QUESTÃO 01
Leia
o trecho a seguir, retirado de Memórias
de Martha.
O cortiço em que
morávamos gozava da fama de ser um dos mais pacatos do bairro, devido à
previdência do proprietário, um carroceiro português, que morava com a família
no local, na primeira casa à esquerda do portão.
Ele gabava-se de só
consentir ali gente séria, e o caso é que os moradores ficavam atolados naquela
ignomínia anos e anos, afeitos à promiscuidade e retidos pela barateza dos
aluguéis.
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro:
Janela Amarela, 2020. p. 41.
Segundo
se depreende do texto, a posição da narradora:
a)
é contrária à imagem pública do cortiço.
b)
coincide com a opinião generalizada a respeito do lugar.
c)
evidencia uma postura irônica a respeito da fama negativa da moradia.
d)
é elogiosa, ao afirmar que os aluguéis baratos justificavam a fama do lugar.
e)
é crítica do comportamento de alguns moradores, que desmentem a promiscuidade
predominante.
QUESTÃO 02
Leia
o texto para responder ao que se pede.
Eu tinha ido à tarde
com a professora à Escola Normal, e tomava notas da explicação de Física,
quando, levantando a cabeça, vi olhar atentamente para mim um rapaz
desconhecido, alto, elegante, com uns grandes olhos muito brilhantes; baixei
imediatamente os meus para o livro de apontamentos. Contra a vontade, porém,
erguia-os de vez em quando e fixava-os rapidamente no ponto da sala de onde me
vinha o doce brilho daquele par de estrelas luminosas. Deliciosa e
atormentadora hora!
Uma colega, a meu lado,
compreendeu a minha perturbação, e ria-se baixinho. Ao sairmos disse-me ela
maliciosamente:
– Bravo! Ele é muito chique! Empregou muito
bem o seu amor, minha senhora!
E fez-me rasgadamente uma cortesia,
deixando-me embaraçada.
O amor!....
Imprudente rapariga, que me foi ela dizer! Que misteriosa porta abriu diante de
mim!
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 55-56.
a)
Aponte, no trecho, elementos do Romantismo. O desfecho da relação de Martha com
o “rapaz desconhecido” confirma a filiação da obra a essa escola literária?
Justifique sua resposta.
b)
O romance Memórias de Martha apresenta elementos de outras correntes artísticas
vigentes à época de sua publicação. Cite duas delas e exemplifique esses elementos.
QUESTÃO 03
Leia
o trecho a seguir, retirado de um estudo sobre a cidade do Rio de Janeiro da
segunda metade do século XIX.
No período
compreendido entre 1850 e 1870, a crise habitacional, entendida como escassez
ou carestia das habitações para gente pobre, emergia como um dos traços
característicos e recorrentes da vida urbana do Rio de Janeiro, avolumando-se
ou arrefecendo em quase perfeita sincronia com o perfil de incidências de
epidemias. O epicentro da crise habitacional era a área central, onde a
coabitação numerosa e desordenada reproduzia-se em escala cada vez mais ampla e
concentrada.
BENCHIMOL, Jaime
Larry. Pereira Passos: um Haussmann
tropical. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e
Esportes/Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural/Divisão de
Editoração, 1992. p. 124.
O
quadro sintetizado no trecho aparece, no romance Memórias de Martha,
a)
na convivência entre ricos e pobres, que compõe um cenário idealizado da vida
carioca no período.
b)
no contraste entre a casa de Martha e a pobreza dos amigos de infância,
moradores de um cortiço.
c)
na dificuldade que a protagonista enfrenta para encontrar uma moradia após a
morte da mãe.
d)
nas péssimas condições de higiene em que vivem todos os personagens do romance.
e)
nas condições em que Martha vive com a mãe, a partir da morte de seu pai.
QUESTÃO 04
Leia
o texto para responder ao que se pede.
Assim cheguei à idade
de vinte anos, passando o melhor tempo da vida a estudar para ensinar, ou
curvada sobre a costura, ao lado de minha mãe, que enfraquecia muito e
trabalhava sempre...
Eu não tinha amigas íntimas, nem amores; não
dançava nunca, não lia novelas...
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro:
Janela Amarela, 2020. p. 61.
O
trecho sintetiza a trajetória da protagonista do romance Memórias de Martha, na medida em que ela:
a)
passa da condição de mulher solitária, descrita nessa passagem, para a de
esposa apaixonada e dedicada ao marido e à filha.
b)
constrói condições para a realização pessoal, ao escolher a atividade do
magistério como meio de subsistência, realizando uma vocação genuína que
alimentava desde a infância.
c)
demonstra a dedicação ao trabalho e a tendência ao exercício de atividades
intelectuais, mantendo-se distante do que se esperava do comportamento das
moças em sociedade na época.
d)
substitui a mãe no exercício das tarefas domésticas, que permitiria a ambas uma
sobrevivência digna, sem o apelo a esmolas ou a trabalhos que consideravam
indignos.
e)
cumpre a condição de mulher solitária, opção pessoal que levaria para o resto
da vida, a despeito das discussões que mantinha com a mãe.
QUESTÃO 05
No
trecho a seguir, a narradora de Memórias
de Martha relata sua experiência ao participar de um baile.
Muitas senhoras,
novas quase todas, vestidas de claro, com braços nus, mangas de renda, grandes
buquês de flores na cinta ou no peito. Uma em frente ao espelho, arrepiava o
cabelo fazendo-o mais crespo; outra passava o pompom de pó de arroz nas faces e
no colo; outra pregava alfinetes num buquê de cravos amarelos posto
artisticamente no canto do carrê do corpinho; outras conversavam alto, abrindo e
fechando os leques, como grandes borboletas de asas irrequietas; todas coradas,
risonhas, elegantes e felizes. Vendo-as, dizia eu comigo: “A mocidade é isto!”
É a alegria, o gozo,
a beleza, o conjunto de todas as primícias ideais que pode ter a vida!
Juventude! Não sou digna de ti!
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro:
Janela Amarela, 2020. p. 63.
A
última frase do trecho deve ser compreendia, com base no enredo do romance,
como expressão do seguinte aspecto da protagonista:
a)
humildade excessiva.
b)
tendência à autopiedade.
c)
vaidade nunca satisfeita.
d)
percepção de sua condição financeira.
e)
desejo de ascensão social.
QUESTÃO 06
Leia
o texto para responder ao que se pede.
Com que orgulho eu
penso na desvelada solicitude que tem, em geral, a mulher brasileira para o
filho amado! Não o repudia nunca, trabalha e morre por ele. Coração cheio de
amor, perdoemos-lhe os erros da educação que lhe transmite e abençoemo-la pelo
que ama e pelo que padece!
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro:
Janela Amarela, 2020. p. 99.
No
trecho, a narradora:
a)
critica os males provocados pelo amor excessivo na formação dos jovens
brasileiros.
b)
elogia com ressalvas a postura da mãe brasileira na educação dos filhos.
c)
reflete sobre os problemas trazidos por uma educação que separa mães e filhos.
d)
considera que os sacrifícios feitos pelas mães são decisivos para a boa
formação dos filhos.
e)
propõe que as mães sejam perdoadas pelas falhas que cometem na educação dos
filhos.
QUESTÃO 07
Em
Memórias de Martha, a narradora
relata um crime cometido no cortiço em que morava com a mãe. A única testemunha
da fuga do assassino foi um dos frequentadores do lugar, o tio Bernardo, como
se lê no trecho a seguir.
O tio Bernardo
tinha-o visto sair alta noite, manchado de sangue, cautelosamente, cosendo-se
com a parede, a olhar para trás, como se temesse ser seguido; e apesar do tio
Bernardo ser um idiota, sem responsabilidade, vivendo por esmola no cortiço,
toda gente lhe prestava atenção, fazendo-o repetir em frente ao quarto fechado a
mesma coisa de instante a instante. Uns pingos de sangue na soleira
justificavam a história do desgraçado demente, negro velho e hidrópico, de quem
eu sempre tive muita repugnância e muito dó.
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro:
Janela Amarela, 2020. p. 44.
Localize,
no texto, uma expressão utilizada em sentido figurado e explique seu
significado.
QUESTÃO 08
No
romance Memórias de Martha, a narradora-protagonista
vive em um cortiço com sua mãe. Uma das vizinhas é Carolina, de quem Martha se
aproxima. Na narrativa, o destino de ambas é bastante diferente. Avalie essa
afirmação e responda:
a)
Em linhas gerais, qual é o destino de Carolina e de Martha no romance?
b)
Qual das duas personagens representa mais adequadamente o protótipo de
personagem naturalista? Justifique sua resposta. O que esse dado revela sobre o
romance de Júlia Lopes de Almeida?
QUESTÃO 09
Observe
a imagem a seguir.
Trata-se
de uma reprodução da capa de uma das edições do livro Memórias de Martha, de Júlia Lopes de Almeida (editora Janela
Amarela, 2020). Vemos, nela, a ilustração de um modelo antigo de ferro de passar
roupa.
a)
O desenho alude a uma das personagens do romance. Qual é a relação dessa
personagem com a protagonista? Por que o desenho alude a ela?
b)
Que postura Martha assume diante desse objeto, na narrativa? O que essa postura
indica sobre a personagem? Com base na análise dessa postura, explique em
poucas linhas uma das mensagens do romance.
QUESTÃO 10
Leia os textos a seguir. O texto I traz a descrição da personagem Luisinha, do romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. O texto II traz a descrição da protagonista do romance Memórias de Martha, de Júlia Lopes de Almeida.
Texto I
Era
a sobrinha de D. Maria já muito desenvolvida, porém, que, tendo perdido as
graças de menina, ainda não tinha adquirido a beleza de moça: era alta, magra,
pálida; andava com o queixo enterrado no peito, trazia as pálpebras sempre
baixas, e olhava a furto; tinha os braços finos e compridos; o cabelo, cortado,
dava-lhe apenas até o pescoço, e como andava mal penteada e trazia a cabeça
sempre baixa, uma grande porção lhe caía sobre a testa e olhos, como uma
viseira. Trajava neste dia um vestido de chita roxa muito comprido, quase sem
roda, e de cintura muito curta; tinha ao pescoço um lenço encarnado de
Alcobaça.
ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. Cotia: Ateliê Editorial, 2000.
p. 173-174.
Texto II
Eu,
além de feia, era inabilidosa. Nunca soube fazer um laço, cortar um vestido,
pregar uma flor. A pequenez dos meus olhos, de um verde sujo, a cor trigueira
das minhas faces de maçãs salientes, a lonjura dos meus braços finos e o modo
desengraçado do meu andar, que eu nunca soube corrigir, asseguravam-me que ninguém
pousaria em mim a vista com prazer; que eu cortaria a vida, de ponta a ponta,
sem deter os passos de quem quer que fosse num movimento espontâneo de
simpatia...
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 60.
a)
Os dois trechos, pertencentes a obras escritas no século XIX, apresentam
descrições de personagens femininas. Tais descrições são coerentes com o modelo
romântico, adotado em boa parte das obras do período? Justifique sua resposta
com elementos dos dois textos.
b)
Embora ambos os textos descrevam figuras femininas, apresentam uma diferença
fundamental na abordagem. Indique-a.
c) Que relação existe entre a autorrepresentação de Martha (texto II) e o modelo estético feminino predominante na sociedade naquele momento? Em que medida o desfecho do romance Memórias de Martha se aproxima e se distancia desse modelo?
QUESTÃO 11
Gustave
Courbet (1819-1877) foi um dos principais representantes da pintura realista na
França. Observe a tela a seguir, de sua autoria, para responder à questão.

Mulheres peneirando trigo (1855), de Gustave Courbet.
a) A tela de Courbet aborda um tema também tratado no romance Memórias de Martha. Qual é esse tema?
b)
Qual é a imagem produzida a respeito desse tema, no romance?
QUESTÃO 12
Leia
os dois textos a seguir, que trazem episódios do desfecho das Memórias de Martha.
Texto I
O
meu noivo era um homem singular na sua simplicidade. Eu nunca havia reparado
nele: posso muito bem afirmar que só o vi depois de lhe ter dado o sim, na
tarde em que, com satisfação comedida, foi agradecer a minha resolução.
Recebi-o
com toda a calma, sem amabilidade, friamente; sorria com esforço, e procurava
em vão sacudir de mim a antipatia que o casamento naquelas condições me
inspirava! Minha mãe remediava a minha concentração, falando muito, rindo
mesmo, lembrando ao bom Miranda frases de uma ou de outra carta minha que o
tinham feito dizer: “A sua filha é uma joia rara; feliz do homem com quem ela
se casar!” Eu não intervinha; ouvia os elogios quase sem protestos, abatida,
vazia de ideias, semimorta.
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Martha. Rio de Janeiro: Janela Amarela, 2020. p. 105.
Texto II
Casei-me
numa bela tarde de verão. [...]
Passamos
uma semana feliz; meu marido consagrava-me uma afeição serena; era delicado e
bom. Nunca no meu lar soaram as alegres e sonoras frases dos noivos
apaixonados, nem tampouco houve nunca um arrufo. Minha mãe tinha uma expressão
de ventura, por tal forma manifestada no seu rosto muito magro e pálido, que me
comovia.
a)
O teor do texto I reafirma o tom romântico da narrativa de Martha? Justifique
sua resposta.
b)
O teor do texto II revela a filiação realista do romance. Comente essa
afirmação.
1. a
2. a) Os elementos românticos no
trecho ligam-se à descoberta do sentimento amoroso pela protagonista. Contudo,
o caso amoroso não terá prosseguimento, porque o “rapaz desconhecido”, ao
acompanhá-la até seu local de moradia, teria se assustado com o fato de ela ser
moradora de um cortiço simples – demonstrando a superficialidade dos
sentimentos dele. Além disso, Martha suspeita de que o rapaz estaria
interessado na professora que a acompanhava na ida para casa, o que revela a
insinceridade dele. Assim, a infelicidade amorosa de Martha escapa dos traços
mais típicos do Romantismo.
b) Memórias de Martha apresenta
elementos do Realismo, do Naturalismo e do Impressionismo. Do Realismo, temos a
denúncia da marginalização social e o perfil pragmático da protagonista, que se
casa sem amor e segue uma profissão visando ao conforto material. Do
Naturalismo, provém o retrato cru da vida em um cortiço, onde convivem
personagens marginalizados e miseráveis. Do Impressionismo, temos a atmosfera
imprecisa de algumas recordações de Martha, bem como o próprio predomínio da
memória em sua narrativa.
3. e
4. c
5. d
6. b
7. Trata-se da expressão
“cosendo-se”, do verbo coser, que tem o sentido de “costurar”. No texto, o
homem visto pelo tio Bernardo andava “cosendo-se com a parede”, isto é,
encostando-se nela para evitar ser visto.
8. a) Martha torna-se professora e
vai viver longe do cortiço com sua mãe. No fim da narrativa, elas encontram a
mãe de Carolina, que dá notícias da filha: estava casada, apanhava do marido e
vivia às voltas com problemas de saúde.
b) Carolina representa a típica
personagem naturalista. Tendo passado toda sua vida no cortiço, sofreu
influência do meio, como preconizava a perspectiva determinista adotada pelo
Naturalismo. Dessa forma, foi podada de suas aspirações e submeteu-se às circunstâncias
da pobreza. O fato de a protagonista do romance escapar a esse destino e a essa
influência indica que o romance de Júlia Lopes de Almeida buscava se distanciar
dos rigores da interpretação social naturalista.
9. a) Trata-se da mãe de Martha.
Depois da morte do marido, ela sofre uma queda de nível social e passa a
executar serviços domésticos para freguesas, como lavar, passar e engomar
roupas.
b) Martha se recusa a realizar o
tipo de trabalho executado pela mãe. Essa postura indica uma personalidade
decidida a fugir do ambiente nefasto em que vive. Uma das mensagens do romance
é justamente fazer o elogio do trabalho intelectual feminino, valorizan-do o
esforço da mulher para não depender financeiramente de ninguém.
10. a) Não. Em ambos os casos, as
figuras femininas retratadas fogem das convenções do romance romântico
tradicional, concebendo personagens distantes da idealização própria do estilo.
No texto I, o narrador afirma que Luisinha “não tinha adquirido a beleza de moça”,
trazia “o queixo enterrado no peito”, “andava mal penteada” e se apresentava
trajando um vestido “muito comprido, quase sem roda”. No texto II, a narradora
compõe um autorretrato no qual se diz “feia”, “inabilidosa”, com olhos “de um
verde sujo”, os braços excessivamente compridos (“lonjura”) e o “modo
desengraçado” de andar.
b) A diferença fundamental na
abordagem da descrição feminina está no tom adotado pelo narrador: enquanto a
descrição de Luisinha (texto I) é marcada pelo humor, o autorretrato de Martha
é desprovido desse traço, caracterizando-se pelo tom melancólico.
c) A autorrepresentação de Martha se afasta do modelo feminino construído na época, na medida em que este modelo concebia a mulher como um ser dotado de habilidades manuais que a tornavam apta para as condições de mãe, esposa e dona de casa. No desfecho de Memórias de Martha, a protagonista até se aproxima desse modelo socialmente construído, já que termina a história casada e mãe, mas também se distancia, pois se recusa a depender do marido e busca exercer sua autonomia profissional.
11. a) Trata-se do tema do
trabalho feminino.
b) No romance, o trabalho feminino
é concebido como um meio de conquista da autonomia financeira, que diminuía a
relação de dependência entre as mulheres que não trabalhavam e seus maridos.
12. a) Não. O desfecho mais
característico das narrativas convencionais do Romantismo do século XIX era o “final
feliz”, geralmente marcado pela união entre dois apaixonados. Na narrativa de
Martha, ocorre a aceitação passiva de um casamento que não é visto pela protagonista
como instrumento de felicidade e de realização pessoal.
b) O Realismo adotava, de forma
geral, uma postura antirromântica, no sentido de conceber personagens que
escapavam de estados emocionais marcados por excessos passionais. No caso do
desfecho de Memórias de Martha, a protagonista revela viver um casamento sem
“frases dos noivos apaixonados” e sem “um arrufo”, isto é, sem momentos de
felicidade exacerbada ou de discussão azeda.


