1. (1,0) Leia o texto a seguir:
Gripado,
penso entre espirros em como a palavra gripe nos chegou após uma série de
contágios entre línguas. Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que
disseminou pela Europa, além do vírus propriamente dito, dois vocábulos virais:
o italiano influenza e o francês grippe. O primeiro era um termo
derivado do latim medieval influentia, que significava “influência dos
astros sobre os homens”. O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper,
isto é, “agarrar”. Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o
vírus se apossa do organismo infectado.
RODRIGUES, S. “Sobre palavras”. Veja,
São Paulo, 30 nov. 2011.
Para se
entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça
a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída
predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse.
Copie uma sentença em que ocorre a elipse e indique qual termo foi elidido.
Leia o poema seguinte, de Tristan Tzara
(1896-1963), para responder às questões 1 e 2.
Para fazer um poema dadaísta
Pegue um
jornal.
Pegue a
tesoura.
Escolha no
jornal um artigo do tamanho que você deseja dar ao seu poema.
Recorte o
artigo.
Recorte em
seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite
suavemente.
Tire em
seguida cada pedaço um após o outro.
Copie
conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se
parecerá com você.
E ei-lo um
escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido
do público.
TZARA, Tristan. Para fazer um poema dadaísta, apud
WISNIEWSKII, Rudião Rafael. Bará bará, berê berê e a identidade cultural
brasileira: Dadaísmo e onomatopeia na música e na literatura. 12o Seminário
Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultura, 2013. Disponível em:
http://jornadasliterarias.upf.br/15jornada/images/stories/trabalhos-12-seminario/11-rudiao-rafael-wisniewski.pdf.
Acesso em: 13 mar. 2020.
2. (1,0)
Explique como a ruptura e mescla de gêneros textuais está presente no texto.
3. (1,0)
Identifique os gêneros textuais que compõem o texto e complete a tabela a
seguir:
|
|
Gênero 1: |
Gênero 2: |
|
Estrutura |
|
|
|
Suporte |
|
|
|
Função
comunicativa |
|
|
4. (1,0)
Observe a campanha publicitária ao lado e explique como a intertextualidade foi
utilizada nela.
5 . (1,0) O
texto abaixo necessita de conectores para sua coesão. Empregue as partículas
que estão entre parênteses no lugar adequado.
Nem sempre é fácil identificar a violência. Uma cirurgia por exemplo não constitui violência, primeiro porque visa o bem do paciente, depois porque é feita com o consentimento do doente. mas certamente Será violência se a operação for realizada sem necessidade ou se o paciente for usado como cobaia de experimento científico sem a devida autorização.
6. (1,0) Leia o primeiro capítulo do livro O Escaravelho do diabo:
Hugo, um pacote para você! gritou Alberto, recebendo um pequeno
embrulho das mãos do carteiro. Assinou o nome do irmão no papelzinho e foi
levar-lhe a encomenda.
Hugo, que acabara de fazer a barba, mirava-se no espelho,
ensaiando olhares longos e fatais para lançar às garotas na primeira oportunidade.
O cristal refletia um rosto sardento de dezoito anos, extremamente simpático e
sadio, aureolado por cabelos tão vermelhos que o moço era conhecido por “Foguinho”.
– Deve ser presente de alguma admiradora, disse ele,
alegremente, examinando o endereço escrito à máquina.
O barbante foi desatado, o embrulho desfeito e apareceu uma
pequena caixa de forma retangular.
– Oba! Que é isso? Que coisa esquisita! Um bicho... gritou
“Foguinho”, tirando de dentro um grande besouro negro com uma espécie de chifre
na testa.
A carapaça do inseto tinha reflexos azulados e seu corpo media
cerca de quatro centímetros. Um comprido alfinete entomológico fixava-o a um
pedaço de rolha, o que provava ter ele sido retirado de alguma coleção.
Os dois rapazes aproximaram-se da janela aberta a fim de melhor
examinarem o estranho besouro.
Encontre
no texto uma palavra que é usada como sinônimo de cada uma das palavras
sublinhadas. Depois, indique, nas quatro palavras, quais são hipônimos e quais
são hiperônimos.
Leia a canção a seguir para responder às questões 7
e 8.
Cuitelinho
Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espaia
As garça dá meia vorta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, ia
Aí quando eu vim da minha terra
Despedi da parentaia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes bataia, ia
A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
E os zóio se enche d’água
Que até a vista se atrapaia, ia
SOBRINHO, J. R. [Pena Branca]; SILVA, R. R.
[Xavantinho]. Cuitelinho. Disponível em:
www.letras.mus.br/pena-brancae-xavantinho/48101. Acesso em: 7 mar. 2025.
Glossário: cuitelinho =
beija-flor.
7. (1,0) Considerando a temática e a linguagem empregada na letra da canção Cuitelinho, é correto afirmar que ela é característica do seguinte grupo social de falantes:
a) idosos.
b) jovens
de periferia.
c) sertanejos.
d)
nordestinos.
e) pessoas
com baixa escolarização.
8. (1,0) Analise
os comentários feitos acerca de algumas variações linguísticas da letra de
“Cuitelinho”.
I. Em
“navaia”, “atrapaia” e “zóio”, ocorre a substituição do /lh/ da língua padrão
pela vogal /i/, caracterizadora de variação linguística.
II. Em
“Cheguei na beira do porto [...]”, o verbo “chegar” foi empregado com uma
regência diferente da que prescreve a norma-padrão do português.
III.
Trechos como “[...] as ondas se espaia [...]” e “[...] terras paraguaia [...]”
exemplificam uma variação do padrão de concordância verbal da língua
portuguesa.
É correto o
que se afirma em:
a) I,
apenas.
b) II,
apenas.
c) III,
apenas.
d) I e II, apenas.
e) II e
III, apenas.
9. (1,0) Leia o texto a seguir para responder à
questão.
Como você está? Como está sua saúde mental?
Já parou
para pensar no assunto? Alguma vez refletiu se os seus pensamentos, ideias e
sentimentos estão em harmonia? Sabe a diferença entre saúde mental e doença ou
transtorno mental?
Em geral,
os termos causam confusão. Mas basta lê-los com cuidado, pois são
autoexplicativos. O primeiro refere-se à saúde e, os outros, à ausência dela.
Não existe, porém, uma definição oficial para o conceito de saúde mental, de
acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Como
lidamos com essas emoções é o que determina como está a qualidade da nossa
saúde mental.
Assim,
tê-la ou alcançá-la está muito longe da ausência de transtornos mentais. O
desequilíbrio emocional facilita o surgimento de doenças mentais. Podemos dizer
que a saúde mental contempla, entre tantos fatores, a nossa capacidade de
sensação de bem-estar e harmonia, a nossa habilidade em manejar de forma
positiva as adversidades e conflitos, o reconhecimento e respeito dos nossos
limites e deficiências, nossa satisfação em viver, compartilhar e se relacionar
com os outros – algo muito maior e anterior ao início dos transtornos mentais.
COMO você está? Como está sua saúde mental?
Disponível em: https://www.einstein.br. Acesso em: 11 jan. 2024 (adaptado).
Considerando
o trecho, a alternativa que apresenta corretamente o uso de anáfora e o termo a
que se refere é
a) “O
primeiro refere-se à saúde” (transtorno mental).
b) “O primeiro refere-se à saúde e, os outros, à
ausência dela” (saúde).
c) “Assim,
tê-la ou alcançá-la está muito longe da ausência de transtornos”
(ausência).
d) “[…]
compartilhar e se relacionar com os outros – algo muito maior e anterior
ao início dos transtornos mentais” (transtornos mentais).
e) “[…]
vivenciamos uma série de emoções, boas ou ruins, mas que fazem parte da
vida: alegria, felicidade, tristeza, raiva, frustração, satisfação, entre
outras” (alegria e felicidade).
10. (1,0)
No início de 2021, Gil, Juliette e Lumena, três participantes nordestinos do
Big Brother Brasil, levaram para a rede nacional o jeito nordestino de falar.
Apesar de os três serem de Pernambuco, Paraíba e Bahia, respectivamente,
estados geográfica e culturalmente próximos, foi possível perceber as inúmeras
especificidades culturais de cada um. “Alagoanos e pernambucanos, por exemplo,
têm um jeito próprio de colocar os artigos ‘o’ e ‘a’. Juliette, Gil e Lumena
protagonizaram várias cenas em que é possível perceber o quanto, mesmo no
Nordeste, falamos diferente”, apontou o pesquisador da Universidade Federal
Rural de Pernambuco (UFRPE), Cleber Ataíde, ex-presidente do Grupo de Estudos
Linguísticos e Literários do Nordeste e membro do Projeto Atlas Linguístico do
Brasil (ALiB).
ALVES, Pedro. Dia do Nordestino: além do ‘oxente’ e
‘eita’, conheça expressões dos nove estados da região. Universidade Federal Rural de Pernambuco. Disponível em:
https://www.ufrpe.br/. Acesso em: 15 nov. 2023 (adaptado).
Através da
tese do artigo, combate-se o imaginário consolidado de que
a) a
variação é uma questão irrelevante.
b) o
programa exclui as diferenças culturais.
c) a linguística estuda as normas linguísticas.
d) os
nordestinos falam de maneira diferente.
e) os
nordestinos utilizam uma variante única.
