03 setembro 2026

VIDA EM BRANCO

 Vida em Branco

Zélia Duncan

 

Você não precisa de artistas?

Então me devolve os momentos bons.

Os versos roubados de nós.

As cores do seu caminho.

Arranca o rádio do seu carro, destrói a caixa de som.

Joga fora os instrumentos e todos aqueles quadros, deixa as paredes em branco, assim como a sua cabeça.

Seu cérebro cimento, silêncio, cheio de ódio.

Armas para dormir, nenhuma canção de ninar, e suas crianças em guarda, esperando a hora incerta para mandar ou receber rajadas.

 

Você não precisa de artistas?

Então fecha os olhos, mora no breu.

Esquece o que a arte te deu, finge que não te deu nada. Nenhum som, nenhuma cor, nenhuma flor na sua blusa. Nem Van Gogh, nem Tom Jobim, nem Gonzaga, nem Diadorim. Você vai rimar com números.

Vai dormir com raiva, e acordar sem sonhos, sem nada.

E esse vazio no seu peito não tem refrão para dar jeito, não tem balé para bailar.

 

Você não precisa de artistas?

Então nos perca de vista. Nos deixe de fora desse seu mundo perverso, sem graça, sem alma. Bom dia para quem tem alma!




02 setembro 2026

AUTORES BRASILEIROS (2)

 AUTOR: SAULO MENDONÇA

 

Saulo Marques Mendonça nasceu na cidade de Alagoa Grande, estado da Paraíba, em 1950. Além de ser poeta, é jornalista, cronista e publicitário. Tem diversos livros publicados, figurando entre a crônica e a poesia, desde a década de 1970. Sua principal forma de construção poética é o haicai. Por isso, sua obra faz parte de diversas antologias na Paraíba, no Brasil e no exterior, visto que integra uma antologia publicada no Japão pela Aliança Cultural Brasil-Japão. Além disso, participou de várias bienais internacionais de livro e de vários congressos brasileiros de escritores, levando o nome da Paraíba ao mundo. Vale salientar que seus poemas foram publicados em mais de setenta países através da revista colombiana “Neblina”.

 

Seus haicais são de valiosa beleza, sobretudo pela construção de imagens poéticas, que fascinam os olhos e a alma do leitor. Dito de outra forma, Saulo consegue, em sua poesia, construir a logopeia e a fanopeia de que nos fala Ezra Pound. Segundo Chaves (2019), “Saulo traz para dentro de seus haicais, o cotidiano e as marcas de suas experiências. Tudo isso sob a forma original haicaísta composta de uma única estrofe com versos de 5,7 e 5 sílabas respectivamente”.

 

Dentre seus livros, podemos citar “Libélula” (1990); “Pirilampo” (2005), “Luz de Musgo” (2008). Entre os variados ensaios críticos acerca de sua obra, vale citar “Epifania da poesia: ensaios sobre os haicais de Saulo Mendonça”, escrito pelo professor, poeta e crítico literário Amador Ribeiro Neto (UFPB). Dois haicais que demonstram a genialidade poética de Saulo:

 

Um gato dorme

sobre a balança:

sono pesado.

 

***

 

A moça nubente

resolvida, despe-se:

mais um sim.

 

A escolha do nome de Saulo Mendonça para integrar este fórum dá-se em virtude da sua poesia haicaísta ser de muita valia para o estímulo à leitura e à escrita, além de despertar nos estudantes a sensibilidade para lidar com as imagens poéticas que se revelam a cada leitura. Ademais, é possível, de maneira interdisciplinar, trabalhar a releitura dos haicais em diálogo com as artes visuais, estimulando a construção de painéis, de mosaicos e outras formas de expressão artística que dialogam com a poesia e incentivam a criatividade dos discentes.

 

 


 

Referência

CHAVES, Manuelly De Carvalho Silva. Linguagem poética paraibana: a poesia haicaísta de Saulo Mendonça. Anais IV CONAPESC... Campina Grande: Realize Editora, 2019. Disponível em: <https://www.editorarealize.com.br/artigo/visualizar/56970>;. Acesso em: 15/12/2025 14:47.

01 setembro 2026

AUTORES BRASILEIROS (1)

AUTOR: LUÍS DA CÂMARA CASCUDO

Luís da Câmara Cascudo representa um pilar da literatura brasileira norte-rio-grandense como folclorista, antropólogo e cronista potiguar. Nascido em 31 de agosto de 1898, em Natal (RN), filho de um advogado e uma professora, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife em 1920, se apresentou como jornalista, advogado e professor de Direito Internacional na UFRN a partir de 1951. Faleceu em 2 de setembro de 1986, revelando mais de 200 obras sobre cultura popular, fundando em 1941 a Sociedade Brasileira de Folclore, da qual foi presidente vitalício.

Sua trajetória incluiu estudos sobre invasões holandesas, literatura oral e costumes nordestinos, com estreia em Alma patrícia (1921) e destaques como Dicionário do Folclore Brasileiro (1954), Contos tradicionais do Brasil (1946), Geografia do Brasil holandês (1956) e Literatura Oral no Brasil (1978), além de crônicas jornalísticas que popularizaram o saber popular. Jornalista prolífico em veículos como A República, dedica-se à preservação de provérbios, lendas, cantigas e história regional, consolidando-se como referência nacional e internacional na etnografia brasileira. Recebeu homenagens como o título de "corifeu da intelectualidade potiguar" e influência em projetos educacionais sobre cultura oral.

Luís da Câmara Cascudo produziu obras acessíveis que preservam o folclore brasileiro, ideais para o ensino básico por sua linguagem simples e narrativas lúdicas. Contos tradicionais como lendas de Iara, Zumbi ou Romãozinho captam a atenção das crianças, fomentando a imaginação e a identidade cultural.

  • Contos Tradicionais do Brasil (1946): Compila 44 histórias divididas em capítulos temáticos, com lições morais como "O bem se paga com o bem", perfeito para contato oral e discussão ética em sala.
  • Geografia dos Mitos Brasileiros (1947): Explora mitos regionais por estado, de leitura fácil para fundamental I e II, incentivando mapas e desenhos sobre diversidade cultural.
  • Lendas de Câmara Cascudo (compilações): Inclui "A Princesa Encantada de Jericoacoara" e "Barba Ruiva", usadas em murais e atividades interativas para alunos com necessidades especiais

Essas obras alinhadas à BNCC ao valorizar patrimônio imaterial, estimulando linguagem oral, empatia e interação social por meio de dramatizações ou recitais em grupo. Para o contexto potiguar, reforçam raízes nordestinas, promovendo inclusão e criatividade no ensino fundamental. Escolher Luís da Câmara Cascudo enriquecer aulas de literatura no ensino fundamental ao trazer contos tradicionais acessíveis, ideais para estimular a linguagem oral, memória e interação social em alunos com necessidades especiais, como autismo. Suas narrativas folclóricas fomentam identidade regional potiguar, valores éticos e diversidade cultural via atividades lúdicas como contação de histórias ou dramatizações em grupo. Alinha-se à BNCC por valorizar o patrimônio imaterial nordestino, promovendo inclusão e criatividade em sala de aula.





09 agosto 2026

LEITURA DE IMAGEM: REDES SOCIAIS

 



Texto I

A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro

Imagem de criança observando fogos no réveillon de Copacabana levanta debate

 

María Martín

Um menino negro, na beira do mar, admira de olho grande e boca aberta os fogos da virada do ano na praia de Copacabana. Está aparentemente sozinho, veste uma bermuda molhada, com os pulsos entrelaçados na altura do umbigo, enquanto em outro plano, na areia, a massa vestida de branco comemora a entrada de 2018. Alguns dão as costas ao menino, ao mar e aos fogos para tirar suas selfies, e outros comemoram absortos o espetáculo. A imagem em preto e branco, tirada pelo fotógrafo Lucas Landau para agência Reuters, está tomando as redes sociais de milhares de brasileiros com infinidade de legendas diferentes. A fotografia fala de um menino negro de nove anos numa praia durante uma festa, mas, vista a repercussão, fala também de como a interpretamos.

Os primeiros compartilhamentos da foto, que originalmente foi enviada em cores à agência, viram nela da “invisibilidade do nosso cotidiano” à “imagem da exclusão social”. Muitos enxergaram um menino perdido, pobre, assustado, sendo ignorado pela massa branca. Viu-se até a imagem das “consequências do golpe” e foi um “soco no estômago” de outros tantos. “Essa é a nossa humanidade hipócrita”, “que essa imagem sirva de reflexão para o que podemos ser em 2018: mais sensíveis, mais tolerantes, mais inclusivos”, “de um lado o encanto. Do outro a indiferença”, legendavam os internautas. Houve também quem, fugindo da interpretação racial, viu a autenticidade de uma criança curtindo o espetáculo enquanto os adultos davam as costas à pirotecnia para tirar seu melhor autorretrato. E também quem aproveitou a imagem e criou memes exaltando pautas da esquerda.

Enquanto a foto viralizava, ativistas do movimento negro lançavam uma outra questão: enxergaríamos essa foto da mesma maneira se o protagonista fosse um menino branco e loiro?

“O problema não é a foto, é a interpretação dela, do seu contexto. As pessoas que olham aquela foto estão precondicionadas a entender que a imagem de uma pessoa negra é associada a pobreza e abandono, quando na verdade é só uma criança negra na praia. Essa precondição é racismo estrutural, que vem da má educação do povo brasileiro sobre ele mesmo”, lamenta o escritor Anderson França. [...]

Sob o apelo “Parem com os estereótipos de crianças negras”, Mayara Assunção, do Coletivo Kianda, um grupo de mulheres negras que discute maternidade, arte, educação e cultura, escrevia: “Eu vejo uma criança que parou para olhar a queima de fogos no meio de uma festa. Sinceramente, nós temos que parar de achar que todo menino negro e sem camisa está abandonado, triste, sozinho, infeliz e contrastando com a felicidade dos outros. Temos que parar de achar que todo menino sozinho é criança que vive em situação de rua. Temos que parar de achar um monte de coisas. Inclusive, que é legal expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com pena e compaixão de nós. Ah, por favor né, a gente tem essa mania horrível de reforçar os estereótipos de nossas crianças: ‘Que pena!’, ‘É o retrato do Brasil!’, ‘Imagem muito impactante, reforça as desigualdades do país’. Parem! Vocês nem sabem quem é aquele menino. E vocês não querem saber também. Para 2018, menos estereótipos para crianças negras por favor.”

Suzane Jardim, educadora e historiadora e cuja reflexão sobre a repercussão da imagem foi compartilhada mais de mil vezes, sustenta que “a questão é perceber como o corpo negro deixa de ser dotado de individualidade para se tornar um símbolo que dialoga com a culpa de pessoas que o percebem como inferior na primeira olhada”. E alerta: Não há na imagem qualquer indicação de status social, precariedade ou abandono. Há uma criança sem camisa no mar observando fogos de artifícios maravilhada em uma imagem que de fato é bela, mas nada diz sobre questões sociopolíticas”. Para Jardim “dar a essa imagem esse caráter de ‘retrato da desigualdade’ é presumir pela corporeidade do sujeito (no caso criança, negra, sem camisa) que ali há precariedade e sofrimento, o que só pode acontecer em uma sociedade que liga a negritude a esses elementos”. [...]

MARTÍN, María. A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro. El País, 3 jan. 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/02/politica/1514924485_498274.html.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

Texto II

Esclarecimento de Landau no Facebook

Fotografo profissionalmente há 12 anos; publico fotos na internet desde 2005. Mas mesmo com anos ou mesmo décadas de experiência, nenhum fotógrafo consegue prever que uma imagem vai viralizar. Jamais adivinharia que uma saída (como falamos no jargão do fotojornalismo) para cobrir fogos de artifício fosse gerar tamanha repercussão.

Fui contratado, e pago, obviamente, para documentar os fogos da festa de réveillon em Copacabana. Nos 17 minutos que tive para compor essa história, aconteceu de encontrar uma criança deslumbrada, assistindo ao espetáculo. A pureza dos seus gestos e o encantamento no seu olhar me tocaram.

Sou contador de histórias, por isso, busco criar vínculos com todos os personagens que cruzam o meu caminho. Acredito que apenas com esses laços, com essa troca, é possível documentar a vida de outro ser humano (como tento aprender com as obras de Ed Kashi, Ron Haviv e Lynsey Addario, entre outros).

No entanto, em 17 minutos, infelizmente, não foi possível criar vínculos com todos os personagens – somou-se a isso o fato de que, encerrado o show pirotécnico, eu deveria voltar para casa o mais depressa possível para transmitir o material para a agência, afinal, eu tinha uma encomenda fotográfica para entregar naquela noite.

A foto de uma criança vidrada nos fogos foi compartilhada, a partir das minhas redes sociais, na tarde do primeiro dia de 2018, em uma velocidade assustadora. Fico contente de ver a fotografia cumprindo seu papel enquanto arte: levantando discussões, ensinando, questionando, gerando debates que nos fazem evoluir como sociedade.

Essa é a minha fala: a foto. É assim que me expresso, fotografando. Não acredito ter algo a acrescentar, além do que já contextualizei. Nesse caso em que a fotografia cria vida própria, a opinião do fotógrafo de nada importa. Cada um projeta as suas próprias bagagens quando olha para o menino no réveillon.

O conheci cinco dias depois da nossa vida ter mudado. Conheci também sua mãe. Foi um encontro emocionante em que pudemos criar nossos vínculos, finalmente. Escolhemos manter esse momento privado, assim como a nossa relação. Pedimos que as pessoas e a imprensa compreendam e nos respeitem.

Agradeço imensamente por todas as mensagens carinhosas que recebi. E agradeço às críticas pois me fazem refletir e me ensinam constantemente. Um 2018 de muitos aprendizados e de muita arte que gere debate. Estamos só começando!

LANDAU, Lucas. Facebook, 6 jan. 2018. Disponível em: www.facebook.com/lucaslandau/posts/10215049874222439.

Acesso em: 17 dez. 2025.

 

 

1. A leitura de uma fotografia deve combinar a observação do conteúdo (o assunto, a cena fotografada) e a análise dos meios de expressão (linguagem visual, técnicas e escolhas do fotógrafo para captar a imagem)

a. Considerando esses aspectos, comente a descrição da foto apresentada no primeiro parágrafo da reportagem

b. Quais são os grandes contrastes que a foto apresenta, segundo a descrição da jornalista?

2. Segundo a reportagem, a foto “viralizou” devido ao modo como os internautas a interpretaram.

a. Que tipo de significado ou de simbologia os internautas atribuíram à imagem?

b. Os internautas que fizeram essa interpretação criticaram negativamente a foto e/ou o fotógrafo? Explique.

c. Em torno de qual tema girou a polêmica desencadeada pela postagem da foto, segundo a reportagem?

3. O título da reportagem interpreta o tema da foto, afirmando que ela “fala de como vemos um menino negro”

a. Lendo o esclarecimento do fotógrafo (Texto II), podemos afirmar que sua intenção era abordar a temática atribuída pelos internautas à sua foto?

b. O verbo “falar” utilizado no título deve ser entendido literalmente? Explique, levando em conta o comentário do escritor Anderson França no parágrafo 4 do Texto I.

4. Releia o comentário de Mayara Assunção, do Coletivo Kianda (Texto I)

a. A quem se dirige a principal crítica de Mayara?

b. Entre ela e Anderson França há concordância ou discordância? Explique.

c. Mayara poupa de críticas o autor da foto? Explique.






1.

a. Grande parte da descrição ocupa-se do conteúdo, ou seja, dos detalhes da cena fotografada – local, ocasião, personagens, trajes, gestos, comportamentos. Há referência a alguns poucos elementos da linguagem visual: a composição dos planos (o menino na beira do mar, no primeiro plano, e a “massa vestida de branco”, na areia, no segundo plano) e a cor da imagem (preto e branco).

b. Os contrastes entre as personagens: o isolamento do menino no primeiro plano e o ajuntamento da multidão no outro plano; a cor do menino (negra) contra as roupas da multidão (brancas); a admiração silenciosa (boca aberta) do menino e a comemoração dos outros, mais interessados nas selfies; enfim, o contraste do preto e branco da imagem.

2.

a. Os internautas atribuíram à imagem um significado de cunho social, interpretando-a como uma denúncia da situação de abandono das crianças negras e pobres.

b. De modo geral, não criticaram negativamente a foto nem o fotógrafo. Podemos depreender que esses intérpretes gostaram da foto e mesmo a elogiaram, por denunciar eficientemente (“um soco no estômago”) a indiferença, por revelar a “invisibilidade do cotidiano” (invisibilidade dos problemas sociais e da exclusão social).

c. A reportagem afirma que a polêmica girou em torno do preconceito racial a que, segundo alguns internautas, estão sujeitas as crianças negras.

3.

a. Não. Em seu esclarecimento, Lucas Landau não se refere nenhuma vez à temática social – ou seja, à condição social do menino ou à sua cor. Segundo ele, o que lhe chamou a atenção e o levou a tirar a foto foi o deslumbramento da criança com o espetáculo dos fogos, a pureza de seus gestos e o encantamento de seu olhar. Com a frase “essa é a minha fala: a foto”, ele está afirmando que a imagem vale por si mesma, por sua beleza e sensibilidade. Outros significados são projeções de quem a contempla.

b. Não pode ser entendido literalmente, pois, referindo-se a uma mensagem visual, o verbo “falar” tem um sentido figurado. O modo “como vemos um menino negro” é, na verdade, o tema de interpretações feitas pelos internautas. Quem “associa a pobreza e o abandono” à imagem da criança negra são alguns intérpretes da foto, não a própria foto nem o fotógrafo.

4.

a. A crítica de Mayara Assunção dirige-se aos internautas que viram na foto o tema da exclusão social, do abandono e, principalmente, do racismo.

b. Entre ela e o escritor Anderson França há concordância: ele considera que a associação da imagem à pobreza e ao abandono de uma criança negra é “precondicionada” por um “racismo estrutural”; ela considera que essa associação é um estereótipo: se a criança é negra e está sozinha, as pessoas inferem que é pobre, abandonada e infeliz.

c. Não poupa. Embora a foto não seja o centro de suas críticas, mas os internautas, ela atribui ao fotógrafo a intenção de “expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com compaixão de nós”.

 


08 agosto 2026

PIDGIN E CRIOULO

 O que acontece quando duas línguas entram em contato?

 

Quando povos de línguas diferentes convivem intensamente, surgem:

- empréstimos linguísticos;

- adaptações;

- variedades de contato;

- e, em alguns casos, pidgins e crioulos.

 

Vamos então entender o que é um pidgin e uma língua crioula.

O QUE É UM PIDGIN?

Pidgin é uma variedade de contato criada para comunicação prática entre grupos sem língua em comum.

 

Características dos pidgins:

- vocabulário reduzido;

- gramática simplificada;

- comunicação funcional;

- não é uma língua materna inicialmente

 

Contextos em que surgem:

- comércio;

- colonização;

- migração.

 

Mas então como nasce uma língua crioula?

Quando crianças passam a aprender um pidgin como língua materna, surge uma língua crioula.

 

Assim nasce uma nova língua e diferente do pidgin, o crioulo:

- amplia o vocabulário;

- desenvolve gramática complexa;

- ganha estabilidade;

- torna-se língua da comunidade.

 

Ou seja, o crioulo não é “português errado”, nem “francês errado”, é uma língua completa.

 

Exemplos reais de línguas crioulas:

- Crioulo haitiano: base lexical francesa. Exemplo: Bonjou = “Bom dia”;

- Crioulo cabo-verdiano: base lexical portuguesa. Exemplo: N ka sabe = “Eu não sei”;

- Crioulo guineense: base lexical portuguesa. Exemplo: N tene dus mangu = “Eu tenho duas mangas”.

 

Uma língua influencia a outra, mas isso não cria automaticamente uma nova língua.

O português, assim como outras línguas do mundo, recebe influência do inglês, considerada por muitos, uma língua global, mas isso não significa que surgem novas línguas dessa influência!

Para surgir uma língua crioula, são necessárias:

- condições sociais específicas;

- contato intenso;

- formação comunitária;

- transmissão entre gerações.

 

RESUMINDO:

- Línguas estão sempre mudando;

- Contato linguístico acontece o tempo todo;

- “Criar uma nova língua é um processo social e histórico complexo;

- Pidgins e crioulos mostram como seres humanos constroem comunicação mesmo em situações extremas.

 

FONTE: https://www.instagram.com/p/DZYPvjJDq2z/?img_index=1&igsh=MW0xb2dvenJ4bG9pdA%3D%3D






AVALIAÇÃO BIMESTRAL 3 - 3ª SÉRIE 2026

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