03 agosto 2025

HAIKU

Examples: https://reedsy.com/discovery/blog/haiku-poem-examples

 

Haiku are:

Very short: just three lines usually fewer than twenty syllables long.

Descriptive: most haiku focus sharply on a detail of nature or everyday life.

Personal: most haiku express a reaction to or reflection on what is described.

Divided into two parts: includes a turning point, often marked by a dash or colon, where the poet shifts from description to reflection, or shifts from close-up to a broader perspective.

 

The Rules of Haiku

Form: Traditional Japanese haiku have seventeen syllables divided into three lines of five syllables, seven syllables, and five syllables respectively. These syllable counts are often ignored when haiku are written in other languages, but the basic form of three short lines, with the middle line slightly longer than the other two, is usually observed.

Structure: Haiku divide into two parts, with a break coming after the first or second line, so that the poem seems to make two separate statements that are related in some unexpected or indirect way. In Japanese, this break is marked by what haiku poets call a “cutting word.” In English and other languages, the break is often marked by punctuation. This two-part structure is important to the poetic effect of a haiku, prompting a sense of discovery as one reads or a feeling of sudden insight.

Language: Haiku should include what Japanese poets call a kigo - a word that gives the reader a clue to the season being described. The kigo can be the name of a season (autumn, winter) or a subtler clue, such as a reference to the harvest or new fallen snow. Through the years, certain signs of the seasons have become conventional in Japanese haiku: cherry blossoms are a kigo for spring, mosquitoes a kigo for summer.

Subject: Haiku present a snapshot of everyday experience, revealing an unsuspected significance in a detail of nature or human life. Haiku poets find their subject matter in the world around them, not in ancient legends or exotic fantasies. They write for a popular audience and give their audience a new way to look at things they have probably overlooked in the past.

Adapted from: https://edsitement.neh.gov/lesson-plans/can-you-haiku

 




AUDIO

 






12 julho 2025

A BICICLETA QUE TINHA BIGODES: INTRODUÇÃO À OBRA

O romance A bicicleta que tinha bigodes conta a história de uma criança que ambiciona ganhar uma bicicleta nova – com as cores da bandeira de Angola – que o concurso da Rádio Nacional de Angola oferece a quem escrever “a melhor estória”. Nessa  obra infanto-juvenil do escritor angolano Ondjaki, publicada em 2012, as crianças irão inventar suas histórias a partir das suas das experiências de vida e com aqueles com quem vivem.

A capa preta com escritos brancos remete à falta de luz, e os pontos azuis indicam um céu estrelado. O menino com braços estendidos em direção à bicicleta que se encontra no céu demonstra ao mesmo tempo o desejo da criança em obter o objeto desejado.

Não há uma divisão em capítulos, no entanto, há folhas pretas que podem indicar esse tipo de separação. No primeiro “capítulo” há o desenho do rádio, no qual o menino-narrador ouve a notícia sobre o concurso. Um papagaio em um poleiro é o segundo desenho e faz referência aos “jacós” JoãoPauloSegundo e JoãoPauloTerceiro. Quando a falta de energia aparece na história, também não há desenhos, apenas o fundo escuro.

Essas páginas e ganham maior força ao observarmos o subtítulo do romance: “estórias sem luz elétrica”, que aparece apenas na folha de rosto, que também é preta (o subtítulo não aparece na capa ou na primeira folha).

Por morar na mesma rua do Tio Rui, que “é escritor e inventa estórias e poemas” (ONDJAKI, 2012, p. 9), o garoto acredita ter boa chance de vencer. No entanto, diante da recusa do tio em ajudá-lo (pois seria “batota”), ele pede ajuda aos amigos da sua rua. Assim, junta-se com JorgeTemCalma e Isaura a procura de uma história que possa vencer o concurso.

Tio Rui é referência ao escritor “mais-velho” Manuel Rui, personagem sempre presente na escrita e na vida de Ondjaki. Ele é respeitado por todos na rua por, é advogado e é a representação da própria lei. É ele que consegue resolver o caso do atropelamento do sapo Raúl pelo camarada Nove (que depois é rebatizado para Dez). Além disso, também é escritor e tem bigodes mágicos de letrinhas.

Isaura é uma personagem interessante, pois é mais observadora que o narrador- protagonista e as outras crianças da rua. É ela, afinal, quem descobre a caixa mágica do tio Rui. Ainda, segundo o narrador: “A Isaura tem sempre ideias complicadas” (ONDJAKI, 2012, p.14).

Os nomes dos animais de seu jardim não são de forma alguma inocentes. Um exemplo é o gato que se chamava Tátecher, referência clara à Margareth Thatcher. A primeira-ministra britânica ficou mundialmente conhecida como “Dama de Ferro”, por suas ações em oposição aos sindicatos e pelos cortes em serviços sociais. Tátecher, após comer dois papagaios, apelidados de JoãoPauloSegundo e JoãoPauloTerceiro, foi castrado (“lhe cortaram os tímbalos”, ONDJAKI, 2012, p. 16). Ao tornar-se manso, o gato é rebatizado para Gandhi, famoso líder indiano das manifestações pacíficas.

A bicicleta com bigodes é citada em um sonho do menino no romance AvóDezanove e o segredo do soviético, de 2009: “[...] até o TioRui que era escritor passava numa bicicleta que tinha uns bigodes desenhados [...]” (p. 72). É também nesse livro que é esclarecido o apelido da AvóDezanove: ela teve um dos dedos do pé amputado devido ao diabetes (e por isso ficou com dezenove dedos). Dessa forma, pode-se depreender que os dois livros têm o mesmo narrador-protagonista.

No romance A bicicleta que tinha bigodes, o contexto histórico é importante para sua compreensão:

            Após uma longa e brutal guerra de libertação, Angola vê-se imersa na polarização da Guerra Fria, e o partido único MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) governava com o apoio da União Soviética e de Cuba.

As revoluções africanas dos países de língua portuguesa têm em comum o fato de ocorrerem ao mesmo tempo que a formação do Estado-nação. Isto é, o movimento pretendia, além da libertação das amarras portuguesas, conscientizar o povo da formação de uma nação unida e indivisível. Devido à grande variedade de etnias locais, dificilmente o indivíduo considerava-se angolano, mas quimbundo, ovimbundo, lunda ou bakongo, entre tantos outros povos. As fronteiras artificiais criadas pelos colonizadores independente dos grupos locais dificultaram ainda mais o sentimento de nacionalismo. Unir diversos povos em uma única nação era um dos objetivos do MPLA.

            A geração anterior à de Ondjaki foi a primeira a escrever literatura de raiz verdadeiramente angolana. A geração anterior a de Ondjaki viveu a Luta de Libertação da dominação portuguesa e engloba José Luandino Vieira, Pepetela, Agostinho Neto, Viriato da Cruz, entre tantos outros.

Após a saída dos colonos portugueses do território angolano, aumentou a dificuldade em manter ou consertar as instalações elétricas e de esgoto. Por isso, a falta de água e luz eram constantes em todo o país. Em A bicicleta que tinha bigodes, o questionamento sobre as relações de poder e sobre a qualidade da gestão de recursos pelos novos líderes angolanos é extremamente sutil e está relacionada ao problema da falta de luz.

            É a partir da visão infantil que Ondjaki acaba por apresentar Luanda ao seu leitor. A cidade certamente tem limitações, no entanto, seus habitantes acabam por contorná-las e até mesmo tirar proveito delas.

Apesar de escrever em língua portuguesa, os vocábulos, as expressões e as construções são fundamentalmente angolanas. Ondjaki, ainda na orelha do livro, ressalta: “nossa língua toda desportuguesa”. Há a tentativa de maior veracidade com a utilização de palavras escritas fora da norma padrão. Estas, entretanto, vêm entre aspas, demonstrando que o verdadeiro narrador tem consciência disso. O garoto decide-se por escrever uma carta para o presidente, que está  na orelha do livro. As palavras escritas que não correspondem à ortografia portuguesa padrão estão todas circuladas, tais como: “enjenheiro”, “quizer” e “concursu” (ONDJAKI, 2012). Apesar de a escrita assemelhar-se à infantil, a consciência desses erros novamente evidencia o narrador-criança.









ADAPTADO DE: Fernandes, Cristina Spanopoulos. As imagens da infância e “A bicicleta que tinha bigodes”. Revista África e Africanidades - Ano 8 – n. 20, jul. 2015. Disponível em: https://africaeafricanidades.com.br/documentos/004020072015.pdff


NEVER TRANSLATE FOOD NAMES

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