicente elegância dos amantes e a necessária cordialidade que se cultiva entre os homens civilizados. Ajeitou uma vez mais a casaca, mas não teve tempo de bater - apareceu-lhe Rita, como a figura de um espectro, puxando-o pelo braço antes que dissesse uma palavra.

- Ele o espera na saleta interior. Está armado. Tome isto - sussurrou, entregando-lhe uma arma. Vá, vá logo - insistiu, abraçando-o em desespero, entre soluços sufocados, antes de desaparecer no corredor.

Mal teve tempo de esconder a arma, Villela assomou à porta da saleta dando sinal para que entrasse. Vacilou num turbilhão desconexo em que se alternavam as imagens de Rita, do amigo, da cartomante. Quando se deu conta estavam ambos empunhando as armas, numa hesitação que durou o preciso instante dos disparos quase simultâneos. Caíram feridos. As armas ao chão, o cheiro de pólvora. Camilo arrastou-se até o canapé, a mão sobre o ventre empapado de sangue. Villela agonizava a um canto. Viram Rita entrar e cruzar a saleta, olhar frio, trejeitos graciosos. Dirigiu-se à escrivaninha, subtraiu da gaveta um maço de cartas, iguais as que Camilo recebera. Cuidando para não sujar-se de sangue, retirou do bolso do marido exangue outro envelope. Deixou a sala saltitando por sobre as pernas do moribundo. Villela e Camilo entreolharam-se com horror.

Lá fora, na esquina esperava-a uma caleça. A cartomante não errara de todo. Em seu interior, o terceiro, que a tudo ignorava, apertava entre as mãos suadas as passagens e relia o bilhete escrito a lápis pela sua amada.

 

3º Lugar - Maria Thereza Ribeiro Vieira – Petrópolis, RJ

 

Parecia que Camilo havia conseguido apaziguar a sua alma com as palavras da cartomante. Logo pensou em se redimir com Villela e, assim pensando, pediu ao cocheiro que entrasse numa rua transversal, onde sabia haver uma casa de tabacos. Saltou do tílburi e entrou na loja. Ali escolheu uma caixa de charutos cubanos dos mais sofisticados e exigiu um embrulho à altura do amigo; voltou ao tílburi e mandou seguir para a casa de Villela. No trajeto avistou uma banca na calçada expondo as mais lindas flores e sentiu um desejo íntimo de comprar um buquê de rosas vermelhas para a sua amada, mas conteve seu pensamento, visto que não sabia o motivo que o levava à casa de Villela.

Logo tornou a sentir aquela sensação de medo, lembrando das palavras do bilhete, mas lembrou-se também da cartomante, que acertara o motivo de sua visita e tudo o mais e aquietou-se.

Chegando ao seu destino, olhou a casa antes de entrar. Era toda trabalhada em pedras decorativas, com um vitral colorido acima da porta principal, o que dava uma visão de capela antiga. Bateu a maçaneta solta; o barulho foi logo ouvido pela velha criada, que o reconheceu e fê-lo entrar às pressas. Villela estava sentado no canto da sala maior, inconsolável, choramingando. Logo abraçou Camilo e mostrou-lhe um papel que trazia na mão. Camilo leu o papel, que dizia: “Meu prezado marido, não consegui suportar o peso do nosso casamento. Conheci um negociante italiano e me apaixonei por ele. Deixo-te muito constrangida e sigo viagem para a Europa. Quando leres este bilhete já estarei num vapor em alto mar. Peço perdão por meu ato tresloucado. Rita”

Camilo sentiu o choque da dupla traição. Sentou-se ao lado de Villela e chorou copiosamente o seu desapontamento, sentindo, ao mesmo tempo, um alívio tranquilizante.

 

 

Fonte: https://www.academia.org.br/noticias/abl-divulga-o-resultado-do-concurso-cultural-conte-o-conto-sem-aumentar-um-ponto







27 março 2026

AVALIAÇÃO 9º ANO

1. (1,0) O eufemismo tem a função de atenuar uma ideia desagradável, utilizando uma palavra ou expressão sinônima, mas de menos impacto. Identifique os eufemismos presentes nas expressões, segundo o modelo:

a) bater as botas = morrer                                        

b) faltar com a verdade =

c) enriquecer por meios ilícitos = 

d) desprovido de beleza = 

 

2. (1,0) Leia a sinopse a seguir.

A voz do silêncio. Direção de Naoko Yamada, Japão, 2016.

Classificação indicativa: 14 anos

 

Shouko Nishimiya é uma estudante com deficiência auditiva. Durante o Ensino Fundamental, após se transferir para uma nova escola, Shouko passa a ser alvo de bullying e em pouco tempo precisa se transferir. O que ela não esperava é que, alguns anos depois, Ishida Shouya, um dos valentões que tanto a fez sofrer no passado, surgisse de novo em sua vida com um novo propósito.

Disponível em: <https://filmow.com/a-voz-do-silencio-t197748/>.Acesso em: 30 jan. 2020.

 

Identifique e explique a figura de linguagem está presente no título da sinopse.


3. (1,0) Leia um trecho de uma notícia.

Em 10 de fevereiro de 2016, Ali Berino, um etíope que trabalha para paleontólogos no sítio de Miro Dora, em Afar, encontrou uma mandíbula superior exposta na superfície de depósitos arenosos. [...]

A espécie à qual pertence o crânio é a Australopithecus anamensis e, por ora, trata-se da mais antiga representante do gênero Australopithecus, um hominídeo do qual o homem moderno descende. Ela já era conhecida, mas, até então, só havia dentes e fragmentos ósseos, datados de 4,2 milhões e 3,9 milhões de anos, descobertos em 1981. O espécime escavado em Miro Dora tem 3,8 milhões de anos e, como o crânio está completo, revelou a face do “avô” da humanidade.

Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/ciencia/2019/08/31/

interna_ciencia,1081393/cranio-encontrado-na-etiopia-sugere-o-rostodo-

avo-da-humanidade.shtml>. Acesso em: 13 abr. 2020.

 

Explique a metáfora “avô da humanidade” para referência ao espécime encontrado.

 

4. (1,0) Leia este fragmento, extraído do romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, que, traz uma parte de uma conversa entre Augusto e Leopoldo. Atente para o emprego do nome em destaque.

            - Eis aí outra! Não acabaste de perguntar-me qual era a lição de amanhã?

            - Eu? Pode ser... Esta minha cabeça!...

            - Não é a tua cabeça, Augusto, é o teu coração.

            Houve um momento de silêncio. Augusto abriu um livro e fechou-o logo; depois tomou rapé, passeou pelo quarto duas ou três vezes e, finalmente, veio de novo sentar junto de Leopoldo.

a) Em um dos casos destacados, Leopoldo se dirige a Augusto, e para isso utiliza um vocativo. Copie esse trecho é esse e destaque nele o vocativo.

b) Copie o outro trecho e analise-o. Qual é sua função sintática?


 

5. (1,0) Que diferença de sentido você nota entre as frases seguintes? Considere as funções sintáticas dos termos para responder a essa questão.

            a) Você entende Renato.

            b) Você entende, Renato.


6. (1,0)

Identifique, no fragmento abaixo, duas metáforas.

A noite sempre foi madrasta com meus pensamentos. Quando acordei no dia seguinte, já não havia vestígio daquela garota medrosa. Tomei um banho e fui pra rua, e tudo começou. Pirei com Londres. [...] Depois de curtir o que Barcelona tinha para ser curtida, fomos de trem até Montpellier, na França, e lá alugamos um carro. Finalmente, o filé mignon da viagem. Adoro percorrer estradas desconhecidas e não saber onde vou dormir à noite.

MEDEIROS, Martha. Um lugar na janela: relatos de viagem. Porto Alegre: L&PM, 2012. Edição e-book.


7. (1,0) Leia o poema a seguir e assinale a alternativa correta.


Cuitelinho

Cheguei na beira do porto

Onde as ondas se espaia

As garça dá meia vorta

E senta na beira da praia

E o cuitelinho não gosta

Que o botão de rosa caia, ia

 

Aí quando eu vim da minha terra

Despedi da parentaia

Eu entrei no Mato Grosso

Dei em terras paraguaia

Lá tinha revolução

Enfrentei fortes bataia, ia

 

A tua saudade corta

Como aço de navaia

O coração fica aflito

Bate uma, a outra faia

E os zóio se enche d’água

Que até a vista se atrapaia, ia

SOBRINHO, J. R. [Pena Branca]; SILVA, R. R. [Xavantinho]. Cuitelinho. Disponível em: www.letras.mus.br/pena-brancae-xavantinho/48101. Acesso em: 7 mar. 2025.

 

Glossário: cuitelinho = beija-flor.


 

A letra da canção explora diferentes recursos discursivos, a fim de extrair mais expressividade deles. Analise os trechos destacados a seguir e aponte a alternativa em que a figura de linguagem está corretamente indicada.

a) “[...] E o cuitelinho não gosta / Que o botão de rosa caia [...]” – ironia.

b) “[...] A tua saudade corta / Como aço de navaia [...]” – hipérbole.

c) “[...] O coração fica aflito [...]” – metáfora.

d) “[...] Bate uma, a outra faia [...]” – antítese.

e) “[...] Despedi da parentaia [...]” – catacrese.

 

8. Qual alternativa apresenta erro no uso do acento grave?

a) Estou disposto à ajudar no que for preciso.

b) O navio atracou à noite.

c) Fomos à feira comprar frutas frescas.

d) A palestra será das 14h às 16h.

e) Ele se referiu àquela situação embaraçosa.

 

9. (1,0) Observe a placa e responda:



O acento grave indicativo de crase, presente na placa, foi utilizado de maneira errônea, pois:

a) jamais se utiliza crase após o termo sujeito.

b) não houve determinante antes da palavra guincho.

c) sujeito não segue a regra de “se sujeitar”.

d) guincho é uma palavra masculina.

e) não indica o tipo de guincho que seria executado.

 

10. (1,0) Considera-se um paradoxo:

a) É duro ouvir o teu silêncio.

b) A terra é mais seca nessa região.

c) O número de rios caudalosos está diminuindo.

d) Este é o inverno mais seco dos últimos anos.

e) A poluição do ar chegou a um nível insustentável.

25 março 2026

AVALIAÇÃO 3º ANO

1. (1,0) Leia o texto a seguir:

Gripado, eu penso entre meus/vários/ dois espirros em como a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre as/algumas línguas. Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que disseminou pela Europa, além do vírus propriamente dito, dois vocábulos virais: o vocábulo italiano influenza e o vocábulo francês grippe. O primeiro vocábulo era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava “influência dos astros sobre os homens”. O segundo vocábulo era apenas a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se que o vocábulo  fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.

RODRIGUES, S. “Sobre palavras”. Veja, São Paulo, 30 nov. 2011.

 

Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. Copie uma sentença em que ocorre a elipse e indique qual termo foi elidido.

 

Leia o poema seguinte, de Tristan Tzara (1896-1963), para responder às questões 1 e 2.

Para fazer um poema dadaísta

Pegue um jornal.

Pegue a tesoura.

Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar ao seu poema.

Recorte o artigo.

Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.

Agite suavemente.

Tire em seguida cada pedaço um após o outro.

Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.

O poema se parecerá com você.

E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

TZARA, Tristan. Para fazer um poema dadaísta, apud WISNIEWSKII, Rudião Rafael. Bará bará, berê berê e a identidade cultural brasileira: Dadaísmo e onomatopeia na música e na literatura. 12o Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultura, 2013. Disponível em: http://jornadasliterarias.upf.br/15jornada/images/stories/trabalhos-12-seminario/11-rudiao-rafael-wisniewski.pdf. Acesso em: 13 mar. 2020.

 

2. (1,0) Explique como a ruptura e mescla de gêneros textuais está presente no texto.

 

3. (1,0) Identifique os gêneros textuais que compõem o texto e complete a tabela a seguir:

 

Gênero 1:

Gênero 2:

Estrutura

 

 

 

 

Suporte

 

 

 

 

Função comunicativa

 

 

 

 


4. (1,0) Observe a campanha publicitária ao lado e explique como a intertextualidade foi utilizada nela.



 

5 . (1,0) O texto abaixo necessita de conectores para sua coesão. Empregue as partículas que estão entre parênteses no lugar adequado.

Nem sempre é fácil identificar a violência. Uma cirurgia por exemplo não constitui violência, primeiro porque visa o bem do paciente, depois porque é feita com o consentimento do doente. mas certamente Será violência se a operação for realizada sem necessidade ou se o paciente for usado como cobaia de experimento científico sem a devida autorização.

 

6. (1,0) Leia o primeiro capítulo do livro O Escaravelho do diabo:

Hugo, um pacote para você! gritou Alberto, recebendo um pequeno embrulho das mãos do carteiro. Assinou o nome do irmão no papelzinho e foi levar-lhe a encomenda.

Hugo, que acabara de fazer a barba, mirava-se no espelho, ensaiando olhares longos e fatais para lançar às garotas na primeira oportunidade. O cristal refletia um rosto sardento de dezoito anos, extremamente simpático e sadio, aureolado por cabelos tão vermelhos que o moço era conhecido por “Foguinho”.

– Deve ser presente de alguma admiradora, disse ele, alegremente, examinando o endereço escrito à máquina.

O barbante foi desatado, o embrulho desfeito e apareceu uma pequena caixa de forma retangular.

– Oba! Que é isso? Que coisa esquisita! Um bicho... gritou “Foguinho”, tirando de dentro um grande besouro negro com uma espécie de chifre na testa.

A carapaça do inseto tinha reflexos azulados e seu corpo media cerca de quatro centímetros. Um comprido alfinete entomológico fixava-o a um pedaço de rolha, o que provava ter ele sido retirado de alguma coleção.

Os dois rapazes aproximaram-se da janela aberta a fim de melhor examinarem o estranho besouro.

 

Encontre no texto uma palavra que é usada como sinônimo de cada uma das palavras sublinhadas. Depois, indique, nas quatro palavras, quais são hipônimos e quais são hiperônimos.

 

Leia a canção a seguir para responder às questões 7 e 8.


Cuitelinho

 

Cheguei na beira do porto

Onde as ondas se espaia

As garça dá meia vorta

E senta na beira da praia

E o cuitelinho não gosta

Que o botão de rosa caia, ia

 

Aí quando eu vim da minha terra

Despedi da parentaia

Eu entrei no Mato Grosso

Dei em terras paraguaia

Lá tinha revolução

Enfrentei fortes bataia, ia

 

A tua saudade corta

Como aço de navaia

O coração fica aflito

Bate uma, a outra faia

E os zóio se enche d’água

Que até a vista se atrapaia, ia

SOBRINHO, J. R. [Pena Branca]; SILVA, R. R. [Xavantinho]. Cuitelinho. Disponível em: www.letras.mus.br/pena-brancae-xavantinho/48101. Acesso em: 7 mar. 2025.

 

Glossário: cuitelinho = beija-flor.


7. (1,0) Considerando a temática e a linguagem empregada na letra da canção Cuitelinho, é correto afirmar que ela é característica do seguinte grupo social de falantes:

a) idosos.

b) jovens de periferia.

c) sertanejos.

d) nordestinos.

e) pessoas com baixa escolarização.

 

8. (1,0) Analise os comentários feitos acerca de algumas variações linguísticas da letra de “Cuitelinho”.

I. Em “navaia”, “atrapaia” e “zóio”, ocorre a substituição do /lh/ da língua padrão pela vogal /i/, caracterizadora de variação linguística.

II. Em “Cheguei na beira do porto [...]”, o verbo “chegar” foi empregado com uma regência diferente da que prescreve a norma-padrão do português.

III. Trechos como “[...] as ondas se espaia [...]” e “[...] terras paraguaia [...]” exemplificam uma variação do padrão de concordância verbal da língua portuguesa.

É correto o que se afirma em:

a) I, apenas.

b) II, apenas.

c) III, apenas.

d) I e II, apenas.

e) II e III, apenas.

 

9. (1,0) Leia o texto a seguir para responder à questão.

Como você está? Como está sua saúde mental?

 

Já parou para pensar no assunto? Alguma vez refletiu se os seus pensamentos, ideias e sentimentos estão em harmonia? Sabe a diferença entre saúde mental e doença ou transtorno mental?

Em geral, os termos causam confusão. Mas basta lê-los com cuidado, pois são autoexplicativos. O primeiro refere-se à saúde e, os outros, à ausência dela. Não existe, porém, uma definição oficial para o conceito de saúde mental, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Como lidamos com essas emoções é o que determina como está a qualidade da nossa saúde mental.

Assim, tê-la ou alcançá-la está muito longe da ausência de transtornos mentais. O desequilíbrio emocional facilita o surgimento de doenças mentais. Podemos dizer que a saúde mental contempla, entre tantos fatores, a nossa capacidade de sensação de bem-estar e harmonia, a nossa habilidade em manejar de forma positiva as adversidades e conflitos, o reconhecimento e respeito dos nossos limites e deficiências, nossa satisfação em viver, compartilhar e se relacionar com os outros – algo muito maior e anterior ao início dos transtornos mentais.

COMO você está? Como está sua saúde mental? Disponível em: https://www.einstein.br. Acesso em: 11 jan. 2024 (adaptado).

Considerando o trecho, a alternativa que apresenta corretamente o uso de anáfora e o termo a que se refere é

a) “O primeiro refere-se à saúde” (transtorno mental).

b) “O primeiro refere-se à saúde e, os outros, à ausência dela” (saúde).

c) “Assim, tê-la ou alcançá-la está muito longe da ausência de transtornos” (ausência).

d) “[…] compartilhar e se relacionar com os outros – algo muito maior e anterior ao início dos transtornos mentais” (transtornos mentais).

e) “[…] vivenciamos uma série de emoções, boas ou ruins, mas que fazem parte da vida: alegria, felicidade, tristeza, raiva, frustração, satisfação, entre outras” (alegria e felicidade).

 

10. (1,0) No início de 2021, Gil, Juliette e Lumena, três participantes nordestinos do Big Brother Brasil, levaram para a rede nacional o jeito nordestino de falar. Apesar de os três serem de Pernambuco, Paraíba e Bahia, respectivamente, estados geográfica e culturalmente próximos, foi possível perceber as inúmeras especificidades culturais de cada um. “Alagoanos e pernambucanos, por exemplo, têm um jeito próprio de colocar os artigos ‘o’ e ‘a’. Juliette, Gil e Lumena protagonizaram várias cenas em que é possível perceber o quanto, mesmo no Nordeste, falamos diferente”, apontou o pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Cleber Ataíde, ex-presidente do Grupo de Estudos Linguísticos e Literários do Nordeste e membro do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).

ALVES, Pedro. Dia do Nordestino: além do ‘oxente’ e ‘eita’, conheça expressões dos nove estados da região. Universidade Federal Rural de Pernambuco. Disponível em: https://www.ufrpe.br/. Acesso em: 15 nov. 2023 (adaptado).

 

Através da tese do artigo, combate-se o imaginário consolidado de que

a) a variação é uma questão irrelevante.

b) o programa exclui as diferenças culturais.

c) a linguística estuda as normas linguísticas.

d) os nordestinos falam de maneira diferente.

e) os nordestinos utilizam uma variante única.

 

CONTE UM CONTO SEM AUMENTAR UM PONTO

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