12 junho 2026

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 2 - 9º ANO 2026

– Leia este fragmento para responder às questões 1 a 3 – 

A 24 de maio de 1863, um domingo, meu tio, o professor Lidenbrock, voltou precipitadamente para sua casinha no número 19 da Königstrasse, uma das ruas mais antigas do velho bairro de Hamburgo.

A boa Marthe deve ter achado que estava muito atrasada, pois o jantar mal começara a chiar no fogão da cozinha. [...]

– O senhor Lidenbrock já chegou! – exclamou Marthe, estupefata, entreabrindo a porta da sala de jantar.

– Já, Marthe; mas o jantar tem o direito de não estar pronto, pois não são nem duas horas.

Acabou de dar a meia hora em São Miguel.

– Então por que o senhor Lidenbrock está de volta?

– Logo saberemos por ele mesmo.

– Ei-lo! Vou sumir, senhor Axel; o senhor se encarregue de fazer com que se mostre razoável.

E a boa Marthe desapareceu em seu laboratório culinário. [...]

Preparava-me para voltar ao meu quartinho no último andar quando as dobradiças da porta rangeram; a escada de madeira estalou sob os grandes pés, e o dono da casa, depois de atravessar a sala de jantar, precipitou-se imediatamente para seu gabinete de trabalho.

Durante a rápida passagem jogara num canto sua bengala com um quebra-nozes na ponta, seu grande chapéu de pelos arrepiados na mesa, e as seguintes palavras retumbantes a seu sobrinho:

– Axel, siga-me!

Eu mal tivera tempo de me mexer, e o professor já gritava num tom vivo de impaciência:

– Vamos! Por que ainda não está aqui?

Corri para o gabinete de meu temível mestre.

VERNE, Júlio. Viagem ao centro da Terra. São Paulo: Ática, 1998.

 

Questão 1

O foco desse fragmento de romance está no(a)

A) obediência de Axel ao seu tio Lidenbrock.

B) atraso no jantar pelo descuido da governanta da casa, Marthe.

C) impaciência do professor diante das reações lentas do sobrinho.

D) quantidade de ruídos e barulhos ao mesmo tempo presentes na casa.

E) tensão gerada pela chegada antecipada do professor Lidenbrock à sua casa.

 

Questão 2

Com base no trecho lido, infere-se que o personagem professor Lidenbrock pode ser caracterizado como

A) inseguro e ansioso.

B) excêntrico e calmo.

C) medroso e discreto.

D) impulsivo e impaciente.

E) reservado e observador.

 

Questão 3

No fragmento, a ordenação temporal da narrativa é construída principalmente por meio da

A) antecipação de fatos futuros, criando expectativa no leitor.

B) descrição detalhada dos ambientes, que suspende a progressão temporal.

C) indicação precisa de data e da sequência de ações encadeadas cronologicamente.

D) alternância entre falas das personagens, que interrompem o avanço do tempo narrativo.

E) retomada de acontecimentos do passado distante por meio de lembranças do narrador.

 

– Leia o conto para responder às questões de 4 a 11 –

Três tesouros perdidos

Uma tarde, eram 4 horas, o sr. X. voltava à sua casa para jantar. O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolet que estava parado à sua porta. Entrou, subiu a escada, penetra na sala, e... dá com os olhos em um homem que passeava a largos passos como agitado por uma interna aflição.

Cumprimentou-o polidamente; mas o homem lançou-se sobre ele, e com uma voz alterada diz-lhe:

– Senhor, eu sou F., marido da Sra. D. E.

– Estimo muito conhecê-lo – responde o Sr. X. –; mas não tenho a honra de conhecer a Sra. D. E.

– Não a conhece! Não a conhece!... Quer juntar a zombaria à infâmia?...

– Senhor!...

E o Sr. X. deu um passo para ele.

– Alto lá!

O Sr. F., tirando do bolso uma pistola, continuou:

– Ou o senhor há de deixar esta Corte, ou vai morrer como um cão!

– Mas, senhor - disse o Sr. X., a quem a eloquência do Sr. F. tinha produzido um certo efeito –, que motivo tem o senhor?...

– Que motivo! É boa! Pois não é um motivo andar o senhor fazendo a corte à minha mulher?

– A corte à sua mulher! Não compreendo!

– Não compreende! Oh! Não me faça perder a estribeira.

– Creio que se engana...

– Enganar-me!.. É boa!... Mas eu o vi... sair duas vezes de minha casa...

– Sua casa!

– No Andaraí... por uma porta secreta... Vamos! Ou...

– Mas, senhor, há de ser outro, que se parece comigo...

– Não; não; é o senhor mesmo... Como escapar-me este ar de tolo que ressalta de toda a sua cara? Vamos, ou deixar a cidade, ou morrer... Escolha!

Era um dilema. O Sr. X. compreendeu que estava metido entre um cavalo e uma pistola; pois toda a sua paixão era ir a Minas. Escolheu o cavalo.

Surgiu, porém, uma objeção.

– Mas, senhor – disse ele –, os meus recursos...

– Os seus recursos! Ah! Tudo previ... Descanse... Eu sou um marido previdente.

E, tirando da algibeira da casaca uma linda carteira de couro da Rússia, diz-lhe:

– Aqui tem dous contos de réis para os gastos da viagem; vamos, parta! Parta imediatamente. Para onde vai?

– Para Minas.

– Oh! A pátria do Tiradentes! Deus o leve a salvamento... Perdoo-lhe, mas não volte mais a esta Corte... Boa viagem!

Dizendo isto, o Sr. F. desceu precipitadamente a escada, e entrou no cabriolet, que desapareceu em uma nuvem de poeira.

O Sr. X. ficou por alguns instantes pensativo. Não podia acreditar nos seus olhos e ouvidos; pensava sonhar. Um engano trazia-lhe dous contos de réis, e a realização de um dos seus mais caros sonhos. Jantou tranquilamente, e daí a uma hora partia para a terra de Gonzaga, deixando em sua casa apenas um moleque encarregado de instruir, pelo espaço de oito dias, aos seus amigos sobre o seu destino.

No dia seguinte, pelas onze horas da manhã, voltava o Sr. F. para a sua chácara de Andaraí; pois tinha passado a noite fora.

Entrou, penetrou na sala, e, indo deixar o chapéu sobre uma mesa, viu ali o seguinte bilhete:

Meu caro esposo! Parto no paquete em companhia do teu amigo P... Vou para a Europa. Desculpa a má companhia; pois melhor não podia ser.

Tua E.

Desesperado, fora de si, o Sr. F. lança-se a um jornal que perto estava: o paquete tinha partido às 8 horas.

– Era P..., que eu acreditava meu amigo... Ah! Maldição! Ao menos não percamos os dous contos! Tornou a meter-se no cabriolet e dirigiu-se à casa do Sr. X., subiu; apareceu o moleque.

– Teu senhor?

– Partiu para Minas.

O Sr. F. desmaiou.

Quando deu acordo de si estava louco... louco varrido!

Hoje, quando alguém o visita, diz ele com um tom lastimoso:

– Perdi três tesouros a um tempo: uma mulher sem igual, um amigo a toda prova, e uma linda carteira cheia de encantadoras notas... que bem podiam aquecer-me as algibeiras!...

Neste último ponto, o doudo tem razão, e parece ser um doudo com juízo.

ASSIS, Machado de. Disponível em: https://machadodeassis.net/texto/tres-tesouros-perdidos/33373. Acesso em: 13 nov. 2025.

 

Questão 4

O conto “Três tesouros perdidos”

A) critica o romantismo exagerado, típico dos casais do século XIX.

B) expõe as vantagens de abandonar a cidade para viver no campo.

C) celebra a coragem e a honra masculina diante das dificuldades.

D) defende a fidelidade conjugal como elemento essencial da vida familiar.

E) ironiza a ingenuidade dos maridos crédulos, que confiam em suas esposas e amigos.

 

Questão 5

Leia as afirmações sobre os elementos narrativos do conto:

I. O autor utiliza o modo direto de apresentação de personagens.

II. O tempo é ordenado linearmente, sem cortes, saltos, desvios ou recuos.

III. O protagonista, Sr. X, é uma caricatura dos maridos ingênuos e traídos.

IV. O ponto culminante do conto é a leitura do bilhete da esposa.

 

Estão corretas apenas as afirmações:

A) II e III.

B) III e IV.

C) II, III e IV.

D) II e IV.

E) I, III e IV

 

Questão 6

No desfecho do conto, o narrador apresenta o Sr. F. já louco, repetindo sempre a mesma queixa sobre os “três tesouros” perdidos. O efeito produzido por esse final é o de

A) reforçar a moralidade da história, mostrando que a virtude sempre é recompensada ao final.

B) apresentar a loucura como punição exemplar para todas as personagens envolvidas na confusão.

C) destacar o sofrimento profundo do Sr. F., convidando o leitor a compadecer-se sinceramente de seu destino.

D) valorizar a ação heroica do Sr. X, que teria enfrentado os riscos para defender sua honra e sua integridade.

E) evidenciar o ridículo da situação, expondo como o ciúme precipitado e os equívocos conduzem a um final cômico e inesperado.

 

Questão 7

No trecho “Perdoo-lhe, mas não volte mais a esta Corte...”, a conjunção coordenativa estabelece, entre as orações, a relação de sentido de

A) adição.

B) conclusão.

C) alternância.

D) explicação.

E) adversidade.

 

Questão 8

No período “O Sr. X. compreendeu que estava metido entre um cavalo e uma pistola”, a oração em destaque exerce a função sintática de

A) complemento nominal do verbo “compreender”.

B) predicativo do sujeito da oração principal.

C) objeto direto do verbo “compreender”.

D) aposto explicativo do sujeito.

E) adjunto adverbial de modo.

 

Questão 9

Considere estes dois períodos do conto.

I. O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolet que estava parado à sua porta.

II. Dizendo isto, o Sr. F. desceu precipitadamente a escada, e entrou no cabriolet, que desapareceu em uma nuvem de poeira.

 

As orações adjetivas em destaque apresentam as seguintes características:

A) A primeira restringe o sentido de “cabriolet”, enquanto a segunda acrescenta uma informação acessória a esse mesmo termo.

B) A primeira é desenvolvida e a segunda é reduzida, diferenciando-se pela forma verbal empregada.

C) Ambas são explicativas, acrescentando informações acessórias sobre o termo antecedente.

D) A primeira é explicativa, ao passo que a segunda é restritiva, modificando o sentido.

E) Ambas são restritivas, limitando o sentido dos termos a que se referem.

 

Questão 10

No trecho “O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolet [...]”, o pronome relativo em destaque estabelece função

A) apenas anafórica, pois retoma o termo anterior sem introduzir nova oração.

B) causal, porque indica a causa pela qual o personagem não percebeu o cabriolet.

C) simultaneamente anafórica e conectiva, pois retoma o termo “O apetite” e introduz a oração “que levava”.

D) apenas conectiva, pois introduz uma oração que não mantém relação com o termo antecedente “O apetite”.

E) explicativa, pois acrescenta uma informação sobre o termo antecedente, sem estabelecer relação sintática de retomada.

 

Questão 11

No trecho “dá com os olhos em um homem que passeava a largos passos como agitado por uma interna aflição”, o efeito da oração adjetiva é

A) ampliar o sentido do termo “homem”, sugerindo características gerais aplicáveis a qualquer pessoa em situação semelhante.

B) acrescentar uma informação secundária e acessória sobre o homem, funcionando como comentário explicativo.

C) indicar a causa da aflição sentida pelo homem, explicando por que ele caminhava a passos largos.

D) caracterizar o homem de modo a permitir sua identificação específica na cena, limitando o sentido.

E) apresentar uma consequência da ação principal, indicando o que aconteceu após a personagem ver o homem.

 

Questão 12 



Na interlocução entre as personagens da tira, a linguagem

A) está de acordo com a norma-padrão, para se adequar ao gênero textual.

B) é informal, pois se trata de comunicação oral em uma situação descontraída.

C) enquadra-se no registro coloquial, gerando falta de entendimento na comunicação.

D) varia com o objetivo de demonstrar o baixo nível de escolaridade das falantes.

E) varia com o objetivo de indicar o sotaque da região onde cada personagem vive.

 

– Leia esta introdução de uma carta aberta para responder às questões de 13 a 15 –

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO BRASILEIRA

Prezados Cidadãos e Cidadãs,

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. No Brasil o processo iniciou-se a partir de 1960 e as mudanças se dão a largos passos. Em 1940, a população brasileira era composta por 42% de jovens com menos de 15 anos enquanto os idosos representavam apenas 2,5%. No último Censo realizado pelo IBGE, em 2010, a população de jovens foi reduzida a 24% do total. Por sua vez, os idosos passaram a representar 10,8% do povo brasileiro, ou seja, mais de 20,5 milhões de pessoas possuem mais de 60 anos, isto representa incremento de 400% se comparado ao índice anterior. A estimativa é de que nos próximos 20 anos esse número mais que triplique.

Infelizmente, nosso País ainda não está preparado para atender às demandas dessa população. A Política Nacional do Idoso assegura, em seu art. 2º, direitos que garantem oportunidades para a preservação de sua saúde física e mental, bem como seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social em condições de liberdade e dignidade.

Apesar de avanços, como a aprovação do Estatuto do Idoso, a realidade é que os direitos e necessidades dos idosos ainda não são plenamente atendidos. No que diz respeito à saúde do idoso, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não está preparado para amparar adequadamente esta população. [...]

Disponível em: https://portal.cfm.org.br/noticias/carta-da-sociedade-brasileira-de-geriatria-e-gerontologia-chama-atencaopara-avancos-e-fragilidades-da-atencao-a-saude-do-idoso. Acesso em: 14 nov. 2025

 

Questão 13

Essa carta aberta tem a finalidade de

A) narrar episódios históricos que explicam a formação demográfica do país.

B) relatar experiências individuais de idosos atendidos pelo Sistema Único de Saúde.

C) instruir os cidadãos sobre como acessar serviços de saúde voltados à população idosa.

D) prestar homenagem às pessoas idosas que contribuíram para o desenvolvimento do Brasil.

E) alertar a população e o poder público sobre problemas e necessidades relacionados ao envelhecimento no Brasil.

 

Questão 14

Uma opinião presente na carta aberta é

A) “A estimativa é de que nos próximos 20 anos esse número mais que triplique.”.

B) “No Brasil o processo iniciou-se a partir de 1960 e as mudanças se dão a largos passos.”.

C) “Infelizmente, nosso País ainda não está preparado para atender às demandas dessa população.”.

D) “Em 1940, a população brasileira era composta por 42% de jovens com menos de 15 anos enquanto os idosos representavam apenas 2,5%.”.

E) “os idosos passaram a representar 10,8% do povo brasileiro, ou seja, mais de 20,5 milhões de pessoas possuem mais de 60 anos, isto representa incremento de 400% se comparado ao índice anterior.”.

 

Questão 15

O argumento do trecho “No último Censo realizado pelo IBGE, em 2010, a população de jovens foi reduzida a 24% do total.” é do tipo

A) argumento histórico.

B) argumento por raciocínio lógico.

C) argumento de comparação.

D) argumento por exemplificação.

E) argumento de provas concretas.

 

Questão 16

A seguir, veja o passo a passo para fazer o download do WhatsApp no seu celular e tire suas dúvidas para concluir o registro na plataforma.

1. Acesse a Google Play Store ou App Store para baixar o WhatsApp

Entre na loja de aplicativos do seu celular e digite “WhatsApp” na barra de pesquisas, no topo da tela. Toque em “Instalar” (ou “Obter”) e aguarde o download do mensageiro. Então, toque em “Abrir”.

2. Selecione o idioma e aceite os Termos de Serviço

Selecione o idioma para configurar o WhatsApp e toque na seta verde, no canto inferior direito, para avançar. Depois, leia e aceite os Termos de Serviço tocando em “Concordar e continuar”.

3. Informe seu número para criar uma conta no WhatsApp

Insira um número de telefone válido, com DDD, para criar uma nova conta no WhatsApp. O número não pode ter sido usado em outra conta existente. Na tela seguinte, confirme o número tocando em “Sim”. [...]

Disponível em: https://tecnoblog.net/responde/como-criar-um-whatsapp-veja-como-baixar-instalare-fazer-uma-conta-no-mensageiro/. Acesso em: 14 nov. 2025.

 

A partir da leitura do trecho, conclui-se que sua finalidade é

A) orientar o leitor, de maneira sequencial e objetiva, sobre como instalar o WhatsApp e criar uma conta no aplicativo.

B) apresentar a história do WhatsApp, explicando sua criação e as principais atualizações do aplicativo desde o lançamento.

C) convencer o leitor a baixar o WhatsApp ao destacar as vantagens do mensageiro em relação a outros aplicativos de comunicação.

D) relatar a experiência de um usuário iniciante que teve dificuldade para instalar o WhatsApp e precisou de ajuda para concluir o processo.

E) comparar diferentes lojas de aplicativos disponíveis para celulares, explicando as diferenças entre a Google Play Store e a App Store.

 

Questão 1

Read the text.

Fast fashion does not only have a huge environmental impact. In fact, the industry also poses societal problems, especially in developing economies. According to non-profit Remake, 80% of apparel is made by young women between the ages of 18 and 24. A 2018 US Department of Labor report found evidence of forced and child labour in the fashion industry in Argentina, Bangladesh, Brazil, China, India, Indonesia, Philippines, Turkey, Vietnam and others. Rapid production means that sales and profits supersede human welfare.

Disponível em: https://earth.org/fast-fashions-detrimental-effect-on-the-environment/. Acesso em: 14 out. 2025.

 

Read the sentences below about fast fashion and write T for True or F for False.

1. Fast fashion has only environmental impacts and does not affect society.

2. The majority of apparel is made by young women aged 18 to 24.

3. Evidence of forced and child labor in the fashion industry has only been reported in countries like Bangladesh, India, and Brazil.

4. Fast fashion prioritizes human welfare over profits and sales.

5. Non-profit organizations, like Remake, provide data on societal problems in the fashion industry.

A) T, T, F, F, F

B) F, F, T, T, T

C) F, T, F, F, F

D) F, F, F, F, F

E) T, F, T, F, T

 

Questão 2

Read the text.

Gen Z

Born between 1997 and 2012, they represent a significant consumer force with an estimated global annual spending power exceeding $450 billion in 2024 (Source: Statista, 2024).

This generation prioritizes experiences, digital goods, and sustainable brands. They are heavily influenced by social media, often relying on recommendations and reviews from peers and influencers when making purchasing decisions.

Gen Z consumers are also more likely to support brands that align with their values, such as those that prioritize social responsibility, environmental sustainability, and diversity and inclusion.

• Over 50% of Gen Z consumers prefer to shop online.

• 45% of Gen Z consumers discover new products through social media.

• 60% of Gen Z consumers are influenced by influencer recommendations when making purchasing decisions.

• 60% of Gen Z consumers are willing to pay a premium for sustainable products.

Disponível em: https://porchgroupmedia.com/blog/generational-consumer-shopping-trends/. Acesso em: 14 out. 2025.

 

According to the text, what most influences Gen Z consumers when making purchasing decisions?

A) Recommendations from influencers and peers.

B) Direct sales representatives.

C) Television advertisements.

D) Newspaper reviews.

E) Family traditions.

 

Questão 3

Complete the sentences with the present perfect tense and the prepositions “for” or “since”. Use the verbs in parentheses.

1. I ___________ clothes online ___________ three years. (to buy)

2. She ___________ a loyal customer of that brand ___________ 2020. (to be)

3. We ___________ to the shopping mall ___________ last summer. (to go/negative)

4. My parents ___________ groceries online ___________ a long time. (to order)

5. He ___________ the same credit card ___________ he started working. (to use)

 

Check the correct alternative.

A) bought, since / was, for / went, for / has ordered, since / used, for.

B) has bought, since / has been, since / have gone, for / has ordered, for / used, for.

C) have bought, for / has been, since / have gone, since / ordered, since / have used, since.

D) has bought, for / have been, since / haven’t gone, for / has ordered, since / has used, since.

E) have bought, for / has been, since / haven’t gone, since / have ordered, for / has used, since.

 

Questão 4

Read the text.

Cultural heritage has a significant impact on food choices, influencing the types of foods consumed, cooking methods, and meal patterns. For instance, many African cultures have a strong tradition of consuming stews and soups, which are often made with locally available ingredients and cooked over an open flame.

Cultural Heritage → Food Choices → Traditional Cuisine → Cooking Methods → Meal

Patterns

Disponível em: https://www.numberanalytics.com/blog/cultural-views-on-food-and-health#:~:text=Different%20societies%20have%20unique%20perspectives%20on%20nutrition%2C%20shaped,on%20nutrition%2C%20and%20the%20implications%20for%20global%20health. Acesso em: 8 dez. 2025.

 

According to the text, how does cultural heritage influence food choices?

A) It only determines which foods are forbidden in each culture.

B) It influences the types of foods consumed, cooking methods, and meal patterns.

C) It affects only the way food is presented.

D) It exclusively defines meal times in all cultures.

E) It impacts only the use of processed ingredients in recipes.

 

Questão 5

Read the text.

What is responsible consumption?

Responsible consumption aims to integrate social, environmental, and ethical aspects into purchasing decisions. Consumers committed to this model are informed individuals who seek to minimize the environmental footprint of their actions and have a positive impact on society.

When it comes to addressing excessive consumption, responsible purchasing is guided by the following principles:

• Reduction: The aim is to limit consumption, while assessing the need for certain purchases.

• Energy efficiency: Consumers also seek efficient, low-consumption products that can be reused or recycled.

• Preventing negative effects on the environment: Finally, consumers check that the components don’t have a negative effect on the environment once the item reaches its useful life.

The “use and throw away” linear economy has environmental consequences, as it creates waste. This waste decomposes in anaerobic conditions, generating methane (CH4), CO2 and other gases that contribute to global warming and, consequently, climate change. The transition from a linear to a circular economy model can mitigate these negative effects of consumption. Until now, actions to promote the circular economy in Europe have focused mainly on responsible production and the role of companies and industries, displacing the role of consumers, who are essential in this transition towards an economic model of more responsible development.

Disponível em: https://www.repsol.com/en/energy-move-forward/energy/responsible-consumption/index.cshtml. Acesso em: 8 dez. 2025.

 

Match each concept (1–5) with the correct definition (a–e) based on the text about responsible consumption.

Concepts

1. Responsible consumption

2. Reduction

3. Energy efficiency

4. Environmental impact

5. Circular economy

Definitions

I. A system that aims to minimize waste by reusing, recycling, and keeping resources in use for as long as possible.

II. Choosing products that use less energy and can be reused or recycled.

III. Buying less and evaluating whether each purchase is truly necessary.

IV. A form of consumption that considers social, environmental, and ethical aspects.

V. The negative consequences that discarded products can cause to nature, including greenhouse gas emissions.

Check the correct alternative.

A) 1I, 2II, 3III, 4IV, 5V.

B) 1II, 2I, 3IV, 4V, 5III.

C) 1IV, 2III, 3II, 4V, 5I.

D) 1III, 2IV, 3I, 4II, 5V.

E) 1V, 2I, 3III, 4II, 5IV.

01 junho 2026

THE DISADVANTAGES OF DUOLINGO

 

Duolingo is a popular language learning app, but it has some limitations. For intermediate and advanced learners, it doesn’t offer enough new material to reach full fluency. It also doesn’t prepare users well for real-life conversations, as the speaking and listening exercises are not like actual conversations. The app’s quality varies between languages – some, like Spanish and French, have many lessons, while others, like Finnish, have fewer resources. Duolingo is good for practice, but it’s not enough to become fluent, especially for grammar and non-Latin scripts like Chinese or Cyrillic.”

 

Adapted from: https://www.fluentu.com/blog/reviews/does-duolingo-work/






08 maio 2026

ATIVIDADES SOBRE PERÍODO COMPOSTO

- COORDENAÇÃO -

1. Em cada item abaixo, reescreva as orações, unindo-as adequadamente em um só período por meio de uma conjunção coordenativa. A seguir, explique o sentido da conjunção escolhida.

a) Lavei o carro. Não consegui lavar os tapetes.

b) Percebo que o marido de Maria não liga para ela. Ele não a procura nem pergunta por ela.

c) Os brinquedos estão todos quebrados. Não poderão mais ser utilizados.

d) Estudei toda a matéria da prova. Serei aprovado.

e) Na escola, fiz exercícios de Matemática. Treinei para o teste de Português.

f) O rapaz não sabe se enfrenta o cão. O rapaz não sabe se corre do cão.

 

2. Para preencher as lacunas das frases a seguir, escolha entre as seguintes conjunções: nem, porque, ou, todavia, pois. Depois indique o sentido que elas proporcionam ao texto.

a) Não te beijei _________ ainda não tive catapora.

b) De dia, os ratos ficavam escondidos, _________, durante a noite, punham-se insolentes.

c) A funcionária não limpou o escritório adequadamente; é necessário, _________, substituí-la.

d) Após as eleições, não havia mais panfletos nas ruas, _________ cartazes eram mais vistos nos postes.

e) Decida-se! _________ você pede sanduíche, _________ escolhe comida mexicana.

 

- ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA -

3. Reescreva as frases a seguir substituindo os termos em destaque por orações subordinadas substantivas com a mesma função sintática.

a) Solicitamos ao governo o aumento do salário.

b) Pedi a devolução do pagamento.

c) É necessário o estabelecimento de regras.

d) Ele depende do teu esforço.

e) Percebo a chegada do verão.

f) O desejo dela era o comparecimento de todos à festa de 15 anos.

g) A solução mais viável é a separação dos alunos em grupo.

h) Este é meu desejo: sua vinda ainda este mês.

i) Ana estava certa da chegada de sua amiga à cidade.

j) Todos tinham certeza da aprovação nos testes.

 

4. Analise os períodos produzidos no exercício anterior: divida-os em orações e classifique cada uma delas.

 

5. Leia a tirinha reproduzida a seguir, com os personagens Calvin, um menino, e Haroldo, seu bicho de pelúcia.



No segundo quadrinho, a fala de Haroldo é construída com período composto: “Espero que ele viva”. Divida-o em orações e classifique-as.


6. Analise as sentenças a seguir:

I. Não me oponho a que as provas sejam realizadas em dupla.

II. Não sou oposição a que as provas sejam realizadas em dupla.

 

Os períodos, embora muito parecidos, apresentam orações subordinadas que recebem classificações distintas. Classifique-as e explique o motivo pelo qual elas não devem receber a mesma classificação.

 

- ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA -

7. Reescreva os períodos a seguir transformando os adjetivos destacados em orações subordinadas adjetivas sem alterar o sentido das frases.

a) O atleta esforçado vence as provas.

b) A pessoa batalhadora sobe na vida.

c) Os músicos pianistas têm mãos ágeis.

d) Um povo exigente conquista melhorias para sua cidade.

e) Uma nação unida jamais desmorona aos pés de corruptos.

 

8. Sublinhe as orações adjetivas dos períodos a seguir e classifique-as.

a) Os alunos que se esforçarem serão recompensados.

b) O Sol, que é uma estrela, possibilita a vida no planeta Terra.

c) A manobra, que o piloto executou, foi muito arriscada.

d) Os autores modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna são exemplos de revolução literária.

e) Os homens que forem ao baile não pagarão estacionamento.

f) As crianças, que não sabem nada de cozinha, fritaram um ovo.

 

9. Reescreva as frases acrescentando a elas uma oração subordinada adjetiva ligada ao termo em destaque. Essa oração deve ter o sentido e o complemento indicados entre parênteses.

a) As moças conversavam alegremente. (explicação; estar em um café)

b) Perdi o casaco. (restrição; estar sem um botão)

c) A mesa é meu móvel preferido. (explicação; ser comprada aqui perto)

d) O livro me pareceu muito interessante. (restrição; ter sido dado a Lucas)



- ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL -

10. Classifique as orações subordinadas adverbiais em destaque.

a) Quando dormi, acenderam-se as luzes da casa toda.

b) Embora estivessem todos vivos, havia ferimentos em todos os passageiros do ônibus.

c) Se as pessoas fizerem sua parte, poderemos solucionar alguns problemas do país.

d) À medida que as pessoas chegavam, os espaços da casa esgotavam.

e) Já que está calor hoje, vamos à praia?

 

11. Leia os textos para responder às questões.

Texto I

O ex-ministro está preso desde que a Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador [...].

 

Texto II

O projeto muda a forma de contar os desempregados na pesquisa divulgada mensalmente pelo IBGE [...].

Atualmente, o IBGE já considera ocupada uma pessoa que trabalhou pelo menos uma hora completa na semana da pesquisa. Esse trabalho, porém, pode ser “remunerado em dinheiro, produtos, mercadorias ou benefícios (moradia, alimentação, roupas, treinamento, etc.)”.

O trabalho também pode não ter remuneração alguma, desde que seja para ajudar a atividade econômica de alguém da casa ou um parente que more em outro lugar.

a) A locução conjuntiva desde que tem o mesmo valor nos dois textos? Explique.

b) Reescreva o período do texto I, substituindo desde que por uma palavra ou expressão semelhante. Faça as alterações gramaticais necessárias.

c) Reescreva o período do texto II, substituindo desde que pelas conjunções e locuções conjuntivas indicadas:

● se                        ● contanto que                                   ● caso


06 maio 2026

INTRODUÇÃO À OBRA: VIDA E MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ (2)

 


- Textos para a questão 1 -

Texto 1

Desviei o olhar, alvejando-o por sobre uma rua em frente, vista por mim em toda a extensão graças a uma aberta na formatura. Olhando-a, pus-me a recordar que, ainda há dias, naquele sulco que se lhe abria pelo eixo em fora, homens sujos cavavam; e que, fizesse o sol mais ardente ou o aguaceiro mais temível, eles cavariam...

LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro 5). Edição para Kindle. p. 1660.

 

Texto 2



Questão 1

Ambos os textos – o de Lima Barreto, autor pré-modernista brasileiro, de 1919, e o de Gustave Courbet, pintor realista francês, de 1849 – abordam de forma semelhante o trabalhador braçal. Com base na interpretação dos textos, é possível inferir que:

a) tanto Courbet quanto Lima Barreto idealizam o trabalhador braçal pela pureza e ingenuidade de suas ações.

b) enquanto Courbet elege o trabalhador braçal em sua individualidade na tela, Lima Barreto o aborda de forma coletiva.

c) tanto Courbet quanto Lima Barreto usam suas obras como forma de denúncia da condição do trabalhador braçal na sociedade burguesa.

d) enquanto Courbet aborda o trabalhador braçal coletivamente, Lima Barreto individualiza essa figura em sua descrição.

e) a obra de Courbet é, de certa forma, contrariada pela descrição de Lima Barreto, que retrata o trabalhador braçal como integrado à sociedade.

 

 

- Leia o texto para responder ao que se pede -

Filho de um general titular do Império, podia ser muita coisa; não quis. Era preciso ser doutor, formar-se, exames, pistolões, hipocrisias, solenidades... Um aborrecimento, enfim!...

Não quis; fez-se praticante e foi indo. Foi empregado assíduo e razoável trabalhador. A República veio encontrá-lo quase só na seção, redigindo um decreto do Defensor Perpétuo e, ao lhe avisarem: – “seu” Gonzaga, hoje não se trabalha; o Deodoro, de manhã, proclamou a República no Campo de Santana.

LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro 5). Edição para Kindle. p. 297.

 

Questão 2

Compreende-se, pela leitura do fragmento, que o personagem M. J. Gonzaga de Sá mantém uma relação com o Império marcada principalmente por:

a) nostalgia.

b) oposição.

c) indiferença.

d) simpatia.

e) adesão.

 

- Texto para as questões 3 e 4 -

Em começo, procuram-no com o fim de manter a integridade do seu pensamento, de fazê-lo produzir, a coberto das primeiras necessidades da vida; mas, o enfado, a depressão mental do ambiente, o afastamento dos seus iguais e o estúpido desdém com que são tratados, tudo isso, aos poucos, lhes vai crestando o viço, a coragem e mesmo o ânimo de estudar. Com os anos, esfriam, não leem mais, embotam-se e desandam a conversar.

Eu me dei com um escriturário que conhecia o zende, o hebraico, além de outros conhecimentos mais ou menos comuns.

Seu pai, que tivera fortuna, mandou-o para Europa muito moço, pelos quatorze anos.

Lá, onde se demorara perto de dez anos, apaixonou-se pela crítica religiosa e estudou com afinco estas antigas línguas sagradas. Perdendo a fortuna, voltou e viu-se, com tão inestimável sabedoria, nas ruas do Rio de Janeiro, sem saber o que fizesse dela.

Nesse tempo, o folhetim estava na moda, e a repetição de umas coisas vulgares da matemática.

O futuro escriturário não dava para o rodapé; declarou-se besta, e fez um concursozinho de amanuense, e foi indo. Ficou como um escolar que sabe geometria a viver numa aldeia de gafanhotos; e, quinze anos depois, veio a morrer, deixando grandes saudades na sua Repartição. Coitado, diziam, tinha tão boa letra!

LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro 5). Edição para Kindle. p. 310-322.

 

Questão 3

No trecho, o narrador faz um breve relato sobre o ambiente e um tipo de integrante do funcionalismo público brasileiro durante a Primeira República. Considerando a visão de Lima Barreto a respeito do homem do subúrbio do Rio de Janeiro, desenhada por ele em muitos de seus contos e romances, é possível afirmar que a perspectiva apresentada pelo narrador é:

a) elogiosa a esse funcionário que, bem formado e interessado em se desenvolver, é absorvido pelo ambiente pouco criativo, acabando por anular-se.

b) crítica ao ambiente do funcionalismo público, em que todos, até mesmo os honestos e interessados, sempre se corromperão.

c) satírica em relação à inutilidade da cultura do candidato ao funcionalismo que, mesmo inadequado ao trabalho, consegue uma oportunidade.

d) crítica em relação à pouca importância dada à formação e à cultura do homem que acaba se tornando um amanuense e sendo absorvido pelo ambiente do funcionalismo.

e) entusiasta em relação às possibilidades disponíveis no ambiente do funcionalismo público e ao futuro dos que se dedicam a esse trabalho.

 

Questão 4

O final do trecho pode ser considerado uma marca significativa do estilo de Lima Barreto. De que marca se trata? O que seu uso representa em relação ao universo do funcionalismo público?

 

- Texto para a questão 5 -

– Não imaginas, menino, que tesouro de dedicação há nesse homem. Eu não sei de onde ele o tira e de que maneira argamassou tão grandes sentimentos. Nasceu escravo, uns dias antes de mim; meu pai o libertou na pia, por isso. A mim me acompanha desde os primeiros dias do nascimento. É um irmão de leite. Viu-me nas atitudes mais humildes; apreciou-me em propósitos repugnantes; assistiu ao desmoronamento da grandeza da minha casa familiar; entretanto, não sendo, como parece a todos, destituído de inteligência crítica, sou para ele o mesmo, o mesmíssimo, cuja representação se lhe fez na consciência, no correr dos seus primeiros lustros de vida. Eu não o chego absolutamente a compreender. Acho-o obscuro; mas me deslumbra – é grandioso! Às vezes, confesso, me parece uma subalterna dedicação animal; às vezes, também confesso, me parece um sentimento divino... Eu não sei, mas amo-o.

LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro 5). Edição para Kindle. p. 851.

 

Questão 5

Gonzaga de Sá revela, no fragmento, o tipo de relação que mantinha desde a infância com um ex-escravizado que tinha sido libertado por seu pai ainda criança. Em relação ao comportamento do amigo, o que mais intriga Gonzaga é:

a) a submissão de suas atitudes.

b) o amor inexplicável que expressa.

c) sua falta de inteligência crítica.

d) sua dedicação quase religiosa.

e) a grandiosidade de sua dedicação.

 

- Texto para a questão 6 -

A felicidade, sensação tão volátil, instável, irredutível de homem a homem é cousa diferente, e não consente média a abranger centenas, milhares e milhões de seres humanos. Imaginas tu que Madame Belasman, de Petrópolis, tem um grande joanete, um defeito hediondo, com o qual sobremaneira sofre; e o operário Felismino, da Mortona, orgulha-se em possuir um filho com talento. Madame Belasman vive acabrunhada com a exuberância de seu joanete. [...] entretanto, Felismino, quando bate rebites, sorri e antegoza o estrondo que uma parcela do seu sangue vai causar na sociedade. [...] Quem é mais feliz – pergunto – Madame Belasman ou o senhor Felismino? E, à vista disso, poderás dizer que todas as damas de Petrópolis são felizes e os operários de fundição são desgraçados? Há média possível para a felicidade das classes? Nós, os modernos, nos vamos esquecendo que essas histórias de classe, de povos, de raças, são tipos de gabinetes, fabricados para as necessidades de certos edifícios lógicos, mas que fora deles desaparecem completamente: – Não são? Não existem.

BARRETO, Lima. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2017, p. 100-101. (fragmento).

 

Questão 6

Sobre o fragmento da obra Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto, assinale a alternativa correta.

a) Apresenta a ideia de que a felicidade varia de pessoa para pessoa e que, por ser um sentimento sólido e estável, uma vez sentida, permanece.

b) Expõe a ideia de que a felicidade é um sentimento que pode ser medido entre as classes sociais e que alcança todos os seres humanos.

c) Compara a felicidade dos homens mais simples com a felicidade das mulheres da classe alta, defendendo que a felicidade depende de fatores divinos.

d) Defende que a felicidade depende da forma como cada pessoa se vê e se relaciona com sua realidade, independentemente de seu lugar social.

 

Questão 7

A nossa emotividade literária só se interessa pelos populares do sertão, unicamente porque são pitorescos e talvez não se possa verificar a verdade de suas criações. No mais é uma continuação do exame de português, uma retórica mais difícil, a se desenvolver por este tema sempre o mesmo: Dona Dulce, moça de Botafogo em Petrópolis, que se casa com o Dr. Frederico. O comendador seu pai não quer porque o tal Dr. Frederico, apesar de doutor, não tem emprego. Dulce vai à superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à mulher do ministro, antiga aluna do colégio, que arranja um emprego para o rapaz. Está acabada a história. É preciso não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai tem dinheiro, fazenda ou engenho, mas não pode dar uma mesada grande.

Está aí o grande drama de amor em nossas letras, e o tema de seu ciclo literário.

BARRETO, L. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 10 ago. 2017.

 

Situado num momento de transição, Lima Barreto produziu uma literatura renovadora em diversos aspectos. No fragmento, esse viés se fundamenta na:

a) releitura da importância do regionalismo.

b) ironia ao folhetim da tradição romântica.

c) desconstrução da formalidade parnasiana.

d) quebra da padronização do gênero narrativo.

e) rejeição à classificação dos estilos de época

 

Questão 8

Na “Advertência”, prólogo do livro, Lima Barreto cita o narrador, tecendo certas considerações acerca do gênero da obra que está encaminhando para publicação:

[...] não me pareceu de rigor a classificação de biografia que o meu amigo Machado lhe deu.

Faltam-lhe, para isso, a rigorosa exatidão de certos dados, a explanação minuciosa de algumas passagens da vida da principal personagem e as datas indispensáveis em trabalho que queira ser classificado de tal forma; e não só por isso, penso assim, como também pelo fato de muito aparecer e, às vezes, sobressair demasiado, a pessoa do autor.

LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro 5). Edição para Kindle. p. 31-38.

 

Considerando o estilo de Lima Barreto e a recorrente intersecção entre vida e obra no trabalho do autor, qual é o propósito que se identifica na “Advertência” que introduz o livro?

 

- Texto para a questão 9 -

Na linda repartição das delicadas coisas internacionais, fizeram sábias transposições de uma religião para outra, de modo a se estabelecer a equivalência das respectivas autoridades. Foi organizado um quadro, muito bem-feito, bem riscadinho, em que os nomes dos sacerdotes de cada religião foram escritos, respeitando-se a índole ortográfica de suas línguas próprias.

LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro 5). Edição para Kindle. p. 95.

 

Questão 9

Considerando a manifestação inequívoca de ironia no fragmento, aponte a alternativa em que os termos listados, da forma como foram empregados, podem ser considerados indicativos de tal marca de estilo.

a) “linda”, “delicadas”, “sábias” e “bem riscadinho”.

b) “internacionais”, “transposições”, “autoridades” e “índole”.

c) “repartição”, “religião”, “bem-feito” e “sacerdotes”.

d) “lindas”, “transposições”, “sacerdotes” e “bem riscadinho”.

e) “delicadas”, “respectivas”, “organizado” e “ortográfica”.

 

- Texto para a questão 10 -

Com Vida e morte, o autor conseguiu sintetizar as transformações culturais em curso, relacionando os traços ocultos ou destruídos da antiga cidade colonial aos avanços da técnica, o que resultava na interligação entre os diferentes extratos espaciais e temporais da urbe.

SCHEFFEL, Marcos. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá – Possibilidades éticas e estéticas do romance moderno brasileiro. In: LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Apresentação e notas de Marcos Scheffel. Cotia: Ateliê Editorial, 2023.

 

Questão 10

Ao interpretarmos, à luz das observações de Marcos Scheffel, a estrutura criada por Lima Barreto para contar a vida do amanuense M. J. Gonzaga de Sá – no que se refere ao gênero da narrativa de Augusto Machado –, é possível compreender que:

a) o romance mais comumente produzido no século XIX mantinha ligações com a antiga cidade colonial e, portanto, com a Monarquia, enquanto a obra de Lima Barreto é francamente republicana, daí a subversão total do gênero tradicional.

b) a criação de uma obra cujo gênero é controverso relaciona-se diretamente com o mundo em transformação sintetizado por Lima Barreto por meio da troca de ideias entre personagens de diferentes idades e diferentes origens, na jovem República brasileira.

c) a utilização do lirismo nas descrições dá à obra um tom próximo à prosa poética experimentada por modernistas como Mário de Andrade e Oswald de Andrade, negando a tradição do romance do século XIX, normalmente associado a enredos mais baseados em relações de causalidade, o que atribui ao livro um caráter republicano.

d) a aproximação da obra a um livro de contos incorpora a habilidade de cronista do autor e afasta a criação de Lima Barreto da adesão de gêneros mais tradicionais e do núcleo temático recorrente nos romances do século XIX.

e) a obra de Lima Barreto se afasta da biografia anunciada na “Advertência” e aproxima-se do romance, o que revela uma adesão do autor à literatura tradicional produzida por autores como José de Alencar e Machado de Assis, associados diretamente à Monarquia.

 

- Texto para a questão 11 -

Considerei também a calma face da Guanabara, ligeiramente crispada, mantendo certo sorriso simpático na conversa que entabulara com a grave austeridade das serras graníticas, naquela hora de efusão e confidência.

Villegagnon boiava na placidez das águas, com seus muros brancos e suas árvores solitárias. Notei então o acordo entre o mar e as serras. O negro costão do Pão de Açúcar dissolvia-se nas mansas ondas da enseada; e da mágoa insondável do mar se fazia a tristeza da Boa-Viagem.

Transmutavam-se naturalmente e tocavam-se amigavelmente.

O mar espelhejante e móvel realçava a majestade e a firmeza da serrania e, em face da sua suntuosidade, por vezes conselheiral, o sorriso complacente do golfo tinha uma segurança divina.

O poeta tinha razão: era verdadeiramente a grandiosa Guanabara que eu via!

LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro 5). Edição para Kindle. p. 171.

 

Questão 11

Analise a relação existente entre a descrição apresentada e a imagem que Lima Barreto atribui ao Rio de Janeiro do início do século XX, considerando verbos e adjetivos utilizados pelo autor no excerto.

 

- Texto para a questão 12 -

E, assim, fui sentindo com orgulho que as condições de meu nascimento e o movimento de minha vida se harmonizavam – umas supunham o outro que se continha nelas; e também foi meus avós, desde que se desprenderam de Portugal e da África. Era já o esboço do que havia de ser, de hoje a anos, o homem criação deste lugar. Por isso, já me apoio nas coisas que me cercam, familiarmente, e a paisagem que me rodeia não me é mais inédita: conta-me a história comum da cidade e a longa elegia das dores que ela presenciou nos segmentos de vida que precederam e deram origem à minha.

LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro 5). Edição para Kindle. p. 199.

 

Questão 12

Explique, com base na leitura do fragmento, as origens do narrador e cite uma das razões pelas quais ele se identifica com a cidade do Rio de Janeiro.

 

 

 

1. c

2. c

3. d

4. Trata-se da ironia. Em suas obras, de forma geral, Lima Barreto usa a ironia para expressar opiniões negativas acerca da máquina da administração nos primeiros anos da República. Na frase final do fragmento, está expressa a opinião do autor sobre a ignorância geral do meio, em que os funcionários, diante da morte de um homem culto com o qual conviveram por quinze anos, lembram-se dele pela beleza da letra, o que revela o sistema de valores que adotam e que a obra caracteriza como insignificante.

5. e

6. d

7. b

8. Lima Barreto, na “Advertência” do início de Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, faz um comentário metalinguístico, chamando a atenção do leitor para a classificação de gênero atribuída pelo autor-narrador por ele criado, Augusto Machado. Trata-se de uma elaborada situação de enunciação, na qual o autor cria um narrador que apresenta outro personagem ao mesmo tempo que revela a si mesmo. O trânsito entre os gêneros foi uma característica do trabalho de Lima Barreto, que escreveu contos, crônicas (com as quais manteve-se ao longo da vida, como cronista colaborador em periódicos da imprensa) e romances. Há, na “Advertência”, um convite ao leitor para que observe o engenhoso trabalho de subversão dos gêneros biografia e romance para o que pode ser considerado um livro dividido em “quadros” e repleto de descrições do Rio de Janeiro e de sua população, o que lembra as crônicas do autor. É como se este estivesse exibindo suas habilidades, ao mesmo tempo que questiona o gênero da própria obra. Além disso, a “Advertência” deixa claro que o leitor vai encontrar, nos personagens, reminiscências da biografia do próprio Lima Barreto que é, ao mesmo tempo, Augusto Machado e Gonzaga de Sá.

9.   a

10.   b

11. A Guanabara é apresentada como dona de uma “calma face”, produto do diálogo estabelecido entre o mar e a serra. O primeiro é caracterizado como “espelhejante” e “móvel” e a segunda, como “suntuosa”, “austera” e “conselheiral”. Os verbos que indicam o desenvolvimento dessa espécie de conversa entre dois elementos tão distintos são “transmutar-se” e “tocar-se”, o que sugere um processo de aproximação e possível fusão das características de cada um. Lima Barreto aborda a cidade do Rio de Janeiro em um período de transição entre a Monarquia e a República, uma época de transformações, nem sempre efetivas, de costumes arraigados desde os tempos do Brasil colônia, como, por exemplo, a relação com os negros. Para Gonzaga de Sá, os novos grupos sociais ascendentes pela República não tinham a mesma capacidade dos monarquistas de dialogar com os afrodescendentes. A decepção com as promessas não cumpridas pela República e a constituição de uma sociedade cada vez mais excludente geram certa nostalgia em relação a aspectos do passado. Assim, percebe-se que Lima Barreto está representando um Rio de Janeiro que passa por mudanças complexas, as quais poderiam obter melhor arranjo e conclusão por meio do diálogo entre passado e presente.

12. O texto deixa claras as origens do narrador, Augusto Machado. Trata-se de um jovem mestiço, de 20 anos de idade, cujos avós eram oriundos de Portugal e da África. Augusto se orgulha da semelhança entre sua origem mestiça e a constituição étnica do Rio de Janeiro e, por extensão, do Brasil. O narrador considera que sua história está entrelaçada à da cidade, o que reforça a referida identificação.

 

 

 





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