- Textos para a
questão 1 -
Texto 1
Desviei
o olhar, alvejando-o por sobre uma rua em frente, vista por mim em toda a
extensão graças a uma aberta na formatura. Olhando-a, pus-me a recordar que,
ainda há dias, naquele sulco que se lhe abria pelo eixo em fora, homens sujos cavavam;
e que, fizesse o sol mais ardente ou o aguaceiro mais temível, eles cavariam...
LIMA BARRETO. Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro
5). Edição para Kindle. p. 1660.
Texto 2
Questão 1
Ambos
os textos – o de Lima Barreto, autor pré-modernista brasileiro, de 1919, e o de
Gustave Courbet, pintor realista francês, de 1849 – abordam de forma semelhante
o trabalhador braçal. Com base na interpretação dos textos, é possível inferir
que:
a)
tanto Courbet quanto Lima Barreto idealizam o trabalhador braçal pela pureza e
ingenuidade de suas ações.
b)
enquanto Courbet elege o trabalhador braçal em sua individualidade na tela,
Lima Barreto o aborda de forma coletiva.
c)
tanto Courbet quanto Lima Barreto usam suas obras como forma de denúncia da
condição do trabalhador braçal na sociedade burguesa.
d)
enquanto Courbet aborda o trabalhador braçal coletivamente, Lima Barreto
individualiza essa figura em sua descrição.
e)
a obra de Courbet é, de certa forma, contrariada pela descrição de Lima
Barreto, que retrata o trabalhador braçal como integrado à sociedade.
- Leia o texto para
responder ao que se pede -
Filho
de um general titular do Império, podia ser muita coisa; não quis. Era preciso
ser doutor, formar-se, exames, pistolões, hipocrisias, solenidades... Um
aborrecimento, enfim!...
Não
quis; fez-se praticante e foi indo. Foi empregado assíduo e razoável
trabalhador. A República veio encontrá-lo quase só na seção, redigindo um
decreto do Defensor Perpétuo e, ao lhe avisarem: – “seu” Gonzaga, hoje não se
trabalha; o Deodoro, de manhã, proclamou a República no Campo de Santana.
LIMA BARRETO. Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro
5). Edição para Kindle. p. 297.
Questão 2
Compreende-se,
pela leitura do fragmento, que o personagem M. J. Gonzaga de Sá mantém uma
relação com o Império marcada principalmente por:
a)
nostalgia.
b)
oposição.
c)
indiferença.
d)
simpatia.
e)
adesão.
- Texto para as
questões 3 e 4 -
Em
começo, procuram-no com o fim de manter a integridade do seu pensamento, de
fazê-lo produzir, a coberto das primeiras necessidades da vida; mas, o enfado,
a depressão mental do ambiente, o afastamento dos seus iguais e o estúpido
desdém com que são tratados, tudo isso, aos poucos, lhes vai crestando o viço,
a coragem e mesmo o ânimo de estudar. Com os anos, esfriam, não leem mais,
embotam-se e desandam a conversar.
Eu
me dei com um escriturário que conhecia o zende, o hebraico, além de outros
conhecimentos mais ou menos comuns.
Seu
pai, que tivera fortuna, mandou-o para Europa muito moço, pelos quatorze anos.
Lá,
onde se demorara perto de dez anos, apaixonou-se pela crítica religiosa e
estudou com afinco estas antigas línguas sagradas. Perdendo a fortuna, voltou e
viu-se, com tão inestimável sabedoria, nas ruas do Rio de Janeiro, sem saber o
que fizesse dela.
Nesse
tempo, o folhetim estava na moda, e a repetição de umas coisas vulgares da
matemática.
O
futuro escriturário não dava para o rodapé; declarou-se besta, e fez um
concursozinho de amanuense, e foi indo. Ficou como um escolar que sabe geometria
a viver numa aldeia de gafanhotos; e, quinze anos depois, veio a morrer,
deixando grandes saudades na sua Repartição. Coitado, diziam, tinha tão boa
letra!
LIMA BARRETO. Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro
5). Edição para Kindle. p. 310-322.
Questão 3
No
trecho, o narrador faz um breve relato sobre o ambiente e um tipo de integrante
do funcionalismo público brasileiro durante a Primeira República. Considerando
a visão de Lima Barreto a respeito do homem do subúrbio do Rio de Janeiro, desenhada
por ele em muitos de seus contos e romances, é possível afirmar que a
perspectiva apresentada pelo narrador é:
a)
elogiosa a esse funcionário que, bem formado e interessado em se desenvolver, é
absorvido pelo ambiente pouco criativo, acabando por anular-se.
b)
crítica ao ambiente do funcionalismo público, em que todos, até mesmo os honestos
e interessados, sempre se corromperão.
c)
satírica em relação à inutilidade da cultura do candidato ao funcionalismo que,
mesmo inadequado ao trabalho, consegue uma oportunidade.
d)
crítica em relação à pouca importância dada à formação e à cultura do homem que
acaba se tornando um amanuense e sendo absorvido pelo ambiente do
funcionalismo.
e)
entusiasta em relação às possibilidades disponíveis no ambiente do
funcionalismo público e ao futuro dos que se dedicam a esse trabalho.
Questão 4
O
final do trecho pode ser considerado uma marca significativa do estilo de Lima
Barreto. De que marca se trata? O que seu uso representa em relação ao universo
do funcionalismo público?
- Texto para a
questão 5 -
–
Não imaginas, menino, que tesouro de dedicação há nesse homem. Eu não sei de
onde ele o tira e de que maneira argamassou tão grandes sentimentos. Nasceu
escravo, uns dias antes de mim; meu pai o libertou na pia, por isso. A mim me
acompanha desde os primeiros dias do nascimento. É um irmão de leite. Viu-me
nas atitudes mais humildes; apreciou-me em propósitos repugnantes; assistiu ao
desmoronamento da grandeza da minha casa familiar; entretanto, não sendo, como parece
a todos, destituído de inteligência crítica, sou para ele o mesmo, o
mesmíssimo, cuja representação se lhe fez na consciência, no correr dos seus
primeiros lustros de vida. Eu não o chego absolutamente a compreender. Acho-o
obscuro; mas me deslumbra – é grandioso! Às vezes, confesso, me parece uma subalterna
dedicação animal; às vezes, também confesso, me parece um sentimento divino...
Eu não sei, mas amo-o.
LIMA BARRETO. Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro
5). Edição para Kindle. p. 851.
Questão 5
Gonzaga
de Sá revela, no fragmento, o tipo de relação que mantinha desde a infância com
um ex-escravizado que tinha sido libertado por seu pai ainda criança. Em relação
ao comportamento do amigo, o que mais intriga Gonzaga é:
a)
a submissão de suas atitudes.
b)
o amor inexplicável que expressa.
c)
sua falta de inteligência crítica.
d)
sua dedicação quase religiosa.
e)
a grandiosidade de sua dedicação.
- Texto para a
questão 6 -
A felicidade, sensação tão volátil, instável, irredutível de homem a homem é cousa diferente, e não consente média a abranger centenas, milhares e milhões de seres humanos. Imaginas tu que Madame Belasman, de Petrópolis, tem um grande joanete, um defeito hediondo, com o qual sobremaneira sofre; e o operário Felismino, da Mortona, orgulha-se em possuir um filho com talento. Madame Belasman vive acabrunhada com a exuberância de seu joanete. [...] entretanto, Felismino, quando bate rebites, sorri e antegoza o estrondo que uma parcela do seu sangue vai causar na sociedade. [...] Quem é mais feliz – pergunto – Madame Belasman ou o senhor Felismino? E, à vista disso, poderás dizer que todas as damas de Petrópolis são felizes e os operários de fundição são desgraçados? Há média possível para a felicidade das classes? Nós, os modernos, nos vamos esquecendo que essas histórias de classe, de povos, de raças, são tipos de gabinetes, fabricados para as necessidades de certos edifícios lógicos, mas que fora deles desaparecem completamente: – Não são? Não existem.
BARRETO, Lima. Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2017, p.
100-101. (fragmento).
Questão 6
Sobre
o fragmento da obra Vida e morte de M. J.
Gonzaga de Sá, de Lima Barreto, assinale a alternativa correta.
a)
Apresenta a ideia de que a felicidade varia de pessoa para pessoa e que, por
ser um sentimento sólido e estável, uma vez sentida, permanece.
b)
Expõe a ideia de que a felicidade é um sentimento que pode ser medido entre as
classes sociais e que alcança todos os seres humanos.
c)
Compara a felicidade dos homens mais simples com a felicidade das mulheres da
classe alta, defendendo que a felicidade depende de fatores divinos.
d)
Defende que a felicidade depende da forma como cada pessoa se vê e se relaciona
com sua realidade, independentemente de seu lugar social.
Questão 7
A
nossa emotividade literária só se interessa pelos populares do sertão,
unicamente porque são pitorescos e talvez não se possa verificar a verdade de suas
criações. No mais é uma continuação do exame de português, uma retórica mais
difícil, a se desenvolver por este tema sempre o mesmo: Dona Dulce, moça de
Botafogo em Petrópolis, que se casa com o Dr. Frederico. O comendador seu pai
não quer porque o tal Dr. Frederico, apesar de doutor, não tem emprego. Dulce
vai à superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à mulher do ministro, antiga aluna
do colégio, que arranja um emprego para o rapaz. Está acabada a história. É
preciso não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai tem dinheiro,
fazenda ou engenho, mas não pode dar uma mesada grande.
Está
aí o grande drama de amor em nossas letras, e o tema de seu ciclo literário.
BARRETO, L. Vida e
morte de M. J. Gonzaga de Sá. Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso
em: 10 ago. 2017.
Situado
num momento de transição, Lima Barreto produziu uma literatura renovadora em
diversos aspectos. No fragmento, esse viés se fundamenta na:
a)
releitura da importância do regionalismo.
b)
ironia ao folhetim da tradição romântica.
c)
desconstrução da formalidade parnasiana.
d)
quebra da padronização do gênero narrativo.
e)
rejeição à classificação dos estilos de época
Questão 8
Na
“Advertência”, prólogo do livro, Lima Barreto cita o narrador, tecendo certas
considerações acerca do gênero da obra que está encaminhando para publicação:
[...]
não me pareceu de rigor a classificação de biografia que o meu amigo Machado
lhe deu.
Faltam-lhe,
para isso, a rigorosa exatidão de certos dados, a explanação minuciosa de algumas
passagens da vida da principal personagem e as datas indispensáveis em trabalho
que queira ser classificado de tal forma; e não só por isso, penso assim, como
também pelo fato de muito aparecer e, às vezes, sobressair demasiado, a pessoa
do autor.
LIMA BARRETO. Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro
5). Edição para Kindle. p. 31-38.
Considerando
o estilo de Lima Barreto e a recorrente intersecção entre vida e obra no
trabalho do autor, qual é o propósito que se identifica na “Advertência” que
introduz o livro?
- Texto para a
questão 9 -
Na
linda repartição das delicadas coisas internacionais, fizeram sábias
transposições de uma religião para outra, de modo a se estabelecer a
equivalência das respectivas autoridades. Foi organizado um quadro, muito
bem-feito, bem riscadinho, em que os nomes dos sacerdotes de cada religião
foram escritos, respeitando-se a índole ortográfica de suas línguas próprias.
LIMA BARRETO. Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro
5). Edição para Kindle. p. 95.
Questão 9
Considerando
a manifestação inequívoca de ironia no fragmento, aponte a alternativa em que
os termos listados, da forma como foram empregados, podem ser considerados
indicativos de tal marca de estilo.
a)
“linda”, “delicadas”, “sábias” e “bem riscadinho”.
b)
“internacionais”, “transposições”, “autoridades” e “índole”.
c)
“repartição”, “religião”, “bem-feito” e “sacerdotes”.
d)
“lindas”, “transposições”, “sacerdotes” e “bem riscadinho”.
e)
“delicadas”, “respectivas”, “organizado” e “ortográfica”.
- Texto para a
questão 10 -
Com
Vida e morte, o autor conseguiu
sintetizar as transformações culturais em curso, relacionando os traços ocultos
ou destruídos da antiga cidade colonial aos avanços da técnica, o que resultava
na interligação entre os diferentes extratos espaciais e temporais da urbe.
SCHEFFEL, Marcos. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá –
Possibilidades éticas e estéticas do romance moderno brasileiro. In: LIMA BARRETO. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Apresentação e notas de Marcos
Scheffel. Cotia: Ateliê Editorial, 2023.
Questão 10
Ao
interpretarmos, à luz das observações de Marcos Scheffel, a estrutura criada
por Lima Barreto para contar a vida do amanuense M. J. Gonzaga de Sá – no que
se refere ao gênero da narrativa de Augusto Machado –, é possível compreender
que:
a)
o romance mais comumente produzido no século XIX mantinha ligações com a antiga
cidade colonial e, portanto, com a Monarquia, enquanto a obra de Lima Barreto é
francamente republicana, daí a subversão total do gênero tradicional.
b)
a criação de uma obra cujo gênero é controverso relaciona-se diretamente com o
mundo em transformação sintetizado por Lima Barreto por meio da troca de ideias
entre personagens de diferentes idades e diferentes origens, na jovem República
brasileira.
c)
a utilização do lirismo nas descrições dá à obra um tom próximo à prosa poética
experimentada por modernistas como Mário de Andrade e Oswald de Andrade,
negando a tradição do romance do século XIX, normalmente associado a enredos
mais baseados em relações de causalidade, o que atribui ao livro um caráter
republicano.
d)
a aproximação da obra a um livro de contos incorpora a habilidade de cronista
do autor e afasta a criação de Lima Barreto da adesão de gêneros mais
tradicionais e do núcleo temático recorrente nos romances do século XIX.
e)
a obra de Lima Barreto se afasta da biografia anunciada na “Advertência” e
aproxima-se do romance, o que revela uma adesão do autor à literatura
tradicional produzida por autores como José de Alencar e Machado de Assis,
associados diretamente à Monarquia.
- Texto para a
questão 11 -
Considerei
também a calma face da Guanabara, ligeiramente crispada, mantendo certo sorriso
simpático na conversa que entabulara com a grave austeridade das serras
graníticas, naquela hora de efusão e confidência.
Villegagnon
boiava na placidez das águas, com seus muros brancos e suas árvores solitárias.
Notei então o acordo entre o mar e as serras. O negro costão do Pão de Açúcar
dissolvia-se nas mansas ondas da enseada; e da mágoa insondável do mar se fazia
a tristeza da Boa-Viagem.
Transmutavam-se
naturalmente e tocavam-se amigavelmente.
O
mar espelhejante e móvel realçava a majestade e a firmeza da serrania e, em
face da sua suntuosidade, por vezes conselheiral, o sorriso complacente do
golfo tinha uma segurança divina.
O
poeta tinha razão: era verdadeiramente a grandiosa Guanabara que eu via!
LIMA BARRETO. Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro
5). Edição para Kindle. p. 171.
Questão 11
Analise
a relação existente entre a descrição apresentada e a imagem que Lima Barreto
atribui ao Rio de Janeiro do início do século XX, considerando verbos e
adjetivos utilizados pelo autor no excerto.
- Texto para a
questão 12 -
E,
assim, fui sentindo com orgulho que as condições de meu nascimento e o
movimento de minha vida se harmonizavam – umas supunham o outro que se continha
nelas; e também foi meus avós, desde que se desprenderam de Portugal e da
África. Era já o esboço do que havia de ser, de hoje a anos, o homem criação
deste lugar. Por isso, já me apoio nas coisas que me cercam, familiarmente, e a
paisagem que me rodeia não me é mais inédita: conta-me a história comum da
cidade e a longa elegia das dores que ela presenciou nos segmentos de vida que
precederam e deram origem à minha.
LIMA BARRETO. Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá (Sátiras e Romances de Lima Barreto - Livro
5). Edição para Kindle. p. 199.
Questão 12
Explique,
com base na leitura do fragmento, as origens do narrador e cite uma das razões
pelas quais ele se identifica com a cidade do Rio de Janeiro.
1. c
2. c
3. d
4.
Trata-se da ironia. Em suas obras, de forma geral, Lima Barreto usa a ironia
para expressar opiniões negativas acerca da máquina da administração nos
primeiros anos da República. Na frase final do fragmento, está expressa a
opinião do autor sobre a ignorância geral do meio, em que os funcionários,
diante da morte de um homem culto com o qual conviveram por quinze anos,
lembram-se dele pela beleza da letra, o que revela o sistema de valores que
adotam e que a obra caracteriza como insignificante.
5. e
6. d
7. b
8. Lima
Barreto, na “Advertência” do início de Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, faz
um comentário metalinguístico, chamando a atenção do leitor para a
classificação de gênero atribuída pelo autor-narrador por ele criado, Augusto
Machado. Trata-se de uma elaborada situação de enunciação, na qual o autor cria
um narrador que apresenta outro personagem ao mesmo tempo que revela a si
mesmo. O trânsito entre os gêneros foi uma característica do trabalho de Lima
Barreto, que escreveu contos, crônicas (com as quais manteve-se ao longo da vida,
como cronista colaborador em periódicos da imprensa) e romances. Há, na
“Advertência”, um convite ao leitor para que observe o engenhoso trabalho de
subversão dos gêneros biografia e romance para o que pode ser considerado um
livro dividido em “quadros” e repleto de descrições do Rio de Janeiro e de sua
população, o que lembra as crônicas do autor. É como se este estivesse exibindo
suas habilidades, ao mesmo tempo que questiona o gênero da própria obra. Além
disso, a “Advertência” deixa claro que o leitor vai encontrar, nos personagens,
reminiscências da biografia do próprio Lima Barreto que é, ao mesmo tempo,
Augusto Machado e Gonzaga de Sá.
9. a
10. b
11. A
Guanabara é apresentada como dona de uma “calma face”, produto do diálogo
estabelecido entre o mar e a serra. O primeiro é caracterizado como
“espelhejante” e “móvel” e a segunda, como “suntuosa”, “austera” e
“conselheiral”. Os verbos que indicam o desenvolvimento dessa espécie de
conversa entre dois elementos tão distintos são “transmutar-se” e “tocar-se”, o
que sugere um processo de aproximação e possível fusão das características de
cada um. Lima Barreto aborda a cidade do Rio de Janeiro em um período de transição
entre a Monarquia e a República, uma época de transformações, nem sempre
efetivas, de costumes arraigados desde os tempos do Brasil colônia, como, por
exemplo, a relação com os negros. Para Gonzaga de Sá, os novos grupos sociais
ascendentes pela República não tinham a mesma capacidade dos monarquistas de
dialogar com os afrodescendentes. A decepção com as promessas não cumpridas
pela República e a constituição de uma sociedade cada vez mais excludente geram
certa nostalgia em relação a aspectos do passado. Assim, percebe-se que Lima
Barreto está representando um Rio de Janeiro que passa por mudanças complexas,
as quais poderiam obter melhor arranjo e conclusão por meio do diálogo entre
passado e presente.
12. O
texto deixa claras as origens do narrador, Augusto Machado. Trata-se de um
jovem mestiço, de 20 anos de idade, cujos avós eram oriundos de Portugal e da
África. Augusto se orgulha da semelhança entre sua origem mestiça e a
constituição étnica do Rio de Janeiro e, por extensão, do Brasil. O narrador considera
que sua história está entrelaçada à da cidade, o que reforça a referida
identificação.


