05 julho 2023

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 2 - 9º ANO 2021

Texto para questões de 1 a 6

Conto Carioca

O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica. Vinha despreocupa­do, assoviando um blue, os olhos esquecidos no asfalto em retração. A noite era longa, alta e esférica, cheia de uma paz talvez macabra, mas o rapaz nada sentia. Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino, o que lhe dava essa sensação de comando do homem que paga: porque tratava-se de um “duro”, e era o automóvel o carro paterno, obtido depois de uma promessa de fazer força nos estudos. O show estivera agradável e ele flertara com quase todas as mulheres da sua mesa. A Lua imobilizava-se no céu, impartici­pante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam, mas como que em silêncio.

De súbito, em frente ao Lido, uma mulher sentada num banco. Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente. O freio de pé agiu quase automaticamente e a borra­cha deslizou, levando o carro maneiroso até o meio-fio, onde estacou num rincho ousado. Depois ele deu ré, até junto da dama branca.

– Sozinha a essas horas?

Ela não respondeu. Limitou-se a olhar serenamente o rapaz do Cadillac, com seu olhar extraordinariamente fluido, enquanto o vento sul agitava-lhe docemente os cabelos cor de cinza.

– Sabe que é muito perigoso ficar aqui até estas horas, uma mulher tão bonita?

A voz veio de longe, uma voz branca, branca como a mulher, e ao mesmo tempo cresta­da por um ligeiro sotaque nórdico:

– Perdi a condução... Não sei... é tão difícil arranjar condução... [...]

– Vem... Eu levo você...

Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avan­çasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada talvez emoção – o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como o éter. Vinha dela um suave perfume de flores que o levou para longe. Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos.

Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso. A moça branca pa­recia mais branca ainda, e agora olhava o mar, de onde vinha um vento branco. Ele disse:

– Amor, vou levar você agora.

Ela deu-lhe seus olhos quase inexistentes, de tão claros:

– Em Botafogo, por favor.

Tocou o carro. A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva da General Polidoro num ângulo quase absurdo.

– É aqui – disse ela em voz baixa.

Ele parou. Olhou para ela espantado:

– Por que aqui?

– Eu moro aqui. Venha me ver quando quiser. Muito obrigada por tudo.

E dando-lhe um último longo beijo, frio como o éter, abriu a porta do carro, passou atra­vés do portão fechado do cemitério e desapareceu.

Disponível em: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/prosa/conto-carioca. (Adaptado).

 

Vocabulário

Rincho: ruído áspero, cortante.

Tiritar: tremer (de frio, medo ou febre).

Letargo: estado de cansaço que envolve diminuição da energia, da capacidade mental e da motivação.

 

QUESTÃO 01

No conto anterior, há um evento que altera a situação de normalidade da noite. Tal evento está rela­cionado diretamente à(ao)

a) jogatina feita durante a noite.

b) chegada ao cemitério.

c) surgimento da mulher de branco.

d) troca de beijos entre o rapaz e a moça.

e) perda da condução por parte da mulher.

 

QUESTÃO 02

Observe o trecho destacado do conto:

“Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino.”

Nesse período, a oração destacada expressa

a) finalidade.

b) causa.

c) proporção.

d) tempo.

e) condição.

 

QUESTÃO 03

A descrição feita pelo narrador permite a construção de um ambiente misterioso. Um exemplo dessa ambientação é:

a) “Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos.”

b) “O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica.”

c) “A Lua imobilizava-se no céu, imparticipante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam [...]”

d) “Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente.”

e) “A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva da General Polidoro num ângulo quase absurdo.”

 

QUESTÃO 04

Observe um trecho do conto:

“Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avan­çasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada – talvez emoção – o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como o éter. Vinha dela um sua­ve perfume de flores que o levou para longe.”

A palavra que funciona como referente do termo em destaque é:

a) Madrugada

b) Perfume

c) Noite

d) Mármore

e) Rapaz

 

QUESTÃO 05

Nesse mesmo trecho, o pronome “que” exerce função sintática de

a) sujeito.

b) objeto direto.

c) objeto indireto.

d) adjunto adnominal.

e) complemento nominal.

 

QUESTÃO 06

Releia: “Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso.”

A oração que introduz o período é classificada como oração subordinada adverbial

a) proporcional.

b) final.

c) temporal.

d) concessiva.

e) causal.

 

Texto para as questões de 7 a 9

 

Meus oito anos

Oh! Que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais!

 

Como são belos os dias

Do despontar da existência!

− Respira a alma inocência

Como perfumes a flor;

O mar é − lago sereno,

O céu − um manto azulado,

O mundo – um sonho dourado,

A vida − um hino d’amor!

 

Que auroras, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado d’estrelas,

A terra de aromas cheia,

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!

Disponível em: https://www.academia.org.br/academicos/casimiro-de-abreu/textos-escolhidos.

 

QUESTÃO 07

No poema de Casimiro de Abreu, é perceptível a valorização, a partir da descrição, de uma das fases da vida do eu poético.

A estratégia usada pelo poeta para dar ênfase à descrição é(são)

a) a sequenciação de ações.

b) o uso dos verbos no pretérito.

c) a utilização das vírgulas.

d) o uso da adjetivação.

e) as marcações pelos travessões.

 

QUESTÃO 08

O termo “que”, destacado no 4º verso da primeira estrofe do poema, estabelece um elo coesivo cujo referente é:

a) Vida

b) Aurora

c) Anos

d) Saudades

e) Infância

 

QUESTÃO 09

A função sintática exercida pelo pronome destacado no 4º verso da primeira estrofe do poema é

a) objeto indireto.

b) objeto direto.

c) adjunto adnominal.

d) complemento nominal.

e) adjunto adverbial.

 

QUESTÃO 10

Com braçadeira e comemoração, elenco do Flamengo manda recado sobre importância de Diego Alves

A goleada do Flamengo sobre o Santos, por 4 a 1 no Maracanã, teve como destaque o posicionamento do elenco rubro-negro diante da indefinição sobre a permanência do go­leiro Diego Alves, cujo contrato se encerra em 31 de dezembro e, por ora, não há um acerto entre a direção do clube e o jogador.

Com a braçadeira de capitão e a comemoração de Gabriel Barbosa, o time deixou ainda mais claro o desejo pela permanência do camisa 1, um dos principais líderes da equipe que conquistou cinco títulos desde julho de 2019.

Disponível em: https://www.lance.com.br/flamengo/com-bracadeira-comemoracao-elenco-manda-recado-sobre-importancia-diego-alves.html.

 

A função sintática do pronome destacado e seu valor semântico são, respectivamente, de

a) objeto direto e paciente.

b) sujeito e agente.

c) adjunto adnominal e posse.

d) adjunto adverbial e lugar.

e) agente da passiva e meio.



1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

C

A

D

B

A

C

D

E

B

C

02 julho 2023

O PADRÃO DO DESCOBRIMENTOS PORTUGUÊS

O Padrão dos Descobrimentos é um dos notáveis monumentos em homenagem às Grandes Navegações. Ele fica na região de Belém, em frente ao Mosteiro dos Jerónimos. Era dessa praia que saiam as caravelas e naus em busca de novas aventuras. [...]

Construído pela primeira vez em 1940 para a Exposição do Mundo Português, o Padrão foi refeito em 1960, em pedra, já que a primeira versão tinha sido feita em cimento e pensada como temporária.

Ele tem o formato de uma caravela, com  estátuas rodeando como se estivessem se enfileirando na proa do navio. São 33 figuras que participaram ativamente na história das Grandes Navegações portuguesas e que são lideradas por D. Henrique, que aparece perfeitamente dos dois lados. Para visualizar quem está ali representado, separamos em lado oeste e leste, ou seja, direita e esquerda de quem olha para o Rio Tejo.



Lado Oeste (Direita):



D. Henrique, O Navegador

Conhecido como Infante de Sagres, ou O Navegador, Dom Henrique de Avis foi Duque de Viseu e Senhor da Covilhã. Era o quarto filho de D. João I, rei de Portugal e de Dona Filipa de Lencastre.

D. Henrique teve um papel importantíssimo nas Grandes Navegações, convencendo o rei a montar a campanha para a conquista de Ceuta, em 1415.

A cidade fica na costa norte da África, perto do estreito de Gibraltar. Estando sob domínio português, tornou muito mais fácil manter as rotas marítimas de comércio no Atlântico.

Durante a sua vida foram "descobertas" as ilhas dos Açores e da Madeira, que eram completamente inabitadas. A exploração dessas regiões ficou sob a sua responsabilidade.

 

D. Fernando, O Santo

Irmão de D. Henrique, Fernando, o Santo, foi o oitavo filho de D. João I.

Dedicou-se à vida religiosa desde cedo, mas em 1437 participou de uma expedição militar no Norte da África.

Nessa expedição ele foi preso como refém em Fez, onde passou o resto dos seus dias. Sua morte foi tida como um sacrifício pelos interesses nacionais.


João Gonçalves Zarco - navegador

Foi um navegador e cavaleiro, escolhido por D. Henrique para administrar a Ilha da Madeira a partir de 1425.


Gil Eanes - navegador

Foi o primeiro navegador a dobrar o Cabo do Bojador em 1434.

 

Pêro de Alenquer - navegador

Foi um piloto náutico. Conduziu a caravela que levou Bartolomeu Dias a atravessar o Cabo da Boa Esperança, em 1488.


Pedro Nunes - matemático

Pedro Nunes ocupou o cargo de cosmógrafo-mor em Portugal, em 1547, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da navegação teórica. Ele inventou diversos instrumentos para tirar medidas cartográficas.


Pêro Escobar - navegador

Navegador responsável por descobrir as ilhas de São Tomé, Ano Bom e Príncipe. Ele também esteve na primeira viagem de Diogo Cão, na viagem de Vasco da Gama para a Índia em 1497 e na viagem de Pedro Álvares Cabral que descobriu o Brasil.


Pêro da Covilhã - viajante

Diplomata e explorador português. Seu principal trabalho foi negociar e estabelecer relações com a Índia.


Jácome de Maiorca - cosmógrafo

Cartógrafo catalão (espanhol da região da Catalunha) que coordenou as descobertas marítimas da Escola de Sagres. Teve grande importância na cartografia portuguesa , ensinando esta arte aos futuros cartógrafos.


Gomes Eanes de Zurara - cronista

Guarda-conservador da Livraria Real e Guarda-mor da Torre do Tombo.

Escreveu crônicas sobre a realeza e os descobrimentos, encomendadas pelos próprios infantes.

 

Nuno Gonçalves - pintor

Sobre Nuno Gonçalves se tem poucas informações, muitas de suas obras foram perdidas ao longo do tempo. A principal, na catedral de Lisboa, foi destruída no terremoto de 1755.

 

Luís Vaz de Camões - poeta

O grande escritor português do século 16, Camões escreveu Os Lusíadas: a grande epopeia sobre as navegações portuguesas, que eternizou a aventura de Vasco da Gama.

 

Frei Henrique de Coimbra

Frade e bispo português, foi missionário na Índia e na África. Viajou na frota de Pedro Álvares Cabral, em 1500. Celebrou a primeira missa no Brasil.


Frei Gonçalo de Carvalho

Foi religioso da Ordem dos Dominicanos. Foi para o Congo, criar comunidades católicas e levar a fé para os pagãos.


Fernão Mendes Pinto - escritor

Além de escritor, Fernão Mendes Pinto foi também um jesuíta e explorador. Fez parte de uma das primeiras expedições portuguesas para o Japão.

 

D. Felipa de Lencastre

Filipa foi rainha de Portugal de 1387 a 1415. Era uma princesa inglesa da Casa de Lencastre.

Ela se casou com D. João I e faleceu pouco antes da expedição à Ceuta, em decorrência da peste negra. Ela era mãe de D. Henrique.


D. Pedro, Duque de Coimbra

Pedro era o terceiro filho de D. João I e Filipa de Lencastre, viajou muito durante a vida, tendo participado da conquista de Ceuta, ido à Terra Santa e a vários países na Europa entre 1425 e 1428

 

Lado Leste (Esquerda):




D. Afonso V

Rei de Portugal desde os 6 anos de idade, em 1438. Foi conhecido como Afonso V, O Africano, por causa de suas conquistas na África.

 

Vasco da Gama - navegador

Um dos mais conhecidos navegadores portugueses, Vasco da Gama foi o comandante dos primeiros navios a navegarem da Europa à Índia.


Afonso Gonçalves Baldaia - navegador

Navegador e explorador, foi um dos primeiros colonos da ilha Terceira, nos Açores, por volta de 1450.


Pedro Álvares Cabral - navegador

Visto como o descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral foi um navegador, fidalgo e militar português.

Foi nomeado para comandar uma expedição à Índia em 1500, na famosa rota que foi desviada da costa Africana e chegou ao nordeste brasileiro.


Fernão de Magalhaes - navegador

Liderou a primeira viagem de circum-navegação ao globo. Foi o primeiro a ir até o sul do continente americano de barco, atravessar o estreito de Magalhães e cruzar o Oceano Pacífico.


Nicolau Coelho - navegador

Nicolau Coelho esteve na expedição de Vasco da Gama que descobriu o caminho para a Índia via costa africana. Depois comandou uma das naus da expedição de Pedro Álvares Cabral que “descobriu” o Brasil.


Gaspar Côrte-Real - navegador

Navegador que participou de várias expedições de exploração na parte norte do continente americano.


João de Barros - cronista

João de Barros é considerado o primeiro grande historiador português e pioneiro da gramática portuguesa. Escreveu vários textos pedagógicos para normatizar a língua falada.

 

Martim Afonso de Sousa - navegador

Foi um nobre e administrador colonial, o primeiro donatário da Capitania de São Vicente, no Brasil. Foi também governador da Índia por 3 anos.

 

Bartolomeu Dias - navegador

Bartolomeu Dias foi o primeiro navegador português a passar o Cabo da Boa Esperança (ou das Tormentas), no extremo sul da África. Esteve também na expedição de Pedro Álvares Cabral em 1500. Junto com Nicolau Coelho, foi um dos primeiros portugueses a pisar no Brasil.


Estevão da Gama - capitão

Segundo filho de Vasco da Gama. Foi militar e administrador colonial, tendo sido governador da Índia entre 1540 e 1542.


Diogo Cão - navegador

Foi um navegador que explorou principalmente a África. Estabeleceu as primeiras relações com o Reino do Congo.

 

Antônio de Abreu - navegador

Navegador nascido na Ilha da Madeira, em 1480. Participou em conquistas no Oriente Médio e na África. Embora não haja provas documentais, alguns autores afirmam que foi ele quem primeiro "descobriu" a Austrália.


Afonso de Albuquerque - vice-rei da Índia

Foi o segundo governador da Índia Portuguesa. Suas ações militares, religiosas e políticas determinaram o curso do Império Português no oceano índico.

 

São Francisco Xavier - missionário

Missionário católico, cofundador da Companhia de Jesus (jesuítas).


Cristóvão da Gama - capitão

Quarto filho de Vasco da Gama. Militar e explorador colonial, trabalhou principalmente na Malásia e na Índia.

 

 Adaptado de: https://www.quemvaiequemfica.com/post/padr%C3%A3o-dos-descobrimentos-quem-s%C3%A3o-as-figuras-no-monumento-%C3%A0-beira-do-tejo



 LINK - SITE DO PADRÃO









1.

VOZ ATIVA

VOZ PASSIVA

- Este livro narra o encontro inusitado entre João, um barqueiro branco, e Toró, um canoeiro indígena no Rio Amazonas.

- O cliente viajou e voltará em duas semanas.

- Com a ajuda de uma flauta mágica, ele parte para resgatá-la.

- Cecul e Duplação vão até a baía de Pacamac.

- Eles descobrem uma base secreta de piratas.

- O canoeiro é salvo pelo barqueiro.

- Raimundo dos Angos é chamado por um coronel.

- Ele é informado pelo vizinho.

- Um velho casarão que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico.

- Macauoân é escravizado e catequizado pelo homem branco.

- A invasão dos territórios indígenas é relatada pelo oprimido.

- A princesa Pamina é raptada por Sarastro.

- Os dois são tragados por um furacão.

 

2.

- pelo barqueiro.

- por um coronel.

- pelo vizinho.

- pelo Instituto do Patrimônio Histórico.

- pelo homem branco.

- pelo oprimido.

- por Sarastro.

- por um furacão.

 

3.

- O barqueiro salva o canoeiro.

- Um coronel chamou Raimundo dos Angos.

- O vizinho o informa.

- O Instituto do Patrimônio Histórico tombou um velho casarão.

- O homem branco escraviza e catequiza Macauoân.

- O oprimido relata a invasão dos territórios indígenas.

- Sarastro rapta a princesa Pamina.

- Um furacão traga os dois.

 

4.

a) O encontro inusitado entre João, um barqueiro branco, e Toro, um canoeiro indígena no Rio Amazonas é narrado por este livro.

b) A base secreta de piratas é descoberta por eles.

 

5. O Príncipe Tamino apaixona-se por ela.

 

6.

a) O cão é abandonado pelo motorista na ponte Rio-Niterói. / Abandona-se cão na ponte Rio-Niterói.

b) Caixas eletrônicos são explodidos por criminosos em cidade do interior. / Explodem- se caixas eletrônicos em cidade do interior.

c) Empregos são gerados por produção de comidas de festa junina em Caruaru. / Geram-se empregos por produção de comidas de festa junina em Caruaru.

d) Movimentos humanos são reproduzidos por braço mecânico. / Reproduzem-se movimentos humanos






28 junho 2023

BARROCO: MOVIMENTO DOS CONSTRASTES

Pra começar

 


Observe O sepultamento de Cristo, pintura do italiano Caravaggio (1571-1610).

1. O que dá às figuras representadas na tela um aspecto realista?

2. Observe que há uma linha diagonal na tela. Como ela é construída?

3. Os braços de duas figuras são enfatizados. Perceba a posição deles na porção mais baixa e mais alta da tela. O que parecem sugerir?

4. O que dá ao grupo de personagens um aspecto escultural?

5. Explique como essa tela constrói um momento de intensidade dramática.

 

Essa tela de Caravaggio revela um importante aspecto do movimento literário barroco: a religiosidade. O artista barroco divide-se entre o humanismo racionalista (antropocêntrico), que estava em vigor desde o início do Renascimento, e a herança religiosa da Idade Média (teocêntrica), que se reapresenta com muita força. O resultado é uma arte de inquietude e contrastes, como você verá neste capítulo.

 

O dualismo típico do Barroco

A arte barroca foi usada pela Igreja e pelas monarquias nacionais católicas como instrumento de “propaganda”, para atrair e recuperar os fiéis perdidos para o protestantismo. O conflito entre a consciência da condição terrena e a busca da transcendência, tipicamente barroco, serviu perfeitamente aos objetivos católicos de reconciliação do homem com Deus.

Veja como o dualismo entre o mundo terreno e a aspiração divina aparecem neste poema do baiano Gregório de Matos, em que o poeta retoma os ensinamentos transmitidos em um sermão do sacerdote D. João Franco de Oliveira.

 



6. Antes mesmo de entender o sentido do texto, o leitor já é atraído por sua estrutura. Descreva-a.

7. Releia a primeira estrofe.

a) De acordo com o primeiro verso, qual é a função da oração?

b) O que se afirma no verso “Pregue que a vida é emprestado... estado”?

8. Segundo o poema, quem consegue agradar a Deus? Explique com suas palavras.

9. Como a figura do sacerdote que faz a oração é retomada na última estrofe? Com base em qual figura de linguagem é construída essa retomada?

10. Qual ideia é formulada nos dois últimos versos?

 

O soneto exemplifica a tendência barroca de tematizar a culpa e confirmar a fé. Embora a Contrarreforma não tenha criado o Barroco, adaptou o movimento a seus propósitos e estimulou o desenvolvimento da arte sacra no período.

 

Cultismo versus conceptismo

O Barroco foi um movimento especialmente forte na Espanha. Alguns estudiosos defendem que sempre houve nesse país certa tendência ao “barroquismo”, ou seja, às cores fortes, aos contrastes, às artes de apelo visual, a certo exagero de expressão. Além disso, o movimento contou com um extraordinário grupo de autores, como Francisco de Quevedo, Miguel de Cervantes, Lope de Vega e, sobretudo, Luis de Góngora y Argote, o poeta mais importante do siglo de oro (“século de ouro”), como foi denominado o século XVII na Espanha.

Góngora (1561-1627) foi o autor que mais influência exerceu sobre poetas barrocos portugueses e brasileiros. Seu estilo obscuro, que ficou conhecido como gongorismo ou cultismo, é marcado por jogos de imagens, palavras e construções sintáticas, valendo-se frequentemente de figuras de linguagem como antíteses, oximoros, hipérbatos, hipérboles, sinestesias etc. Esse requinte formal resulta em uma descrição plástica de paisagens e objetos, capaz de sugerir volumes, cores, texturas etc.

Em oposição ao gongorismo, surgiu, na Espanha, outra corrente, representada principalmente por Quevedo (1580-1645), que defendia a escrita de textos calcados na organização lógica das ideias, no racionalismo e na clareza, com o objetivo de convencer os leitores sobre a validade de determinadas concepções sobre a vida. Trata-se do quevedismo ou conceptismo.

Essas duas vertentes serão exemplificadas adiante.

 

O Barroco em terras brasileiras

O Barroco brasileiro repetiu os temas e os recursos formais do europeu. Em parte significativa dos poemas, convivem o sagrado e o profano, em uma tradução perfeita do conflituoso espírito barroco do século XVII. Nesse cenário, destaca-se o poeta Gregório de Matos, que cultivou com mestria a poesia sacra, como você viu na página anterior. Além dela, o artista desenvolveu também a poesia a satírica e a lírico amorosa.

 

Gregório de Matos: um poeta completo

Alguns críticos defendem que Gregório de Matos (1633-1696) é o artista-síntese do movimento barroco no Brasil. Em seus versos, convivem o refinamento dos estilos cultista e conceptista europeus e a incorporação de novidades linguísticas, como os tupinismos e os africanismos, presentes na língua portuguesa falada no Brasil de sua época.

A sátira, composição que deprecia e ridiculariza ideias, costumes, instituições e indivíduos com objetivo crítico, é uma das marcas da poesia de Gregório de Matos. Seus poemas satíricos, que lhe deram o apelido de Boca do Inferno, criticam com acidez a sociedade baiana do século XVII. Analise esses traços no poema a seguir.

 



11. No poema, há um engenhoso jogo de palavras denominado disseminação e recolha. Esse procedimento cultista se baseia na técnica de “espalhar” palavras em vários versos de uma estrofe e depois “recolhê-las” na estrofe seguinte. Explique como esse jogo de palavras se apresenta.

12. Quais críticas são feitas à sociedade baiana nos versos que você leu?

13. Você já sabe que o conceptismo consiste na apresentação de um raciocínio lógico, comum na produção dos autores do Barroco. Releia o poema de Gregório de Matos e explique qual é a linha argumentativa desenvolvida na parte “1”.

 

Como você observou, Gregório de Matos, para fazer sua crítica, emprega estratégias textuais ousadas. Esse caráter inovador, no entanto, nem sempre se repete nas visões de mundo que se deixam ver nos seus textos. A voz do autor, como vimos, expressa um mundo específico: a colônia da segunda metade do século XVII. Nessa poesia de combate, convivem idealizações do passado baiano, preconceitos em relação aos mestiços, sobretudo aos que ascendiam social e economicamente, e ataques aos “fidalgos caramurus” (senhores de engenho mestiços de português com indígenas tupis).

Gregório de Matos cultivou também uma faceta poética amorosa que alcança, em alguns momentos, qualidade superior à satírica.

Observe, no poema a seguir, a riqueza das imagens e o apelo à visão: primeiro das belezas presentes nos elementos naturais; depois, da amada Catarina.

 


 

Nesse soneto, o deslocamento do olhar pelo espaço físico – céu, prado e mar – é um recurso para o galanteio. A enumeração dos recursos naturais, de grande apelo visual, constrói a “pintura admirável” e serve à idealização de Catarina, cuja beleza anula qualquer outra.

 

Padre Antônio Vieira: o homem da palavra

As habilidades do Padre Antônio Vieira (1608-1697) como autor de discurso jesuítico e sua postura política de homem de ação fizeram dele uma personalidade ímpar no Barroco brasileiro, português e, mais amplamente, europeu. Sua obra reúne mais de quinhentas cartas, obras de profecia e importantes sermões.

Vieira viveu entre Brasil e Portugal. Com uma atuação inci siva, o religioso foi punido por algumas de suas ações, como a de incentivar os indígenas do Maranhão a se rebelar contra as violências praticadas pelos colonos. Por duas vezes foi condenado pela Inquisição, tendo sido absolvido algum tempo depois: na primeira, por obras consideradas heréticas; na segunda, por defender os cristãos-novos (judeus forçosamente convertidos ao cristianismo).

A partir de 1681, Vieira passou a viver definitivamente no Brasil, dedicando-se à publicação de seus sermões e outras obras.

 

Sermões: sedução e pregação

O sermão é um gênero textual da esfera religiosa, normalmente proferido em cima de um púlpito, em missas realizadas em igrejas. Trata-se de um gênero textual construído ao vivo, na interação com o ouvinte, à maneira de um discurso político.

Vieira dominava com maestria a técnica da oratória. Para garantir a espontaneidade do sermão, utilizava como base para sua fala apenas um roteiro, e não o texto completo, e investia no ato da fala. Prova disso é que, quando se sabia que Padre Vieira pregaria um sermão, os fiéis da região reservavam seus lugares na igreja desde a madrugada.

O religioso era um crítico severo do cultismo, porque entendia que o jogo de palavras tipicamente barroco poderia desviar a atenção dos espectadores do que realmente era essencial na pregação de um sermão. Por isso, preferia um discurso claro e equilibrado, focado em um só tema, para atingir unidade e se fazer compreendido plenamente pelos fiéis.

Seus sermões estão marcados principalmente pelo conceptismo. Partem de um fato conhecido pelo público, ao qual associam uma passagem bíblica com o propósito de convencer o ouvinte/leitor da validade de suas ideias e de chamá-lo à ação.

Em geral, o sermão está dividido em três partes:

1. Introito (ou exórdio): o orador anuncia o tema a ser discutido (proposição).

2. Desenvolvimento (ou argumento): o orador apresenta prós e contras da proposição e exemplos que sustentam a tese.

3. Peroração: parte final, em que o orador convida os fiéis a praticar os valores (cristãos) defendidos ao longo do sermão.

 

Leia a segunda parte do Sermão da Sexagésima, que o Padre Antônio Vieira pregou à nobreza de Portugal na Capela Real, em 1655, em Lisboa. A “sexagésima” é o penúltimo domingo antes da Quaresma (aproximadamente, o sexagésimo dia antes da Páscoa).

 

Semen est verbum Dei

O trigo que semeou o pregador evangélico, diz Cristo que é a palavra de Deus. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa em que o trigo caiu são os diversos corações dos homens. Os espinhos são os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; e nestes afoga-se a palavra de Deus. As pedras são os corações duros e obstinados; e nestes seca-se a palavra de Deus, e se nasce, não cria raízes. Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e tropel das coisas do Mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam; e nestes é pisada a palavra de Deus, porque a desatendem ou a desprezam. Finalmente, a terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração; e nestes prende e frutifica a palavra divina, com tanta fecundidade e abundância, que se colhe cento por um: Et fructum fecit centuplum.

Este grande frutificar da palavra de Deus é o em que reparo hoje; e é uma dúvida ou admiração que me traz suspenso e confuso, depois que subo ao púlpito. Se a palavra de Deus é tão eficaz e tão poderosa, como vemos tão pouco fruto da palavra de Deus? Diz Cristo que a palavra de Deus frutifica cento por um, e já eu me contentara com que frutificasse um por cento. Se com cada cem sermões se convertera e emendara um homem, já o Mundo fora santo. Este argumento de fé, fundado na autoridade de Cristo, se aperta ainda mais na experiência, comparando os tempos passados com os presentes. Lede as histórias eclesiásticas, e achá-las-eis todas cheias de admiráveis efeitos da pregação da palavra de Deus. Tantos pecadores convertidos, tanta mudança de vida, tanta reformação de costumes; os grandes desprezando as riquezas e vaidades do Mundo; os reis renunciando os cetros e as coroas; as mocidades e as gentilezas metendo-se pelos desertos e pelas covas; e hoje? – Nada disto. Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um sermão entre em si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto? Assim como Deus não é hoje menos onipotente, assim a sua palavra não é hoje menos poderosa do que dantes era. Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, por que não vemos hoje nenhum fruto da palavra de Deus? Esta, tão grande e tão importante dúvida, será a matéria do sermão. Quero começar pregando-me a mim. A mim será, e também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós, que aprendais a ouvir.

VIEIRA, Padre Antônio. Sermão da Sexagésima. Disponível em: <http://bocc.ubi. pt/pag/vieira-antonio-sermao-sexagesima.html>.

 


Semen est verbum Dei: a palavra de Deus é a semente, em latim.

Et fructum fecit centuplum: um grão multiplicara em cem, em latim.

 

14. Identifique a analogia (relação de semelhança) contida no primeiro período do sermão e explique por que é irrefutável.

15. Como vimos no estudo do poema satírico de Gregório de Matos, é comum, no Barroco, o uso do recurso da disseminação e recolha. Transcreva o período em que Vieira faz a disseminação e identifique o recurso que emprega para fazer a recolha.

16. Qual é o sentido de “reparar” em “Este grande frutificar da palavra de Deus é o em que reparo hoje”?

17. É correto afirmar que Padre Vieira contesta a afirmação de Cristo de que a palavra divina “frutifica cento por um”? Justifique sua resposta com trechos do texto.

18. No segundo parágrafo, o pregador confessa um estranhamento. Qual?

19. O texto de Vieira não perde de vista seu interlocutor. Que marcas linguísticas sugerem essa interlocução permanente?

MAP (4) - OS ARGONAUTAS