08 setembro 2023

ORIGINAL COMICS









 

RESOLUÇÃO

-Play with coin:

HEADS (side with the main design): one space

TAILS: (side with value or number): two spaces

 

ANSWER KEY

According to the clues, the crime happened around midnight and the thief is tall, has dark hair, smokes and has access to the front-door key.

 

Chloe Campbell/Sandra Cruz, the secretary, has dark hair, always carries a laptop computer, has access to the front door key, but she is only 1.60 m.

 

Joshua Johnson/Oliver Amaro, the butler, is tall. has dark hair and has access to the house, but he is allergic to cigarettes, so he can’t smoke, and he wouldn’t have left the smell of cigarettes in Mrs. Gallagher’s/Elizabeth room.

 

Ashley Anderson/Livia Aquino, the doctor, smokes, has dark hair and is tall (1.80 m), but she doesn’t have access to the key.

 

Grace Gallagher/Tatiana Santos, the stepdaughter, has access to the key, but she is not tall and she has red hair.

 

Michael Murray/João Pimentel, the nephew, is tall and has access to the key, but he has light brown hair.

 

Megan Murray/Luísa Pimentel, the niece, is tall, smokes and has access to the key, but she is blonde.

 

Nathan Norris/Cristiano Guimarães, the ex-husband, is tall and has dark hair. He also smokes and has access to the key, but he is in a wheelchair, so he couldn’t go to the room on the second floor.

 

Logan Lewis/Edson Bragança the editor, is tall and has dark hair. He smokes and has access to the key. So, he probably is the thief.

 

Note:

Two clues have no importance in the solution of the crime: “Grace/Tatiana is 18 years old” and “Megan Murray/Luísa has green eyes.

Two clues are misleading, but are clarified by other two: “A neighbor saw a redheaded person leave the house at around 11 o’clock (It was Mrs. Gallagher/Elizabeth) and “The detective found gray hair in the room” (It belonged to Mrs. Gallagher’s/Elizabeth cat).


27 agosto 2023

CONTEXTO: MODERNISMO & SEMANA DE ARTE MODERNA

12 DE DEZEMBRO DE 1917

SÃO PAULO, BRASIL.

 

A jovem pintora brasileira Anita Malfatti, de apenas 28 anos, abriu as portas de um salão de arte em São Paulo, para apresentar 53 novos quadros, entre paisagens, figuras e gravuras. As obras apresentavam técnicas plásticas modernas, as quais a artista conhecera na Independent School of Art, em Nova York, e na academia Lewin-Funcke, na Alemanha. Em um período em que a maioria dos artistas brasileiros iam à Itália ou à França estudar, a influência estadunidense e alemã fazia com que quadros como O homem amarelo e A estudante russa denunciassem procedimentos de intensidade inédita, como a separação difusa das figuras retratadas e da paisagem, a pincelada livre e não tão planejada, a liberdade para compor as cores, as luzes.

Como frequentemente acontece com o que é novo, as telas de Anita dividiram a opinião pública. O jovem escritor Mário de Andrade identificou nas obras a chegada de algo novo ao Brasil. “Não posso falar pelos meus companheiros de então, mas eu, pessoalmente, devo a revelação do novo e a convicção da revolta a ela e à força de seus quadros”, escreveu fisgado pelo movimento modernista graças aos quadros da artista brasileira. A admiração positiva e surpresa também invadiu o pintor Di Cavalcanti e o poeta Mário da Silva Brito.

            O trabalho, porém, não agradou o escritor Monteiro Lobato, que resolveu escrever um artigo classificando-o como “arte anormal” e, embora reconhecendo o talento genuíno de Malfatti, acusando-a de ver “anormalmente” o mundo à sua volta. 

Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem as coisas e em consequência fazem arte pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotados, para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. [...] A outra espécie é formada dos que veem anormalmente a natureza e a interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. [...] Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento. 

A crítica caiu como uma bomba no círculo artístico. Os admiradores do trabalho de Malfatti, sobretudo os que viam nele a renovação da arte brasileira, saíram em sua defesa na imprensa, como Mário e Oswald de Andrade. Não adiantou muito. O estrago já estava feito. O julgamento de um formador de opinião tão respeitado como Lobato fez com que algumas das telas vendidas na exposição fossem devolvidas e mecenas mais tradicionais olhassem para a pintora com olhares tortos. Tao jovem, com apenas 28 anos, e com poucas oportunidades de expor e explorar seu potencial criativo, Anita Malfatti parecia viver o fim de sua carreira.

            Mas este episódio resultou em algo positivo, pois o pioneirismo de Anita instigou artistas a se juntarem para renovar a arte brasileira, romper com a tradição e criar algo genuinamente nacional: pintores, escritores, músicos, escultores e arquitetos sintonizados com a modernidade, as novas tecnologias e os movimentos de vanguarda, dispostos a criar uma arte que não fosse apenas cópia do que vinha da Europa, mas que transpirasse brasilidade. Havia sido plantada a semente do modernismo brasileiro, que floresceria cinco anos mais tarde, na Semana de Arte de 1922.

            A Semana de Arte Moderna, não durou uma semana, mas apenas três dias (13, 15 e 17 de fevereiro). Foi planejada por artistas que queriam romper com a tradição e renovar as expressões culturais brasileiras. O ano não foi escolhido ao acaso, afinal, 1922 marcava a comemoração dos cem anos da Independência do Brasil. Se em 1822 0 Brasil conquistara a independência política de Portugal, cem anos depois os modernistas reivindicavam a nossa independência cultural.

            A programação foi bem organizada e os eventos, sediados no Theatro Municipal de São Paulo. Cada dia foi reservado a uma expressão artística. Na segunda noite, 15 de fevereiro, foi a vez da literatura, o que fez os ânimos do público fervilharem. Menotti del Picchia abriu a cerimónia com uma palestra sobre as letras modernas, ilustrada com poemas de Oswald e Mário de Andrade. Durante o intervalo, Mário recitou poemas no saguão do Municipal. Depois de o público já ter ouvido diferentes provocações, Ronald de Carvalho subiu ao palco para ler o poema Os sapos, de Manuel Bandeira, que estava adoentado e não pôde comparecer. Os versos – uma grande provocação aos poetas parnasianos, que davam mais valor à forma do que ao conteúdo – não tinham métrica, anunciavam o manifesto da poesia moderna, estilo com o qual o público não estava acostumado. Era um tapa na cara da tradição literária e a reação foi imediata. A plateia se levantou e, na mesma hora, se dividiu entre vaias e aplausos. Há quem defenda que as vaias foram uma grande estratégia para os organizadores chamarem a atenção: Oswald de Andrade teria pedido a estudantes que começassem a tumultuar durante a leitura para contaminar os outros presentes e incentivá-los a se manifestar. Oswald queria que o evento chamasse a atenção da sociedade. Combinados ou espontâneos, os aplausos e as vaias colocaram o evento sob os holofotes.

            Planejado e realizado para ser um rompimento com a tradição artística, o evento apresentou uma série de incoerências. A primeira delas foram justamente os investidores: empresários e fazendeiros paulistas que consumiam a arte tradicional. Sim, os mecenas que abriram a carteira e estiveram na plateia dos recitais, óperas e exposições eram os mesmos oligarcas que investiam em artistas que reproduziam a cultura europeia. Mas eles tinham um interesse bem definido. Um evento como esse colocava a arte produzida em São Paulo sob os holofotes. Em um momento em que o Rio de Janeiro, então capital federal, era o grande polo cultural do Brasil e os artistas cariocas as nossas grandes estrelas, a Semana de 22 era a oportunidade de começar a mudar esse cenário e fazer com que os brasileiros olhassem para o que era criado na capital paulista.

            Da parte dos organizadores, daria para não se render a esses grandes investidores? A resposta desemboca na segunda contradição: talvez sim, se a estrutura da Semana não fosse idêntica à dos eventos tradicionais. O que não aconteceu. A Semana de 22 foi realizada no Theatro Municipal de São PauIo, principal espaço paulista dedicado à apresentação do convencional. Por que anunciar a renovação justamente no palco onde a arte convencional sempre foi exposta? Talvez para causar mais barulho, para chocar mais, para ser vista por mais olhares influentes. O fato é que não sair da caixa (ou melhor, do teatro) fez com que boa parte da plateia do evento fosse justamente a tradicional. 

Ao contrário do que aparece hoje em livros de literatura, a Semana de 22 não foi um marco na época em que foi realizada. Foi mais um evento do Theatro Municipal de São PauIo, aliás, um evento não muito bem recebido pelo público e pela crítica especializada.

            O reconhecimento só veio com o tempo. Com o passar das décadas, a liberdade defendida por aqueles jovens que pareciam loucos e a busca por uma arte que refletisse uma estética brasileira começaram a ser respeitadas e valorizadas. O que pareceu sem importância à primeira vista foi provando-se, a longo prazo, um divisor na trajetória da literatura brasileira.

            A Semana de 22 foi como a queda de uma pedra em um lago: num primeiro momento, rompe a barreira da água e causa uma ondulação pontual; mas, com o passar do tempo, essa ondulação se espalha e movimenta todo o lago à sua volta.

 

O homem amarelo e A estudante russa, de Anita Malfatti
 

[TRECHO DO POEMA Os Sapos]
 
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
 
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
– “Meu pai foi à guerra!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.
 
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.
 
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

 

ADAPTADO DE: VERRUMO, M. História Bizarra da Literatura Brasileira. São Paulo : Planeta, 2017.

CONTEXTO: TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA

Era uma vez uma menina de 15 anos, virgem e criada em Vila Rica, no interior de Minas Gerais. Certo dia, um amigo de seu tio, um português de quase 40 anos, se encantou com sua beleza e seu jeito. Em pouco tempo, o quarentão começou a namorar a jovem e, em sua homenagem, a escrever poemas, declarando seu amor e a reverenciando. O namoro durou seis anos, até que o poeta a pediu em casamento.

            Faltando uma semana para a cerimônia, o destino virou contra os enamorados. A Rainha ordenou a prisão do noivo, alegando que ele estava envolvido em uma conspiração contra o Reino. À jovem coube a solidão da espera pela sentença; ao acusado, restou colocar no papel a dor que sentia por estar longe de sua amada enquanto seu destino era selado.

            É a história de amor entre o escritor Tomás António Gonzaga e Maria Doroteia Joaquina de Seixas. As declarações em forma de poema dariam origem a um dos livros mais aclamados do arcadismo brasileiro, Marília de Dirceu.

            Gonzaga – eternizado no eu-lírico Dirceu – conheceu Maria Doroteia – a Marília dos poemas – em 1783, em uma festa na casa de um tio da moça, um advogado da elite de Vila Rica, atual Ouro Preto. O literato tinha se mudado havia pouco de Portugal para o Brasil, após terminar um curso de Leis, e na festa do amigo se apaixonou pela jovem. Escrever os poemas foi a forma que encontrou de declarar seu amor a ela:

            Os teus olhos espalham luz divina,

            A quem a luz do Sol em vão se atreve:

            Papoula, ou rosa delicada, e fina,

            Te cobre as faces, que são cor de neve.

            Os teus cabelos são uns fios d’Ouro;

Teu lindo corpo bálsamos vapora.

            Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,

            Para glória de Amor igual tesouro. 

            Eram tempos difíceis na Colônia, época em que manifestações explodiam em várias províncias, clamando pela Independência do Brasil, e a Coroa portuguesa investia em uma caça aos insurgentes. O poeta, que também era autor das Cartas chilenas, textos em que satirizava o governo colonial, acabou sendo um dos presos e investigados sob a acusação de envolvimento com a Inconfidência Mineira. Dos braços de Maria Doroteia, Tomás foi tirado e jogado em uma prisão no Rio de Janeiro. O amor, então, ressurgiu da pena do poeta, e o eu-lírico Dirceu outra vez se declarou à amada:

Nesta cruel masmorra tenebrosa

Ainda vendo estou teus olhos belos,

A testa formosa,

Os dentes nevados,

Os negros cabelos.  

Depois de três anos preso, em 1792 Tomás António Gonzaga ouviu sua sentença: seria exilado em Moçambique por uma década. Talvez ele ainda não soubesse, mas aquela era também a sentença do fim do seu relacionamento com Maria Doroteia. 

Se na vida do casal esse ano marca o ponto final da união, na literatura registra o início da popularização do amor de Dirceu por Marília. Nesse período, os poemas escritos antes de o escritor ser preso foram publicados pela primeira vez em Lisboa. A obra se tornou um sucesso tão grande de público que, em menos de duas décadas, seria reeditada sete vezes. Em território brasileiro, a primeira edição seria lançada em 1810, dois anos após a família real se mudar para o Brasil e a Imprensa Régia ser criada.

            Na arte, à medida que o romantismo do poeta se espalhava, criava-se um mito ao redor dos cônjuges. Na vida do casal, cada um seguia seu próprio caminho. E Gonzaga seguiu rapidamente. Um ano após ser enviado para o país africano, casou-se com outra mulher, com quem teve dois filhos. Em Moçambique, viveu até o resto dos seus dias, em 1810.

            Por aqui, Maria Doroteia parece não ter tido a mesma felicidade para construir uma nova família. Sozinha, continuou em Vila Rica, dedicando-se a tarefas domésticas, leitura de livros, bordados e ir à missa. A historiadora Ana Jardim, comparou o esquecimento e a solidão da musa inspiradora ao esquecimento e à solidão da própria cidade mineira em que ela vivia: “O abandono e o envelhecimento de Maria Doroteia repetem na mulher a sina de uma Vila Rica já quase abandonada. Foram as duas escasseando do ouro, da beleza, do tempo, da juventude, e se preservando do assédio dos olhares externos”. Maria Doroteia morreu em 1853.

            Quase um século após a morte da mineira, o último capítulo do amor de Marília e Dirceu seria escrito. Em meados da década de 1930, o presidente Getúlio Vargas ordenou a repatriação dos restos mortais dos inconfidentes. O corpo de Tomás António Gonzaga foi trazido de volta ao Brasil e levado ao Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Em 1955, uma década depois, o de Doroteia foi retirado do cemitério onde fora sepultado e colocado ao lado dos restos de Gonzaga. Mesmo que postumamente, o mais famoso casal da literatura árcade brasileira pôde, finalmente, ficar junto outra vez.

 


 

ADAPTADO DE: VERRUMO, M. História Bizarra da Literatura Brasileira. São Paulo : Planeta, 2017.

MAP (4) - OS ARGONAUTAS