- Leia o texto a seguir
para responder às questões de 1 a 3 -
Antigamente havia grupos que se digladiavam por conta
dos dicionários. Lembro, por exemplo, dos ferrenhos defensores do Houaiss, dos
ferozes soldados do Aurélio e dos gloriosos guerreiros do Caldas Aulete. Quando se encontravam em frente a bibliotecas, eram inevitáveis
as escaramuças, com uns disparando adjetivos nos outros. Os mais exaltados
chegavam a lançar marcadores de páginas em seus desafetos, e nem preciso citar
a famosa Batalha dos Enforcados, quando aurelistas e houaissistas travaram um
lendário duelo de jogo de forca (os dois grupos dizem que venceram a contenda).
Acho que hoje em dia estas facções já não são tão
fanáticas. Talvez nem existam mais, ou apenas se encontrem em porões escuros,
iluminados por tochas, nos quais eles entram cobertos por capuzes negros. Sim,
a coisa está bem mais simples. Imagino que, hoje, ao se deparar com “enxebre”,
o leitor apenas digite a palavra no computador e leia a primeira definição que
aparecer. Em geral, um tanto pobre, longe de esgotar as possibilidades da
palavra. Para mim, por exemplo, apareceu que “enxebre” significa “bruto”,
“estúpido”.
Tudo bem, os dicionários internéticos são um
tanto palonços, banazolas mesmo, mas são práticos. É bem mais rápido digitar o
termo desconhecido do que girar trocentas folhas e procurar a palavra com o
dedo. Mas, como já ouvi algumas vezes, a rapidez não basta. Confesso que não
sou auletista, aurelista, houaissista, michaelista ou priberamista. Tenho um Dicionário de sinónimos da língua portuguesa,
de 1949, editado pela Tertúlia Edípica, um grupo charadístico da Sociedade de
Geografia de Lisboa.
Trata-se de um dicionário de sinônimos purista.
Um “zagueiro-zagueiro”, como diria Vanderlei Luxemburgo. Ele não se preocupa em explicar a palavra, em
contar sua origem, nem em dizer se é substantivo, verbo ou adjetivo. Apenas
enfileira uma fantástica carreira de sinônimos, com palavras belas e estranhas,
muitas das quais nunca vi antes. Para a reescritura de O Chalaça [meu primeiro livro], ele é perfeito. Lá, por exemplo,
“enxebre” não é apenas “bruto” e “estúpido”, mas também “insípido”, “insulso” e
“simples”.
Talvez este seja o segredo dos dicionários: há um
para cada utilidade. Se você for escrever algo mais assolhado, precisará de um
bem paparrotão. Se for uma escrita mais papalva, basta-lhe um enxebre.
Disponível em:
https://rascunho.com.br/liberado/diga-mequal-e-teu-dicionario-e-te-direi-quem-es/.
(Adaptado).
Questão
1
Em
textos literários e opinativos, o emprego de termos pouco frequentes ou em
desuso pode ocorrer com o intuito de produzir reflexões sobre os usos sociais
da língua. No texto, palavras como “palonços”, “banazolas”, “assolhado”,
“paparrotão” e “papalva” aparecem propositalmente sem explicação de seus
significados. Nesse contexto, esses vocábulos contribuem para
A)
adequar o texto escrito a um nível mais elevado de formalidade linguística.
B)
evidenciar a necessidade de convivência entre termos antigos e contemporâneos.
C)
criticar o empobrecimento e a simplificação da linguagem contemporânea.
D)
destacar o incômodo causado pela necessidade de consulta a dicionários.
E) valorizar o papel do dicionário na preservação
de termos e sentidos em desuso.
Questão
2
Ao
comentar pesquisas sobre os significados de uma palavra como “enxebre” e
empregar, no texto, outros termos que também exigem consulta a dicionários para
a compreensão de seus sentidos, o autor faz referência a um tipo de variação
linguística relacionada
A)
à internet, que altera o vocabulário com dicionários digitais.
B) ao tempo histórico, que modifica
usos e sentidos das palavras.
C)
ao nível de escolaridade, que determina o grau de formalidade.
D)
às diferenças entre os registros falado e escrito da língua.
E)
à influência regional, especialmente à variedade portuguesa.
Questão
3
No
terceiro parágrafo, o autor afirma que os dicionários digitais são, do ponto de
vista do conteúdo, “palonços” (“tolos”, “desprovidos de inteligência ou juízo”)
e “banazolas” (“imbecis, ineptos”), mas, ao mesmo tempo, “práticos” porque são
rápidos de consultar. Nesse trecho, a relação de sentidos sobre os dicionários
digitais que se estabeleceu caracteriza uma
A)
metáfora.
B) antítese.
C)
comparação.
D)
gradação.
E)
metonímia.
Questão
4
Vaca Estrela e Boi Fubá
Seu doutô, me dê licença
Pra minha história contar
Hoje eu tô em terra estranha
É bem triste o meu penar
Eu já fui muito feliz
Vivendo no meu lugar
Eu tinha cavalo bão
Gostava de campear
Todo dia eu aboiava
Na porteira do currá
[...]
Eu sou fio do Nordeste
Não nego meu naturá
Mas uma seca medonha
Me tangeu de lá pra cá
PATATIVA
DO ASSARÉ. Intérpretes: PENA BRANCA; XAVANTINHO; TEIXEIRA, R. Ao vivo em Tatuí.
Rio de Janeiro: Kuarup Discos, 1992. (Fragmento).
Considerando-se o registro
linguístico apresentado, a letra dessa canção
A) exalta uma forma específica de
dizer.
B) utiliza elementos pouco usuais
na língua.
C) influencia a maneira de falar
do povo brasileiro.
D) discute a diversidade lexical
de um dado grupo social.
E) integra o patrimônio linguístico do português brasileiro.
Questão
5
O
seguinte excerto integra o Auto da Barca
do Inferno, peça teatral em que Gil Vicente (1465–1536) condena certos tipos
sociais de sua época. No fragmento, o personagem Fidalgo se dirige ao Anjo que
conduz a barca com destino ao céu, reclamando um lugar na viagem.
Anjo – Que quereis?
Fildalgo – Que me digais, pois parti tão sem aviso, se a
barca
do Paraíso é esta em que navegais.
Anjo – Esta é; que demandais?
Fildalgo – Que me deixeis embarcar.
Sou fidalgo de solar, é bem que me recolhais.
Anjo – Não se embarca tirania neste batel divinal.
Fildalgo – Não sei por que haveis por mal que entre a
minha senhoria...
Anjo – Para vossa fantasia mui estreita é esta barca.
Fildalgo – Para senhor de tal marca nom
há aqui mais
cortesia?
Venha
a prancha e atavio!
Levai-me desta ribeira!
Anjo – Não vindes vós de maneira para entrar neste navio.
Essoutro
vai mais vazio: a cadeira entrará e o rabo
caberá
e todo vosso senhorio.
Ireis
lá mais espaçoso, vós e vossa senhoria, cuidando
na
tirania do pobre povo queixoso.
E
porque, de generoso, desprezastes os pequenos,
achar-vos-eis
tanto menos quanto mais fostes
fumoso.
Diabo – À barca, à barca, senhores!
Oh!
que maré tão de prata!
Um
ventozinho que mata e valentes remadores!
Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua00111a.pdf.
No
excerto, uma série de escolhas linguísticas reflete o momento histórico da
obra, encenada pela primeira vez no século XVI. Entre as variantes do
fragmento, nota-se o registro de uma pronúncia restrita ao passado da língua portuguesa
em:
A)
“sou fidalgo de solar”.
B)
“minha senhoria”.
C) “nom há aqui mais cortesia”.
D)
“levai-me desta ribeira”.
E)
“valentes remadores”.
– Leia o excerto seguinte, que integra o depoimento do escritor Paulo Mendes de Almeida para a Folha de S.Paulo, em 1962, quando se comemoravam 40 anos da Semana de Arte Moderna, para responder às questões 6 e 7. –
Em primeiro lugar1, era o que pudesse
haver de mais heterogêneo, quando aspirava a ser principalmente heteróclita
(que se desvia das regras da arte), como proclamavam os mais afoitos2.
Nela, se pode dizer, somente num ponto houve uma quase unidade ideológica: o da
necessidade de mudar. De mudar, sem que se precisasse bem o que, nem para onde.
Foi isso o que lhe deu o caráter eminentemente destrutivo, sendo sob esse
aspecto3, de resto, que ela ganha para nós extraordinária importância.
Porque o ideário mesmo era o que de mais vago se possa imaginar. Verdade é que
constituía quase uma constante4 o sentimento nacionalista, o desejo
de redescobrir, ou melhor5, de descobrir afinal o Brasil. Na realidade,
não conseguiram fazê-lo, pois que somente mais tarde o Brasil nos seria efetivamente
desvendado, pela equipe de homens da geração de 1930, numa tarefa a que o Sr.
Gilberto Freyre veio dar explicação, consciência e conteúdo em termos de
sociologia.
Folha de S.Paulo. “Alguma coisa tinha de ser
feita”, disse Anita Malfatti à Folha sobre Semana de 1922. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2022/02/alguma-coisatinha-de-ser-feita-disse-anita-malfatti-a-folha-sobresemana-de-1922.shtml.
Acesso em: 10 abr. 2026.
Questão
6
Na transcrição de entrevistas em
revistas e jornais, são comuns adaptações para facilitar a compreensão do
texto, convertido da oralidade para a escrita. No entanto, algumas marcas orais
podem permanecer, como ocorre no fragmento lido em:
A) “Em primeiro lugar” (referência
1), elemento coesivo exclusivo da língua falada.
B) “os mais afoitos” (referência
2), expressão informal típica da fala espontânea.
C) “sob esse aspecto” (referência
3), em que deveria ser usada a preposição “sobre”.
D) “quase uma constante”
(referência 4), pois o artigo está flexionado no feminino.
E) “ou melhor” (referência 5), termo que introduz uma reformulação própria
da fala.
Questão
7
No
fragmento, o entrevistado adota um registro predominantemente formal. Ainda
assim, para conferir maior formalidade a seu discurso, seria possível substituir
A)
“aspirava a ser” por “queria ser”.
B)
“heteróclita” por “rebelde”.
C) “num ponto” por “em um ponto”.
D)
“não conseguiram fazê-lo” por “não conseguiram fazer isso”.
E)
“homens da geração de 1930” por “pessoas da geração de 1930”.
– Observe a imagem a seguir e responda às questões de 8 a 10 –
Questão
8
Nesse
texto, a autora aborda diferentes sentidos da palavra “rede” para evidenciar
A)
as formas de comunicação em meios digitais.
B)
a necessidade de atualização das mídias digitais.
C)
os conflitos de identidade dos usuários da internet.
D) o impacto das tecnologias nas
interações humanas.
E)
os desejos de compartilhar vivências com os amigos.
Questão
9
A
pergunta “Há um intervalo entre este eu dentro da tela e o outro que somos?”
sugere uma distância entre os perfis nas redes sociais e
A)
o modo como as pessoas querem ser percebidas.
B)
as necessidades afetivas desprezadas pela tecnologia.
C)
os seres humanos que não estão presentes nas redes.
D) o que as pessoas são, de fato, no
mundo não digital.
E)
as interações que se constroem fora e dentro das redes.
Questão
10
O uso da letra maiúscula em
algumas ocorrências na palavra “Rede” pode ser explicado porque esse termo foi empregado
com o sentido de
A) mundo digital.
B) fake news.
C) empresas de tecnologia.
D) lugar para descansar.
E) excesso de telas.
Questão
11
–
Leia os trechos a seguir de A Carta, de Pero
Vaz de Caminha –
I.
“Neste mesmo dia, à hora das vésperas, avistamos terra! Primeiramente um grande
monte, muito alto e redondo; depois, outras serras mais baixas, da parte sul em
relação ao monte e, mais, terra chã. Com grandes arvoredos. Ao monte alto o
Capitão deu o nome de Monte Pascoal; e à terra, Terra de Vera Cruz.”
II. “[...] a terra por cima é toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. [...] As águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la, tudo dará nela, por causa das águas que tem.”
Sobre esses
trechos, pode-se afirmar:
A) Trata-se do primeiro texto escrito
no Brasil e sobre o nosso país. Por causa disso, os estudiosos a colocaram como
o marco inicial da literatura brasileira no período denominado Quinhentismo.
B)
Os escritores que produziram essa literatura de informação revelam um
sentimento de apego à terra conquistada, concebida como uma extensão da
metrópole.
C)
A primeira característica que se observa, nos textos desse período, é a sua
estrutura narrativa, que mostrava, com uso frequente de comparações, a ação dos
povos aqui encontrados.
D)
Além da idealização do Novo Mundo, Caminha mostrava características exóticas e
misteriosas que causavam certo receio ao público europeu, que temia a existência
de espécies monstruosas.
E)
Esses escritos têm um grande valor literário, pois guardam uma grande
importância histórica de testemunho do espírito aventureiro da expansão
marítima dos séculos XV e XVI.
– Leia o texto a seguir
À cidade da Bahia
A
cada canto um grande conselheiro
Que
nos quer governar cabana e vinha;
Não
sabem governar sua cozinha
E
podem governar o mundo inteiro.
Em
cada porta um bem frequente olheiro
Que
a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa,
escuta, espreita e esquadrinha
Para
o levar à praça e ao terreiro.
Muitos
mulatos desavergonhados,
Trazidos
sob os pés os homens nobres,
Posta
nas palmas toda a picardia1,
Estupendas
usuras2 nos mercados,
Todos
os que não furtam muito pobres:
E
eis aqui a cidade da Bahia3.
Gregório de Matos. Seleção de Obras Poéticas. (Domínio
Público). https://cutt.ly/EJ6AtFH. Acesso em 02.08.2024. (Adaptado).
Glossário:
1.
picardia: ação daquele que engana, logra.
2.
usura: ambição excessiva (por dinheiro ou outro tipo de poder).
3.
Cidade da Bahia: Salvador (BA), capital do Brasil à época do poema.
Questão
12
A leitura do poema de Gregório de
Matos, do Barroco do século XVII baiano, permite concluir que o eu lírico
A) endereça sua crítica aos
mulatos, mercadores e fofoqueiros, poupando, neste poema satírico, os fidalgos portugueses.
B) utiliza da convenção da sátira barroca em relação à cidade de Salvador,
evocando sua gente como incompetente, desonesta, ambiciosa e bisbilhoteira.
C) faz uma sátira em que ataca os
vícios e os viciosos, incluindo-se nela, já que conhecia muito bem a cidade da
Bahia, onde vivia.
D) evoca o período colonial
brasileiro e as crises moral e econômica da época, as quais nada têm a ver com
o tempo em que o poema foi escrito.
E) traz à cena personagens e
valores da sociedade portuguesa antiga, que nada têm a ver com a colonização do
Brasil.
Questão
13
– Leia o soneto “XCIX”,
do poeta Cláudio Manuel da Costa –
Parece,
ou eu me engano, que esta fonte
De
repente o licor deixou turvado;
O
Céu, que estava limpo e azulado,
Se
vai escurecendo no horizonte:
Porque
não haja horror, que não aponte
O
agouro funestíssimo, e pesado,
Até
de susto já não pasta o gado,
Nem
uma voz se escuta em todo o monte.
Um
raio de improviso na celeste
Região
rebentou: um branco lírio
Da
cor das violetas se reveste;
Será
delírio! não, não é delírio.
Que
é isto, Pastor meu? que anúncio é este?
Morreu
Nise (ai de mim!), tudo é martírio.
Domício Proença Filho (org.). A poesia dos
inconfidentes, 1996.
O
soneto é habilmente construído a partir de uma desconstrução gradual e
sistemática do seguinte tópico árcade:
A)
“Memento mori” (“lembra da morte”).
B)
“Carpe diem” (“aproveita o momento”).
C)
“Locus horrendus” (“lugar horrível”).
D) “Locus amoenus” (“lugar aprazível”).
E)
“Fugere urbem” (“fugir da cidade”).
Questão
14
– Leia o poema
abaixo, atribuído ao padre jesuíta José de Anchieta, produzido no contexto da
catequese no Brasil colonial do século XVI –
Oh que pão, oh que comida,
Oh que divino manjar
Se nos dá no santo altar
Cada dia.
Filho da Virgem Maria
Que Deus Padre cá mandou
E por nós na cruz passou
Crua morte.
E para que nos conforte
Se deixou no Sacramento
Para dar-nos com aumento
Sua graça.
[...]
Quando na minha alma entrais
E dela fazeis sacrário,
De vós mesmo é relicário
Que vos guarda.
Enquanto a presença tarda
De vosso divino rosto,
O saboroso e doce gosto
Deste pão
Seja minha refeição
E todo o meu apetite,
Seja gracioso convite
De minha alma.
[...]
Pois não vivo sem comer,
Como a vós, em vós vivendo,
Vivo em vós, a vós comendo,
Doce amor.
ANCHIETA,
José de. Poesias. Edição crítica de Maria de Lourdes Belchior. Lisboa: Imprensa
Nacional-Casa da Moeda, 1997.
Considerando o contexto histórico
de produção do poema e suas características formais, assinale a alternativa que
melhor interpreta a relação entre forma poética e intenção catequética do
texto.
A) A estrutura em versos livres e
a ausência de paralelismos reforçam a espontaneidade lírica, característica típica
da poesia jesuítica.
B) O uso de redondilhas e repetições sonoras criam ritmo musical e efeito
mnemônico, facilitando a memorização e a assimilação da doutrina cristã pelos
ouvintes.
C) A irregularidade métrica indica
improvisação oral indígena, revelando a incorporação de formas nativas de
expressão religiosa.
D) O caráter narrativo e
descritivo do poema sugere finalidade histórica documental, não religiosa.
E) A ausência de refrão e
paralelismo indica que o texto foi pensado para leitura silenciosa individual,
e não para recitação coletiva.
Questão
15
–
Leia o fragmento abaixo do Sermão de
Santo Antônio aos Peixes, de Padre Antônio Vieira –
Diz
Deus que comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os
plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem, e os que menos avultam
na república, estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo,
senão que os engolem e os devoram: Qui
devorant. Porque os grandes que têm o mando das cidades e das províncias,
não se contentam a sua fome de comer os pequenos um por um, poucos a poucos, senão
que devoram e engolem os povos inteiros: Qui
devorant plebem meam. E de que modo se devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros
comeres, senão como pão. A diferença que há entre o pão e os outros comeres é
que, para a carne, há dias de carne, e para o peixe, dias de peixe, e para as
frutas, diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos os dias, que
sempre e continuamente se come: e isto é o que padecem os pequenos. São o pão
quotidiano dos grandes: e assim como pão se come com tudo, assim com tudo, e em
tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo, nem fazendo ofício em que
os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não
comam, traguem e devorem: Qui devorant
plebem meam, ut cibum panis. Parece-vos bem isto, peixes?
VIEIRA, Antônio. Sermão de Santo Antônio aos
Peixes. In: VIEIRA, Antônio. Essencial. São Paulo: Penguin Classics Companhia
das Letras, 2011.
No
fragmento, observa-se um conjunto de recursos expressivos característicos do
estilo barroco de Vieira. Considerando a construção argumentativa do texto e seu
contexto histórico, assinale a alternativa que melhor interpreta a função
desses recursos.
A)
O uso de raciocínio lógico e enumerações demonstra intenção científica e
descritiva, típica da prosa informativa seiscentista.
B)
O encadeamento lógico das ideias demonstra que o sermão defende a hierarquia
social como ordem natural e desejável.
C) A oposição entre “grandes” e
“pequenos” constitui antítese estrutural que sustenta uma crítica social à exploração
dos mais fracos pelos poderosos.
D)
A repetição de expressões bíblicas neutraliza qualquer posicionamento crítico
do pregador, tornando o texto apenas devocional.
E)
A presença de termos latinos indica erudição gratuita, sem relação com o
conteúdo moral do sermão.
Questão
16
Observe a imagem:
LISBOA, Antônio Francisco (Aleijadinho). Cristo carregando a Cruz. Conjunto da Via Sacra, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Congonhas, Minas Gerais, c. 1796–1799. Escultura em madeira policromada.
A escultura apresentada integra o
conjunto da Via Sacra de Congonhas e é um dos exemplos mais expressivos do
barroco brasileiro. Considerando suas características formais e expressivas,
assinale a alternativa que melhor justifica sua filiação à estética barroca.
A) A composição equilibrada e
serena, marcada por simetria rigorosa e contenção emocional, aproxima a obra
dos ideais clássicos renascentistas.
B) A representação idealizada do
corpo e a ausência de sofrimento indicam predominância do neoclassicismo na
escultura colonial.
C) A simplicidade formal e a
ausência de ornamentos caracterizam uma ruptura com a religiosidade barroca europeia.
D) A dramaticidade da expressão facial, o realismo da dor, o movimento
sugerido na postura e o apelo emocional ao observador são marcas da estética
barroca.
E) O foco exclusivo na anatomia e
na proporção matemática do corpo demonstra preocupação científica típica do Iluminismo.
1ª SÉRIE - LI
Questão 1
The
main purpose of the ad is to
A)
announce free hospital assistance.
B)
promote Lakeridge Health Hospital.
C)
offer safety and quality hospital services.
D)
fight against discrimination.
E) offer a job in the health area.
Questão 2
“On
Facebook, 273 people know I’m a dog.
The
rest can only see my limited profile.”
COTTINGHAM, R. Disponível em: www.socialsignal.com.
Acesso em: 6 maio 2013.
Ao
abordar a temática das mídias, esse cartum critica
A)
os aplicativos que oferecem produtos supérfluos para animais de estimação.
B)
os internautas que exploram comercialmente a imagem dos seus pets.
C) a manipulação dos perfis que pode
gerar risco aos usuários.
D)
a limitação de acesso às novas tecnologias de informação.
E)
a obsessão pelo aumento do número de seguidores.
– Leia o texto a seguir
para responder às questões 3 e 4 –
The future of learning:
How AI is changing the
classroom
Artificial Intelligence (AI) is no longer a
concept of science fiction; it is part of our daily lives. In the world of education,
AI-powered tools are beginning to transform how students learn and how teachers
provide feedback.
One of the main benefits of AI in schools is personalization.
Every student has a different pace and style of learning. AI algorithms can
analyze a student’s performance in real-time and adapt the material to meet their
specific needs. For example, if a student struggles with a math concept, the
software can provide extra exercises and alternative explanations until they
master it.
However, the rise of AI in education also brings challenges.
There are concerns about data privacy and the possibility that students might
rely too much on technology, potentially losing their critical thinking skills.
Educators argue that while AI is a powerful assistant, it cannot replace the
human connection and the socialemotional support that a teacher provides. The
goal, they say, is to use AI to enhance the learning experience, not to
substitute the human element.
Scientific
American.
The AI Education Revolution, 2024. Disponível em: www.scientificamerican.com. Acesso
em: 10 abr. 2026. (Adaptado).
Questão
3
De
acordo com o texto, entre as vantagens do uso da Inteligência Artificial está
o(a)
A)
não necessidade de um professor em sala de aula.
B)
certeza de aprendizado de todos os alunos, de forma igual.
C) possibilidade de adaptar o ensino ao
ritmo de cada aluno.
D)
rapidez com que as dificuldades dos alunos em conceitos matemáticos são
eliminadas.
E)
tempo maior de que o aluno necessita para estudar em casa.
Questão
4
Based on the understanding of the
second and third paragraphs, it is noticeable that:
A) The third adds information
contained in the second.
B) The second and third paragraphs
say practically the same thing.
C) The third paragraph shows a
consequence of what is said in the second.
D) Everything that is said in the
second paragraph is concluded in the third.
E) The third paragraph begins by showing a contradiction to what is said
in the second.
Questão 5
(www.farmprogress.com, 25.03.2025. Adaptado.)
1.
acreage: extensão de terra ou área total de um terreno, medida em acres.
2.
bushel: uma medida usada internacionalmente para grãos; para a soja, equivale a
27.216 kg.
According
to the information presented in the chart,
A)
the 2016-17 production fell, despite an increase in planted area.
B)
the planted area is proportional to the soybean production in all the periods
of time.
C) the increase in planted area not
necessarily results in a greater production.
D)
the planted area has been increasing at a constant acreage from 2015 to 2025.
E) from 2020 onwards, there has been a steady decrease in soybean production.