– Texto para as questões 1 a 5 –
– Mas não é justo eles dizerem que não pode ser você
quem escreve suas próprias crônicas.
– Como assim, Alê? Quem disse que eu não escrevo?
– O grupo do colégio, do Porto. Disseram que você
era muito má aluna para agora até escrever. Achei uma maldade e saí do grupo.
Alessandra é amiga de uma vida, fiel escudeira. Fiz ela voltar ao grupo. Aceitei que assim era. Isso aconteceu no meu primeiro ano por aqui, e lembrei dessa história esta semana. Uma prima querida me pediu um prefácio para um livro de memórias da família. Escrevi e enviei. Ela me ligou:
– Alice do céu, você tem que agradecer esse
talento!
– Oi, Fernanda... talento?
– Sim! Que coisa linda! Vi minha mãe em cada
frase do prefácio, em cada palavra. Isso de escrever bem é um dom divino –
disse ela, gentil e sincera.
Assim como da primeira vez, eu só aceitei.
Entendi perfeitamente quando meus antigos colegas
de classe duvidaram da minha capacidade.
Fred era excelente aluno – hoje sei que é
excelente médico.
Dudu era ótimo aluno – sei que hoje é um ótimo
executivo.
A vida tem dessas: às vezes a estrada se abre no
começo da vida. Não foi o meu caso.
Eu era uma aluna medíocre, para ser delicada
comigo.
Não
conseguia me concentrar e, na época, isso era visto como falta de querer. E eu
queria muito.
Se alguém me dissesse, no primeiro colegial –
quando repeti, inclusive, em Língua Portuguesa – que eu seria jornalista, eu
duvidaria, assim como eles.
Entendi também Fernanda, minha prima, achar que tenho
talento.
É tão lindo ter talento! E mais lindo ainda, para
quem tem fé, assim como ela e eu, acreditarmos que é um dom. Algo que veio de
presente.
Sinto dizer que não é.
É esforço, dedicação, um querer maior que o
cansaço, maior que a vontade de ir a festas, de namorar – um querer que vem de
um lugar profundo.
Talvez, então, esse seja o talento que Deus
enviou como meu presente, como meu dom: esse dom de querer profundamente.
Minha nora quer ser médica. Estuda dia e noite.
Não sei se tem talento, mas vejo, nos olhos pequeninos,
um querer tão profundo quanto o meu.
Ela será médica, eu sei disso. Porque o talento
do querer profundo talvez seja mesmo maior que o dom.
FERRAZ, Alice. O dom de querer. O Estado de S.
Paulo, São Paulo, [s.d.]. Disponível em: www.estadao.com.br/cultura/alice-ferraz/cronica-o-dom-de-querer.
Acesso em: 13 dez. 2025.
Questão
1
“Talvez,
então, esse seja o talento que Deus enviou como meu presente, como meu dom:
esse dom de querer profundamente.”
Nesse
trecho, os advérbios “talvez” e “profundamente” acrescentam ao enunciado
circunstâncias que podem ser descritas, respectivamente, como de
A)
incerteza e modo.
B)
afirmação e lugar.
C) dúvida e intensidade.
D)
negação e modo.
E)
modo e intensidade.
Questão
2
“Alessandra é 1amiga de
uma vida, 2fiel escudeira. Fiz 3ela voltar ao grupo.
Aceitei que assim era. 4Isso aconteceu no meu primeiro ano por aqui,
e lembrei 5dessa história esta semana. 6Uma prima querida
me pediu 7um prefácio para 8um livro de memórias da
família. Escrevi e enviei. 9Ela me ligou”
Esse trecho ilustra como a coesão
textual é estabelecida por diferentes recursos que garantem a conexão entre palavras
e frases do parágrafo. Com base nisso, assinale a alternativa INCORRETA a
respeito dos marcadores de coesão desse trecho.
A) A equivalência de sentido entre
duas expressões permite a correlação entre elas, como entre amiga (ref. 1) e
fiel escudeira (ref. 2).
B) Os pronomes anafóricos ela
(ref. 3) e ela (ref. 9) foram empregados para retomar seus respectivos
referenciais unitários: Alessandra e uma prima querida.
C) Os pronomes anafóricos isso
(ref. 4) e dessa história (ref. 5) retomam ideias como a saída e a volta da
amiga do grupo de WhatsApp, respectivamente.
D) Verbos e pronomes na 1ª pessoa
do singular manifestam a voz da narradora-personagem: fiz, aceitei, meu, lembrei,
me escrevi, enviei, me.
E) Os artigos indefinidos em uma prima (ref. 6), um prefácio (ref. 7) e um
livro (ref. 8) são elementos anafóricos que geram imprecisão sobre os
substantivos.
Questão
3
Em
um trecho específico do texto, a narradora analisa a crença de que a capacidade
de escrever é um presente de Deus:
“É tão lindo ter talento! E mais lindo ainda,
para quem tem fé, assim como ela e eu, acreditarmos que é um dom. Algo que veio
de presente.
Sinto dizer que não é.
É esforço, dedicação, um querer maior que o
cansaço, maior que a vontade de ir a festas, de namorar – um querer que vem de
um lugar profundo.
Talvez, então, esse seja o talento que Deus
enviou como meu presente, como meu dom: esse dom de querer profundamente.”
Considerando
as opiniões presentes nesse trecho, pode-se afirmar que, nele, a narradora
A)
contradiz o que disse antes ao afirmar que o talento vem de Deus, e não do
esforço.
B) redefine o conceito de dom como
força interior, não como habilidade de escrever.
C)
confunde talento natural e esforço consciente, gerando uma incoerência interna.
D)
conclui que o esforço individual não supera os dons de escrita concedidos por
Deus.
E)
abandona o tom racionalista sobre habilidades e defende a fé e o dom da
escrita.
Questão
4
Apesar dos elementos concretos
(figurativos) da narrativa, o texto propõe uma reflexão mais filosófica
(temática) a respeito da origem das habilidades envolvidas na escrita, em
especial sobre o talento natural, o dom divino ou o esforço individual. Com
base no sentido global do texto, pode-se afirmar que a narradora defende a
ideia de que escrever bem, essencialmente, é um(a)
A) habilidade presenteada por
Deus.
B) talento natural de quem
escreve.
C) resultado do esforço individual.
D) característica fruto do acaso.
E) rebeldia contra a opinião
alheia.
Questão
5
Leia
o seguinte trecho da crônica:
“Ela me ligou:
– Alice do céu, você tem que agradecer esse
talento!”
Dentre
as alternativas a seguir, assinale aquela que, mantendo o sentido original,
corresponda à correta transposição das falas do diálogo para o discurso
indireto.
A) Ela me ligou e me disse que eu tinha
que agradecer aquele talento.
B)
Ela me ligou e disse: “Você tem que agradecer aquele talento!”.
C)
Ela me ligara e perguntou se eu tinha talento.
D)
Ela me ligou, afirmando que, Alice do céu, eu tinha que agradecer esse talento!
E)
Ela me ligou e pediu que eu agradecesse ao céu o meu talento.
– Texto para as questões
6 e 7 –
Leia
o poema intitulado “Cidade”, da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner
Andresen (1919-2004).
Cidade,
rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó
vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber
que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas
sem nome e planícies mais vastas
Que
o mais vasto desejo,
E
eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os
muros e as paredes, e não vejo
Nem
o crescer do mar, nem o mudar das luas.
Saber
que tomas em ti a minha vida
E
que arrastas pela sombra das paredes
A
minha alma que fora prometida
Às
ondas brancas e às florestas verdes.
(Sophia de Mello Breyner Andresen. @Coral e
outros poemas, 2018.)
Questão
6
No poema, o eu lírico expressa um
sentimento, sobretudo, de
A) desencanto.
B) nostalgia.
C) compaixão.
D) insegurança.
E) vergonha.
Questão
7
A chamada derivação imprópria
consiste em mudar a classe gramatical de uma palavra, estendendo-lhe a
significação. Por esse processo, por exemplo, verbos transformam-se em substantivos.
Verifica-se exemplo de derivação imprópria no seguinte verso:
A) “Montanhas sem nome e planícies
mais vastas” (1ª estrofe)
B) “Às ondas brancas e às
florestas verdes.” (2ª estrofe)
C) “A minha alma que fora
prometida” (2ª estrofe)
D) “Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.” (1ª estrofe)
E) “Saber que existe o mar e as
praias nuas,” (1ª estrofe)
Questão
8
Leia
o texto a seguir.
E tinha a cabeça cheia
deles
Todos os dias, ao primeiro sol da manhã, mãe e
filha sentavam-se na soleira da porta. E deitada a cabeça da filha no colo da
mãe, começava esta a catar-lhe piolhos.
Os dedos ágeis conheciam sua tarefa. Como se
vissem, patrulhavam a cabeleira separando mechas, esquadrinhando entre os fios,
expondo o claro azulado do couro. E na alternância ritmada de suas pontas
macias, procuravam os minúsculos inimigos, levemente arranhando com as unhas,
em carícia de cafuné.
Com o rosto metido no escuro pano da saia da mãe,
vertidos os cabelos sobre a testa, a filha deixava-se ficar enlanguescida,
enquanto a massagem tamborilada daqueles dedos parecia penetrar-lhe a cabeça, e
o calor crescente da manhã lhe entrefechava os olhos.
Foi talvez devido à modorra que a invadia,
entrega prazerosa de quem se submete a outros dedos, que nada percebeu naquela
manhã – a não ser, talvez, uma leve pontada – quando a mãe, devassando gulosa o
secreto reduto da nuca, segurou seu achado entre polegar e indicador e,
puxando-o ao longo do fio negro e lustroso em gesto de vitória, extraiu-lhe o
primeiro pensamento.
Marina Colasanti, Contos de amor rasgado, 1986.
Em
relação à construção e ao propósito, esse texto pode ser classificado como
A)
novela.
B) crônica.
C)
fábula.
D)
notícia.
E)
peça de teatro.
– Leia o texto para
responder as questões 9 e 10 –
Diante dessa avó biruta, Pedro apenas ouvia e
fazia que sim. Até ele, com sua pouca instrução, sabia que os agentes do
Terror, como Marat, Danton, Robespierre e centenas de outros, além do próprio
Egalité, já estavam tão mortos quanto Luís XVI e igualmente guilhotinados –
exceto Marat, assassinado em sua banheira pela militante girondina Charlotte
Corday (logo Marat, que só tomava banho para fins medicinais!). Às vezes, Pedro
tinha pena da rainha. Mas, quase sempre, despedia-se dela com um novo
beija-mão, retirava-se andando de costas e, depois de fechar a porta atrás de
si e sair no corredor, deixava escapar um suspiro de alívio. Não era justo que uma
rainha terminasse assim – que o mundo desse a volta ao juízo de alguém nascida
para usar uma coroa e interferir nos destinos desse mesmo mundo. Mas já havia muito
que dona Maria não interferia nem no próprio destino.
CASTRO, Ruy. Era no Tempo do Rei.
Questão
9
Assinale
a alternativa que traz um comentário correto sobre o texto.
A)
A loucura da rainha é consequência dos fatos do passado citados no trecho, como
as mortes brutais de Marat, Danton, Robespierre e Egalité.
B) No trecho, há uma forte relação
intertextual e interdiscursiva na referência a figuras históricas da Revolução Francesa
e no título da obra, que faz menção ao primeiro parágrafo da obra Memórias de
um Sargento de Milícias.
C)
A subjetividade e o uso da linguagem coloquial, como expresso por meio dos
termos “biruta” e “beija-mão”, são representações em discurso direto da fala do
personagem principal, D. Pedro, na época de sua juventude.
D)
As descrições detalhadas, como em “que só tomava banho para fins medicinais” e
“deixava escapar um suspiro de alívio” têm a finalidade de mostrar os costumes da
época.
E)
O uso constante de verbos no pretérito perfeito, como em “ouvia”, “fazia” e
“interferia”, contribui para organizar a narrativa no tempo passado, o referido
“Tempo do Rei”, do título da obra.
Questão
10
Pressupostos são informações
implícitas consideradas verdadeiras com base em marcas linguísticas na frase.
Por exemplo, em “Augusto não pode
mais tomar café”, o pressuposto trazido pela expressão “mais” é que Augusto podia
e tomava café antes, mas, a partir de agora, não pode mais.
No trecho da obra, NÃO temos um
pressuposto em:
A) “Até ele, com sua pouca
instrução, sabia que os agentes do Terror [...] já estavam tão mortos quanto
Luís XVI.”
B) “Às vezes, Pedro tinha pena da
rainha.”
C) “Mas, quase sempre, despedia-se
dela com um novo beija-mão.”
D) “Depois de fechar a porta atrás de si e sair no corredor, deixava
escapar um suspiro de alívio.”
E) “Mas já havia muito que dona
Maria não interferia nem no próprio destino.”
Questão
11
Leia
o texto a seguir.
Olha,
Marília, as flautas dos pastores
Que
bem que soam, como estão cadentes!
Olha
o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os
Zéfiros brincar por entre as flores?
Vê
como ali beijando-se os Amores
Incitam
nossos ósculos ardentes!
Ei-las
de planta em planta as inocentes,
As
vagas borboletas de mil cores.
Naquele
arbusto o rouxinol suspira,
Ora
nas folhas a abelhinha para,
Ora
nos ares sussurrando gira.
Que
alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas
ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,
Mais
tristeza que a noite me causara.
BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. Olha, Marília,
as flautas dos pastores. Disponível em: www.escritas.org/pt/t/11031/olha-marilia-as-flautas-dos-pastores.
Acesso em: 13 dez. 2025.
Bocage
é o principal representante do neoclassicismo português, mas alguns de seus
textos já prenunciam a aproximação do Romantismo. Considerando as principais características
do soneto, é possível afirmar que
A)
a natureza é apresentada de forma idealizada, o que dá ao poema um tom patriota
e romântico.
B) a abordagem dada ao amor, em que se
considera a presença da mulher amada fundamental para a felicidade, é exagerada
e dialoga com o Romantismo.
C)
o excesso de pontos de exclamação ao longo do soneto é marca do exagero
romântico presente no trabalho do autor.
D)
a menção à musa Marília e a referência à antiguidade clássica são aspectos do
neoclassicismo que excluem qualquer relação do texto com o período romântico.
E)
o texto não se relaciona com os princípios árcades e tampouco apresenta
indícios de Romantismo.
Questão
12
Leia o poema a seguir.
Que é – simpatia
Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.
Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.
São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.
Simpatia – meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’agosto
É o que m’inspira teu rosto...
– Simpatia – é quase amor!
DE
ABREU, Casimiro. Jornal de Poesia. Domínio público. Disponível em: www.jornaldepoesia.jor.br/casi1.html#que.
Acesso em: 13 dez. 2025.
Casimiro de Abreu foi um
importante poeta romântico brasileiro e morreu tuberculoso aos 21 anos de
idade, como acontecia com certa frequência com artistas do período. Classificado
como um poeta da segunda geração do Romantismo, é possível identificar em seu
texto um dos traços fundamentais desse movimento. Trata-se do(a)
A) teor politicamente engajado,
como ocorre em Castro Alves.
B) pessimismo mórbido que coloca a
morte como libertação da vida.
C) ingenuidade amorosa que não inclui conotação sensual ou erótica.
D) erotismo apresentado de forma
ingênua e quase infantil.
E) valorização do indígena como
símbolo tipicamente brasileiro.
Questão
13
A escrava
Admira-me –, disse uma senhora de sentimentos sinceramente
abolicionistas –; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar
sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral
religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que
envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a
nação inteira! Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade,
e dizei-me:
– Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que
ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o
resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a
liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói
constantemente!… Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a
destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela
é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o
comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer
florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado.
REIS, M. F. Úrsula
e outras obras. Brasília: Câmara dos Deputados, 2018.
Inscrito
na estética romântica da literatura brasileira, o conto descortina aspectos da
realidade nacional no século XIX ao
A)
revelar a imposição de crenças religiosas a pessoas escravizadas.
B) apontar a hipocrisia do discurso
conservador na defesa da escravidão.
C)
sugerir práticas de violência física e moral em nome do progresso material.
D)
relacionar o declínio da produção agrícola e comercial a questões raciais.
E)
ironizar o comportamento dos proprietários de terra na exploração do trabalho.
Questão
14
Esta
arte trabalha sobre uma dicotomia, quase uma dilaceração. De um lado, as
determinações católicas contrarreformistas – a obrigação de
tratar dos temas bíblicos e da vida de santos; a perspectiva teocêntrica, que
considera Deus como o centro do mundo, o eixo da vida. De outro, as
solicitações do mundo – os temas da vida real, como as conquistas, as maravilhas
inventadas pelos homens, segundo a perspectiva antropocêntrica, que considera o
homem a medida de todas as coisas. Daí aparecem tensões entre o divino e o
humano, o tema religioso e o tema mundano, o sublime e o profano, o alto e o
baixo, etc.
Luís
Augusto Fischer. Literatura brasileira:
modos de usar, 2013. Adaptado.
O texto trata da arte
A) renascentista.
B) árcade.
C) romântica.
D) simbolista.
E) barroca.
Questão
15
Leia
o texto a seguir.
Lira I
Eu,
Marília, não sou algum vaqueiro,
Que
viva de guardar alheio gado;
De
tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos
frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho
próprio 1casal e nele 2assisto;
Dá-me
vinho, legume, fruta, azeite;
Das
brancas ovelhinhas tiro o leite
E
mais as finas lãs de que me visto.
Graças,
Marília bela,
Graças
à minha Estrela!
Eu
vi o meu semblante numa fonte,
Dos
anos inda não está cortado;
Os
Pastores, que habitam este monte,
Respeitam
o poder de meu cajado.
Com
tal destreza toco a sanfoninha,
Que
inveja até me tem o próprio 3Alceste:
Ao
som dela concerto a voz celeste;
Nem
canto letra que não seja minha.
Graças,
Marília bela,
Graças
à minha Estrela!
GONZAGA, Tomás Antonio. Marília de Dirceu: Lira I. Disponível em:
www.culturatura.com.br/obras/Mar%C3%ADlia%20de%20Dirceu.pdf. Acesso em: 13 dez.
2025.
Glossário
1.
casal: sítio, pequena propriedade
2.
assisto: moro
3.
Alceste: referência a Claudio Manuel da Costa, mestre de Tomás Antônio Gonzaga
A
partir da leitura das estrofes, pertencentes à primeira Lira de Marília de
Dirceu e considerando os lemas que norteiam boa parte da produção do Arcadismo
brasileiro, pode-se dizer que o que mais se aproxima do discurso do eu lírico
Dirceu é
A)
carpe diem.
B)
inutilia truncat.
C)
locus amoenus.
D)
fugere urbem.
E) aurea mediocritas.
3ª SÉRIE - LI
Questão
1
Read
the small extract below.
Research shows that both misinformation and disinformation
spread faster and farther than truth online. This means that before people can
muster the resources to debunk the false information that has seeped into their
social networks, they may have already lost the race. Complex contagion may
have taken hold, in a malicious way, and begun spreading falsehood throughout
the network at a rapid pace.
People spread false information for various
reasons, such as to advance their personal agenda or narrative, which can lead
to echo chambers that filter out accurate information contrary to one’s own
views. Even when people do not intend to spread false information online, doing
so tends to happen because of a lack of attention paid to accuracy or lower
levels of digital media literacy. […]
Disponível em:
https://theconversation.com/misinformationlends-itself-to-social-contagion-heres-how-to-recognizeand-combat-it-254298.
Acesso em: 13 out. 2025.
What
does the text suggest about the relationship between misinformation, digital
literacy, and social networks?
A)
Higher levels of digital literacy increase the likelihood of misinformation
spreading rapidly.
B)
Misinformation spreads slowly because most users are careful about what they
share online.
C)
False information only spreads when users intentionally manipulate social
networks for personal gain.
D) Limited digital literacy and lack of
attention to accuracy allow misinformation to spread quickly through social networks.
E)
The spread of misinformation depends mainly on the number of followers a user
has, not their digital literacy.
Questão
2
Read
the excerpt:
“Don’t use the internet to self-diagnose. You are
likely to cause yourself unnecessary stress or possibly minimize something that
could be serious. Ultimately, we as physicians want you to be proactive and
informed on your own health care. We welcome inquiry, as the doctor-patient
relationship is one that is rooted in collaboration,” says Dr. Childs. “But
once you have a professional diagnosis, you can use trusted sites to learn more
about your condition”.
Disponível em:
www.henryford.com/blog/2025/05/the-dangersof-online-self-diagnosis. Acesso em:
19 dez. 2025.
According
to the text, which sentence correctly uses “likely” to express a similar
meaning of probability or risk?
A) People who search their symptoms
online are likely to misunderstand the information they find.
B)
Online medical forums likely give accurate diagnoses without needing a doctor’s
opinion.
C)
Teenagers are likely believing everything they see on the internet about
health.
D)
Reading health blogs is likely helping people avoid unnecessary stress
completely.
E)
It is likely doctors want patients to diagnose themselves before appointments.
Questão
3
Read the text.
Shaping a Sustainable Future
Understanding
how human behavior affects the environment is the first step towards creating a
more sustainable future. By making informed choices, advocating for policy
changes, and promoting sustainable practices, we can collectively reduce our environmental
impact and build a healthier planet for generations to come. The time to act is
now. We must recognize our profound impact and actively work to minimize the
adverse effects of human actions on our shared environment. A concerted effort
towards responsible and ethical living, coupled with innovative and
environmentally conscious policies, is paramount to safeguarding the Earth’s
delicate ecosystems.
HOW Does Human Behavior Affect the
Environment? The Institute for
Environmental Research and Education.
Complete the sentences with the
correct relative pronoun.
1) Human behavior, ___ strongly affects
the environment, must be better understood to create a sustainable future.
2) People ___ make informed
choices can help reduce environmental damage.
3) Sustainable practices ___ protect natural resources
are essential for future generations.
4) The Earth is the planet ___human actions
have a direct impact on delicate ecosystems.
5) Future generations, ___ quality of life
depends on our actions today, will benefit from responsible living.
Check the correct alternative.
A) which; who; that; where; whose.
B) who; where; whose; that; which.
C) where; whose; which; who; that.
D) that; which; who; whose; where.
E) whose; that; where; which; who.
Questão
4
Read
the text.
There are as many ways of being blind as there
are of being tall, or sick, or hot. But the popular view has always conceived
of blindness as a totality. The blind bards wandering the countrysides of
ancient Japan, China, or Europe, the blind housed in asylums in the Middle
Ages, all the pupils in all the schools for the blind from the Enlightenment
onward, blind beggars and lawyers, war veterans and toddlers - in the eyes of history,
as well as those of most of their contemporaries, they all saw nothing. Modern
dictionaries still subscribe to this sense: blindness is the antonym of vision,
and connotes a destitution of sight. What else could it mean?
Despite the poetic impulse to equate blindness with
darkness, it’s rarely experienced as a black veil draped over the world. Only
around 15 percent of blind people have no light perception whatsoever. Most see
something, even if it isn’t very useful, by sighted standards: a blurry view of
their periphery, with nothing in the middle, or the inverse - the world seen through
a buttonhole. For some, scenes come through in a dim haze; for others, light
produces a shower of excruciatingly bright needles. Even those with no light perception
at all have little use for the popular image of blindness as darkness: the
brain cut off from visual stimulus can still produce washes of brilliant color and
shape. One blind man, whose optic nerve – the connection between the eyes and
the brain - had been severed, described seeing a continuously swirling (and distracting)
“visual tinnitus.” The Argentine writer Jorge Luis Borges, decades into his
blindness, still saw color, which sometimes disturbed him: “I, who was accustomed
to sleeping in total darkness,” he said, “was bothered for a long time at
having to sleep in this world of mist, in the greenish or bluish mist, vaguely
luminous, which is the world of the blind. I wanted to lie down in darkness”.
The arrival or encroachment of blindness gives rise
to a similarly dazzling range of experiences, an efflorescence of blind
varietals. There are those born blind, with no visual memories, whose brains –
including the visual cortices – develop using four (or fewer) senses to
construct their view of the world. Those who become blind in early childhood
often retain visual memories that can contribute to an intuitive understanding
of visual concepts. The late-blinded may have the most cognitive work to do,
forced to relearn basic skills like orientation and information – gathering
through new senses, long after their brains’ developmental plasticity has
hardened. Some late-blinded adults consciously struggle to preserve their
storehouses of mental images, like art conservators touching up old and fading
masterpieces.
People are blinded by their spouses or strangers,
by acts of war or sports injuries, by industrial acidentes and bad decisions,
malnutrition and infection, genetic inheritances and spontaneous mutations.
It’s disingenuous to argue that blindness doesn’t have a transformative impact
on a person’s life, but in every case, blindness is only part of the story. The
life of a blind person is never fully (or even predominantly) defined by their
blindness.
LELAND, A. The
Country of the Blind: A memoir at the end of sight. New York: Penguin, 2023.
p. 1. Acesso em: 13 out. 2025.
Assinale
a alternativa correta em relação ao texto.
A)
As pessoas cegas invariavelmente criam estratégias que envolvem a utilização
dos outros quatro sentidos na sua construção de mundo, bem como o reaprendizado
da orientação espacial e a preservação inconsciente de imagens adquiridas
anteriormente à condição de cegueira.
B)
As vivências das pessoas cegas são muito diversas, devido a fatores como idade
e tipo de cegueira; entretanto, a destituição da visão e a não percepção da luz
são fatores comuns a todos os tipos de cegueira.
C)
As pessoas que se tornam cegas na infância não têm repertório de imagens
visuais para utilizar ao longo da vida, ao contrário das que se tornam cegas
depois de adultas.
D) A tentativa de definição e as
perspectivas históricas apresentadas no texto não abarcam toda a diversidade de
condições de cegueira.
E)
O texto ressalta que a existência de uma pessoa cega não é definida unicamente
em torno de sua cegueira, ainda que ela seja sua característica mais marcante.
Questão
5
Read the text.
Over
the last two decades, technology companies and policymakers warned of a
“digital divide” in which poor children could fall behind their more affluent peers
without equal access to technology. Today, with widespread internet access and
smartphone ownership, the gap has narrowed sharply.
But
with less fanfare a different division has appeared: Across the country, poor
children and adolescents are participating far less in sports and fitness
activities than more affluent youngsters are. Call it the physical divide. Data
from multiple sources reveal a significant gap in sports participation by
income level.
A
combination of factors is responsible. Spending cuts and changing priorities at
some public schools have curtailed physical education classes and organized sports.
At the same time, privatized youth sports have become a multibilliondollar
enterprise offering new opportunities – at least for families that can afford hundreds
to thousands of dollars each season for clubteam fees, uniforms, equipment,
travel to tournaments and private coaching.
“What’s
happened as sports has become privatized is that it has become the haves and
have-nots,” said Jon Solomon, editorial director for the Aspen Institute Sports
and Society Program. “Particularly for low-income kids, if they don’t have
access to sports within the school setting, where are they going to get their
physical activity?” Mr. Solomon said. “The answer is nowhere.”
THE
NEW York Times. 24 mar, 2023. Acesso em: 13 out. 2025. (Adaptado.)
Conforme o texto, um dos motivos
para a disparidade relativa à prática de atividades físicas por alunos, segundo
o nível de renda, reside:
A) no abismo persistente entre as
notas de estudantes ricos e pobres.
B) no corte de gastos e mudanças de prioridades em algumas escolas
públicas.
C) na preferência por jogadores
com potencial superior para competição.
D) na redução de bolsas de estudos
para adolescentes de famílias abaixo da linha de pobreza.
E) na realização de campeonatos
contemplados com doações de ONGs.