02 abril 2026

CASOS MISTERIOSOS

CASO 1: O MENSAGEIRO NO FRIO

Um bilionário foi encontrado morto em sua mansão nas montanhas durante uma nevasca terrível. O corpo estava na sala de estar, que estava muito quente devido à lareira. Os suspeitos são o Mordomo, a Cozinheira e o Carteiro.

- O Mordomo disse que estava na adega escolhendo um vinho para o jantar.

- A Cozinheira disse que estava preparando um ensopado para aquecer os convidados.

- O Carteiro disse que estava do lado de fora e viu o assassinato pela janela, mas não conseguiu entrar porque a porta estava trancada, então ele limpou o gelo e o vapor do lado de fora do vidro da janela para ver melhor quem era.

Pergunta: Como o detetive soube imediatamente que o carteiro estava mentindo?

 

CASO 2: CÓDIGO NO RESTAURANTE

Um crítico gastronômico foi assassinado em uma mesa reservada. Antes de morrer, ele escreveu com o próprio dedo usando molho de tomate na toalha da mesa: “1-18-20-8-21-18”. Os garçons de plantão eram Arthur, Beto, Carlos e Daniel.

Pergunta: Quem é o assassino?

 

CASO 3: MORTE NO NAVIO

Um capitão japonês de um navio de carga foi assassinado no meio do Oceano Atlântico. Ele estava com seu relógio de ouro e anel de diamante, que foram roubados. O detetive interrogou a tripulação:

O Cozinheiro: “Eu estava na cozinha preparando o peixe para o almoço.”

O Engenheiro: “Eu estava na sala de máquinas verificando a pressão dos geradores.”

O Marinheiro: “Eu estava no convés consertando a bandeira que estava hasteada de cabeça para baixo.”

Pergunta: O detetive prendeu o marinheiro na hora. Por quê?

 

CASO 4: O TESTAMENTO RASGADO

Um homem rico morreu e deixou um bilhete escrito à mão: “Deixo toda a minha fortuna para o meu filho mais velho, e nada para o mais novo.” O filho mais novo, revoltado, pegou o papel, rasgou-o em quatro pedaços e jogou na lareira (mas o fogo estava apagado). Quando a polícia chegou, o filho mais novo disse que o pai nunca escreveu aquilo e que o papel já estava rasgado quando ele o encontrou. O detetive olhou para os quatro pedaços de papel e soube que o filho mentiu.

Pergunta: Como o detetive descobriu?

 

CASO 5: O QUARTO DE HOTEL

Uma mulher foi encontrada morta em um quarto de hotel que estava trancado por dentro. A única entrada era a porta principal, que não tinha sido forçada. O único suspeito era o marido, mas ele estaria em outra cidade. No entanto, o detetive encontrou um gravador de voz ao lado do corpo. Ao apertar o play, ouviu-se a voz da mulher dizendo: “Meu marido está tentando me matar! Ele está na porta!”, seguido de um grito e o som de um tiro.

Pergunta: Por que o detetive soube que o marido era o assassino e que ele forjou o suicídio ou a cena?

 

CASO 6: O DESAPARECIMENTO NA SEGUNDA-FEIRA

Um famoso diamante desapareceu da mansão Van Holt na manhã de segunda-feira. O detetive interrogou a equipe, que afirmou estar assim:

Caseiro: “Estava podando os canteiros de rosas.”

Cozinheira: “Estava preparando o jantar.”

Motorista: “Estava lavando e encerando o carro na garagem.”

Filha: “Estava no meu quarto, estudando para minha prova de química.”

Pergunta: O detetive soube imediatamente quem estava mentindo. Quem foi e por quê?

 

CASO 7: O CORPO NO LAGO CONGELADO

Um corpo é encontrado no meio de um lago completamente congelado. Não há pegadas na neve ao redor do lago, e a vítima não tem equipamento para caminhar no gelo. A polícia conclui rapidamente que se trata de um assassinato, e não de um acidente.

Pergunta: Como eles têm tanta certeza?

 

CASO 8: A LIGAÇÃO ANÔNIMA

Uma mulher é encontrada assassinada em seu apartamento. O marido, que estava em uma viagem de negócios em outra cidade, é informado pela polícia por telefone. Ele desliga, pega seu carro e dirige direto para a delegacia da sua cidade natal, a 4 horas de distância. Ao chegar, antes mesmo de fazer qualquer pergunta, os detetives o algemam.

Pergunta: Por que a polícia já suspeitava dele?

 

CASO 9: O CÓDIGO DA AGENDA 

Um empresário foi encontrado morto em sua sala de reuniões. Em sua mão, segurava uma agenda aberta no mês de março. Os dias 8, 5, 12, 5, 14 e 1 estavam circulados com uma caneta vermelha.

Os principais suspeitos são seus sócios: Lucas, Pedro, Helena, Renata, Daniela

Pergunta: Quem é o assassino?

 

CASO 10: A CAFETERIA FATAL 

Duas agentes rivais, Agatha e Bianca, se encontram em uma cafeteria. Desconfiadas, elas pedem exatamente a mesma bebida (um cappuccino) e dividem um único pedaço de bolo de chocolate, que o garçom traz já fatiado em dois pratos.

Antes de começarem, Agatha retira um lenço de seda da bolsa e limpa cuidadosamente o seu próprio talher, comentando sobre a falta de higiene do local. Bianca, achando o gesto um exagero de Agatha, sorri ironicamente.

Bianca insiste que Agatha prove primeiro. Agatha come o bolo e bebe um gole do café sem problemas. Bianca, então, começa a comer sua parte usando os talheres da mesa. Meio minuto depois, Bianca cai morta, enquanto Agatha fica ilesa. A perícia constata veneno de ação rápida apenas no organismo de Bianca.

Pergunta: Como Agatha conseguiu envenenar apenas sua rival?

 

 

 

 

 

RESPOSTAS 

CASO 1:

Em um dia de neve, com o interior da casa quente, o vapor e o gelo se formam no lado interno da janela, não no externo. Seria impossível limpar o vapor pelo lado de fora.

CASO 2:

O assassino é o Arthur. Os números correspondem à posição das letras no alfabeto.

CASO 3:

A bandeira do Japão é um círculo vermelho sobre um fundo branco. É impossível dizer se ela está de cabeça para baixo ou não.

CASO 4:

É impossível rasgar um papel em quatro pedaços sem que ele tenha sido dobrado ou rasgado mais de uma vez. Se você rasgar um papel ao meio e depois as duas metades juntas, as bordas rasgadas provariam que ele foi rasgado intencionalmente por alguém, e não que “já estava assim”. Além disso, se o filho alegou que “não sabia o que estava escrito”, ele não teria motivo para jogar o papel na lareira.

CASO 5

Se a mulher tivesse gravado sua própria morte, quem teria rebobinado a fita ou parado a gravação após o tiro? O assassino teve que estar lá para manusear o gravador após o crime.

CASO 6:

A Cozinheira. Ela afirmou estar “preparando o jantar” na manhã de segunda-feira. Isso é muito estranho e prematuro. As outras atividades (podar, lavar carro, estudar) são plausíveis para um período da manhã. Ela estava usando o horário de preparação das refeições como desculpa para estar na cozinha e possivelmente tendo acesso às áreas da casa sem levantar suspeitas.

CASO 7:

Se a pessoa tivesse caído acidentalmente no gelo e este tivesse quebrado, ela teria morrido afogada ou de hipotermia dentro d’água. Para que o corpo fosse encontrado no meio do lago congelado, o lago já teria que estar completamente congelado no momento da morte. Mas se estava congelado e sólido o suficiente para suportar um corpo, como a vítima teria morrido ali sem equipamento e sem deixar pegadas? Alguém deve tê-la colocado lá depois que o lago já estava congelado, provando que foi assassinada em outro lugar.

CASO 8:

A polícia, na ligação, não informou o endereço ou local exato do crime. Eles disseram apenas “sua esposa foi assassinada” e pediram que ele fosse à delegacia. Um marido inocente, ao saber que sua esposa foi morta, imediatamente perguntaria: “Onde ela está?”, “O que aconteceu?”, “Onde foi isso?”. O fato de ele não ter feito nenhuma pergunta sobre a cena do crime, indo direto para a delegacia, mostrou que ele já sabia onde o crime havia ocorrido porque foi ele quem cometeu. 

CASO 9:

O assassino é Helena. A Lógica: Muitas pessoas tentariam ler os números como a posição das letras no nome, mas o segredo está na posição das letras no alfabeto.

CASO 10: 

O veneno estava nos talheres da mesa (especificamente no garfo que Bianca usaria). A Lógica: Ao limpar o seu próprio talher com o lenço, Agatha removeu o veneno que ela mesma havia colocado ali previamente (ou via suborno ao garçom). Ao ver Agatha comer e beber normalmente, Bianca baixou a guarda e usou o talher que estava “limpo” sobre a mesa, mas que na verdade continha o veneno de ação rápida.

 

ARGUMENTOS DE FILMES

 


















Adaptado de: https://www.instagram.com/p/DTNvg62AEYZ/?igsh=Mm5jeGU4bTZtNWw3

01 abril 2026

CONTE UM CONTO SEM AUMENTAR UM PONTO

 ABL divulga o resultado do concurso cultural “Conte o conto sem aumentar um ponto”

 

A Academia Brasileira de Letras apresentou no dia 4 de novembro os três ganhadores do concurso cultural “Conte o conto sem aumentar um ponto”. [...]

         Durante quase 4 meses de concurso, a ABL recebeu contos que tinham por objetivo finalizar, de forma distinta do original, o conto “A Cartomante”, de Machado de Assis. Dentre os trabalhos recebidos, praticamente todos os estados brasileiros participaram, dando destaque para Rio, São Paulo e Minas Gerais. E foram recebidos, inclusive, contos de Portugal e Suíça.

         O concurso contou com participações de diversos níveis de escolaridade, passando pelo ensino fundamental, médio, superior e especializações, e, segundo os inscritos, o maior divulgador do “Conte o conto sem aumentar um ponto” foi o Twitter, seguido do Portal da ABL.

 


Confira os contos premiados 

1º Lugar - Maristela Fernandes Mendes – Lajedo, PE

 

O pensamento de Camilo viajava em sintonia com a velocidade da charrete. Mesmo depois de sentir-se aliviado com as palavras da cartomante, ainda assim assaltava-lhe o espírito o conteúdo da carta. Era mais cômodo tentar enganar a si mesmo pensando que o convite do amigo para comparecer lá urgente não era nada relacionado ao seu romance com a esposa dele. Porque se ele tivesse descoberto, o procuraria e o mataria. Sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha. A charrete freou, e com ela as suas conjeturas. Desceu. Olhou ao redor. Dirigiu-se para a casa. Em pé na soleira da porta, o amigo o esperava. Os olhos azuis serenos.

- Bom dia, Camilo. Por um momento pensei que não virias. Já estava vendo a tua felicidade se desbotando.

Espantado e sem entender nada, Camilo foi fazendo menção de falar, mas foi interrompido com um gesto do amigo, que o convidou a entrar. Linda e radiante, estava Rita andando de um lado para o outro. Ao vê-lo correu para os seus braços. Atônito, tentou afastá-la, mas foram em vão os esforços, ela o beijava com paixão e volúpia, ele cedeu.

- Meu amor, o que está acontecendo? Isto é um sonho do qual eu não quero acordar.

- Não é um sonho, mas é uma boa realidade. Contei ao Vilela que nós dois estávamos apaixonados.

- Meu Deus! Você é louca.

- Louca seria eu continuar sacrificando a nossa felicidade.

- Agora entendi, “felicidade desbotando”. Falou Camilo para si. E olhando para uma delicada mala, sussurrou para Rita, - enchendo-a de beijos - vamos minha vida, vamos!

Lá fora o sol brilhava. Vilela, parado, ficou observando os dois caminharem abraçados rumo ao caminho da felicidade. Uma lágrima rolou pelo seu rosto. E sombrio pensou: O amor pode dar certo, ou não. A vida pode ser curta ou longa. Ouviu-se um estampido... dois... três.

 

2º Lugar - Afonso Caramano – Jaú, SP

 

Não demorou a chegar. Ainda ao portão de ferro, ajeitou a casaca e entrou. Vinha com o coração de moço renovado, e soavam-lhe mais fortes aos ouvidos as palavras da cartomante que as do bilhete do amigo. Subiu os degraus de pedra com a displicente elegância dos amantes e a necessária cordialidade que se cultiva entre os homens civilizados. Ajeitou uma vez mais a casaca, mas não teve tempo de bater - apareceu-lhe Rita, como a figura de um espectro, puxando-o pelo braço antes que dissesse uma palavra.

- Ele o espera na saleta interior. Está armado. Tome isto - sussurrou, entregando-lhe uma arma. Vá, vá logo - insistiu, abraçando-o em desespero, entre soluços sufocados, antes de desaparecer no corredor.

Mal teve tempo de esconder a arma, Villela assomou à porta da saleta dando sinal para que entrasse. Vacilou num turbilhão desconexo em que se alternavam as imagens de Rita, do amigo, da cartomante. Quando se deu conta estavam ambos empunhando as armas, numa hesitação que durou o preciso instante dos disparos quase simultâneos. Caíram feridos. As armas ao chão, o cheiro de pólvora. Camilo arrastou-se até o canapé, a mão sobre o ventre empapado de sangue. Villela agonizava a um canto. Viram Rita entrar e cruzar a saleta, olhar frio, trejeitos graciosos. Dirigiu-se à escrivaninha, subtraiu da gaveta um maço de cartas, iguais as que Camilo recebera. Cuidando para não sujar-se de sangue, retirou do bolso do marido exangue outro envelope. Deixou a sala saltitando por sobre as pernas do moribundo. Villela e Camilo entreolharam-se com horror.

Lá fora, na esquina esperava-a uma caleça. A cartomante não errara de todo. Em seu interior, o terceiro, que a tudo ignorava, apertava entre as mãos suadas as passagens e relia o bilhete escrito a lápis pela sua amada.

 

3º Lugar - Maria Thereza Ribeiro Vieira – Petrópolis, RJ

 

Parecia que Camilo havia conseguido apaziguar a sua alma com as palavras da cartomante. Logo pensou em se redimir com Villela e, assim pensando, pediu ao cocheiro que entrasse numa rua transversal, onde sabia haver uma casa de tabacos. Saltou do tílburi e entrou na loja. Ali escolheu uma caixa de charutos cubanos dos mais sofisticados e exigiu um embrulho à altura do amigo; voltou ao tílburi e mandou seguir para a casa de Villela. No trajeto avistou uma banca na calçada expondo as mais lindas flores e sentiu um desejo íntimo de comprar um buquê de rosas vermelhas para a sua amada, mas conteve seu pensamento, visto que não sabia o motivo que o levava à casa de Villela.

Logo tornou a sentir aquela sensação de medo, lembrando das palavras do bilhete, mas lembrou-se também da cartomante, que acertara o motivo de sua visita e tudo o mais e aquietou-se.

Chegando ao seu destino, olhou a casa antes de entrar. Era toda trabalhada em pedras decorativas, com um vitral colorido acima da porta principal, o que dava uma visão de capela antiga. Bateu a maçaneta solta; o barulho foi logo ouvido pela velha criada, que o reconheceu e fê-lo entrar às pressas. Villela estava sentado no canto da sala maior, inconsolável, choramingando. Logo abraçou Camilo e mostrou-lhe um papel que trazia na mão. Camilo leu o papel, que dizia: “Meu prezado marido, não consegui suportar o peso do nosso casamento. Conheci um negociante italiano e me apaixonei por ele. Deixo-te muito constrangida e sigo viagem para a Europa. Quando leres este bilhete já estarei num vapor em alto mar. Peço perdão por meu ato tresloucado. Rita”

Camilo sentiu o choque da dupla traição. Sentou-se ao lado de Villela e chorou copiosamente o seu desapontamento, sentindo, ao mesmo tempo, um alívio tranquilizante.

 

 

Fonte: https://www.academia.org.br/noticias/abl-divulga-o-resultado-do-concurso-cultural-conte-o-conto-sem-aumentar-um-ponto







12 março 2026

DIÁRIO DE LEITURA

Não rimarei a palavra sono

com a incorrespondente palavra outono.

Rimarei com a palavra carne

ou qualquer outra, que todas me convêm.

As palavras não nascem amarradas,

elas saltam, se beijam, se dissolvem,

no céu livre por vezes um desenho,

são puras, largas, autênticas, indevassáveis.”


 

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Querido estudante,

 

            Os versos que você leu acima foram extraídos da poesia “Consideração do poema” do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Lendo-o com atenção podemos reconhecer um dos papéis da literatura: o que trabalhar com as palavras de maneira especial, convidando os leitores a preencher os vazios, os não ditos diretamente. O convite é para darmos vida a “cenas congeladas” pelas palavras. A vida é a matéria-prima com a qual se fabricam as ficções. Ler é viver estas vidas de papel para refletirmos na nossa e, principalmente, conversar sobre ela.

Os capítulos dos livros de literatura escolhidos para refletirmos, argumentarmos, sobre comportamentos humanos ora serão lidos coletivamente, em sala de aula; ora serão lidos em casa. 

Suas reflexões e opiniões serão registradas neste diário de leitura. Esse diário será essencial para promover a conversa sobre os acontecimentos lidos em casa, como também para servir de memória no momento de estudo das provas discursivas. 

Leia as orientações de como deverá ser feito o registro de suas leituras:

1.      O diário será realizado no caderno

2.      Inicialmente escreva o título do livro e do autor.

3.      Cada capítulo lido em casa você deverá registrar:

 

1. Cabeçalho

·         Número(s) (ou nomes) dos capítulos;

·         Números das páginas lidas;

·         Data(s) em que leu o(s) capítulo(s).

 

2. Registro das impressões

·         Qual(is) sentimento(s) apareceu(ram) durante a leitura? Que passagem o(s) despertou(ram)?

·         O que você imagina que irá acontecer no próximo capítulo que será lido? Que trecho do(s) capítulo(s) lido(s) gostaria de discutir com os colegas e professor(a)?

·         Que trecho do(s) capítulo(s) lido(s) gostaria de discutir com os colegas e professor(a)?

 

3. Registro do enredo

·         Que acontecimento marcante apareceu no(s) capítulo(s) lido(s)?

·         Qual o conflito que prende a atenção e motiva a continuação da leitura?

·         Que comportamento do personagem X (neste caso, um personagem que você escolher) deixa o leitor intrigado? Se o leitor tivesse a oportunidade, sobre qual comportamento gostaria de discutir com esse personagem?

·         Que acontecimento narrado poderia acontecer na realidade? O que isso ajuda ao leitor a pensar sobre a realidade em que vive?

 





10 março 2026

INTRODUÇÃO À OBRA: OPÚSCULO HUMANITÁRIO (2)

 



- Texto para as questões 1 a 3 -

No primeiro artigo de Opúsculo humanitário, Nísia Floresta fala do desejo de atingir uma

civilização que só podia ser transmitida ao mundo pela emancipação da mulher, não conforme o filosofismo dos socialistas, mas como a compreendeu a sabedoria divina [...].

FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 26. Artigo I.


Questão 1

Os artigos de Opúsculo humanitário, como um todo, defendem a efetiva “emancipação da mulher”? Por quê?

 

Questão 2

Qual é a crítica que Nísia faz aos socialistas nessa passagem? Explique-a.

 

Questão 3

O uso da expressão “sabedoria divina” revela que elemento central de Opúsculo humanitário? Justifique sua resposta.

 

Questão 4

No livro Sobrados e mucambos, Gilberto Freyre define Nísia Floresta como “uma exceção escandalosa” durante o século XIX.

No meio dos homens a dominarem sozinhos todas as atividades extradomésticas, as próprias baronesas e viscondessas mal sabendo escrever, as senhoras mais finas soletrando apenas livros devotos [...], causa pasmo ver uma figura como a de Nísia.

FREYRE, Gilberto. Sobrados e mucambos. In: SANTIAGO, Silvano (coord.). Intérpretes do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. v. 2. p. 820.

 

A surpresa provocada pela obra de Nísia se dá por causa da:

a) capacidade dela de produzir uma obra de grande qualidade literária para a época.

b) erudição da escritora e de sua consciência crítica sobre o papel da mulher na sociedade.

c) linguagem acessível, compatível com as dificuldades de leitura das senhoras letradas.

d) participação política das mulheres, que se efetivou das publicações de Nísia Floresta.

e) vinculação da autora ao Positivismo, uma teoria bastante difícil de ser compreendida.

 

Questão 5

No artigo XIII de Opúsculo humanitário, Nísia Floresta escreve:

A caridade, essa virtude sublime, que nunca é tão devidamente exercida como pela mão da mulher, tem no coração da francesa um templo onde ela lhe queima o mais puro incenso.

FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 62. Artigo XIII.

 

A metáfora do “templo” mostra que, para Nísia, as mulheres francesas:

a) são menos caridosas do que as alemãs ou as inglesas.

b) exercem a caridade de modo natural e puro.

c) têm menos virtudes do que seriam desejadas.

d) possuem um coração sublime e insensível.

e) usam os incensos para serem caridosas.

 

Questão 6

Uma das histórias mais cruéis de Opúsculo humanitário está no artigo XLVI da obra.

Depois de haver passado parte de uma noite no teatro, constrangida no espartilho, para atrair à indiscreta mãe elogios pelo seu bom gosto de vesti-la, a pobre inocentinha submeteu-se ainda, na manhã seguinte, a um novo processo de aperto, ataviando-se para o colégio. Apenas entrou em sua classe, a diretora viu-a vacilar querendo sentar-se. Voa a tomá-la nos braços, desabotoa-lhe o vestido... Era já tarde! A pobrezinha, soltando um doloroso ai, tinha expirado, vítima da vaidade de sua mãe! [...]

Algum tempo depois os espartilhos, tirados às que haviam testemunhado essa pungentíssima cena, voltaram de novo a comprimi-las.

A imagem da morte havia desaparecido e a moda reconquistava todos os seus loucos e funestos excessos.

FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 158-159. Artigo XLVI.

 

a) Que expressão do primeiro parágrafo explica a causa da morte da menina?

b) A avaliação que Nísia faz da moda é positiva ou negativa nessa passagem? Explique sua resposta.

 

 

- Textos para as questões 7 e 8 -

Leia os dois fragmentos a seguir, extraídos do mesmo artigo de Opúsculo humanitário,

corriam os reis e os povos cristãos à longínqua Palestina, para libertar os lugares santificados pelo Cristo [...].

FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 36. Artigo V.

 

O tremendo tribunal do Santo Ofício, esse vergonhoso parto dos tempos modernos do Cristianismo, tão fatal aos progressos da civilização, não queria encontrar nas vítimas, que imolava, a moral esclarecida [...].

FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 38-39. Artigo V.

 

Questão 7

A visão do cristianismo é a mesma nos dois fragmentos? Por quê?

 

Questão 8

Com base em sua resposta anterior, pode-se afirmar que Nísia Floresta foi contraditória? Explique sua resposta.

 

Questão 9

Mas todos sabem, a não ser os povos selvagens, que é um paradoxo, e paradoxo ridículo, avançar-se que a ignorância é o melhor estado para o desenvolvimento das virtudes morais.

Ouvimos sempre bradar contra o progresso dos vícios que a civilização traz, mas é porque não se quer atentar para os que praticaram e praticam todos os povos, não diremos selvagens, que vivem no pleno estado da natureza, mas os que, ligados por vínculos sociais, viviam e ainda vivem sem o influxo benéfico dessa poderosa regeneradora do espírito humano.

FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 107. Artigo XXX.

 

a) Como Nísia avalia os “povos selvagens” no primeiro parágrafo? Justifique sua resposta.

b) O “estado de natureza” faz referência a que importante teoria iluminista?

 

Questão 10

Enquanto pelo velho e novo mundo vai ressoando o brado – emancipação da mulher –, nossa débil voz se levanta na capital do império de Santa Cruz, clamando: educai as mulheres!

Povos do Brasil, que dizeis civilizados! Governo, que vos dizeis liberal! Onde está a doação mais importante dessa civilização, desse liberalismo?

FLORESTA, Nísia – 1853. In: História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Unesp/Contexto, 1977. p. 443.

 

Nísia Floresta constituiu uma exceção na sociedade brasileira de sua época. Dedicada ao ensino e à atividade intelectual, sua biografia é um exemplo marcante de atuação da mulher, num período em que o universo feminino dos setores médios estava reduzido ao domínio da casa.

a) Descreva um elemento representativo dos costumes e comportamentos da mulher na sociedade brasileira de meados do século XIX.

b) Indique uma mudança na posição da mulher brasileira no século XX.

 

Questão 11

1. Educai o coração da mulher, esclarecei seu intelecto com o estudo de coisas úteis e com a prática dos deveres, inspirando nela o deleite que se experimenta ao cumpri-los; purgai a sua alma de tantas nocivas frivolidades pueris de que se acha rodeada mal abre os olhos à luz.

2. Cessai aqueles tolos discursos com os quais atordoais sua razão, fazendo-a crer que é rainha, quando nada mais é que a escrava dos vossos caprichos. Não façais dela a mulher da Bíblia; a mulher de hoje em dia pode sair-se melhor do que aquela; nem muito menos a mulher da Idade Média: da qual estamos todas tão distantes que não poder-nos-ia servir de modelo; mas a mulher que deve progredir com o século dezenove, ao lado do homem, rumo à regeneração dos povos.

3. Guarde-se bem o homem de ter a mulher para seu joguete, ou sua escrava; trate-a como uma companheira da sua vida, devendo ela participar de suas alegres e tristes aventuras; considere-a desde o berço até seu leito de morte, como aquela que exerce uma influência real sobre o destino dele, e por conseguinte sobre o destino das nações; dedique-lhe, por último, uma educação como exige a grande tarefa que ela deve cumprir na sociedade como o benéfico ascendente do coração; e a mulher será como deve ser, filha e irmã dedicadíssima, terna e pudica esposa, boa e providente mãe.

FLORESTA, Nísia. Cintilações de uma alma brasileira (1859). Florianópolis/Santa Cruz: Ed. Mulheres/Ed. da UNISC, 1997. p. 115-7.

 

No texto, o uso dos verbos no imperativo justifica-se pela necessidade de:

a) mostrar que a escritora Nísia Floresta (1810-1885) escreveu sobre os direitos das mulheres, dos índios, dos escravos.

b) expressar uma ordem absoluta, isto é, uma ordem que deve ser cumprida sem condição, como se fosse um mandamento.

c) exprimir uma orientação da autora para que se façam ações que, na sua opinião, têm o fim de melhorar a condição da mulher.

d) fazer da mulher de hoje a mulher da Bíblia, porque pode, como a da Idade Média, servir-nos de modelo.

e) educar o coração da mulher, dando ordens ao seu intelecto para a prática dos deveres que lhe trazem alegria.

 

 

 

1. Não. Nísia Floresta não pretendia alterar o papel da mulher na sociedade, garantindo-lhe liberdade completa. Sua luta era especificamente pela educação feminina. No artigo VIII, por exemplo, ela fala dos “sagrados deveres de esposa e de mãe” e da “prática de todas as virtudes da vida doméstica”.

2. Em nenhum momento Nísia mostra alinhamento a qualquer tipo de ideia relacionada ao socialismo. Por isso, ela usa o termo “filosofismo”, que designa justamente uma tese sem cabimento, falsa, que não merece crédito.

3. A religiosidade católica. Nos artigos do livro, Nísia defende a moralidade cristã como princípio básico da educação das mulheres. No artigo IX, ela afirma que “assim como a verdadeira base de um governo é a liberdade política, conforme observa o ilustre autor do Espírito das Leis, assim também a religião deve ser a base da educação da mulher”.

4. b

5. b

6. a) Trata-se da expressão “vítima da vaidade de sua mãe”.

b) Negativa. O espartilho é apresentado como um dos “loucos e funestos excessos” da moda feminina.

7. Não. No primeiro fragmento, Nísia justifica as Cruzadas, cuja função de “libertar os lugares santificados pelo Cristo” estava sendo valorizada. No segundo fragmento, as expressões “vergonhoso parto” e “fatal aos progressos da civilização” indicam uma visão negativa do Santo Ofício.

8. Não. Nísia aceita as Cruzadas como movimento natural de expansão do Cristianismo aos lugares “santos” do Oriente Médio, mas reconhece que as violências do Tribunal do Santo Ofício eram inaceitáveis.

9. a) Negativamente. Esses povos são colocados no grupo daqueles que não sabem que a ignorância não “é o melhor estado para o desenvolvimento das virtudes morais”.

b) Ao mito do bom selvagem, de Rousseau.

10. a) A sociedade patriarcal limitava os direitos da mulher, tolhendo-lhe a liberdade, negando-lhe a educação e restringindo seu campo de atuação ao ambiente doméstico.

b) Podemos citar: o direito ao voto, à educação, ao divórcio, além de acesso a métodos anticoncepcionais e a uma maior autonomia sobre o próprio corpo.

11. c

 

 

 






MAP (4) - OS ARGONAUTAS