22 abril 2024

NEOLOGISMO VI

 IMAGEM 55



 IMAGEM 56



 IMAGEM 57



 IMAGEM 58



 IMAGEM 59



 IMAGEM 60



 IMAGEM 61



 IMAGEM 62



 IMAGEM 63



 IMAGEM 64



 IMAGEM 65



 IMAGEM 66




21 abril 2024

TIPOS DE PREDICADOS

 

Grande Edgar

Já deve ter acontecido com você.

- Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar

no arquivo desativado. Ele está ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.

Um, curto, grosso e sincero.

- Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O “Não” seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem. Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.

- Não me diga. Você é o... o...

“Não me diga”, no caso, quer dizer “Me diga, me diga”. Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com sua agonia. Ou você pode dizer algo como:

- Desculpe, deve ser a velhice, mas...

Este também é um apelo à piedade. Significa “não tortura um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!”. É uma maneira simpática de você dizer que não tem a menor ideia de quem ele é, mas que isso não se deve a insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.

E há um terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.

- Claro que estou me lembrando de você!

Você não quer magoá-lo, é isso! Há provas estatísticas de que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:

- Há quanto tempo!

Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.

- Então me diga quem sou.

Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, e falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:

- Pois é.

Ou:

- Bota tempo nisso.

Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem será esse cara, meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas no meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como jabs verbais.

- Como cê tem passado?

- Bem, bem.

- Parece mentira.

- Puxa.

(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)

Ele está falando:

- Pensei que você não fosse me reconhecer...

- O que é isso?!

-  Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.

- E eu ia esquecer de você? Logo você?

- As pessoas mudam. Sei lá.

-  Que ideia. (é o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. “Que bom encontrar você!” e paf, chuta uma perna. “Que saudade!” e paf, chuta a outra. Quem

é esse cara?)

- É incrível como a gente perde contato.

- É mesmo.

Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.

- Cê tem visto alguém da velha turma?

- Só o Pontes.

- Velho Pontes! (Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)

- Lembra do Croarê?

- Claro!

- Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.

- Velho Croarê. (Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)

- Rezende...

- Quem?

Não é ele. Pelo menos isto está esclarecido.

 - Não tinha um Rezende na turma?

- Não me lembro.

- Devo estar confundindo.

Silêncio. Você sente que está prestes a ser desmascarado.

Ele fala:

- Sabe que a Ritinha casou?

- Não!

- Casou.

- Com quem?

- Acho que você não conheceu. O Bituca. (Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador. Você está tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?)

- Claro que conheci! Velho Bituca...

- Pois casaram.

É a sua chance. É a saída. Você passou ao ataque.

- E não avisou nada?

- Bem...

- Não. Espera um pouquinho. Todas essas coisas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, o Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?

- É que a gente perdeu contato e...

- Mas meu nome tá na lista meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.

- É...

- E você acha que eu ainda não vou reconhecer você. Vocês é que se esqueceram de mim.

- Desculpe, Edgar. É que...

- Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam. (Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima ideia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele está na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de “Já?!”)

- Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?

- Certo, Edgar. E desculpe, hein?

- O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.

- Isso.

- Reunir a velha turma.

- Certo.

- E olha, quando falar com a Ritinha e o Manuca...

- Bituca.

- E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?

- Tchau, Edgar!

Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer “Grande Edgar”. Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar “Você está me reconhecendo?” não dirá nem não. Sairá correndo.

 

VERISSIMO, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

 

 




1. Releia o quarto parágrafo e faça o que se pede.

a) Copie-o nas linhas abaixo. Em seguida, identifique seu predicado e classifique-o.

b) Agora, destaque o núcleo desse predicado.

2. A seguir, são reproduzidas algumas orações do texto. Sublinhe o predicado de cada oração, classifique-o e copie seu(s) núcleo(s).

a) Você pulou no abismo.

b) Há quanto tempo!

c) As pistas não estão ajudando.

d) o vexame é inevitável

e) você ainda ouve, satisfeito

3. Podemos dizer que, nessa crônica, predomina o uso de predicado verbal. Por quê?



4. Observe o primeiro verso de cada uma das estrofes.

a) Que função sintática desempenham os termos meu abismo, meu castigo e meu destino?

b) Qual é o sujeito a que se referem os três termos?

c) Que outros termos do poema também desempenham a mesma função sintática do item “a” e se referem ao mesmo sujeito?

d) Como se classificam os predicados dessas orações?

  5. No trecho “a sua tanta dor me deixa / surdo e cego”:

a) Qual é a predicação do verbo deixar?

b) Qual é o complemento verbal do verbo deixar?

c) A que palavras os adjetivos surdo e cego se referem?

Logo, que função sintática desempenham?

d) Portanto, qual é o tipo de predicado dessa oração?


20 abril 2024

BINGO DOS SUBSTANTIVOS


- Escolha palavras dos 3 grupos e complete sua tabela:


AUMENTATIVO

Avejão

Barbaça

Beijoca

Bocarra

Coraçaço

Corpanzil

Lençalho

Mamonaço

Naviarra

Pedregulho

 

DIMINUTIVO

Cintilha

Flósculo

Homúnculo

Pedrisco

Porciúncula

Portinhola

Poviléu

Rapagote

Retículo

Sineta

 

COLETIVO

Atilho

Cáfila

Carrilhão

Chusma

Farândola

Girândola

Miríade

Panapaná

Réstia

Tertúlia


- Escolha palavras dos 3 grupos e complete sua tabela:


AUMENTATIVO

Canzarrão

Jornalaço

Ladravão

Luzerna

Manápula

Ourama

Patorra

Ponteaço

Pratarraz

Sapatorra


DIMINUTIVO

Animálculo

Aselha

Avícula

Caixeta

Chapeleta

Fogacho

Óvulo

Papelete

Régulo

Ribeiro

 

COLETIVO

Colônia

Coro

Falange

Horda

Leva

Molho

Plantel

Plêiade

Postura

Trouxa







1. a) Neste ponto, você tem uma escolha. Predicado: Neste ponto, tem uma escolha. Classificação: verbal.

b) O núcleo é tem.

2. a) Predicado: pulou no abismo. Classificação: verbal. Núcleo: pulou.

b) Predicado: Há quanto tempo! Classificação: verbal. Núcleo: há.

c) Predicado: não estão ajudando. Classificação: verbal. Núcleo: estão ajudando.

d) Predicado: é inevitável. Classificação: nominal. Núcleo: inevitável.

e) Predicado: ainda ouve, satisfeito. Classificação: verbo-nominal. Núcleos: ouve; satisfeito.

3. O texto é construído por ações e atitudes, o que justifica a predominância de predicado verbal.

4.

a) Todos os termos desempenham a função de predicativo do sujeito.

b) Nas três situações, o sujeito é Meu povo.

c)Os termos meu flagelo e meu futuro.

d) Predicados nominais.

5.

a) Verbo transitivo direto.

b) O complemento é me, objeto direto.

c) Referem-se ao objeto direto me; logo, desempenham a função de predicativo do objeto.

d) Predicado verbo-nominal.

 


14 abril 2024

I AM A TEACHER

 

I was born the first moment that a question leaped from the mouth of a child. I have been many people in many places.

Throughout the course of a day I have been called upon to be an actor, friend, nurse and doctor, coach, finder of lost articles, money lender, taxi driver, psychologist, substitute parent, salesman, politician and a keeper of faith.

I am a paradox.

I speak loudest when I listen the most. My greatest gifts are in what I am willing to appreciatively receive from my students. Material wealth is not one of my goals, but I am a full-time treasure seeker in my quest for new opportunities for my students to use their talents and in my constant search for those talents that sometimes lie buried in self-defeat.

I am the most fortunate of all who labor.

A doctor is allowed to usher life into the world in one magic moment. I am allowed to see that life is reborn each day with new questions, ideas and friendships.

An architect knows that if he builds with care, her structure may stand for centuries. A teacher knows that if he builds with love and truth, what he builds will last forever.

I am a warrior, daily doing battle against peer pressure, negativity, fear, conformity, prejudice, ignorance and apathy; but I have great allies. Intelligence, Curiosity, Parental Support, Individuality, Creativity, Faith, Love and Laughter all rush to my banner with indomitable support.

And so I have a past that is rich in memories. I have a present that is challenging, adventurous and fun because I am allowed to spend my days with the future.

 
I am a teacher … and I thank God for it every day.

 




09 abril 2024

RAPÉ

 


O rapé (do francês râper, “raspar”) é o tabaco (ou fumo).

O hábito de consumir rapé era bastante difundido na Europa e no Continente Americano até ao início do século XX. Era visto de maneiras contraditórias: às vezes como hábito elegante, às vezes como vício. Há menções ao hábito em obras de Machado de Assis em Bote de rapé, de Helena Morley em Minha vida de menina e Eça de Queirós em Os Maias.

Vendia-se em caixinhas dos mais diversos materiais, nobres ou não, tais como prata, madeira, papel machê [...]. Algumas eram verdadeiras joias, finamente decoradas. [...]

Podia-se comprá-lo já ralado e pronto para consumo, ou ainda um pedaço de fumo inteiro. Nesse caso, com um minúsculo ralador ralava-se o fumo na hora para se obter um cheiro de qualidade superior, da mesma forma como, para se obter um bom café, o grão é moído na hora. [...]

Em 1755, fabricavam-se no nosso país três tipos de tabaco de pó (para cheirar) de amostra, da cidade e simonte, mais caro do que o “tabaco de fumo”. A produção do rapé, inicialmente pequena, conheceu grande incremento para – dado o enorme consumo – evitar o seu contrabando da França, destinado sobretudo às classes econômica e socialmente privilegiadas, que dele faziam “luxo, ostentação e capricho” (J. Leite de Vasconcelos). Mas rapidamente o costume passou para todas as pessoas (tanto da cidade como do campo). De tal modo que, até quase ao último quarto de oitocentos, em Portugal “cheirava-se mais do que se fumava”. Ruders diria que “o consumo indígena do rapé é muito considerável porque quase todos os portugueses o cheiram”.

No burgo do século XIX, a maioria dos portuenses – pelo menos da pequena burguesia para cima – trazia no bolso a caixa do rapé. Para o sorver ou aspirar, muitos usuários chegavam a ter uma covinha formada nas costas da mão, na base do polegar alçado, e dizia que havia alguns tão viciados que até as narinas lhes ficavam amarelas. E viciadas, pois muitas damas cheiravam-no furiosamente.

Era vendido num pacotinho cor de chumbo, que trazia, em cima, uma espécie de selo da Tabaqueira. Havia pessoas que tinham umas caixinhas bonitas, que traziam na carteira. Nelas guardavam o pó. Não sei que prazer aquilo dava, mas era hábito antigo e até um vício. Perdeu o uso e hoje ninguém se lembra do rapé, e por que é que o usavam.

No início do século XVI, a Casa de Contratação espanhola estabeleceu e manteve o monopólio do comércio de tabaco nas primeiras indústrias de fabricação de rapé, na cidade de Sevilha, que se tornaria a primeira produção e centro de desenvolvimento do rapé, juntamente com o tabaco e seus derivados, na Europa.

Em 1561, Jean Nicot, embaixador da França em Lisboa, que descreveu as propriedades medicinais do tabaco como uma panaceia em seus escritos, é creditado por ter introduzido o rapé na corte de Catarina de Médici para tratar suas fortes e persistentes dores de cabeça.

Até o século XVII alguns opositores proeminentes do rapé surgiriam. O Papa Urbano VIII proibiu o uso do rapé em igrejas e ameaçou excomungar aqueles que o comprassem. Na Rússia, em 1643, o czar Miguel, que proibiu a venda do tabaco, instituiu a pena de remoção do nariz daqueles que usassem rapé, e de morte para os usuários persistentes. Apesar disso, o uso persistiu em outro lugar; o rei Luís XIII da França era um devoto do uso do rapé, enquanto que mais tarde, Luís XV da França proibiu o uso de tabaco na Corte Real da França durante o seu reinado.

 

Adaptado de:

 


05 abril 2024

POLISSISTEMA DO TEXTO LITERÁRIO


 

(a partir de Jakobson)

EVEN-ZOHAR, Itamar. Polysystem Studies. In: Poetics Today: International Journal for Theory and Analysis of Literature and Communication. Vol.11, n.1, 1990. p. 1-268. (Trad. Luis Fernando Marozo; Yanna Karlla Cunha)


MAP (4) - OS ARGONAUTAS