Questão 1
Leia o fragmento para
responder.
O
sul-africano se remexeu na cadeira. Edward mastigou mais o cachimbo. Então,
olhou para Ujunwa da maneira como alguém olha para uma criança que se recusa a
ficar quieta na igreja, e disse que não falava como um africanista de Oxford,
mas como alguém interessado na verdadeira África, e não na imposição de ideias
ocidentais sobre os loci africanos. A zimbabuense, o tanzaniano e a
sul-africana branca começaram a balançar a cabeça enquanto Edward falava.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Jumping Monkey Hill. In: ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. Trad. Julia Romeu. São
Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 118.
A
cena evidencia um dos principais conflitos temáticos do conto “Jumping Monkey
Hill”, ao revelar:
a)
a tentativa de uma crítica honesta por parte do organizador do workshop em relação à literatura
africana contemporânea.
b)
a arrogância intelectual do olhar europeu sobre a produção literária africana e
a conivência de participantes africanos com esse discurso.
c)
a rejeição da personagem Ujunwa às propostas de um modelo europeu de escrita
acadêmica.
d)
a valorização da diversidade de vozes africanas dentro de um espaço de escuta
coletiva.
e)
o embate entre tradição oral africana e cânone literário eurocentrado.
- Texto para a
questão 2 -
Certa
vez, no Chang’s, ele disse ao garçom que tinha ido recentemente a Xangai e que
falava um pouco de mandarim. O garçom ficou animado, falou qual era a melhor
sopa e depois perguntou: “Você tem namorada em Xangai agora?”. Ele deu um
sorriso, sem dizer nada.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. In: ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. Trad. Julia Romeu. São Paulo:
Companhia das Letras, 2017. p. 134.
Questão 2
A
situação retratada no fragmento revela um dos desconfortos vividos pela
narradora durante sua experiência de deslocamento nos Estados Unidos. A fala do
garçom, ao perguntar se o rapaz tinha uma namorada em Xangai, expressa:
a)
a normalização de relações interculturais em ambientes urbanos e globalizados.
b)
uma forma sutil de humor que tensiona as diferenças culturais entre clientes e
atendentes.
c)
uma manifestação de preconceito étnico que associa homens brancos à posse
sexual de mulheres asiáticas, revelando exotização e machismo.
d)
o incômodo causado pelo ciúme da narradora diante da atitude ambígua do
namorado.
e)
uma crítica velada à superficialidade das relações afetivas no Ocidente.
- Leia o texto e
responda -
Josh
entrou na cozinha e correu para Tracy, com o rosto iluminado de alegria.
“Mamãe!” Tracy abraçou-o, beijou-o e bagunçou seu cabelo. “Você terminou de
trabalhar, mamãe?”, perguntou ele, agarrando a mão dela.
“Ainda
não, meu amor.” [...]
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Na segunda-feira da semana
passada. In: ADICHIE, Chimamanda
Ngozi. No seu pescoço. Trad. Julia
Romeu. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 97.
Questão 3
Com
base no trecho, a atitude da personagem Tracy pode ser interpretada como:
a)
um reflexo do amor incondicional que sente por sua arte.
b)
uma manifestação de descaso e indiferença materna.
c)
uma crítica ao desequilíbrio entre a vida profissional e a pessoal.
d)
um sinal de sua rebeldia contra os padrões tradicionais de maternidade.
e)
uma expressão de seu conflito interno por não conseguir conciliar arte e
família.
- Texto para a
questão 4 -
Ali
estavam os mendigos cegos levados pelas mãos por crianças, recitando bênçãos em
inglês, iorubá, inglês pidgin, igbo, hausa, quando alguém pingava algum
dinheiro em seus pratos.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. A embaixada americana. In: ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. Trad. Julia Romeu. São
Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 141-142.
Questão 4
A
multiplicidade linguística das bênçãos citadas no fragmento é um exemplo de:
a)
diversidade cultural da Nigéria e de suas várias etnias.
b)
unificação linguística do país sob o domínio colonial.
c)
imposição das línguas locais sobre as culturas africanas tradicionais.
d)
tentativa de universalização das tradições africanas pelas línguas dominantes.
e)
predominância de línguas locais na vida política da Nigéria.
- Texto para a
questão 5 -
O
homem poderoso sentado no banco de trás não saiu, mas seu motorista sim, examinando
os danos, olhando para o corpo estatelado de seu pai pelo canto dos olhos, como
se aquela súplica fosse pornográfica, uma performance da qual tinha vergonha de
admitir estar gostando.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. In: ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. Trad. Julia Romeu. São
Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 133.
Questão 5
A
cena retrata um acidente envolvendo o pai da narradora. O comportamento do
motorista do homem poderoso, que parece sentir prazer contido diante da dor
alheia, indica:
a)
o impacto emocional de presenciar uma situação trágica sem poder agir.
b)
o constrangimento típico de relações sociais marcadas por desigualdade.
c)
o incômodo gerado por manifestações públicas de sofrimento físico.
d)
a reprodução de gestos cruéis por parte de indivíduos que, embora subordinados,
incorporam e expressam a lógica do poder e do desprezo.
e)
o medo de que o patrão seja responsabilizado pelo acidente.
Questão 6
Leia
o texto e responda ao que se pede.
Talvez
o homem se perguntasse por que ela não participa- va da intimidade que surgira
entre as pessoas da fila. Já que todos tinham acordado cedo – sendo que alguns
nem tinham dormido – para chegar à embaixada americana antes do amanhecer; já
que todos tinham chegado com dificuldade à fila do visto, desviando dos
chicotes dos soldados que estalavam no ar enquanto eram levados para a frente e
para trás como uma manada, até que a
fila afinal se formara; já que todos temiam que a embaixada americana pudesse
decidir não abrir os portões naquele dia [...].
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. A embaixada americana. In: ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. Trad. Julia Romeu. São
Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 141.
O
fragmento sugere uma série de tensões vividas pelos personagens na tentativa de
acesso à embaixada americana. Ao retratar esse ambiente como cenário de
humilhação e resistência, a autora:
a)
exalta a solidariedade entre os cidadãos nigerianos diante das dificuldades
burocráticas.
b)
constrói uma crítica simbólica ao desequilíbrio das relações sociais e
políticas entre países como a Nigéria e potências como os Estados Unidos.
c)
apresenta o caos urbano típico das cidades africanas em contexto de
modernização.
d)
denuncia a militarização da embaixada como símbolo da repressão ocidental ao
estrangeiro.
e)
evidencia o fracasso dos imigrantes que buscam escapar da realidade africana.
- Texto para a
questão 7 -
Dentro
do enorme terreno da cadeia, dois policiais açoitavam alguém deitado no chão
sob o pé de musizi. A princípio, eu, com um aperto no peito, achei que fosse
Nnamabia, mas não era. Eu conhecia o menino deitado no chão, se contorcendo e
gritando a cada golpe de koboko do policial. [...]
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. A Cela Um. In: ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. Trad. Julia Romeu. São
Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 24.
Questão 7
O
trecho revela a atmosfera opressiva da prisão em que está detido Nnamabia. A
cena permite compreender:
a)
a rotina disciplinar comum nas instituições penais nigerianas.
b)
a impunidade das autoridades diante de erros judiciais cometidos.
c)
a maneira como a cultura tradicional nigeriana influencia os métodos policiais.
d)
a naturalização da violência institucional e o distanciamento emocional com que
os agentes tratam os detentos.
e)
a revolta dos presos diante das condições insalubres das prisões africanas.
- Texto para a
questão 8 -
“Ebere
não está mais conosco; já faz três anos”, respondi em igbo. Fiquei surpreso ao
ver as lágrimas que brotaram nos olhos de Ikenna. Ele tinha esquecido o nome
dela, mas, de alguma maneira, era capaz de lamentar sua perda; ou, talvez,
estivesse lamentando a perda de uma época imensa em possibilidades. [...]
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Fantasmas. In: ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. Trad. Julia Romeu. São
Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 74.
Questão 8
A
cena retrata o reencontro entre dois homens afetados pela guerra e pelas
ausências. A resposta em igbo e a reação emcionada de Ikenna revelam:
a)
a frieza típica das relações masculinas diante do luto.
b)
a recusa em aceitar o passado e as perdas que ele impõe.
c)
o poder da língua como elo afetivo e cultural que ativa lembranças e reconecta
subjetividades marcadas pela história.
d)
a dificuldade em estabelecer uma comunicação objetiva após tantos anos de
distanciamento.
e)
a solidão que acompanha os personagens sobreviventes do conflito e sua relação
superficial com os mortos.
1. b
2. c
3. c
4. a
5. d
6. b
7. d
8. c

