31 outubro 2026

INTRODUÇÃO À OBRA: OS FUNERAIS DA MAMÃE GRANDE (2)

 



Questão 1

O texto a seguir foi retirado da autobiografia de Gabriel García Márquez, autor de Os funerais da Mamãe Grande. No trecho, o autor recorda um acontecimento de sua infância ao visitar a cidade natal em companhia da mãe.

Ao dobrarmos a esquina, o pó queimava meus pés através dos tecidos das sandálias. A sensação de desamparo tornou-se insuportável para mim. Então me vi e vi minha mãe, do jeito que quando eu era menino vi a mãe e a irmã do ladrão que Maria Consuegra tinha matado com um tiro uma semana antes, quando tratava de forçar a porta de sua casa.

Às três da madrugada ela havia despertado com o ruído de alguém que, do lado de fora, tentava forçar a porta da rua. Levantou sem acender a luz, buscou às apalpadelas no guarda-roupa um revólver arcaico que ninguém havia disparado desde a Guerra dos Mil Dias e localizou na escuridão não apenas o lugar onde estava a porta mas também a altura exata da fechadura. Então apontou a arma com as duas mãos, fechou os olhos e apertou o gatilho. Nunca havia disparado antes, mas o tiro acertou o alvo através da porta.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Viver para contar. Trad. Eric Nepomuceno. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 25-26.

 

Esse trecho serviria de inspiração para o enredo do conto:

a) “Nesta terra não há ladrões”.

b) “A viúva Montiel”.

c) “A sesta de terça-feira”.

d) “Um dia depois do sábado”.

 

Questão 2

O conto “Um dia desses”, de Gabriel García Márquez, narra a visita que um alcaide (prefeito) faz a um dentista.

Enquanto o dentista lavava as mãos, olhou o teto esburacado e uma teia de aranha empoeirada com ovos de aranha e insetos mortos. O dentista voltou enxugando as mãos. “Vá para a cama – disse – e faça bochechos com água e sal.” O alcaide levantou-se, despediu-se com uma displicente continência, e dirigiu-se à porta esticando as pernas, sem abotoar o dólmã.

– Mande-me a conta – disse.

– Ao senhor ou ao município?

O alcaide não o olhou. Fechou a porta, e disse através da tela metálica:

– Dá no mesmo.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Um dia desses. In: GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. Trad. Édson Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 24.

 

Na fala final do alcaide, revela-se um traço de:

a) riqueza pessoal.

b) falta de recursos.

c) incompatibilidade moral.

d) corrupção oficial.

 

Questão 3

O conto “Nesta terra não há ladrões”, de Os funerais da Mamãe Grande, tem como episódio central um roubo perpetrado contra o salão de bilhar de um pequeno povoado do interior da Colômbia. Leia o trecho reproduzido a seguir e, à luz do enredo, responda ao que se pede.

[...] Era uma boa noite de junho, e nos momentos vazios em que só se percebia o ruído de chuvisco do projetor, pesava sobre o cinema sem teto o silêncio das estrelas.

De repente, as imagens da tela empalideceram e houve um estrépito no fundo da plateia. Na claridade repentina, Dámaso sentiu-se descoberto e marcado, e resolveu correr. Mas em seguida viu o público da plateia, paralisado, e um soldado, com o cinturão enrolado na mão, golpeando raivosamente um homem com a pesada fivela de cobre. Era um negro monumental. As mulheres começaram a gritar, e o soldado que batia no negro se pôs a berrar por cima dos gritos das mulheres: “Ladrão! Ladrão!” O negro rodou por entre as fileiras de cadeiras, perseguido por dois soldados que o golpearam nos rins até que puderam agarrá-lo pelas costas. Então o que o açoitara amarrou-lhe os cotovelos por trás com a correia e os três o empurraram em direção à porta. Tudo se passou com tanta rapidez, que Dámaso só compreendeu o ocorrido quando o negro passou junto a ele, com a camisa rasgada e a cara lambuzada por uma massa de pó, suor e sangue, soluçando: “Assassinos, assassinos.” Depois apagaram as luzes e recomeçou o filme.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Nesta terra não há ladrões. In: GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. Trad. Édson Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 37.

 

A reação inicial de Dámaso, no trecho, indica:

a) a culpa que sente, em função dos acontecimentos narrados no conto.

b) sua covardia, reafirmada na acusação que viria a fazer ao falso ladrão.

c) sua disposição de auxiliar a polícia na prisão do verdadeiro ladrão.

d) o desejo de evadir-se da cidade, após ser cúmplice do roubo.

 

Questão 4

 “A gaiola estava pronta. [...] Veio tanta gente para vê-la que se formou um tumulto em frente à casa e Baltazar teve que tirá-la e fechar a carpintaria.” Assim se inicia o conto “A prodigiosa tarde de Baltazar”, do livro Os funerais da Mamãe Grande. Indique justificativas para o título da narrativa em função:

a) da confecção da gaiola.

b) da relação com os poderosos.

c) da relação com os moradores da cidade.

 

Questão 5

O trecho a seguir se refere à protagonista do conto “Os funerais da Mamãe Grande”, da obra homônima. Leia-o para responder ao que se pede.

[...] Durante o presente século, a Mamãe Grande fora o centro de gravidade de Macondo, como seus irmãos, seus pais e os pais de seus pais o foram no passado, em uma hegemonia que preenchia dois séculos. A aldeia foi fundada em torno de seu nome. Ninguém conhecia a origem, nem o limite nem o valor real do patrimônio, mas todo mundo acostumara-se a acreditar que a Mamãe Grande era dona das águas correntes e paradas, chovidas e por chover, e dos caminhos vicinais, dos postes do telégrafo, dos anos bissextos e do calor e que tinha além disso um direito herdado sobre vida e fazendas. Quando se sentava para gozar a fresca da tarde na varanda de sua casa, com todo o peso de suas vísceras e de sua autoridade aplastado em sua velha cadeira de balanço de cipó, parecia de fato infinitamente rica e poderosa, a matrona mais rica e poderosa do mundo.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. In: GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. Trad. Édson Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 131-132.

 

Como a imagem de Mamãe Grande construída no trecho se aproxima da estrutura da sociedade patriarcal convencional? E em que medida se distancia dela? Justifique com trechos do texto.

 

Questão 6

No conto “Os funerais da Mamãe Grande”, por ocasião dos funerais da personagem, os moradores mais antigos da cidade se recordavam de sua ascensão ao poder, ainda jovem.

Os velhos recordavam como uma alucinação da juventude os duzentos metros de tapete que se estenderam da casa-grande até o altar-mor, na tarde em que Maria del Rosário Castañeda y Montero assistiu aos funerais de seu pai, e voltou pela rua atapetada investida de sua nova e irradiante dignidade, transformada aos 22 anos de idade na Mamãe Grande. Aquela visão medieval pertencia então não só ao passado da família, como ao passado da nação. Cada vez mais imprecisa e distante, visível somente em seu balcão sufocado então pelos gerânios nas tardes de calor, Mamãe Grande esfumava-se em sua própria lenda.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. In: GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. Trad. Édson Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 143.

 

a) Com base no trecho anterior, explicite a dimensão terrena e a dimensão mítica da personagem.

b) Duas figuras presentes nos funerais representam, respectivamente, cada uma dessas dimensões. Indique-as e justifique sua resposta.

 

Questão 7

Leia o trecho a seguir, retirado do conto “A viúva Montiel”, de Os funerais da Mamãe Grande.

Quando o Sr. José Montiel morreu, todo mundo se sentiu vingado, menos sua viúva; mas foram precisas várias horas para que todo mundo acreditasse que ele tinha realmente morrido. Muitos continuaram duvidando mesmo depois de ver o cadáver em câmara-ardente, acomodado entre travesseiros e lençóis de linho dentro de um caixão amarelo e abaulado como um melão. Estava muito bem barbeado, vestido de branco e com botas de verniz e tinha uma cara tão boa que nunca pareceu tão vivo. Era o mesmo Sr. Chepe Montiel dos domingos, assistindo à missa das oito, só que em lugar do chicote tinha um crucifixo entre as mãos. Foi preciso que parafusassem a tampa do ataúde e que o emparedassem no aparatoso mausoléu familiar para que a população inteira se convencesse de que ele não estava fingindo de morto.

Depois do enterro, a única coisa que pareceu inacreditável a todo mundo, menos à viúva, é que o Sr. José Montiel tivesse morrido de morte natural.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. A viúva Montiel. In: GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. Trad. Édson Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 81.

 

a) A narrativa oferece elementos para justificar o sentimento de vingança de todos para com José Montiel? Explique sua resposta.

b) Considerando a narrativa como um todo, essas impressões negativas seriam compartilhadas pelos familiares do morto? Justifique sua resposta.

 

Questão 8

O trecho a seguir foi retirado de “Um dia depois de sábado”, conto que pertence ao volume Os funerais da Mamãe Grande, de Gabriel García Márquez.

A senhora Rebeca irrompeu no escritório sujo e desarrumado e a primeira coisa que viu foi um monte de pássaros mortos sobre a escrivaninha. Mas estava perturbada, em parte pelo calor e em parte pela indignação que lhe produzira a destruição de suas telas. Assim não teve tempo de estremecer ante o inusitado espetáculo dos pássaros mortos sobre a escrivaninha. Nem mesmo a escandalizou a evidência da autoridade degradada no alto de uma escada, consertando as telas metálicas da janela com um rolo de arame e uma chave de fenda. Ela não pensava agora em outra indignidade senão a própria, escarnecida em suas telas, e sua perturbação impediu-a inclusive de relacionar as janelas de sua casa com as da municipalidade. Plantou-se com discreta solenidade a dois passos da porta, no interior do escritório, e, apoiada no longo e enfeitado cabo de sua sombrinha, disse:

– Quero fazer uma queixa. [...]

E foi então que ela relacionou os pássaros mortos sobre a escrivaninha com o homem trepado na escada e com as telas estragadas de seus quartos. Estremeceu, ao imaginar que todos os quartos de sua casa estavam cheios de pássaros mortos.

– Os passarinhos – exclamou.

– Os passarinhos – confirmou o alcaide. – É estranho que a senhora não tenha percebido que há três dias estamos com esse problema dos passarinhos rompendo as janelas para morrer dentro das casas.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Um dia depois de sábado. In: GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. Trad. Édson Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 94-95.

 

a) A cena transcrita apresenta elementos de uma corrente estilística da qual Gabriel García Márquez foi um dos principais representantes na América Latina: o realismo fantástico. Encontre, no trecho, uma justificativa para essa classificação. Cite outro episódio da mesma narrativa que também exemplifique essa corrente estilística.

b) Cite outra narrativa do livro que também apresente episódios representativos dessa corrente e justifique sua resposta.

 

Questão 9

Em “As rosas artificiais”, a protagonista, Mina, vive com a mãe e a avó cega e produz flores artificiais com ajuda da amiga Trinidad. A trama do conto não é explicitada. Contudo, os trechos transcritos a seguir permitem formular uma hipótese a respeito do enredo. Leia-os para responder ao que se pede.

Trancada no seu quarto, Mina desabotoou o corpete e tirou três chavezinhas que levava penduradas com um alfinete de segurança. Com uma das chaves abriu a gaveta inferior do armário e tirou um baú de madeira em miniatura. Abriu-o com a outra chave. Dentro tinha um pacote de cartas em folhas coloridas, atadas com um elástico. Guardou-as no corpete, pôs o bauzinho em seu lugar e voltou a fechar a gaveta com chave. Depois foi ao banheiro e jogou as cartas na privada.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. As rosas artificiais. In: GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. Trad. Édson Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 130.

 

[...] Trinidad evitou o olhar, sem levantar a cabeça, apenas arrastando os pés para trás e interrompeu o trabalho.

– Que aconteceu? – disse.

Mina inclinou-se para ela.

– Foi-se embora – disse.

Trinidad soltou as tesouras no colo.

– Não.

– Foi – repetiu Mina.

Trinidad olhou-a sem piscar. Uma ruga vertical dividiu suas sobrancelhas.

– E agora? – perguntou.

Mina respondeu sem tremor na voz.

– Agora, nada.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. As rosas artificiais. In: GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. Trad. Édson Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 131-132.

 

Formule uma hipótese a respeito do motivo que teria levado Mina a jogar as cartas na privada. Justifique sua resposta com elementos do texto.

 

- Texto para a questão 10 -

Os acontecimentos daquela noite e das seguintes seriam mais tarde definidos como uma lição histórica. Não só pelo espírito cristão que inspirou os mais elevados personagens do poder público, como pela abnegação com que se conciliaram interesses díspares e critérios contrapostos, no propósito comum de enterrar um cadáver ilustre. Durante muitos anos Mamãe Grande garantira a paz social e a concórdia política de seu império, em virtude dos três baús de cédulas eleitorais falsas que formavam parte de seu patrimônio secreto. Os varões da criadagem, seus protegidos e arrendatários, maiores e menores de idade, exerciam não só seu próprio direito de sufrágio, como também o dos eleitores mortos em um século. Ela era a prioridade do poder tradicional sobre a autoridade transitória, o predomínio da classe sobre a plebe, a transcendência da sabedoria divina sobre a improvisação mortal.

Em tempos pacíficos, sua vontade hegemônica concedia, e retirava prelazias, prebendas e sinecuras, e velava pelo bem-estar dos associados mesmo que para consegui-lo tivesse que recorrer à trapaça ou à fraude eleitoral. Em tempos tormentosos, Mamãe Grande contribuiu em segredo para armar seus partidários e prestou de público socorro às vítimas. Esse zelo patriótico a credenciava às mais altas honras.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. In: GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os funerais da Mamãe Grande. Trad. Édson Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 150-151.

 

Questão 10

Responda com base na leitura do texto.

a) No trecho, evidencia-se a base da influência exercida por Mamãe Grande na política nacional. Indique essa base, comprovando sua resposta com elementos do texto.

b) O fragmento também evidencia a relação que Mamãe Grande mantinha tanto com a parcela mais humilde da população quanto com as classes mais abastadas. Explique como isso ocorre, justificando com elementos do trecho.

 

 

 

 

 

 

 

 

1. c

2. d

3. a

4. a) Segundo a narrativa, Baltazar concluiu, nessa “prodigiosa tarde”, um feito extraordinário: a confecção da “mais linda gaiola do mundo”.

b) Ao entregar a gaiola a Pepe Montiel, Baltazar descobriu que o menino a tinha encomendado sem a anuência dos pais, razão pela qual o poderoso José Montiel se recusara a ficar com ela. Sensibilizado pela tristeza do menino, Baltazar tem a atitude grandiosa de presenteá-lo com a gaiola, desafiando a vontade do poderoso Montiel.

c) O feito de Baltazar o torna um verdadeiro herói diante dos moradores da cidade. Quando sai da casa dos Montiel, ele se dirige ao salão de bilhar, onde simula ter conseguido arrancar dinheiro de José Montiel, o que todos consideram um verdadeiro prodígio.

5. O patriarcalismo se baseia em algumas práticas políticas que se reproduzem na caracterização de Mamãe Grande: o domínio ancestral sobre determinada população (a família comandava Macondo “em uma hegemonia que durava dois séculos”), a posição de centro da vida política local (“A aldeia foi fundada em torno de seu nome”), a associação entre poder e riqueza (“Ninguém conhecia a origem, nem o limite nem o valor real do patrimônio”), o poder ilimitado (“todo mundo acostumara-se a acreditar que a Mamãe Grande era dona das águas correntes e paradas, chovidas e por chover”), o amplo exercício do mando (“tinha além disso um direito herdado sobre vida e fazendas”). Por outro lado, o principal aspecto a distanciar a figura de Mamãe Grande do patriarcalismo convencional é o fato de o poder emanar de uma mulher, vista como “a matrona mais rica e poderosa do mundo”.

 

6.

a) A dimensão terrena de Mamãe Grande é explicitada no reconhecimento de sua condição de herdeira do poder paterno, pois, com a morte do pai, ela se viu “investida de sua nova e irradiante dignidade, transformada aos 22 anos de idade na Mamãe Grande”. Quanto à dimensão mítica, foi sendo construída aos poucos, conforme ela se tornava “cada vez mais imprecisa e distante”, até se transformar definitivamente “em sua própria lenda”.

b) Os funerais contaram com a presença do Presidente da República e do Papa. O primeiro comprova, com seu comparecimento, a influência política da morta. Já o Papa, que se dispusera a sair do Vaticano, em Roma, para participar dos funerais, reafirma a extensão da fama e do misticismo da protagonista.

 

7.

a) Sim. José Montiel é apresentado como autoritário e violento, a ponto de causar espanto o fato de que, em seu caixão, ele estivesse com um crucifixo na mão em vez de seu habitual chicote.

b) A esposa de José Montiel não compartilha dos sentimentos negativos da população, mantendo a dedicação respeitosa que tinha por ele em vida. Já os filhos, moradores de outros países, recusam-se a comparecer ao enterro do pai, o que indica uma impressão mais próxima da dos moradores do povoado.

 

8.

a) O evento surpreendente de pássaros caindo mortos exemplifica o realismo fantástico, tendência que integrava ao cotidiano mais corriqueiro os eventos mais absurdos. Na mesma narrativa, podem-se citar as visões do padre Antonio Isabel, que afirmava ter encontrado o diabo por três vezes, e, ainda, a suposta passagem pelo povoado do Judeu Errante, na figura de um rapaz forasteiro.

b) Em “A viúva Montiel”, a protagonista encontra e dialoga com Mamãe Grande após a morte desta; em “Os funerais da Mamãe Grande”, a presença do Papa no evento e a exuberância das festividades na ocasião são exemplos de manifestações do realismo fantástico na obra.

 

9. Embora a narrativa não explicite as motivações de Mina, a cena aponta para um rompimento amoroso: as cartas que ela jogou na privada poderiam ser de um namorado que a teria abandonado, como indica a segunda cena transcrita, na qual a protagonista informa à amiga Trinidad: “Foi-se embora”.

 

10.

a) A base do poder de Mamãe Grande era a corrupção eleitoral, por meio da qual ela favorecia os grupos políticos que ocupavam o poder. No trecho, essa prática fica evidenciada na revelação de que a protagonista mantinha em seu poder “três baús de cédulas falsas”, utilizadas em época de eleição para aumentar o contingente de votos dos apadrinhados da matriarca.

b) A parcela mais humilde é representada, no trecho, pelos “varões da criadagem” de Mamãe Grande, que, de posse de “cédulas falsas”, votavam em nome de pessoas mortas. Esses “varões” são “protegidos e arrendatários” de Mamãe Grande, o que explica a obediência que deviam a ela. Já entre os poderosos, seu poder era demonstrado pelas “prelazias, prebendas e sinecuras” que conseguia para todos.





INTRODUÇÃO À OBRA: OS FUNERAIS DA MAMÃE GRANDE (2)

  Questão 1 O texto a seguir foi retirado da autobiografia de Gabriel García Márquez, autor de Os funerais da Mamãe Grande . No trecho, o au...