18 setembro 2022

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 3 - 1ª SÉRIE 2022

QUESTÃO 01

Naquele tempo, ltaguaí, que, como as demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não dispunha de imprensa, tinha dois modos de divulgar uma notícia; ou por meio de cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e da matriz; – ou por meio de matraca.

            Eis em que consistia este segundo uso. Contratava-se um homem, por um ou mais dias, para andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão. De quando em quando tocava a matraca, reunia-se gente, e ele anunciava o que lhe incumbiam, – um remédio para sezões, umas terras lavradias, um soneto, um donativo eclesiástico, a melhor tesoura da vila, o mais belo discurso do ano, etc. O sistema tinha inconvenientes para a paz pública; mas era conservado pela grande energia de divulgação que possuía. Por exemplo, um dos vereadores desfrutava a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, e aliás nunca domesticara um só desses bichos; mas tinha o cuidado de fazer trabalhar a matraca todos os meses. E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam ter visto cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devida à absoluta confiança no sistema. Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo regímen mereciam o desprezo do nosso século.

ASSIS, M. O alienista. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 2 jun. 2019 (adaptado).

 

O fragmento faz uma referência irônica a formas de divulgação e circulação de informações em uma localidade sem imprensa. Ao destacar a confiança da população no sistema da matraca, o narrador associa esse recurso à disseminação de

a) campanhas políticas.

b) anúncios publicitários.  

c) notícias de apelo popular.

d) informações não fidedignas.  

e) serviços de utilidade pública.  

 

QUESTÃO 02

Ed Mort só vai

Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Tenho um escritório numa galeria de Copacabana entre um fliperama e uma loja de carimbos. Dá só para o essencial, um telefone mudo e um cinzeiro. Mas insisto numa mesa e numa cadeira. Apesar do protesto das baratas. Elas não vencerão. Comprei um jogo de máscaras. No meu trabalho o disfarce é essencial. Para escapar dos credores. Outro dia entrei na sala e vi a cara do King Kong andando pelo chão. As baratas estavam roubando as máscaras. Espisoteei meia dúzia. As outras atacaram a mesa. Consegui salvar a minha Bic e o jornal. O jornal era novo, tinha só uma semana. Mas elas levaram a agenda. Saí ganhando. A agenda estava em branco. Meu último caso fora com a funcionária do Erótica, a primeira ótica da cidade com balconista topless. Acabara mal. Mort. Ed Mort. Está na plaqueta.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort: todas as histórias. Porto Alegre: L&PM, 1997.

 

Nessa crônica, o efeito de humor é basicamente construído por uma

a) segmentação de enunciados baseada na descrição dos hábitos do personagem.

b) ordenação dos constituintes oracionais na qual se destaca o núcleo verbal.

c) estrutura composicional caracterizada pelo arranjo singular dos períodos.

d) sequenciação narrativa na qual se articulam eventos absurdos.

e) seleção lexical na qual predominam informações redundantes.

 

QUESTÃO 03

A arquitetura barroca realizou-se principalmente nos palácios e nas igrejas. A Igreja Católica queria proclamar o triunfo de sua fé, por isso realizou obras que impressionam pelo esplendor. Na Itália, por exemplo, há a praça de São Pedro (1657-1666). Um fator que merece ser assinalado é o reconhecimento de que as cercanias imediatas da obra arquitetônica eram importantes para a beleza da construção. Disso resultou a preocupação paisagística com grandes jardins dos palácios, como em Versalhes, na França, e com praças das igrejas, como a da basílica de São Pedro, no Vaticano. O trabalho realizado por Bernini para essa praça é um dos exemplos mais significativos da arquitetura e do urbanismo do século XVII na Itália.

PROENÇA, Graça. História da arte. Editora Ática. 17 ed. São Paulo. 2000.

 

Nesse período artístico, se estabeleceu a concepção de que

a) a forma elíptica do espaço em torno das igrejas era importante para a estrutura arquitetônica, porém comprometia a beleza da construção.

b) o espaço em torno da obra arquitetônica era importante para a beleza da construção, pois auxilia a suntuosidade desse monumento à fé católica.

c) a grandiosidade arquitetônica deveria ficar restrita às igrejas, portanto o palácio barroco deveria manter a simplicidade e a racionalidade.

d) o espaço externo da obra arquitetônica deveria refletir sobriedade, pois não era um elemento importante para a beleza da construção.

e) o uso de obelisco e de colunatas compromete fortemente a beleza arquitetônica do espaço em torno da igreja.

 

QUESTÃO 04

Segundo quadro

Uma sala da prefeitura. O ambiente é modesto. Durante a mutação, ouve-se um dobrado e vivas a Odorico, “viva o prefeito” etc. Estão em cena Dorotéa, Juju, Dirceu, Dulcinéa, o vigário e Odorico. Este último, à janela, discursa.

ODORICO – Povo sucupirano! Agoramente já investido no cargo de Prefeito, aqui estou para receber a confirmação, a ratificação, a autenticação e por que não dizer a sagração do povo que me elegeu.

Aplausos vêm de fora.

ODORICO – Eu prometi que o meu primeiro ato como prefeito seria ordenar a construção do cemitério.

Aplausos, aos quais se incorporam as personagens em cena.

ODORICOContinuando o discurso: Botando de lado os entretantos e partindo pros finalmente, é uma alegria poder anunciar que prafrentemente vocês lá poderão morrer descansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de que vão ser sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e cheirosa de Sucupira. E quem votou em mim, basta dizer isso ao padre na hora da extrema-unção, que tem enterro e cova de graça, conforme o prometido.

GOMES, D. O bem amado. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.

 

O gênero peça teatral tem o entretenimento como uma de suas funções. Outra função relevante do gênero, explícita nesse trecho de O bem amado, é a

a) criticar satiricamente o comportamento de pessoas públicas.

b) denunciar a escassez de recursos públicos nas prefeituras do interior.

c) censurar a falta de domínio da língua padrão em eventos sociais.

d) despertar a preocupação da plateia com a expectativa de vida dos cidadãos.

e) questionar o apoio irrestrito de agentes públicos aos gestores governamentais.

 

QUESTÃO 05

PINHÃO sai ao mesmo tempo que BENONA entra.

BENONA: Eurico, Eudoro Vicente está lá fora e quer falar com você.

EURICÃO: Benona, minha irmã, eu sei que ele está lá fora, mas não quero falar com ele.

BENONA: Mas Eurico, nós lhe devemos certas atenções.

EURICÃO: Você, que foi noiva dele. Eu, não!

BENONA: Isso são coisas passadas.

EURICÃO: Passadas para você, mas o prejuízo foi meu. Esperava que Eudoro, com todo aquele dinheiro, se tornasse meu cunhado. Era uma boca a menos e um patrimônio a mais. E o peste me traiu. Agora, parece que ouviu dizer que eu tenho um tesouro. E vem louco atrás dele, sedento, atacado de verdadeira hidrofobia. Vive farejando ouro, como um cachorro da molest’a, como um urubu, atrás do sangue dos outros. Mas ele está enganado. Santo Antônio há de proteger minha pobreza e minha devoção

SUASSUNA, A. O santo e a porca. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013

 

Nesse texto teatral, o emprego das expressões “o peste” e “cachorro da molest’a” contribui para

a) marcar a classe social das personagens.

b) caracterizar usos linguísticos de uma região.

c) enfatizar a relação familiar entre as personagens.

d) sinalizar a influência do gênero nas escolhas vocabulares.

e) demonstrar o tom autoritário da fala de uma das personagens.

 

 

QUESTÃO 06

O humor da tira decorre da reação de uma das cobras com relação ao uso de pronome pessoal reto, em vez de pronome oblíquo. De acordo com a norma padrão da língua, esse uso é inadequado, pois

 

a) contraria o uso previsto para o registro oral da língua.

b) contraria a marcação das funções sintáticas de sujeito e objeto.

c) gera inadequação na concordância com o verbo.

d) gera ambiguidade na leitura do texto.

e) apresenta dupla marcação de sujeito.

 

 

QUESTÃO 07

E a indústria de alimentos na pandemia?

            O editorial da edição de 10 de junho do British Medical Journal, assinado por professores da Queen Mary University of London, na Inglaterra, propõe uma reflexão tão interessante que vale provocá-la entre nós, aqui também: a pandemia de Covid-19 deveria tornar ainda mais urgente o combate à outra pandemia, a de obesidade.

            O excesso de peso, por si só, já é um fator de risco importante para o agravamento da infecção pelo Sars-CoV 2, como lembram os autores. A probabilidade de uma pessoa com obesidade severa morrer de Covid-19 chega a ser 27% maior do que a de indivíduos com obesidade grau 1, isto é, com um índice de massa corporal entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado, de acordo com a plataforma de registros OpenSAFELY. [...]

A impressão é de que as indústrias de alimentos verdadeiramente preocupadas com a população, cada vez mais acometida pela obesidade, deveriam aproveitar a crise atual para botar a mão na consciência, parar de promover itens pouco saudáveis e reformular boa parte do seu portfólio. As mortes por Covid-19 dão a pista de que essa é a maior causa que elas poderiam abraçar no momento.

Disponível em: https://abeso.org.br/e-a-industria-de-alimentosna-pandemia. Publicado em 30 de junho de 2020. Acesso em: 9 mar. 2021. (Adaptado.)

 

Em “[…] a pandemia de Covid-19 deveria tornar ainda mais urgente o combate à outra pandemia, a da obesidade”, a classe de palavra a que pertence o vocábulo destacado é

a) pronome demonstrativo.

b) pronome pessoal do caso oblíquo.

c) pronome pessoal do caso reto.

d) preposição.

e) artigo.

 

QUESTÃO 08

Leia Quem sabe um dia

Quem sabe um seremos

Quem sabe um viveremos

Quem sabe um morreremos!

 

Quem é que

Quem é macho

Quem é fêmea

Quem é humano, apenas!

 

Sabe amar

Sabe de mim e de si

Sabe de nós

Sabe ser um!

 

Um dia

Um mês

Um ano

Um(a) vida

QUINTANA, Mário. Antologia Poética, 5ª edição. Rio de Janeiro. Ed. Alfaguara.

 

Na última estrofe do poema, o autor utilizou, como recurso de expressividade, a(o)

a) exagero linguístico.

b) ordem inversa.

c) expectativa frustrada.

d) progressão temporal.

e) sentimentalização excessiva.

 

QUESTÃO 09

Ultra aequinoxialem non peccari

            A primeira vez que deparei com a má­xima que encabeça este artigo foi ouvindo “Não Existe Pecado ao Sul do Equador”, de Chico Buarque e Rui Guerra. A canção, que fazia parte originalmente da peça Cala­bar (banida pela censura no início dos anos 70), ganhou vida própria na voz insinuante e melindrosa de Ney Matogrosso, como tema da novela Pecado Rasgado, da TV Globo, em 1978. Tempos de diástole. Anos mais tarde, voltei a tropeçar nela. Curiosamen­te, a máxima aparecia em nota de rodapé de Raízes do Brasil (1936), obra-prima do historiador paulista (e pai de Chico) Sérgio Buarque de Holanda:

            “Corria na Europa, durante o século 17, a crença de que aquém da linha do Equador não existe nenhum pecado: Ultra aequinoxialem non peccari. Barlaeus, que mencio­na o ditado, comenta-o, dizendo: ‘Como se a linha que divide o mundo em dois hemisfé­rios também separasse a virtude do vício’”. [...]

            Mas o que despertou o meu interesse pela máxima seiscentista não foi a mera pai­xão de antiquário – a curiosidade ociosa que impele o historiador de ideias ao encalço, por vezes febril, de uma genealogia recôndita1. Foi a súbita percepção do uso diame­tralmente oposto que pai e filho – historiador e poeta – fizeram dela. [...]

            Onde o historiador lamenta, o composi­tor festeja. A canção de Chico e Guerra nos convida a desfrutar o instante – “ubi bene, ibi patria” (“onde se está bem, aí é a pátria”) – e faz a celebração dionisíaca do excesso e da libidinagem.

Eduardo Giannetti, economista, professor, Folha de S.Paulo, 4 de março de 1999

 

recôndita: escondida, oculta.

 

Na frase: “A primeira vez que deparei com a máxima que encabeça este artigo”, o uso do pronome demonstrativo “este” se deve ao fato de:

a) referir-se ao elemento mais próximo (“artigo”) em oposição ao mais distante (“máxima”).

b) tratar-se de um assunto (“artigo”) que ain­da vai ser dito ou mencionado.

c) tratar-se de um assunto (“artigo”) que já foi dito ou mencionado.

d) o elemento a que se refere (“máxima”) es­tar próximo da primeira pessoa, próximo do emissor, no caso, o autor do texto.

e) elemento a que se refere (“artigo”) es­tar próximo da segunda pessoa, próximo do receptor, no caso, o leitor.

 

QUESTÃO 10

Há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. O jogo de tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo como bolha de sabão. O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha, sempre perde.

            Já no frescobol é diferente. O sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois sabe-se que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. Assim cresce o amor. Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim […].

ALVES, R. Tênis X Frescobol. As melhores crônicas de Rubem Alves. Campinas: Papirus, 2012.

 

O texto de Rubem Alves faz uma analogia entre dois jogos que utilizam raquetes e as diferentes formas de as pessoas se relacionarem afetivamente, de modo que

a) o tênis indica um jogo em que a cooperação predomina, o que representa o distanciamento na relação entre as pessoas.

b) o tênis indica um jogo em que a competição é predominante, o que representa um sonho comum no relacionamento entre pessoas.

c) o frescobol indica um jogo em que a cooperação prevalece, o que simboliza o compartilhamento de sonhos entre as pessoas no relacionamento.

d) o frescobol indica um jogo em que a competição prevalece, o que simboliza um relacionamento em que uma pessoa busca destruir o sonho da outra.

e) o frescobol e o tênis indicam, respectivamente, situações de competição e cooperação, o que ilustra os diferentes sonhos das pessoas no relacionamento.

 

QUESTÃO 11

Seixas era homem honesto; mas ao atrito da secretaria e ao calor das salas, sua honestidade havia tomado essa têmpera flexível da cera que se molda às fantasias da vaidade e aos reclamos da ambição.

            Era incapaz de apropriar-se do alheio, ou de praticar um abuso de confiança; mas professava a moral fácil e cômoda, tão cultivada atualmente em nossa sociedade.

            Segundo essa doutrina, tudo é permitido em matéria de amor; e o interesse próprio tem plena liberdade, desde que se transija com a lei e evite o escândalo.

ALENCAR, J. Senhora. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7 out. 2015.

 

A literatura romântica reproduziu valores sociais em sintonia com seu contexto de mudanças. No fragmento de Senhora, as concepções românticas do narrador repercutem a

a) resistência à relativização dos parâmetros éticos.

b) idealização de personagens pela nobreza de atitudes.

c) crítica aos modelos de austeridade dos espaços coletivos.

d) defesa da importância da família na formação moral do indivíduo.

e) representação do amor como fator de aperfeiçoamento do espírito.  

  

QUESTÃO 12

Leia a posteridade, ó pátrio Rio,

Em meus versos teu nome celebrado,

Por que vejas uma hora despertado

O sono vil do esquecimento frio:

 

Não vês nas tuas margens o sombrio,

Fresco assento de um álamo copado;

Não vês ninfa cantar, pastar o gado

Na tarde clara do calmoso estio.

 

Turvo banhando as pálidas areias

Nas porções do riquíssimo tesouro

O vasto campo da ambição recreias.

 

Que de seus raios o planeta louro

Enriquecendo o influxo em tuas veias,

Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.

COSTA, C. M. Obras poéticas de Glauceste Satúrnio. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.

 

A concepção árcade de Cláudio Manuel da Costa registra sinais de seu contexto histórico, refletidos no soneto por um eu lírico que

a) busca o seu reconhecimento literário entre as gerações futuras.

b) contempla com sentimento de cumplicidade a natureza e o pastoreio.

c) lamenta os efeitos produzidos pelos atos de cobiça e pela indiferença.

d) encontra na simplicidade das imagens a expressão do equilíbrio e da razão.

e) recorre a elementos mitológicos da cultura clássica como símbolos da terra.

 

QUESTÃO 13

O laço de fita

 

Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...

Prendi meus afetos, formosa Pepita.

 

Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!

Não rias, prendi-me

Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,

Nos negros cabelos de moça bonita,

Fingindo a serpente qu’enlaça a folhagem,

 

 Formoso enroscava-se

O laço de fita. [...]

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale

Abrirem-me a cova... formosa Pepita!

 

 Ao menos arranca meus louros da fronte,

E dá-me por c’roa...

Teu laço de fita.

ALVES, C. Espumas flutuantes. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.

 

Exemplo da lírica de temática amorosa de Castro Alves, o poema constrói imagens caras ao Romantismo. Nesse fragmento, o lirismo romântico se expressa na

a) representação infantilizada da figura feminina.

b) criatividade inspirada em elementos da natureza.

c) opção pela morte como solução para as frustrações.

d) ansiedade com as atitudes de indiferença da mulher.

e) fixação por signos de fusão simbólica com o ser amado.

 

QUESTÃO 14

Largo em sentir, em respirar sucinto,

Peno, e calo, tão fino, e tão atento,

Que fazendo disfarce do tormento

Mostro que o não padeço, e sei que o sinto.

 

O mal, que fora encubro, ou que desminto,

Dentro no coração é que o sustento:

Com que, para penar é sentimento,

Para não se entender, é labirinto.

 

Ninguém sufoca a voz nos seus retiros;

Da tempestade é o estrondo efeito:

Lá tem ecos a terra, o mar suspiros.

 

Mas oh do meu segredo alto conceito!

Pois não me chegam a vir à boca os tiros

Dos combates que vão dentro no peito.

Gregório de Matos e Guerra

 

No soneto, o eu lírico:

a) Expressa um conflito que confirma a imagem pública do poeta, conhecido pelo epíteto de “o Boca do Inferno”.

b) Opta por sufocar a própria voz como estratégia apaziguadora de suas perturbações de foro íntimo.

c) Explora a censura que o autor sofreu em sua época, ao ser impedido de dar expressão aos seus sentimentos.

d) Estabelece, nos tercetos, um contraponto semântico entre as metáforas da natureza e da guerra.

e) Revela-se como um ser atormentado, ao mesmo tempo que omite a natureza de seu sofrimento.

 

 

QUESTÃO 15

 Leia o diálogo entre um adolescente e seus pais:

- Achamos que você passa tempo demais batendo papo na internet...

- naum eh verdade >:-(

 

Na linguagem do filho, constata-se

a) a falta de comunicação entre os personagens.

b) uma linguagem acessível a todos e de fácil compreensão.

c) uma linguagem de mídia, comprovando o comentário dos pais.

d) uma linguagem adequada do filho consoante as normas da língua.

e) o exagero da mãe na observação sobre o tempo de uso do filho na internet.

 

 

QUESTÃO 16

A obra Paisagem italiana (1805), do pintor alemão Jakob Philipp Hackert (1737-1807), remete, sobretudo, ao ideário do

a) Realismo.

b) Romantismo.

c) Arcadismo.

d) Barroco.

e) Naturalismo.

 

QUESTÃO 17

Leia o trecho abaixo, retirado de I-Juca Pirama, obra de Gonçalves Dias.

 

Da tribo pujante,

Que agora anda errante

Por fado inconstante,

Guerreiros, nasci:

Sou bravo, sou forte,

sou filho do norte,

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi.

 

Trata-se de um(a):

a) poema lírico.

b) poema épico.

c) cantiga de amigo.

d) novela de cavalaria.

e) auto de fundo religioso.

 

QUESTÃO 18

Leia o fragmento e observe a imagem para responder à questão.

É ela! é ela! – murmurei tremendo,

e o eco ao longe murmurou – é ela!

Eu a vi... minha fada aérea e pura –

a minha lavadeira na janela.

 

Dessas águas furtadas onde eu moro

eu a vejo estendendo no telhado

os vestidos de chita, as saias brancas;

eu a vejo e suspiro enamorado!

 

Esta noite eu ousei mais atrevido,

nas telhas que estalavam nos meus passos,

ir espiar seu venturoso sono,

vê-la mais bela de Morfeu nos braços!

 

Como dormia! que profundo sono!...

Tinha na mão o ferro do engomado...

Como roncava maviosa e pura!...

Quase caí na rua desmaiado!

AZEVEDO, Álvares de. É ela! É ela! É ela! É ela. In: Álvares de Azevedo. São Paulo: Abril Educação, 1982. p. 44.

 

Tanto a pintura quanto o excerto apresentados pertencem ao Romantismo. A diferença entre ambos, porém, diz respeito ao fato de que

a) no fragmento verifica-se o retrato de um ser idealizado, ao passo que no quadro tem-se uma figura retratada de modo pejorativo.

b) na pintura tem-se o retrato de uma mulher de feições austeras, ao passo que no poema nota-se a descrição de uma mulher sofisticada.

c) no excerto tem-se a descrição realista e não idealizada de uma mulher, ao passo que na pintura retrata-se uma mulher idealizada.

d) na imagem tem-se uma moça cuja caracterização é abstrata, ao passo que no poema tem-se uma mulher cujo aspecto é burguês e requintado.

e) no quadro constata-se a imagem de uma moça simplória, ao passo que no poema nota-se a caracterização de uma donzela de vida airada.

 

 

QUESTÃO 19

Leia o diálogo:

            - Detesto anglicismos, isso é coisa de loser

            - Fora que é totalmente out.

 

Nas falas, o efeito de humor é conseguido por meio

a) da alteração do sentido de termos estrangeiros.

b) da utilização de um texto construído em português castiço.

c) da incoerência entre o conteúdo da fala e a escolha lexical.

d) de uma escolha lexical que evidencia a erudição linguística.

e) de uma postura preconceituosa em relação ao uso de coloquialismos.  

 

 

QUESTÃO 20

Amor na escola

Duas da madrugada. O casal que discute no andar de baixo está tentando aprender. Eles pensavam que era só vestir branco, caprichar na decoração e fazer os convites chegarem a tempo. Mas não. Na escola, até logaritmo nos foi ensinado. Decoramos a tabela periódica. Nos empurraram química orgânica. Mas nada nos foi dito sobre o amor

GUERRA, C. Disponível em: http://vejabh.abriI.com.br.

 

Qual é o recurso que identifica esse texto como uma crônica?

a) A referência a um fato do cotidiano na vida de um casal.

b) A marcação do tempo em “Duas da madrugada”.

c) A descrição do espaço em “andar de baixo”.

d) A enumeração de conteúdos escolares.

e) A utilização dupla da conjunção “mas”.

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 3 - 9º ANO 2022

QUESTÃO 01

Texto para a questão a seguir.

            No livro “1984”, de George Orwell, é retratado um futuro distópico em que um Estado totalitário controla e manipula toda forma de registro histórico e contemporâneo, a fim de moldar a opinião pública a favor dos governantes. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Winston, um funcionário do contraditório Ministério da Verdade que diariamente analisa e altera notícias e conteúdos midiáticos para favorecer a imagem do Partido e formar a população através de tal ótica. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Orwell pode ser relacionada ao mundo cibernético do século XXI: gradativamente, os algoritmos e sistemas de inteligência artificial corroboram para a restrição de informações disponíveis e para a influência comportamental do público, preso em uma grande bolha sociocultural. [...]

            Por conseguinte, presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da coletividade cibernética: ao observar somente o que lhe interessa e o que foi escolhido para ele, o indivíduo tende a continuar consumindo as mesmas coisas e fechar os olhos para a diversidade de opções disponíveis. Em um episódio da série televisiva Black Mirror, por exemplo, um aplicativo pareava pessoas para relacionamentos com base em estatísticas e restringia as possibilidades para apenas as que a máquina indicava – tornando o usuário passivo na escolha. Paralelamente, esse é o objetivo da indústria cultural para os pensadores da Escola de Frankfurt: produzir conteúdos a partir do padrão de gosto do público, para direcioná-lo, torná-lo homogêneo e, logo, facilmente atingível. [...]

            Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalhem o funcionamento dos algoritmos inteligentes nessas ferramentas e advirtam os internautas do perigo da alienação, sugerindo ao interlocutor criar o hábito de buscar informações de fontes variadas e manter em mente o filtro a que ele é submetido. Somente assim será possível combater a passividade de muitos dos que utilizam a internet no país e, ademais, estourar a bolha que, da mesma forma que o Ministério da Verdade construiu em Winston de “1984”, as novas tecnologias estão construindo nos cidadãos do século XXI. 

Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/03/19/enem-2018-leia-redacoes-nota-mil.ghtml.

 

O texto anterior é uma redação produzida com o tema “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. Como toda dissertação, o autor determinou um ponto de vista e construiu o texto em defesa de seus argumentos. No parágrafo introdutório, o redator apresentou as possíveis consequências da manipulação de dados. Tais efeitos seriam

a) a ausência de informação e o controle comportamental.

b) a precariedade de informação e o controle total de comportamento.

c) a restrição informacional e a influência no comportamento da população.

d) a fluidez nas informações e o raciocínio limitado.

e) o acesso à informação e o desenvolvimento do senso crítico.

 

 

QUESTÃO 02

Releia o trecho:

“Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Winston, um funcionário do contraditório Ministério da Verdade que diariamente analisa e altera notícias e conteúdos midiáticos para favorecer a imagem do Partido e formar a população através de tal ótica.”

A partir da flexão do adjetivo, em destaque, pode-se entender que

a) quando o termo caracteriza substantivos com gêneros diferentes, o adjetivo deve ser flexionado no masculino e no plural.

b) há informalidade, uma vez que o adjetivo deveria concordar com o substantivo “notícias”.

c) o adjetivo caracteriza um sujeito oculto na oração, por isso é flexionado no masculino.

d) não se trata de um adjetivo de fato, já que o termo tem como origem a palavra mídia.

e) o correto seria mencionar tanto a expressão “midiáticas” quanto “midiáticos” para caracterizar “notícias” e “conteúdos”, respectivamente.

 

QUESTÃO 03

Releia o trecho:

“Por conseguinte, presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da coletividade cibernética: ao observar somente o que lhe interessa e o que foi escolhido para ele, o indivíduo tende a continuar consumindo as mesmas coisas e fechar os olhos para a diversidade de opções disponíveis.”

Em relação à regência do verbo “presenciar”, é correto afirmar que ele é

a) transitivo direto e seu complemento seria a expressão “no comportamento”.

b) intransitivo, portanto, não possui complemento verbal.

c) um verbo de ligação e apresenta apenas um predicativo do sujeito.

d) transitivo indireto, já que seu complemento é preposicionado.

e) transitivo direto e seu complemento seria a expressão “um forte poder de influência”.

 

QUESTÃO 04

Uma das competências exigidas nas redações feitas para o Enem é a proposta de intervenção. Trata-se do momento em que o redator demonstra a capacidade de refletir sobre determinados problemas e, a partir deles, propor soluções. Os vestibulandos, para construir a intervenção, idealizam: o agente interventor, o instrumento para modificar o problema, a ação do agente e o objetivo da intervenção. Na proposta do autor, no último parágrafo do texto, o instrumento que viabiliza a intervenção no problema indicado é

a) o Ministério de Educação e Cultura.

b) o emprego de verbas governamentais.

c) a busca pela informação.

d) o estouro da “bolha social”.

e) a construção de novos cidadãos do século XXI.

 

QUESTÃO 05

Releia o trecho:

“Somente assim será possível combater a passividade de muitos dos que utilizam a internet no país e, ademais, estourar a bolha que, da mesma forma que o Ministério da Verdade construiu em Winston de “1984”, as novas tecnologias estão construindo nos cidadãos do século XXI.”

Ao trocar o verbo “combater” pelo substantivo “combate”, é correto afirmar que

a) não haveria necessidade do acento grave, já que o verbo não é regido por crase.

b) o acento grave seria facultativo, pois pode-se seguir a regência do verbo ou do nome.

c) a crase passaria a ser obrigatória, em razão da regência do substantivo.

d) não é possível fazer a troca do verbo pelo substantivo, tendo em vista que a frase ficaria informal.

e) não se usaria a crase, pois haveria dois objetos indiretos.

 

 

QUESTÃO 06

Leia Texto para a questão a seguir.

 

“Ainda há histórias para contar” no universo Breaking Bad, diz Vince Gilligan 

Vince Gilligan, o criador de Breaking Bad e Better Call Saul, acha que esse universo ficcional ainda não se esgotou – mas deve passar pelo menos algum tempo afastado dele mesmo assim.

            Em conversa com o Deadline, o roteirista contou que está trabalhando em um projeto "totalmente diferente do que fez antes", mas não descartou voltar a Breaking Bad no futuro.

            “Ainda há histórias para contar [neste universo], mas quando digo que estou fazendo algo diferente, não é para provar algo para o mundo. É para provar algo para mim”, esclareceu ele.

            Colega de Gilligan em Better Call Saul, Peter Gould deu resposta semelhante: “Eu amo esses personagens e este mundo. Talvez um dia possamos voltar – mas, pessoalmente, quero tirar uma folga disso e tentar algo diferente”.

            Além do derivado focado no personagem de Bob Odenkirk, Breaking Bad já originou também o filme El Camino, que acompanha a jornada de Jesse Pinkman (Aaron Paul) depois da série original.

            A sexta e última temporada de Better Call Saul contará com 13 episódios divididos em duas partes: os sete primeiros começam a ser exibidos em 19 de abril, e os seis últimos em 11 de julho. 

Disponível em: https://www.omelete.com.br/breaking-bad/vince-gilligan-mais-historias.

 

O texto apresenta dois objetivos claros, um presente na primeira parte da notícia e outro, ao final. As intenções textuais são

a) detalhar a saída do criador da série e explicar os motivos que o levaram a essa decisão.

b) demonstrar que a série foi renovada e que haverá mudanças no elenco.

c) chamar a atenção para o esgotamento dos criadores da série e alertar sobre o cansaço mental.

d) revelar o afastamento dos criadores da série e divulgar a última temporada.

e) cativar o público ao informar o fim da série e demonstrar apoio à saída de seus criadores.

 

 

QUESTÃO 07

Releia o título da notícia:

“‘Ainda histórias para contar’ no universo Breaking Bad, diz Vince Gilligan”

Em relação ao núcleo oracional destacado no trecho anterior, pode-se afirmar que

a) o sujeito da oração é simples.

b) houve indeterminação do agente verbal.

c) existem dois núcleos na composição do sujeito.

d) no caso em questão, o sujeito é inexistente.

e) ocorreu uma elipse, ou seja, apagamento do sujeito.

 

 

QUESTÃO 08

Releia o título da notícia:

“‘Ainda histórias para contar’ no universo Breaking Bad, diz Vince Gilligan”

Caso houvesse a necessidade de alterar o verbo em destaque por um correspondente, mantendo a formalidade do texto, o indicado seria:

a) existem

b) ocorrem

c) acontecem

d) tem

e) aparecem

 

QUESTÃO 09

A placa de aviso reproduzida a seguir apresenta um desvio de concordância nominal.

 

A placa não está de acordo com a norma-padrão, pois

a) não deveria ser utilizado um artigo antes do substantivo.

b) o adjetivo “necessário” deveria ter sido usado no feminino.

c) o substantivo “necessário” não deveria sofrer flexão de gênero.

d) o adjetivo “necessário” pertence ao gênero neutro, e, portanto, deveria estar no feminino.

e) “necessário” é verbo e sofre flexão em número e pessoa, mas não em gênero.

 

QUESTÃO 10

Leia o fragmento do texto a seguir. Nele, discute-se a produção de lixo no Brasil. 

De todo o resíduo produzido em 2018, 72,7 milhões de toneladas______ coletadas, uma alta de 1,66% em comparação com 2017, mas 6,3 milhões de toneladas de resíduos nem sequer foram recolhidas junto aos locais de geração. Mesmo com uma melhora na cobertura da coleta, ainda há um contingente considerável de pessoas que não são alcançadas por serviços de coleta: um em cada 12 brasileiros não _______ coleta regular de lixo na porta de casa. 

Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2019/11/epoca-negocios-producao-de-lixo-no-brasil-cresce-mais-que-capacidade-para-lidar-com-residuos.html.

 

Para preencher adequadamente as lacunas verbais no trecho anterior, os verbos mais adequados, seguindo as regras de concordância verbal, são:

a) "foi" e "tem", respectivamente.

b) "foram" e "têm", respectivamente.

c) "foram" e "tem", respectivamente.

d) "foi" e "têm", respectivamente.

e) "tem" e "foi", respectivamente. 

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 3 - 7º ANO 2022

QUESTÃO 01

Imagem para a questão a seguir.

Glossário

Contraventor: aquele que infringe leis ou regulamentos; infrator, transgressor.

 

As tirinhas baseiam a sua construção na quebra de expectativa que conduz ao riso e à reflexão. Uma quebra de expectativa presente na tirinha consiste no fato de

a) o animal ser capaz de se expressar oralmente.

b) a tirinha reproduzir fielmente a linguagem jornalística.

c) o tom de certeza comum ao jornal ser desconstruído.

d) o leitor ter de preencher o entendimento da tirinha.

 

QUESTÃO 02

De forma simplista, define-se o sujeito como aquele que pratica a ação. Na tirinha, a oração “Supostos contraventores teriam sido detidos por prováveis suspeitas” desmente essa definição, pois

a) constitui uma situação em que a oração não tem sujeito.

b) houve concordância entre a locução verbal e o sujeito.

c) ocorre indeterminação do agente da ação de deter.

d) o sujeito se coloca como paciente da ação de ser detido.

 

QUESTÃO 03

                            

A língua portuguesa não contempla o uso da locução prepositiva “a nível de”. Sem prejuízo de sentido, ela poderia ser substituída por:

a) por causa de.

b) apesar de.

c) de acordo com.

d) a respeito de.

 

QUESTÃO 04

No último quadrinho, as palavras “para” e “de” cumprem o mesmo propósito na organização textual, porque

a) conectam outras palavras.

b) completam o sentido do enunciado.

c) substituem palavras já mencionadas.

d) expressam circunstâncias ao verbo.

 

 

QUESTÃO 05

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.

Gostei mais de um menino

que carregava água na peneira.

 

A mãe disse que carregar água na peneira

era o mesmo que roubar um vento e

sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

 

A mãe disse que era o mesmo

que catar espinhos na água.

O mesmo que criar peixes no bolso.

 

O menino era ligado em despropósitos.

Quis montar os alicerces

de uma casa sobre orvalhos.

 

A mãe reparou que o menino

gostava mais do vazio, do que do cheio.

Falava que vazios são maiores e até infinitos.

 

Com o tempo descobriu que

escrever seria o mesmo

que carregar água na peneira.

 

No escrever o menino viu

que era capaz de ser noviça,

monge ou mendigo ao mesmo tempo.

 

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.

Até fez uma pedra dar flor.

 

A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!

Você vai carregar água na peneira a vida toda.

 

Você vai encher os vazios

com as suas peraltagens,

e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos! 

(BARROS, Manoel de. Meu quintal é maior do que o mundo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p. 114.)

 

No poema de Manoel de Barros, mais especificamente no verso “até fez uma pedra dar flor” (v. 24), a relação do poeta com a representação da realidade pode ser entendida como 

a) cópia.  

b) negação.   

c) releitura. 

d) aceitação.

 

 

QUESTÃO 06

Quando estudamos os pronomes pessoais, aprendemos que os retos, basicamente, funcionam como sujeito e que os oblíquos não atuam como sujeito. A respeito disso, o pronome “ele”, nos versos transcritos acima,

a) desrespeita as normas gramaticais, pois o pronome reto está deslocado de sua função.

b) demonstra inovação linguística, pois o pronome reto deixa de atuar como sujeito.

c) é analisado como oblíquo tônico, pois não atua como sujeito e é antecedido por preposição.

d) obedece às normas gramaticais, pois permanece pronome reto mesmo não sendo sujeito.

 

 

QUESTÃO 07

Caso o verso “Tenho um livro sobre águas e meninos.” fosse escrito com a presença do adjetivo “misterioso” na caracterização dos substantivos, obteríamos, segundo a norma-padrão, a seguinte redação:

a) Tenho um livro sobre águas e meninos misteriosos.

b) Tenho um livro sobre misteriosos águas e meninos.

c) Tenho um livro sobre águas e meninos misteriosas.

d) Tenho um livro sobre águas misteriosas e meninos.

 

QUESTÃO 08

O predicado nominal contribui, na organização textual, para a caracterização do sujeito. Um exemplo desse tipo de recurso está presente em:

a) “sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.” (v. 6)

b) “Quis montar os alicerces” (v. 11)

c) “que era capaz de ser noviça,” (v. 20)

d) “A mãe reparava o menino com ternura.” (v. 25)

 

QUESTÃO 09

Ao longo dos estudos da sintaxe, veremos que a preposição exerce papel relevante na introdução de diversos termos da oração. O termo introduzido por uma preposição com valor de causa está sublinhado em:

a) “Gostei mais de um menino” (v. 2)

b) “O menino era ligado em despropósitos.” (v. 10)

c) “A mãe reparava o menino com ternura.” (v. 25)

d) “e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!” (v. 30)

 

QUESTÃO 10

A regra que exige a acentuação do substantivo “despropósitos” repete-se em

a) possível.

b) tímpano.

c) cafézinho.

d) ambíguo.

MAP (4) - OS ARGONAUTAS