17 fevereiro 2026

INTRODUÇÃO À OBRA: MEMÓRIAS DE MARTHA (2)


 

QUESTÃO 01

Leia o trecho a seguir, retirado de Memórias de Martha.

O cortiço em que morávamos gozava da fama de ser um dos mais pacatos do bairro, devido à previdência do proprietário, um carroceiro português, que morava com a família no local, na primeira casa à esquerda do portão.

Ele gabava-se de só consentir ali gente séria, e o caso é que os moradores ficavam atolados naquela ignomínia anos e anos, afeitos à promiscuidade e retidos pela barateza dos aluguéis.

ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 41.

 

Segundo se depreende do texto, a posição da narradora:

a) é contrária à imagem pública do cortiço.

b) coincide com a opinião generalizada a respeito do lugar.

c) evidencia uma postura irônica a respeito da fama negativa da moradia.

d) é elogiosa, ao afirmar que os aluguéis baratos justificavam a fama do lugar.

e) é crítica do comportamento de alguns moradores, que desmentem a promiscuidade predominante.

 

QUESTÃO 02

Leia o texto para responder ao que se pede.

Eu tinha ido à tarde com a professora à Escola Normal, e tomava notas da explicação de Física, quando, levantando a cabeça, vi olhar atentamente para mim um rapaz desconhecido, alto, elegante, com uns grandes olhos muito brilhantes; baixei imediatamente os meus para o livro de apontamentos. Contra a vontade, porém, erguia-os de vez em quando e fixava-os rapidamente no ponto da sala de onde me vinha o doce brilho daquele par de estrelas luminosas. Deliciosa e atormentadora hora!

Uma colega, a meu lado, compreendeu a minha perturbação, e ria-se baixinho. Ao sairmos disse-me ela maliciosamente:

– Bravo! Ele é muito chique! Empregou muito bem o seu amor, minha senhora!

E fez-me rasgadamente uma cortesia, deixando-me embaraçada.

O amor!.... Imprudente rapariga, que me foi ela dizer! Que misteriosa porta abriu diante de mim!

ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 55-56. 

a) Aponte, no trecho, elementos do Romantismo. O desfecho da relação de Martha com o “rapaz desconhecido” confirma a filiação da obra a essa escola literária? Justifique sua resposta.

b) O romance Memórias de Martha apresenta elementos de outras correntes artísticas vigentes à época de sua publicação. Cite duas delas e exemplifique esses elementos.

 

QUESTÃO 03

Leia o trecho a seguir, retirado de um estudo sobre a cidade do Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX.

No período compreendido entre 1850 e 1870, a crise habitacional, entendida como escassez ou carestia das habitações para gente pobre, emergia como um dos traços característicos e recorrentes da vida urbana do Rio de Janeiro, avolumando-se ou arrefecendo em quase perfeita sincronia com o perfil de incidências de epidemias. O epicentro da crise habitacional era a área central, onde a coabitação numerosa e desordenada reproduzia-se em escala cada vez mais ampla e concentrada.

BENCHIMOL, Jaime Larry. Pereira Passos: um Haussmann tropical. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes/Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural/Divisão de Editoração, 1992. p. 124.

 

O quadro sintetizado no trecho aparece, no romance Memórias de Martha,

a) na convivência entre ricos e pobres, que compõe um cenário idealizado da vida carioca no período.

b) no contraste entre a casa de Martha e a pobreza dos amigos de infância, moradores de um cortiço.

c) na dificuldade que a protagonista enfrenta para encontrar uma moradia após a morte da mãe.

d) nas péssimas condições de higiene em que vivem todos os personagens do romance.

e) nas condições em que Martha vive com a mãe, a partir da morte de seu pai.

 

QUESTÃO 04

Leia o texto para responder ao que se pede.

Assim cheguei à idade de vinte anos, passando o melhor tempo da vida a estudar para ensinar, ou curvada sobre a costura, ao lado de minha mãe, que enfraquecia muito e trabalhava sempre...

Eu não tinha amigas íntimas, nem amores; não dançava nunca, não lia novelas...

ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 61.

 

O trecho sintetiza a trajetória da protagonista do romance Memórias de Martha, na medida em que ela:

a) passa da condição de mulher solitária, descrita nessa passagem, para a de esposa apaixonada e dedicada ao marido e à filha.

b) constrói condições para a realização pessoal, ao escolher a atividade do magistério como meio de subsistência, realizando uma vocação genuína que alimentava desde a infância.

c) demonstra a dedicação ao trabalho e a tendência ao exercício de atividades intelectuais, mantendo-se distante do que se esperava do comportamento das moças em sociedade na época.

d) substitui a mãe no exercício das tarefas domésticas, que permitiria a ambas uma sobrevivência digna, sem o apelo a esmolas ou a trabalhos que consideravam indignos.

e) cumpre a condição de mulher solitária, opção pessoal que levaria para o resto da vida, a despeito das discussões que mantinha com a mãe.

QUESTÃO 05

No trecho a seguir, a narradora de Memórias de Martha relata sua experiência ao participar de um baile.

Muitas senhoras, novas quase todas, vestidas de claro, com braços nus, mangas de renda, grandes buquês de flores na cinta ou no peito. Uma em frente ao espelho, arrepiava o cabelo fazendo-o mais crespo; outra passava o pompom de pó de arroz nas faces e no colo; outra pregava alfinetes num buquê de cravos amarelos posto artisticamente no canto do carrê do corpinho; outras conversavam alto, abrindo e fechando os leques, como grandes borboletas de asas irrequietas; todas coradas, risonhas, elegantes e felizes. Vendo-as, dizia eu comigo: “A mocidade é isto!”

É a alegria, o gozo, a beleza, o conjunto de todas as primícias ideais que pode ter a vida! Juventude! Não sou digna de ti!

ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 63.

 

A última frase do trecho deve ser compreendia, com base no enredo do romance, como expressão do seguinte aspecto da protagonista:

a) humildade excessiva.

b) tendência à autopiedade.

c) vaidade nunca satisfeita.

d) percepção de sua condição financeira.

e) desejo de ascensão social.

 

QUESTÃO 06

Leia o texto para responder ao que se pede.

Com que orgulho eu penso na desvelada solicitude que tem, em geral, a mulher brasileira para o filho amado! Não o repudia nunca, trabalha e morre por ele. Coração cheio de amor, perdoemos-lhe os erros da educação que lhe transmite e abençoemo-la pelo que ama e pelo que padece!

ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 99.

 

No trecho, a narradora:

a) critica os males provocados pelo amor excessivo na formação dos jovens brasileiros.

b) elogia com ressalvas a postura da mãe brasileira na educação dos filhos.

c) reflete sobre os problemas trazidos por uma educação que separa mães e filhos.

d) considera que os sacrifícios feitos pelas mães são decisivos para a boa formação dos filhos.

e) propõe que as mães sejam perdoadas pelas falhas que cometem na educação dos filhos.

 

QUESTÃO 07

Em Memórias de Martha, a narradora relata um crime cometido no cortiço em que morava com a mãe. A única testemunha da fuga do assassino foi um dos frequentadores do lugar, o tio Bernardo, como se lê no trecho a seguir.

O tio Bernardo tinha-o visto sair alta noite, manchado de sangue, cautelosamente, cosendo-se com a parede, a olhar para trás, como se temesse ser seguido; e apesar do tio Bernardo ser um idiota, sem responsabilidade, vivendo por esmola no cortiço, toda gente lhe prestava atenção, fazendo-o repetir em frente ao quarto fechado a mesma coisa de instante a instante. Uns pingos de sangue na soleira justificavam a história do desgraçado demente, negro velho e hidrópico, de quem eu sempre tive muita repugnância e muito dó.

ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 44.

 

Localize, no texto, uma expressão utilizada em sentido figurado e explique seu significado.

 

QUESTÃO 08

No romance Memórias de Martha, a narradora-protagonista vive em um cortiço com sua mãe. Uma das vizinhas é Carolina, de quem Martha se aproxima. Na narrativa, o destino de ambas é bastante diferente. Avalie essa afirmação e responda:

a) Em linhas gerais, qual é o destino de Carolina e de Martha no romance?

b) Qual das duas personagens representa mais adequadamente o protótipo de personagem naturalista? Justifique sua resposta. O que esse dado revela sobre o romance de Júlia Lopes de Almeida?

 

QUESTÃO 09

Observe a imagem a seguir.

 


Trata-se de uma reprodução da capa de uma das edições do livro Memórias de Martha, de Júlia Lopes de Almeida (editora Janela Amarela, 2020). Vemos, nela, a ilustração de um modelo antigo de ferro de passar roupa.

a) O desenho alude a uma das personagens do romance. Qual é a relação dessa personagem com a protagonista? Por que o desenho alude a ela?

b) Que postura Martha assume diante desse objeto, na narrativa? O que essa postura indica sobre a personagem? Com base na análise dessa postura, explique em poucas linhas uma das mensagens do romance.

 

QUESTÃO 10

Leia os textos a seguir. O texto I traz a descrição da personagem Luisinha, do romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. O texto II traz a descrição da protagonista do romance Memórias de Martha, de Júlia Lopes de Almeida. 

Texto I

Era a sobrinha de D. Maria já muito desenvolvida, porém, que, tendo perdido as graças de menina, ainda não tinha adquirido a beleza de moça: era alta, magra, pálida; andava com o queixo enterrado no peito, trazia as pálpebras sempre baixas, e olhava a furto; tinha os braços finos e compridos; o cabelo, cortado, dava-lhe apenas até o pescoço, e como andava mal penteada e trazia a cabeça sempre baixa, uma grande porção lhe caía sobre a testa e olhos, como uma viseira. Trajava neste dia um vestido de chita roxa muito comprido, quase sem roda, e de cintura muito curta; tinha ao pescoço um lenço encarnado de Alcobaça.

ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. Cotia: Ateliê Editorial, 2000. p. 173-174.

 

Texto II

Eu, além de feia, era inabilidosa. Nunca soube fazer um laço, cortar um vestido, pregar uma flor. A pequenez dos meus olhos, de um verde sujo, a cor trigueira das minhas faces de maçãs salientes, a lonjura dos meus braços finos e o modo desengraçado do meu andar, que eu nunca soube corrigir, asseguravam-me que ninguém pousaria em mim a vista com prazer; que eu cortaria a vida, de ponta a ponta, sem deter os passos de quem quer que fosse num movimento espontâneo de simpatia...

ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 60.

 

a) Os dois trechos, pertencentes a obras escritas no século XIX, apresentam descrições de personagens femininas. Tais descrições são coerentes com o modelo romântico, adotado em boa parte das obras do período? Justifique sua resposta com elementos dos dois textos.

b) Embora ambos os textos descrevam figuras femininas, apresentam uma diferença fundamental na abordagem. Indique-a.

c) Que relação existe entre a autorrepresentação de Martha (texto II) e o modelo estético feminino predominante na sociedade naquele momento? Em que medida o desfecho do romance Memórias de Martha se aproxima e se distancia desse modelo? 

 

QUESTÃO 11

Gustave Courbet (1819-1877) foi um dos principais representantes da pintura realista na França. Observe a tela a seguir, de sua autoria, para responder à questão.

 

Mulheres peneirando trigo (1855), de Gustave Courbet.

a) A tela de Courbet aborda um tema também tratado no romance Memórias de Martha. Qual é esse tema?

b) Qual é a imagem produzida a respeito desse tema, no romance?

 

QUESTÃO 12

Leia os dois textos a seguir, que trazem episódios do desfecho das Memórias de Martha.

Texto I

O meu noivo era um homem singular na sua simplicidade. Eu nunca havia reparado nele: posso muito bem afirmar que só o vi depois de lhe ter dado o sim, na tarde em que, com satisfação comedida, foi agradecer a minha resolução.

Recebi-o com toda a calma, sem amabilidade, friamente; sorria com esforço, e procurava em vão sacudir de mim a antipatia que o casamento naquelas condições me inspirava! Minha mãe remediava a minha concentração, falando muito, rindo mesmo, lembrando ao bom Miranda frases de uma ou de outra carta minha que o tinham feito dizer: “A sua filha é uma joia rara; feliz do homem com quem ela se casar!” Eu não intervinha; ouvia os elogios quase sem protestos, abatida, vazia de ideias, semimorta.

ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 105.

 

Texto II

Casei-me numa bela tarde de verão. [...]

Passamos uma semana feliz; meu marido consagrava-me uma afeição serena; era delicado e bom. Nunca no meu lar soaram as alegres e sonoras frases dos noivos apaixonados, nem tampouco houve nunca um arrufo. Minha mãe tinha uma expressão de ventura, por tal forma manifestada no seu rosto muito magro e pálido, que me comovia.

a) O teor do texto I reafirma o tom romântico da narrativa de Martha? Justifique sua resposta.

b) O teor do texto II revela a filiação realista do romance. Comente essa afirmação.

 

 

 

1. a

2. a) Os elementos românticos no trecho ligam-se à descoberta do sentimento amoroso pela protagonista. Contudo, o caso amoroso não terá prosseguimento, porque o “rapaz desconhecido”, ao acompanhá-la até seu local de moradia, teria se assustado com o fato de ela ser moradora de um cortiço simples – demonstrando a superficialidade dos sentimentos dele. Além disso, Martha suspeita de que o rapaz estaria interessado na professora que a acompanhava na ida para casa, o que revela a insinceridade dele. Assim, a infelicidade amorosa de Martha escapa dos traços mais típicos do Romantismo.

b) Memórias de Martha apresenta elementos do Realismo, do Naturalismo e do Impressionismo. Do Realismo, temos a denúncia da marginalização social e o perfil pragmático da protagonista, que se casa sem amor e segue uma profissão visando ao conforto material. Do Naturalismo, provém o retrato cru da vida em um cortiço, onde convivem personagens marginalizados e miseráveis. Do Impressionismo, temos a atmosfera imprecisa de algumas recordações de Martha, bem como o próprio predomínio da memória em sua narrativa.

3. e

4. c

5. d

6. b

7. Trata-se da expressão “cosendo-se”, do verbo coser, que tem o sentido de “costurar”. No texto, o homem visto pelo tio Bernardo andava “cosendo-se com a parede”, isto é, encostando-se nela para evitar ser visto.

8. a) Martha torna-se professora e vai viver longe do cortiço com sua mãe. No fim da narrativa, elas encontram a mãe de Carolina, que dá notícias da filha: estava casada, apanhava do marido e vivia às voltas com problemas de saúde.

b) Carolina representa a típica personagem naturalista. Tendo passado toda sua vida no cortiço, sofreu influência do meio, como preconizava a perspectiva determinista adotada pelo Naturalismo. Dessa forma, foi podada de suas aspirações e submeteu-se às circunstâncias da pobreza. O fato de a protagonista do romance escapar a esse destino e a essa influência indica que o romance de Júlia Lopes de Almeida buscava se distanciar dos rigores da interpretação social naturalista.

9. a) Trata-se da mãe de Martha. Depois da morte do marido, ela sofre uma queda de nível social e passa a executar serviços domésticos para freguesas, como lavar, passar e engomar roupas.

b) Martha se recusa a realizar o tipo de trabalho executado pela mãe. Essa postura indica uma personalidade decidida a fugir do ambiente nefasto em que vive. Uma das mensagens do romance é justamente fazer o elogio do trabalho intelectual feminino, valorizan-do o esforço da mulher para não depender financeiramente de ninguém.

10. a) Não. Em ambos os casos, as figuras femininas retratadas fogem das convenções do romance romântico tradicional, concebendo personagens distantes da idealização própria do estilo. No texto I, o narrador afirma que Luisinha “não tinha adquirido a beleza de moça”, trazia “o queixo enterrado no peito”, “andava mal penteada” e se apresentava trajando um vestido “muito comprido, quase sem roda”. No texto II, a narradora compõe um autorretrato no qual se diz “feia”, “inabilidosa”, com olhos “de um verde sujo”, os braços excessivamente compridos (“lonjura”) e o “modo desengraçado” de andar.

b) A diferença fundamental na abordagem da descrição feminina está no tom adotado pelo narrador: enquanto a descrição de Luisinha (texto I) é marcada pelo humor, o autorretrato de Martha é desprovido desse traço, caracterizando-se pelo tom melancólico.

c) A autorrepresentação de Martha se afasta do modelo feminino construído na época, na medida em que este modelo concebia a mulher como um ser dotado de habilidades manuais que a tornavam apta para as condições de mãe, esposa e dona de casa. No desfecho de Memórias de Martha, a protagonista até se aproxima desse modelo socialmente construído, já que termina a história casada e mãe, mas também se distancia, pois se recusa a depender do marido e busca exercer sua autonomia profissional.

11. a) Trata-se do tema do trabalho feminino.

b) No romance, o trabalho feminino é concebido como um meio de conquista da autonomia financeira, que diminuía a relação de dependência entre as mulheres que não trabalhavam e seus maridos.

12. a) Não. O desfecho mais característico das narrativas convencionais do Romantismo do século XIX era o “final feliz”, geralmente marcado pela união entre dois apaixonados. Na narrativa de Martha, ocorre a aceitação passiva de um casamento que não é visto pela protagonista como instrumento de felicidade e de realização pessoal.

b) O Realismo adotava, de forma geral, uma postura antirromântica, no sentido de conceber personagens que escapavam de estados emocionais marcados por excessos passionais. No caso do desfecho de Memórias de Martha, a protagonista revela viver um casamento sem “frases dos noivos apaixonados” e sem “um arrufo”, isto é, sem momentos de felicidade exacerbada ou de discussão azeda.





INTRODUÇÃO À OBRA: MEMÓRIAS DE MARTHA (2)

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