11 outubro 2021

POESIA VISUAL

 1. Introdução

- A poesia visual (ou poema concreto) tem início com o movimento de vanguarda concretista no século XX.

- No Brasil, ele despontou em meados da década de 50, mais precisamente em São Paulo, na “Exposição Nacional de Arte Concreta”, ocorrida no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1956.

- No país, o concretismo foi fundado por Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos (ou “irmãos Campos”).

- Mais tarde, eles produziram a revista literária que levava o nome do grupo. “Noigandres”

 

2. Manifesto da poesia concreta.

“A poesia concreta começa a assumir uma responsabilidade total perante a linguagem: aceitando o pressuposto do idioma histórico como núcleo indispensável de comunicação, recusando-se a absorver as palavras como meros veículos indiferentes, sem vida, sem personalidade, sem história – túmulos-tabu como que a convenção insiste em sepultar a ideia. O poeta concreto não volta a face às palavras, não lhes lança olhares oblíquos: vai direto ao seu centro, para viver e vivificar a sua facticidade”.

 

3. Características

- Uso da linguagem verbal e não-verbal.

- Experimentalismo poético.

- Poema produto.

- Efeitos gráficos, sonoros e semânticos.

- Aspectos geométricos.

- Supressão do verso e estrofe.

- Desaparecimento do eu-lírico.

- Eliminação da poesia intimista.

- Racionalismo.



EM TEMPO - Augusto de Campos


O BARCO – Caroline Jesuíno



LUXO - Augusto de Campos


XÍCARA – Fábio Sexugi



O GIRO – Marcelo Moura


BEBA COCA-COLA – Décio Pignatari


PLUVIAL/FLUVIAL - Augusto de Campos


EPITHALAMIUM II – Pedro Xisto



(o termo latino do título, "epitalâmio", é um poema ou canto em homenagem aos que se casam)

 

4. CONCLUINDO

- A poesia visual aproveita os espaços em branco do papel de forma inovadora, quebrando com o sentido ortodoxo e convencional

- Estrutura verbi-voco-visual: além de ser palavra e som, o poema também é imagem

- Influência da linguagem publicitária.

-Poucas palavras, sem pontuação.

- Abolição do verso.

03 outubro 2021

EXERCÍCIOS DE LEITURA E INTERPRETAÇÃO – 9º ANO

 O que liga a floresta Amazônica, o aquecimento mundial e você?

Há muito tempo a floresta Amazônica é reconhecida como um repositório de serviços ecológicos, não só para os povos indígenas e as comunidades locais, mas também para o restante do mundo. Além disso, de todas as florestas tropicais do mundo, a Amazônia é a única que ainda está conservada, em termos de tamanho e de diversidade. No entanto, à medida que as florestas são queimadas ou retiradas e o processo de aquecimento global é intensificado, o desmatamento da Amazônia gradualmente desmonta os frágeis processos ecológicos que levaram anos para serem construídos e refinados.

 

A floresta amazônica pode curar você

Durante milênios, os seres humanos utilizaram insetos, plantas e outros organismos da região para várias finalidades, entre elas a agricultura, a vestimenta e, claro, a cura para doenças. Povos indígenas e outros grupos que vivem na floresta amazônica aperfeiçoaram o uso de compostos químicos encontrados em plantas e em animais. O conhecimento sobre o uso dessas plantas geralmente fica nas mãos de um curandeiro que, por sua vez, repassa a tradição para um aprendiz. Esse processo se mantém ao longo de séculos e compõe uma parte integral da identidade desses povos.

 

O potencial inexplorado das plantas amazônicas

Os cientistas acreditam que menos de 0,5% das espécies da flora foram detalhadamente estudadas quanto ao seu potencial medicinal. Ao mesmo tempo em que o bioma Amazônia está encolhendo lentamente em tamanho, a riqueza da vida silvestre de suas florestas também tem se reduzido, bem como o uso potencial das plantas e dos animais que ainda não foram descobertos.

<https://tinyurl.com/y4bprxq8>  Acesso em: 10.10.2019. Adaptado.

 

Questão 01

Sobre o texto, analise as afirmações:

I - O desmatamento da floresta põe em risco, para além de suas riquezas naturais, a continuidade de conhecimentos tradicionais.

II - Apesar da biodiversidade existente na floresta Amazônica, o impacto gerado pelo seu desmatamento restringe-se às comunidades e aos povos locais.

III - A não preservação do bioma Amazônia pode acarretar impactos no clima mundial e até mesmo na pesquisa médico-científica.

 

É correto o que se afirma em

(A) I, apenas.

(B) II, apenas.

(C) III, apenas.

(D) I e III, apenas.

(E) I, II e III.

 

Questão 02

Observe os elementos de coesão destacados no texto. Analisando seu contexto de ocorrência, assim como suas funções sintático-semânticas, afirma-se corretamente que

(A) “não só” é uma locução adverbial utilizada para negar a expressão “os povos indígenas e as comunidades locais”.

(B) “não só...mas também”; “além disso” e “bem como” são locuções conjuntivas e expressam ideia de adição.

(C) “No entanto”, como conjunção adversativa, pode ser substituída, sem alterar o sentido original do período, por “porque”.

(D) “à medida que” está empregada inadequadamente no texto, pois deveria expressar proporção; logo, o correto seria “na medida em que”.

(E) “mas também” exerce função de conjunção adversativa no texto, uma vez que expressa oposição em relação à oração anterior: “... a floresta Amazônica é reconhecida...”.

 

Questão 03

Antecedente é a palavra empregada pela gramática tradicional para identificar o termo ao qual o pronome relativo se refere em uma oração. 

Assinale a alternativa cujo antecedente do pronome relativo está corretamente destacado.

(A) “o desmatamento da Amazônia gradualmente desmonta os frágeis processos ecológicos que levaram anos para serem construídos e refinados.”

(B) “O conhecimento sobre o uso dessas plantas geralmente fica nas mãos de um curandeiro, que por sua vez repassa a tradição para um aprendiz...”

(C) “Além disso, de todas as florestas tropicais do mundo, a Amazônia é a única que ainda está conservada, em termos de tamanho e diversidade.”

(D) “Os cientistas acreditam que menos de 0,5% das espécies da flora foram detalhadamente estudadas...”

(E) “Ao mesmo tempo em que o bioma Amazônia está encolhendo lentamente em tamanho...”

 

Questão 04

Observe a passagem: “...os Aqueus não perceberam que estavam sofrendo por uma coisa tão efêmera e tão facilmente perecível.”

São sinônimas dos termos destacados, respectivamente, as palavras

(A) permanente e deteriorável.

(B) fraca e perene.

(C) débil e infinita.

(D) inócua e vitalícia.

(E) passageira e extinguível.

 

Questão 05



 I – Você está no meio desse ambiente.

II – Campanha do meio ambiente.

Sobre o vocábulo “meio”, destacado nos períodos, pode-se afirmar corretamente que:

(A) em I, exerce a função de predicativo do sujeito “você”.

(B) em I, é substantivo que forma uma locução adverbial indicando lugar.

(C) em II, está apresentando a circunstância de lugar onde a campanha ocorre.

(D) em II, é um advérbio de intensidade e pode ser substituído por “um pouco”.

(E) em I e II, são substantivos que formam locuções adjetivas qualificando “você” e “campanha”.

 

Questão 06

No slogan da peça publicitária, “Você está no meio desse ambiente. E não no fim.”, o segundo período é construído utilizando a zeugma. Trata-se de figura de sintaxe baseada na omissão de um termo já empregado anteriormente no texto, no caso, o verbo estar: “E não [está] no fim”. Assinale a alternativa em que a citação apresentada também se constrói por meio da zeugma.

(A) “Seu rosto imóvel logrou / uma expressão que ninguém / chegou perto de imitar: / cômica e séria...” (Felipe Fortuna)

(B) “Como era dia de bacalhau, vovó mandou abrir três garrafas de vinho do Porto para o jantar.” (Helena Morley)

(C) “Perante a morte empalidece e treme, / treme perante a Morte, empalidece.” (Cruz e Sousa)

(D) “Vês?! Ninguém assistiu ao formidável / Enterro de tua última quimera.” (Augusto dos Anjos)

(E) “Viu uma lua no céu / Viu outra lua no mar.”  (Alphonsus Guimarães)

 

Questão 07



Observe a frase:

Povos indígenas e comunidades tradicionais mantêm por conta própria, por gosto e tradição, as variedades em cultivo e observam as novidades. Assinale a alternativa em que a frase apresentada foi reescrita preservando o sentido original.

(A) As novidades objetivas, por conta própria e a gosto dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, superam o cultivo das variedades apreciadas.

(B) As variedades em cultivo mantêm povos indígenas isolados das comunidades tradicionais, pois observam as novidades e mantêm os gostos e as tradições próprios.

(C) Por conta própria, uma vez que queriam e era tradicional, as variedades em cultivo eram observadas como novidades pelos povos indígenas e pelas comunidades tradicionais.

(D) Como mantiveram as variedades em cultivo e observaram aleatoriamente as novidades, povos indígenas e comunidades tradicionais preservaram gostos e tradições por conta própria.

(E) Devido ao gosto e à tradição, não só as variedades em cultivo são preservadas pelos povos indígenas e pelas comunidades tradicionais por conta própria, como também novidades são observadas.


Questão 08

O quarto parágrafo relata a Grande Fome ocorrida na Irlanda entre 1845 e 1849. Esse relato, dentro da estrutura textual, tem por objetivo

(A) esclarecer que as múltiplas espécies domesticadas  pelos europeus  tornaram-se a base  da alimentação  para o continente.

(B) contrapor as práticas de cultivo irlandesas às práticas de cultivo indígenas, menos eficientes que as europeias.

(C) reforçar a importância do cultivo de fungos, realizado pelas tribos indígenas, para acelerar a seleção natural.

(D) apresentar um argumento controverso sobre a necessidade de conservação da fauna nativa.

(E) comprovar a importância da agrobiodiversidade para a segurança alimentar.

 

Questão 09


Após a leitura do cartum, pode-se concluir corretamente que ele

(A) representa os hábitos primitivos compartilhados entre os seres humanos e outras espécies.

(B) corrige o modelo darwiniano, evidenciando o desenvolvimento das espécies por meio da convivência pacífica e ordenada.

(C) distorce o modelo evolucionista, retratando a influência negativa do consumo desenfreado na manutenção da biodiversidade.

(D) critica o modelo evolucionista, segundo o qual os seres vivos surgem a partir do material orgânico descartado de outros seres vivos.

(E) utiliza a teoria da evolução para evidenciar hábitos ambientais destrutivos do ser humano, como poluir o ambiente do qual se originou.



PARTE 2 - AULA 2


TEXTO PARA QUESTÕES 1 e 2

 

Vínculos, as equações da matemática da vida

Quando você forma um vínculo com alguém, forma uma aliança. Não é à toa que o uso de alianças é um dos símbolos mais antigos e universais do casamento. O círculo dá a noção de ligação, de fluxo, de continuidade. Quando se forma um vínculo, a energia flui. E o vínculo só se mantém vivo se essa energia continuar fluindo. Essa é a ideia de mutualidade, de troca.

Nessa caminhada da vida, ora andamos de mãos dadas, em sintonia, deixando a energia fluir, ora nos distanciamos. Desvios sempre existem. Podemos nos perder em um deles e nos reencontrar logo adiante. A busca é permanente. O que não se pode é ficar constantemente fora de sintonia.

Antigamente, dizia-se que as pessoas procuravam se completar através do outro, buscando sua metade no mundo. A equação era: 1/2 + 1/2 = 1.

"Para eu ser feliz para sempre na vida, tenho que ser a metade do outro." Naquela loteria do casamento, tirar a sorte grande era achar a sua cara-metade.

Com o passar do tempo, as pessoas foram desenvolvendo um sentido de individualização maior e a equação mudou. Ficou: 1 + 1= 1.

"Eu tenho que ser eu, uma pessoa inteira, com todas as minhas qualidades, meus defeitos, minhas limitações. Vou formar uma unidade com meu companheiro, que também é um ser inteiro." Mas depois que esses dois seres inteiros se encontravam, era comum fundirem-se, ficarem grudados num casamento fechado, tradicional. Anulavam-se mutuamente.

Com a revolução sexual e os movimentos de libertação feminina, o processo de individuação que vinha acontecendo se radicalizou. E a equação mudou de novo: 1 + 1= 1 + 1.

Era o "cada um na sua". "Eu tenho que resolver os meus problemas, cuidar da minha própria vida. Você deve fazer o mesmo. Na minha independência total e autossuficiência absoluta, caso com você, que também é assim." Em nome dessa independência, no entanto, faltou sintonia, cumplicidade e compromisso afetivo. É a segunda crise do casamento que acompanhamos nas décadas de 70 e 80.

Atualmente, após todas essas experiências, eu sinto as pessoas procurando outro tipo de equação: 1 + 1 = 3.

Para a aritmética ela pode não ter lógica, mas faz sentido do ponto de vista emocional e existencial. Existem você, eu e a nossa relação. O vínculo entre nós é algo diferente de uma simples somatória de nós dois. Nessa proposta de casamento, o que é meu é meu, o que é seu é seu e o que é nosso é nosso.

Talvez aí esteja a grande mágica que hoje buscamos, a de preservar a individualidade sem destruir o vínculo afetivo. Tenho que preservar o meu eu, meu processo de descoberta, realização e crescimento, sem destruir a relação. Por outro lado, tenho que preservar o vínculo sem destruir a individualidade, sem me anular.

Acho que assim talvez possamos chegar ao ano 2000 um pouco menos divididos entre a sede de expressão individual e a fome de amor e de partilhar a vida. Um pouco mais inteiros e felizes.

Para isso, temos que compartilhar com nossos companheiros de uma verdadeira intimidade. Ser íntimo é ser próximo, é estar estreitamente ligado por laços de afeição e confiança.

(MATARAZZO, Maria Helena. Amar é preciso. 22. ed. São Paulo: Editora Gente, 1992. p. 19-21)

 

Questão 01

O texto trata PRINCIPALMENTE

(A) da exatidão da matemática da vida.

(B) dos movimentos de libertação feminina.

(C) da loteria do sucesso no casamento.

(D) do casamento no passado e no presente.

 

Questão 02

No texto, no casamento, atualmente, defende-se a ideia de que

(A) a felicidade está na somatória do casal.

(B) a unidade é igual à soma das partes.

(C) o ideal é preservar o “eu” e o vínculo afetivo.

(D) o melhor é cada um cuidar de sua própria vida.

 

TEXTO PARA QUESTÕES 3 e 4

 

As Amazônias

Esse tapete de florestas com rios azuis que os astronautas viram é a Amazônia. Ela cobre mais da metade do território brasileiro. Quem viaja pela região, não cansa de admirar as belezas da maior floresta tropical do mundo. No início era assim: água e céu.

É mata que não tem mais fim. Mata contínua, com árvores muito altas, cortada pelo Amazonas, o maior rio do planeta. São mais de mil rios desaguando no Amazonas. É água que não acaba mais.

SALDANHA, P. As Amazônias. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.

 

Questão 03

A frase que contém uma opinião é

(A) “cobre mais da metade do território brasileiro”.

(B) “não cansa de admirar as belezas da maior floresta”.

(C) “...maior floresta tropical do mundo”.

(D) “é Mata contínua [...] cortada pelo Amazonas”.

 

Questão 04

No texto, o uso da expressão “água que não acaba mais” revela

(A) admiração pelo tamanho do rio.

(B) ambição pela riqueza da região.

(C) medo da violência das águas.

(D) surpresa pela localização do rio.

 

 

TEXTOS PARA A QUESTÃO 5

Texto I

Cinquenta camundongos, alguns dos quais clones de clones, derrubaram os obstáculos técnicos à clonagem. Eles foram produzidos por dois cientistas da Universidade do Havaí num estudo considerado revolucionário pela revista britânica “Nature”, uma das mais importantes do mundo. [...]

A notícia de que cientistas da Universidade do Havaí desenvolveram uma técnica eficiente de clonagem fez muitos pesquisadores temerem o uso do método para clonar seres humanos.

O GLOBO. Caderno Ciências e Vida. 23 jul. 1998, p. 36.

 

Texto II

Cientistas dos EUA anunciaram a clonagem de 50 ratos a partir de células de animais adultos, inclusive de alguns já clonados. Seriam os primeiros clones de clones, segundo estudos publicados na edição de hoje da revista “Nature”.

A técnica empregada na pesquisa teria um aproveitamento de embriões — da fertilização ao nascimento — três vezes maior que a técnica utilizada por pesquisadores britânicos para gerar a ovelha Dolly.

Folha de S. Paulo. 1º caderno – Mundo. 03 jul. 1998, p.16.

 

 

Questão 05

Os dois textos tratam de clonagem. Qual aspecto dessa questão é tratado apenas no texto I?

(A) A divulgação da clonagem de 50 ratos.

(B) A referência à eficácia da nova técnica de clonagem.

(C) O temor de que seres humanos sejam clonados.

(D) A informação acerca dos pesquisadores envolvidos no experimento.

 

TEXTO PARA AS QUESTÕES 6, 7 e 8

Assaltos insólitos

Assalto não tem graça nenhuma, mas alguns, contados depois, até que são engraçados. É igual a certos incidentes de viagem, que, quando acontecem, deixam a gente aborrecidíssimo, mas depois, narrados aos amigos num jantar, passam a ter sabor de anedota.

Uma vez me contaram de um cidadão que foi assaltado em sua casa. Até aí, nada demais. Tem gente que é assaltada na rua, no ônibus, no escritório, até dentro de igrejas e hospitais, mas muitos o são na própria casa. O que não diminui o desconforto da situação.

Pois lá estava o dito-cujo em sua casa, mas vestido em roupa de trabalho, pois resolvera dar uma pintura na garagem e na cozinha. As crianças haviam saído com a mulher para fazer compras e o marido se entregava a essa terapêutica atividade, quando, da garagem, vê adentrar pelo jardim dois indivíduos suspeitos.

Mal teve tempo de tomar uma atitude e já ouvia:

— É um assalto, fica quieto senão leva chumbo.

Ele já se preparava para toda sorte de tragédias quando um dos ladrões pergunta:

— Cadê o patrão?

Num rasgo de criatividade, respondeu:

— Saiu, foi com a família ao mercado, mas já volta.

— Então vamos lá dentro, mostre tudo.

Fingindo-se, então, de empregado de si mesmo, e ao mesmo tempo para livrar sua cara, começou a dizer:

— Se quiserem levar, podem levar tudo, estou me lixando, não gosto desse patrão. Paga mal, é um pão-duro. Por que não levam aquele rádio ali? Olha, se eu fosse vocês levava aquele som também. Na cozinha tem uma batedeira ótima da patroa. Não querem uns discos? Dinheiro não tem, pois ouvi dizerem que botam tudo no banco, mas ali dentro do armário tem uma porção de caixas de bombons, que o patrão é tarado por bombom.

Os ladrões recolheram tudo o que o falso empregado indicou e saíram apressados.

Daí a pouco chegavam a mulher e os filhos.

Sentado na sala, o marido ria, ria, tanto nervoso quanto aliviado do próprio assalto que ajudara a fazer contra si mesmo.

SANTANNA Affonso Romano. PORTA DE COLÉGIO E OUTRAS CRÔNICAS São Paulo:Ática 1995. (Coleção Para gostar de ler).

 

Questão 06

O dono da casa livra-se de toda sorte de tragédias, principalmente, porque

(A) aconselha a levar o som.

(B) conta os defeitos do patrão.

(C) mente para os assaltantes.

(D) mostra os objetos da casa.

 

Questão 07

No trecho “ e o marido se entregara a essa terapêutica atividade.”, a expressão destacada substitui

(A) fazer compras.

(B) ir ao mercado.

(C) narrar anedotas.

(D) pintar a casa.

 

Questão 08

É exemplo de linguagem formal, no texto

(A) “dito-cujo”.

(B) “adentrar”.

(C) “pão-duro”.

(D) “botam”.

 

Questão 09

Considerando-se os dados relativos às verbas recebidas e ao desempenho em matemática, nos estados, conclui-se que

(A) há uma relação direta entre quantidade de verbas por aluno e desempenho médio dos alunos.

(B) Minas Gerais teve menos recursos por aluno e apresentou baixo desempenho médio dos alunos.

(C) o maior beneficiado com recursos financeiros por aluno foi Roraima.

(D) São Paulo recebeu maiores verbas por aluno por ser o maior estado. 



 

 

01 outubro 2021

WHAT DOES THE FUTURE HOLD?

Use the pictures and the words from the box to talk about the future.


NOUNS:

habitat - field - working area - energy plant - drinking water - soil - pollution - dam - agriculture - farming - fires - extinction - deforestation - contamination - migration - wild species - icecaps

VERBS:

reduce - have their house destroyed - pollute - diminish - procriate - cultivate  - melt - go extinct - deforest - contamine - migrate - move


PICTURE 1



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WE'RE ON THE SAME BOAT...



26 setembro 2021

CARTAS CHILENAS

 

A poesia de Tomás Antônio Gonzaga apresenta uma linguagem direta e acessível para os padrões da época, como pretendia a estética árcade. Na poesia lírica, a obra Marília de Dirceu retrata o amor do pastor Dirceu pela pastora Marília. Os sentimentos expressos nos versos da obra, porém, são mais que invenções para o exercício poético, pois se baseiam na experiência pessoal de Gonzaga, em especial a do amor por Doroteia e a das dores que viveu no cárcere. Nessa obra, Gonzaga, ao associar elementos da convenção árcade – como os pastores, o locus amoenus, o fugere urbem – à sua experiência pessoal, particular, conferiu maior subjetividade e espontaneidade aos seus versos e, assim, distanciou-se da poesia impessoal cultivada pelos poetas de seu tempo.

A poesia de Gonzaga também expressa algo raro no Arcadismo brasileiro: o retrato da cor local, com a substituição, em certas situações, da paisagem bucólica, pastoril, por elementos característicos do lugar onde vivia. Nesse contexto, Dirceu não é apenas um pastor, mas, também, um bacharel, procedimento que aproxima ainda mais a figura do eu lírico do autor dos versos.

Além da poesia lírica, Gonzaga produziu também poesia satírica, publicada em Cartas chilenas. As cartas que compõem a obra, hoje atribuídas ao poeta, eram anônimas, e, por isso, houve dúvidas quanto à sua autoria. Em forma de poemas, compostos por volta de 1787 e 1788, as cartas criticavam os abusos de poder praticados por Luís da Cunha Meneses, governador da capitania de Minas Gerais de 1783 a 1788. Em razão do risco decorrente dessas críticas, o autor criou uma série de disfarces: adotou para si o nome Critilo e para o destinatário o nome Doroteu; o governador foi chamado de Fanfarrão Minésio; Vila Rica era Santiago, e Minas, Chile (portanto, Cartas chilenas são, na verdade, “cartas mineiras”). Além do valor literário, esses poemas satíricos possuem um importante valor documental, pois expressam as tensões sociais e políticas vividas em Vila Rica nos anos que antecederam a Inconfidência Mineira.

 

 Neste trecho, da terceira carta, Critilo conta a Doroteu que os comandantes de Santiago, seguindo o exemplo do governador Fanfarrão Minésio, também cometem abusos de poder.

[...]

Aqui, prezado Amigo, principia

Esta triste tragédia: sim prepara,

Prepara o branco lenço, pois não podes

Ouvir o resto, sem banhar o rosto

Com grossos rios de salgado pranto.

Nas levas, Doroteu, não vêm somente [grupos de pessoas]

Os culpados vadios; vem aquele,

Que a dívida pediu ao Comandante; [pessoa com poder em Santiago]

Vem aquele, que pôs impuros olhos

Na sua mocetona; e vem o pobre, [moça formosa]

Que não quis emprestar-lhe algum negrinho,

Para lhe ir trabalhar na roça, ou lavra.

 

Estes tristes, mal chegam, são julgados

Pelo benigno Chefe a cem açoites. [Fanfarrão Minésio]

Tu sabes, Doroteu, que as Leis do Reino

Só mandam, que se açoitem com a sola, [chicote de couro]

Aqueles agressores, que estiverem

Nos crimes quase iguais aos réus de morte:

Tu também não ignoras, que os açoites

Só se dão por desprezo nas espáduas; [ombros]

Que açoitar, Doroteu, em outra parte,

Só pertence aos Senhores, quando punem

Os caseiros delitos dos escravos.

Pois todo este Direito se pretere: [despreza]

No Pelourinho a escada já se assenta,

Já se ligam dos Réus os pés, e os braços;

Já se descem calções, e se levantam

Das imundas camisas rotas fraldas;

Já pegam dous verduros nos zorragues; [açoite, chicote]

Já descarregam golpes desumanos;

Já soam os gemidos, e respigam

Miúdas gotas de pisado sangue.

Uns gritam que são livres: outros clamam,

Que as sábias Leis do Rei os julgam brancos:

Este diz, que não tem algum delito,

Que tal vigor mereça; aquele pede

Do injusto acusador ao Céu vingança.

Não afroxam os braços dos verdugos: [quem aplica os castigos corporais]

Mas antes com tais queixas se duplica

A raiva dos tiranos; qual o fogo,

Que aos assopros dos ventos ergue a chama.

Às vezes, Doroteu, se perde a conta

Dos cem açoites, que no meio estavam

Mas outra nova conta se começa.

Os pobres miseráveis já não gritam,

Cansados de gritar; apenas soltam

Alguns fracos suspiros, que enternecem. [comovem]

(Tomás Antônio Gonzaga. Cartas chilenas. Introdução, cronologia, notas e estabelecimento do texto por Joaci Pereira Furtado. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 92-4.)

 

Na primeira estrofe, Critilo conta a Doroteu que Fanfarrão Minésio e seus comandantes mandam açoitar homens injustamente.

1. Explique de modo resumido o que tais homens fizeram para serem submetidos a tal penalidade.

2. Por que a punição desses homens contrariava as leis do reino?

3. Identifique a figura de linguagem presente nos versos: “Estes tristes, mal chegam, são julgados / Pelo benigno Chefe a cem açoites”.

4. Que efeito produz na poesia a repetição do advérbio ?

5. Que comentário do eu lírico, ao descrever a aplicação do castigo do açoite, acentua a crueldade dos carrascos?

6. Leia o texto abaixo “O Iluminismo e a escravidão”. Depois, responda: Nos versos das Cartas chilenas lidos, Gonzaga mostra-se influenciado pelas ideias iluministas acerca da escravidão? Justifique sua resposta com elementos do texto.

 



7. O fragmento a seguir foi extraído da Carta 2 em que Critilo, dirigindo-se ao seu amigo Doroteu, narra o comportamento do Fanfarrão Minésio

 

Aquele, Doroteu, que não é Santo

Mas quer fingir-se Santo aos outros homens,

Pratica muito mais, do que pratica,

Quem segue os sãos caminhos da verdade.

Mal se põe nas Igrejas, de joelhos,

Abre os braços em cruz, a terra beija,

Entorta o seu pescoço, fecha os olhos,

Faz que chora, suspira, fere o peito;

E executa outras muitas macaquices,

Estando em parte, onde o mundo as veja.

GONZAGA, Tomás Antônio. Cartas Chilenas. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 68-69.

 


Considerando as informações apresentadas e esse fragmento poético, é correto afirmar:

a) O autor descreve as atitudes do governador de Minas sem fazer uso de um tom irônico.

b) O autor critica algumas atitudes do governador de Minas, julgando-as dissimuladas.

c) O autor descreve, com humor, o comportamento do governador de Minas, sem apresentar um posicionamento crítico.

d) O tom satírico, presente nas Cartas Chilenas, não é observado nesse fragmento, pois, aqui, há apenas a descrição das práticas religiosas do Fanfarrão Minésio.

e) O autor chama a atenção para o fato de que o governador de Minas age com fervor, longe dos olhos dos fiéis.

 

8. Sobre as Cartas Chilenas, pode-se afirmar que:

a) narram a história de um peregrino no interior do Brasil na época da mineração.

b) representam uma coletânea de poemas líricos que giram em torno de Marília, nome fictício de uma donzela mineira.

c) se tratam de um conjunto de poemas religiosos sobre o Barroco mineiro.

d) é uma obra que reflete, como num espelho polido, imagens do governo de Luiz da Cunha Menezes, em Minas Gerais.

e) envolvem cartas que Tomás Antônio Gonzaga colecionou ao longo de sua vida de magistrado.

 

9.

“Tem pesado semblante, a cor é baça

O corpo de estatura um tanto esbelta,

Feições compridas e olhadura feia,

Tem grossas sobrancelhas, testa curta,

Nariz direito e grande, fala pouco

Em rouco baixo som de mau falsete.

Sem ser velho, já tem cabelo ruço

E cobre este defeito a fria calva

À força do polvilho, que lhe deita.”

 

O trecho acima pertence a uma obra importante de certo período da literatura brasileira, e descreve com impiedade o tirano Luís da Cunha Menezes, que governou a cidade na época em que fervilhava uma vida cultural com traços cosmopolitas e impulsos de liberdade. Aponte dentre as alternativas abaixo aquela que explicita o título da obra, o período a que pertence e a cidade em questão.

a) Cartas chilenas, Arcadismo, Vila Rica.

b) Uraguai, Indianismo, Rio de Janeiro.

c) Cartas persas, Realismo, Ouro Preto.

d) Cartas mineiras, Romantismo, Ouro Preto.

e) Caramuru, Simbolismo, Vila Rita.


MAP (4) - OS ARGONAUTAS