- Texto para as
questões 1 a 3 -
No
primeiro artigo de Opúsculo humanitário,
Nísia Floresta fala do desejo de atingir uma
civilização que só
podia ser transmitida ao mundo pela emancipação da mulher, não conforme o
filosofismo dos socialistas, mas como a compreendeu a sabedoria divina [...].
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 26. Artigo I.
Questão 1
Os
artigos de Opúsculo humanitário, como
um todo, defendem a efetiva “emancipação da mulher”? Por quê?
Questão 2
Qual
é a crítica que Nísia faz aos socialistas nessa passagem? Explique-a.
Questão 3
O
uso da expressão “sabedoria divina” revela que elemento central de Opúsculo
humanitário? Justifique sua resposta.
Questão 4
No
livro Sobrados e mucambos, Gilberto
Freyre define Nísia Floresta como “uma exceção escandalosa” durante o século
XIX.
No meio dos homens a
dominarem sozinhos todas as atividades extradomésticas, as próprias baronesas e
viscondessas mal sabendo escrever, as senhoras mais finas soletrando apenas
livros devotos [...], causa pasmo ver uma figura como a de Nísia.
FREYRE,
Gilberto. Sobrados e mucambos. In:
SANTIAGO, Silvano (coord.). Intérpretes
do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. v. 2. p. 820.
A
surpresa provocada pela obra de Nísia se dá por causa da:
a)
capacidade dela de produzir uma obra de grande qualidade literária para a
época.
b)
erudição da escritora e de sua consciência crítica sobre o papel da mulher na
sociedade.
c)
linguagem acessível, compatível com as dificuldades de leitura das senhoras
letradas.
d)
participação política das mulheres, que se efetivou das publicações de Nísia
Floresta.
e)
vinculação da autora ao Positivismo, uma teoria bastante difícil de ser
compreendida.
Questão 5
No
artigo XIII de Opúsculo humanitário,
Nísia Floresta escreve:
A caridade, essa
virtude sublime, que nunca é tão devidamente exercida como pela mão da mulher,
tem no coração da francesa um templo onde ela lhe queima o mais puro incenso.
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 62. Artigo
XIII.
A
metáfora do “templo” mostra que, para Nísia, as mulheres francesas:
a)
são menos caridosas do que as alemãs ou as inglesas.
b)
exercem a caridade de modo natural e puro.
c)
têm menos virtudes do que seriam desejadas.
d)
possuem um coração sublime e insensível.
e)
usam os incensos para serem caridosas.
Questão 6
Uma
das histórias mais cruéis de Opúsculo
humanitário está no artigo XLVI da obra.
Depois de haver
passado parte de uma noite no teatro, constrangida no espartilho, para atrair à
indiscreta mãe elogios pelo seu bom gosto de vesti-la, a pobre inocentinha
submeteu-se ainda, na manhã seguinte, a um novo processo de aperto, ataviando-se
para o colégio. Apenas entrou em sua classe, a diretora viu-a vacilar querendo
sentar-se. Voa a tomá-la nos braços, desabotoa-lhe o vestido... Era já tarde! A
pobrezinha, soltando um doloroso ai, tinha expirado, vítima da vaidade de sua
mãe! [...]
Algum tempo depois os
espartilhos, tirados às que haviam testemunhado essa pungentíssima cena,
voltaram de novo a comprimi-las.
A imagem da morte
havia desaparecido e a moda reconquistava todos os seus loucos e funestos
excessos.
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 158-159. Artigo
XLVI.
a)
Que expressão do primeiro parágrafo explica a causa da morte da menina?
b)
A avaliação que Nísia faz da moda é positiva ou negativa nessa passagem?
Explique sua resposta.
- Textos para as
questões 7 e 8 -
Leia
os dois fragmentos a seguir, extraídos do mesmo artigo de Opúsculo humanitário,
corriam os reis e os
povos cristãos à longínqua Palestina, para libertar os lugares santificados
pelo Cristo [...].
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 36. Artigo V.
O tremendo tribunal
do Santo Ofício, esse vergonhoso parto dos tempos modernos do Cristianismo, tão
fatal aos progressos da civilização, não queria encontrar nas vítimas, que
imolava, a moral esclarecida [...].
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 38-39. Artigo
V.
Questão 7
A
visão do cristianismo é a mesma nos dois fragmentos? Por quê?
Questão 8
Com
base em sua resposta anterior, pode-se afirmar que Nísia Floresta foi
contraditória? Explique sua resposta.
Questão 9
Mas todos sabem, a
não ser os povos selvagens, que é um paradoxo, e paradoxo ridículo, avançar-se
que a ignorância é o melhor estado para o desenvolvimento das virtudes morais.
Ouvimos sempre bradar
contra o progresso dos vícios que a civilização traz, mas é porque não se quer
atentar para os que praticaram e praticam todos os povos, não diremos
selvagens, que vivem no pleno estado da natureza, mas os que, ligados por vínculos
sociais, viviam e ainda vivem sem o influxo benéfico dessa poderosa
regeneradora do espírito humano.
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. São Paulo: Blimunda, 2021. p. 107. Artigo
XXX.
a)
Como Nísia avalia os “povos selvagens” no primeiro parágrafo? Justifique sua
resposta.
b)
O “estado de natureza” faz referência a que importante teoria iluminista?
Questão 10
Enquanto pelo velho e
novo mundo vai ressoando o brado – emancipação da mulher –, nossa débil voz se
levanta na capital do império de Santa Cruz, clamando: educai as mulheres!
Povos do Brasil, que
dizeis civilizados! Governo, que vos dizeis liberal! Onde está a doação mais
importante dessa civilização, desse liberalismo?
FLORESTA,
Nísia – 1853. In: História das Mulheres no Brasil. São
Paulo: Unesp/Contexto, 1977. p. 443.
Nísia
Floresta constituiu uma exceção na sociedade brasileira de sua época. Dedicada
ao ensino e à atividade intelectual, sua biografia é um exemplo marcante de
atuação da mulher, num período em que o universo feminino dos setores médios
estava reduzido ao domínio da casa.
a)
Descreva um elemento representativo dos costumes e comportamentos da mulher na
sociedade brasileira de meados do século XIX.
b)
Indique uma mudança na posição da mulher brasileira no século XX.
Questão 11
1. Educai o coração
da mulher, esclarecei seu intelecto com o estudo de coisas úteis e com a
prática dos deveres, inspirando nela o deleite que se experimenta ao
cumpri-los; purgai a sua alma de tantas nocivas frivolidades pueris de que se
acha rodeada mal abre os olhos à luz.
2. Cessai aqueles
tolos discursos com os quais atordoais sua razão, fazendo-a crer que é rainha,
quando nada mais é que a escrava dos vossos caprichos. Não façais dela a mulher
da Bíblia; a mulher de hoje em dia pode sair-se melhor do que aquela; nem muito
menos a mulher da Idade Média: da qual estamos todas tão distantes que não
poder-nos-ia servir de modelo; mas a mulher que deve progredir com o século
dezenove, ao lado do homem, rumo à regeneração dos povos.
3. Guarde-se bem o homem
de ter a mulher para seu joguete, ou sua escrava; trate-a como uma companheira
da sua vida, devendo ela participar de suas alegres e tristes aventuras; considere-a
desde o berço até seu leito de morte, como aquela que exerce uma influência
real sobre o destino dele, e por conseguinte sobre o destino das nações;
dedique-lhe, por último, uma educação como exige a grande tarefa que ela deve
cumprir na sociedade como o benéfico ascendente do coração; e a mulher será
como deve ser, filha e irmã dedicadíssima, terna e pudica esposa, boa e
providente mãe.
FLORESTA,
Nísia. Cintilações de uma alma brasileira
(1859). Florianópolis/Santa Cruz: Ed. Mulheres/Ed. da UNISC, 1997. p.
115-7.
No
texto, o uso dos verbos no imperativo justifica-se pela necessidade de:
a)
mostrar que a escritora Nísia Floresta (1810-1885) escreveu sobre os direitos
das mulheres, dos índios, dos escravos.
b)
expressar uma ordem absoluta, isto é, uma ordem que deve ser cumprida sem
condição, como se fosse um mandamento.
c)
exprimir uma orientação da autora para que se façam ações que, na sua opinião,
têm o fim de melhorar a condição da mulher.
d)
fazer da mulher de hoje a mulher da Bíblia, porque pode, como a da Idade Média,
servir-nos de modelo.
e)
educar o coração da mulher, dando ordens ao seu intelecto para a prática dos
deveres que lhe trazem alegria.
1. Não.
Nísia Floresta não pretendia alterar o papel da mulher na sociedade,
garantindo-lhe liberdade completa. Sua luta era especificamente pela educação
feminina. No artigo VIII, por exemplo, ela fala dos “sagrados deveres de esposa
e de mãe” e da “prática de todas as virtudes da vida doméstica”.
2. Em
nenhum momento Nísia mostra alinhamento a qualquer tipo de ideia relacionada ao
socialismo. Por isso, ela usa o termo “filosofismo”, que designa justamente uma
tese sem cabimento, falsa, que não merece crédito.
3. A
religiosidade católica. Nos artigos do livro, Nísia defende a moralidade cristã
como princípio básico da educação das mulheres. No artigo IX, ela afirma que
“assim como a verdadeira base de um governo é a liberdade política, conforme
observa o ilustre autor do Espírito das Leis, assim também a religião deve ser
a base da educação da mulher”.
4. b
5. b
6. a)
Trata-se da expressão “vítima da vaidade de sua mãe”.
b)
Negativa. O espartilho é apresentado como um dos “loucos e funestos excessos”
da moda feminina.
7. Não.
No primeiro fragmento, Nísia justifica as Cruzadas, cuja função de “libertar os
lugares santificados pelo Cristo” estava sendo valorizada. No segundo
fragmento, as expressões “vergonhoso parto” e “fatal aos progressos da
civilização” indicam uma visão negativa do Santo Ofício.
8. Não.
Nísia aceita as Cruzadas como movimento natural de expansão do Cristianismo aos
lugares “santos” do Oriente Médio, mas reconhece que as violências do Tribunal
do Santo Ofício eram inaceitáveis.
9. a) Negativamente.
Esses povos são colocados no grupo daqueles que não sabem que a ignorância não
“é o melhor estado para o desenvolvimento das virtudes morais”.
b) Ao
mito do bom selvagem, de Rousseau.
10. a)
A sociedade patriarcal limitava os direitos da mulher, tolhendo-lhe a
liberdade, negando-lhe a educação e restringindo seu campo de atuação ao
ambiente doméstico.
b)
Podemos citar: o direito ao voto, à educação, ao divórcio, além de acesso a
métodos anticoncepcionais e a uma maior autonomia sobre o próprio corpo.
11. c

