19 setembro 2026

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 3 - 1ª SÉRIE 2026

- Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 3 -

Antigamente havia grupos que se digladiavam por conta dos dicionários. Lembro, por exemplo, dos ferrenhos defensores do Houaiss, dos ferozes soldados do Aurélio e dos gloriosos guerreiros do Caldas Aulete. Quando se encontravam em frente a bibliotecas, eram inevitáveis as escaramuças, com uns disparando adjetivos nos outros. Os mais exaltados chegavam a lançar marcadores de páginas em seus desafetos, e nem preciso citar a famosa Batalha dos Enforcados, quando aurelistas e houaissistas travaram um lendário duelo de jogo de forca (os dois grupos dizem que venceram a contenda).

Acho que hoje em dia estas facções já não são tão fanáticas. Talvez nem existam mais, ou apenas se encontrem em porões escuros, iluminados por tochas, nos quais eles entram cobertos por capuzes negros. Sim, a coisa está bem mais simples. Imagino que, hoje, ao se deparar com “enxebre”, o leitor apenas digite a palavra no computador e leia a primeira definição que aparecer. Em geral, um tanto pobre, longe de esgotar as possibilidades da palavra. Para mim, por exemplo, apareceu que “enxebre” significa “bruto”, “estúpido”.

Tudo bem, os dicionários internéticos são um tanto palonços, banazolas mesmo, mas são práticos. É bem mais rápido digitar o termo desconhecido do que girar trocentas folhas e procurar a palavra com o dedo. Mas, como já ouvi algumas vezes, a rapidez não basta. Confesso que não sou auletista, aurelista, houaissista, michaelista ou priberamista. Tenho um Dicionário de sinónimos da língua portuguesa, de 1949, editado pela Tertúlia Edípica, um grupo charadístico da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Trata-se de um dicionário de sinônimos purista. Um “zagueiro-zagueiro”, como diria Vanderlei Luxemburgo.  Ele não se preocupa em explicar a palavra, em contar sua origem, nem em dizer se é substantivo, verbo ou adjetivo. Apenas enfileira uma fantástica carreira de sinônimos, com palavras belas e estranhas, muitas das quais nunca vi antes. Para a reescritura de O Chalaça [meu primeiro livro], ele é perfeito. Lá, por exemplo, “enxebre” não é apenas “bruto” e “estúpido”, mas também “insípido”, “insulso” e “simples”.

Talvez este seja o segredo dos dicionários: há um para cada utilidade. Se você for escrever algo mais assolhado, precisará de um bem paparrotão. Se for uma escrita mais papalva, basta-lhe um enxebre.

Disponível em: https://rascunho.com.br/liberado/diga-mequal-e-teu-dicionario-e-te-direi-quem-es/. (Adaptado).

 

Questão 1

Em textos literários e opinativos, o emprego de termos pouco frequentes ou em desuso pode ocorrer com o intuito de produzir reflexões sobre os usos sociais da língua. No texto, palavras como “palonços”, “banazolas”, “assolhado”, “paparrotão” e “papalva” aparecem propositalmente sem explicação de seus significados. Nesse contexto, esses vocábulos contribuem para

A) adequar o texto escrito a um nível mais elevado de formalidade linguística.

B) evidenciar a necessidade de convivência entre termos antigos e contemporâneos.

C) criticar o empobrecimento e a simplificação da linguagem contemporânea.

D) destacar o incômodo causado pela necessidade de consulta a dicionários.

E) valorizar o papel do dicionário na preservação de termos e sentidos em desuso.

 

Questão 2

Ao comentar pesquisas sobre os significados de uma palavra como “enxebre” e empregar, no texto, outros termos que também exigem consulta a dicionários para a compreensão de seus sentidos, o autor faz referência a um tipo de variação linguística relacionada

A) à internet, que altera o vocabulário com dicionários digitais.

B) ao tempo histórico, que modifica usos e sentidos das palavras.

C) ao nível de escolaridade, que determina o grau de formalidade.

D) às diferenças entre os registros falado e escrito da língua.

E) à influência regional, especialmente à variedade portuguesa.

 

Questão 3

No terceiro parágrafo, o autor afirma que os dicionários digitais são, do ponto de vista do conteúdo, “palonços” (“tolos”, “desprovidos de inteligência ou juízo”) e “banazolas” (“imbecis, ineptos”), mas, ao mesmo tempo, “práticos” porque são rápidos de consultar. Nesse trecho, a relação de sentidos sobre os dicionários digitais que se estabeleceu caracteriza uma

A) metáfora.

B) antítese.

C) comparação.

D) gradação.

E) metonímia.

 

Questão 4

Vaca Estrela e Boi Fubá

Seu doutô, me dê licença

Pra minha história contar

Hoje eu tô em terra estranha

É bem triste o meu penar

Eu já fui muito feliz

Vivendo no meu lugar

Eu tinha cavalo bão

Gostava de campear

Todo dia eu aboiava

Na porteira do currá

[...]

Eu sou fio do Nordeste

Não nego meu naturá

Mas uma seca medonha

Me tangeu de lá pra cá

PATATIVA DO ASSARÉ. Intérpretes: PENA BRANCA; XAVANTINHO; TEIXEIRA, R. Ao vivo em Tatuí. Rio de Janeiro: Kuarup Discos, 1992. (Fragmento).

 

Considerando-se o registro linguístico apresentado, a letra dessa canção

A) exalta uma forma específica de dizer.

B) utiliza elementos pouco usuais na língua.

C) influencia a maneira de falar do povo brasileiro.

D) discute a diversidade lexical de um dado grupo social.

E) integra o patrimônio linguístico do português brasileiro.

 

Questão 5

O seguinte excerto integra o Auto da Barca do Inferno, peça teatral em que Gil Vicente (1465–1536) condena certos tipos sociais de sua época. No fragmento, o personagem Fidalgo se dirige ao Anjo que conduz a barca com destino ao céu, reclamando um lugar na viagem.

Anjo –        Que quereis?

Fildalgo – Que me digais, pois parti tão sem aviso, se a

barca do Paraíso é esta em que navegais.

Anjo –        Esta é; que demandais?

Fildalgo – Que me deixeis embarcar.

Sou fidalgo de solar, é bem que me recolhais.

Anjo –        Não se embarca tirania neste batel divinal.

Fildalgo – Não sei por que haveis por mal que entre a

minha senhoria...

Anjo –        Para vossa fantasia mui estreita é esta barca.

Fildalgo – Para senhor de tal marca nom há aqui mais

cortesia?

Venha a prancha e atavio!

Levai-me desta ribeira!

Anjo –        Não vindes vós de maneira para entrar neste navio.

Essoutro vai mais vazio: a cadeira entrará e o rabo

caberá e todo vosso senhorio.

Ireis lá mais espaçoso, vós e vossa senhoria, cuidando

na tirania do pobre povo queixoso.

E porque, de generoso, desprezastes os pequenos,

achar-vos-eis tanto menos quanto mais fostes

fumoso.

Diabo –      À barca, à barca, senhores!

Oh! que maré tão de prata!

Um ventozinho que mata e valentes remadores!

Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua00111a.pdf.

 

No excerto, uma série de escolhas linguísticas reflete o momento histórico da obra, encenada pela primeira vez no século XVI. Entre as variantes do fragmento, nota-se o registro de uma pronúncia restrita ao passado da língua portuguesa em:

A) “sou fidalgo de solar”.

B) “minha senhoria”.

C) “nom há aqui mais cortesia”.

D) “levai-me desta ribeira”.

E) “valentes remadores”.

 

Leia o excerto seguinte, que integra o depoimento do escritor Paulo Mendes de Almeida para a Folha de S.Paulo, em 1962, quando se comemoravam 40 anos da Semana de Arte Moderna, para responder às questões 6 e 7. –

Em primeiro lugar1, era o que pudesse haver de mais heterogêneo, quando aspirava a ser principalmente heteróclita (que se desvia das regras da arte), como proclamavam os mais afoitos2. Nela, se pode dizer, somente num ponto houve uma quase unidade ideológica: o da necessidade de mudar. De mudar, sem que se precisasse bem o que, nem para onde. Foi isso o que lhe deu o caráter eminentemente destrutivo, sendo sob esse aspecto3, de resto, que ela ganha para nós extraordinária importância. Porque o ideário mesmo era o que de mais vago se possa imaginar. Verdade é que constituía quase uma constante4 o sentimento nacionalista, o desejo de redescobrir, ou melhor5, de descobrir afinal o Brasil. Na realidade, não conseguiram fazê-lo, pois que somente mais tarde o Brasil nos seria efetivamente desvendado, pela equipe de homens da geração de 1930, numa tarefa a que o Sr. Gilberto Freyre veio dar explicação, consciência e conteúdo em termos de sociologia.

Folha de S.Paulo. “Alguma coisa tinha de ser feita”, disse Anita Malfatti à Folha sobre Semana de 1922. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2022/02/alguma-coisatinha-de-ser-feita-disse-anita-malfatti-a-folha-sobresemana-de-1922.shtml. Acesso em: 10 abr. 2026.

 

Questão 6

Na transcrição de entrevistas em revistas e jornais, são comuns adaptações para facilitar a compreensão do texto, convertido da oralidade para a escrita. No entanto, algumas marcas orais podem permanecer, como ocorre no fragmento lido em:

A) “Em primeiro lugar” (referência 1), elemento coesivo exclusivo da língua falada.

B) “os mais afoitos” (referência 2), expressão informal típica da fala espontânea.

C) “sob esse aspecto” (referência 3), em que deveria ser usada a preposição “sobre”.

D) “quase uma constante” (referência 4), pois o artigo está flexionado no feminino.

E) “ou melhor” (referência 5), termo que introduz uma reformulação própria da fala.

 

Questão 7

No fragmento, o entrevistado adota um registro predominantemente formal. Ainda assim, para conferir maior formalidade a seu discurso, seria possível substituir

A) “aspirava a ser” por “queria ser”.

B) “heteróclita” por “rebelde”.

C) “num ponto” por “em um ponto”.

D) “não conseguiram fazê-lo” por “não conseguiram fazer isso”.

E) “homens da geração de 1930” por “pessoas da geração de 1930”.

 

– Observe a imagem a seguir e responda às questões de 8 a 10 – 


Questão 8

Nesse texto, a autora aborda diferentes sentidos da palavra “rede” para evidenciar

A) as formas de comunicação em meios digitais.

B) a necessidade de atualização das mídias digitais.

C) os conflitos de identidade dos usuários da internet.

D) o impacto das tecnologias nas interações humanas.

E) os desejos de compartilhar vivências com os amigos.

 

Questão 9

A pergunta “Há um intervalo entre este eu dentro da tela e o outro que somos?” sugere uma distância entre os perfis nas redes sociais e

A) o modo como as pessoas querem ser percebidas.

B) as necessidades afetivas desprezadas pela tecnologia.

C) os seres humanos que não estão presentes nas redes.

D) o que as pessoas são, de fato, no mundo não digital.

E) as interações que se constroem fora e dentro das redes.

 

Questão 10

O uso da letra maiúscula em algumas ocorrências na palavra “Rede” pode ser explicado porque esse termo foi empregado com o sentido de

A) mundo digital.

B) fake news.

C) empresas de tecnologia.

D) lugar para descansar.

E) excesso de telas.

 

Questão 11

Leia os trechos a seguir de A Carta, de Pero Vaz de Caminha

I. “Neste mesmo dia, à hora das vésperas, avistamos terra! Primeiramente um grande monte, muito alto e redondo; depois, outras serras mais baixas, da parte sul em relação ao monte e, mais, terra chã. Com grandes arvoredos. Ao monte alto o Capitão deu o nome de Monte Pascoal; e à terra, Terra de Vera Cruz.”

II. “[...] a terra por cima é toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. [...] As águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la, tudo dará nela, por causa das águas que tem.”

Sobre esses trechos, pode-se afirmar:

A) Trata-se do primeiro texto escrito no Brasil e sobre o nosso país. Por causa disso, os estudiosos a colocaram como o marco inicial da literatura brasileira no período denominado Quinhentismo.

B) Os escritores que produziram essa literatura de informação revelam um sentimento de apego à terra conquistada, concebida como uma extensão da metrópole.

C) A primeira característica que se observa, nos textos desse período, é a sua estrutura narrativa, que mostrava, com uso frequente de comparações, a ação dos povos aqui encontrados.

D) Além da idealização do Novo Mundo, Caminha mostrava características exóticas e misteriosas que causavam certo receio ao público europeu, que temia a existência de espécies monstruosas.

E) Esses escritos têm um grande valor literário, pois guardam uma grande importância histórica de testemunho do espírito aventureiro da expansão marítima dos séculos XV e XVI.

 

– Leia o texto a seguir

À cidade da Bahia

A cada canto um grande conselheiro

Que nos quer governar cabana e vinha;

Não sabem governar sua cozinha

E podem governar o mundo inteiro.

 

Em cada porta um bem frequente olheiro

Que a vida do vizinho e da vizinha

Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha

Para o levar à praça e ao terreiro.

 

Muitos mulatos desavergonhados,

Trazidos sob os pés os homens nobres,

Posta nas palmas toda a picardia1,

 

Estupendas usuras2 nos mercados,

Todos os que não furtam muito pobres:

E eis aqui a cidade da Bahia3.

Gregório de Matos. Seleção de Obras Poéticas. (Domínio Público). https://cutt.ly/EJ6AtFH. Acesso em 02.08.2024. (Adaptado).

 

Glossário:

1. picardia: ação daquele que engana, logra.

2. usura: ambição excessiva (por dinheiro ou outro tipo de poder).

3. Cidade da Bahia: Salvador (BA), capital do Brasil à época do poema.

 

Questão 12

A leitura do poema de Gregório de Matos, do Barroco do século XVII baiano, permite concluir que o eu lírico

A) endereça sua crítica aos mulatos, mercadores e fofoqueiros, poupando, neste poema satírico, os fidalgos portugueses.

B) utiliza da convenção da sátira barroca em relação à cidade de Salvador, evocando sua gente como incompetente, desonesta, ambiciosa e bisbilhoteira.

C) faz uma sátira em que ataca os vícios e os viciosos, incluindo-se nela, já que conhecia muito bem a cidade da Bahia, onde vivia.

D) evoca o período colonial brasileiro e as crises moral e econômica da época, as quais nada têm a ver com o tempo em que o poema foi escrito.

E) traz à cena personagens e valores da sociedade portuguesa antiga, que nada têm a ver com a colonização do Brasil.

 

Questão 13

– Leia o soneto “XCIX”, do poeta Cláudio Manuel da Costa –

Parece, ou eu me engano, que esta fonte

De repente o licor deixou turvado;

O Céu, que estava limpo e azulado,

Se vai escurecendo no horizonte:

 

Porque não haja horror, que não aponte

O agouro funestíssimo, e pesado,

Até de susto já não pasta o gado,

Nem uma voz se escuta em todo o monte.

 

Um raio de improviso na celeste

Região rebentou: um branco lírio

Da cor das violetas se reveste;

 

Será delírio! não, não é delírio.

Que é isto, Pastor meu? que anúncio é este?

Morreu Nise (ai de mim!), tudo é martírio.

Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.

 

O soneto é habilmente construído a partir de uma desconstrução gradual e sistemática do seguinte tópico árcade:

A) “Memento mori” (“lembra da morte”).

B) “Carpe diem” (“aproveita o momento”).

C) “Locus horrendus” (“lugar horrível”).

D) “Locus amoenus” (“lugar aprazível”).

E) “Fugere urbem” (“fugir da cidade”).

 

Questão 14

Leia o poema abaixo, atribuído ao padre jesuíta José de Anchieta, produzido no contexto da catequese no Brasil colonial do século XVI

Oh que pão, oh que comida,

Oh que divino manjar

Se nos dá no santo altar

Cada dia.

Filho da Virgem Maria

Que Deus Padre cá mandou

E por nós na cruz passou

Crua morte.

E para que nos conforte

Se deixou no Sacramento

Para dar-nos com aumento

Sua graça.

[...]

Quando na minha alma entrais

E dela fazeis sacrário,

De vós mesmo é relicário

Que vos guarda.

Enquanto a presença tarda

De vosso divino rosto,

O saboroso e doce gosto

Deste pão

Seja minha refeição

E todo o meu apetite,

Seja gracioso convite

De minha alma.

[...]

Pois não vivo sem comer,

Como a vós, em vós vivendo,

Vivo em vós, a vós comendo,

Doce amor.

ANCHIETA, José de. Poesias. Edição crítica de Maria de Lourdes Belchior. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1997.

 

Considerando o contexto histórico de produção do poema e suas características formais, assinale a alternativa que melhor interpreta a relação entre forma poética e intenção catequética do texto.

A) A estrutura em versos livres e a ausência de paralelismos reforçam a espontaneidade lírica, característica típica da poesia jesuítica.

B) O uso de redondilhas e repetições sonoras criam ritmo musical e efeito mnemônico, facilitando a memorização e a assimilação da doutrina cristã pelos ouvintes.

C) A irregularidade métrica indica improvisação oral indígena, revelando a incorporação de formas nativas de expressão religiosa.

D) O caráter narrativo e descritivo do poema sugere finalidade histórica documental, não religiosa.

E) A ausência de refrão e paralelismo indica que o texto foi pensado para leitura silenciosa individual, e não para recitação coletiva.

 

Questão 15

– Leia o fragmento abaixo do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, de Padre Antônio Vieira –

Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem, e os que menos avultam na república, estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, senão que os engolem e os devoram: Qui devorant. Porque os grandes que têm o mando das cidades e das províncias, não se contentam a sua fome de comer os pequenos um por um, poucos a poucos, senão que devoram e engolem os povos inteiros: Qui devorant plebem meam. E de que modo se devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros comeres, senão como pão. A diferença que há entre o pão e os outros comeres é que, para a carne, há dias de carne, e para o peixe, dias de peixe, e para as frutas, diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuamente se come: e isto é o que padecem os pequenos. São o pão quotidiano dos grandes: e assim como pão se come com tudo, assim com tudo, e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo, nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant plebem meam, ut cibum panis. Parece-vos bem isto, peixes?

VIEIRA, Antônio. Sermão de Santo Antônio aos Peixes. In: VIEIRA, Antônio. Essencial. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2011.

 

No fragmento, observa-se um conjunto de recursos expressivos característicos do estilo barroco de Vieira. Considerando a construção argumentativa do texto e seu contexto histórico, assinale a alternativa que melhor interpreta a função desses recursos.

A) O uso de raciocínio lógico e enumerações demonstra intenção científica e descritiva, típica da prosa informativa seiscentista.

B) O encadeamento lógico das ideias demonstra que o sermão defende a hierarquia social como ordem natural e desejável.

C) A oposição entre “grandes” e “pequenos” constitui antítese estrutural que sustenta uma crítica social à exploração dos mais fracos pelos poderosos.

D) A repetição de expressões bíblicas neutraliza qualquer posicionamento crítico do pregador, tornando o texto apenas devocional.

E) A presença de termos latinos indica erudição gratuita, sem relação com o conteúdo moral do sermão.

 

Questão 16

Observe a imagem:

LISBOA, Antônio Francisco (Aleijadinho). Cristo carregando a Cruz. Conjunto da Via Sacra, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Congonhas, Minas Gerais, c. 1796–1799. Escultura em madeira policromada.

 

A escultura apresentada integra o conjunto da Via Sacra de Congonhas e é um dos exemplos mais expressivos do barroco brasileiro. Considerando suas características formais e expressivas, assinale a alternativa que melhor justifica sua filiação à estética barroca.

A) A composição equilibrada e serena, marcada por simetria rigorosa e contenção emocional, aproxima a obra dos ideais clássicos renascentistas.

B) A representação idealizada do corpo e a ausência de sofrimento indicam predominância do neoclassicismo na escultura colonial.

C) A simplicidade formal e a ausência de ornamentos caracterizam uma ruptura com a religiosidade barroca europeia.

D) A dramaticidade da expressão facial, o realismo da dor, o movimento sugerido na postura e o apelo emocional ao observador são marcas da estética barroca.

E) O foco exclusivo na anatomia e na proporção matemática do corpo demonstra preocupação científica típica do Iluminismo.

 

 

1ª SÉRIE - LI

Questão 1 

 

The main purpose of the ad is to

A) announce free hospital assistance.

B) promote Lakeridge Health Hospital.

C) offer safety and quality hospital services.

D) fight against discrimination.

E) offer a job in the health area. 

 

Questão 2 


“On Facebook, 273 people know I’m a dog.

The rest can only see my limited profile.”

COTTINGHAM, R. Disponível em: www.socialsignal.com. Acesso em: 6 maio 2013.

 

Ao abordar a temática das mídias, esse cartum critica

A) os aplicativos que oferecem produtos supérfluos para animais de estimação.

B) os internautas que exploram comercialmente a imagem dos seus pets.

C) a manipulação dos perfis que pode gerar risco aos usuários.

D) a limitação de acesso às novas tecnologias de informação.

E) a obsessão pelo aumento do número de seguidores.

 

– Leia o texto a seguir para responder às questões 3 e 4 –

The future of learning:

How AI is changing the classroom

Artificial Intelligence (AI) is no longer a concept of science fiction; it is part of our daily lives. In the world of education, AI-powered tools are beginning to transform how students learn and how teachers provide feedback.

One of the main benefits of AI in schools is personalization. Every student has a different pace and style of learning. AI algorithms can analyze a student’s performance in real-time and adapt the material to meet their specific needs. For example, if a student struggles with a math concept, the software can provide extra exercises and alternative explanations until they master it.

However, the rise of AI in education also brings challenges. There are concerns about data privacy and the possibility that students might rely too much on technology, potentially losing their critical thinking skills. Educators argue that while AI is a powerful assistant, it cannot replace the human connection and the socialemotional support that a teacher provides. The goal, they say, is to use AI to enhance the learning experience, not to substitute the human element.

Scientific American. The AI Education Revolution, 2024. Disponível em: www.scientificamerican.com. Acesso em: 10 abr. 2026. (Adaptado).

 

Questão 3

De acordo com o texto, entre as vantagens do uso da Inteligência Artificial está o(a)

A) não necessidade de um professor em sala de aula.

B) certeza de aprendizado de todos os alunos, de forma igual.

C) possibilidade de adaptar o ensino ao ritmo de cada aluno.

D) rapidez com que as dificuldades dos alunos em conceitos matemáticos são eliminadas.

E) tempo maior de que o aluno necessita para estudar em casa.

 

Questão 4

Based on the understanding of the second and third paragraphs, it is noticeable that:

A) The third adds information contained in the second.

B) The second and third paragraphs say practically the same thing.

C) The third paragraph shows a consequence of what is said in the second.

D) Everything that is said in the second paragraph is concluded in the third.

E) The third paragraph begins by showing a contradiction to what is said in the second.

 

Questão 5 

(www.farmprogress.com, 25.03.2025. Adaptado.)

 

1. acreage: extensão de terra ou área total de um terreno, medida em acres.

2. bushel: uma medida usada internacionalmente para grãos; para a soja, equivale a 27.216 kg.

 

According to the information presented in the chart,

A) the 2016-17 production fell, despite an increase in planted area.

B) the planted area is proportional to the soybean production in all the periods of time.

C) the increase in planted area not necessarily results in a greater production.

D) the planted area has been increasing at a constant acreage from 2015 to 2025.

E) from 2020 onwards, there has been a steady decrease in soybean production. 

AVALIAÇÃO BIMESTRAL 3 - 6º ANO 2026

Questão 1 Leia o texto. A estranha passageira Foi quando madame deu o último vexame. Olhou pela janela (ela pediu para ficar do lado d...