06 fevereiro 2026

INTRODUÇÃO À OBRA: CANÇÃO DE NINAR MENINO GRANDE


Dados biográficos da autora

 

Foi no dia 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte (MG), que nasceu aquela que viria a se consagrar como uma das maiores autoras afro-brasileiras contemporâneas: Maria da Conceição Evaristo. Quem hoje tem contato com o sucesso alcançado pela autora talvez não imagine que ela vem de uma família bastante humilde e trabalhadora, com mãe lavadeira, padrasto pedreiro (não conheceu o pai biológico e sobre ele sabe muito pouco, segundo ela própria) e nove irmãos.

            Na infância, mais precisamente aos 7 anos de idade, foi morar com seus tios como forma de aliviar a sobrecarga financeira da família. Esse fato foi essencial para sua formação, já que a condição de vida um pouco melhor - comparada a dos irmãos - foi o que lhe deu oportunidade para que se dedicasse mais aos estudos. No entanto, essa nova realidade não foi o suficiente para que pudesse viver apenas no mundo dos livros e dos cadernos; aos 8 anos de idade, teve seu primeiro emprego na área de serviços domésticos, função que exerceu durante muito tempo. Chegou, inclusive, a trocar horas de tarefas domésticas na casa de professores por aulas particulares e livros, pois sempre foi bastante interessada em estudar e aprender. Aliás, os estudos também eram preocupação de sua mãe, que sempre matriculou os filhos em escolas públicas frequentadas pela classe mais abastada de Belo Horizonte, para garantir a todos uma educação de qualidade.

            Além dos problemas financeiros, Conceição também enfrentou dificuldades associadas ao racismo e à discriminação social desde muito nova, inclusive na própria escola, onde sempre se destacou por ser uma excelente aluna - o que incomodava não só seus colegas, como também alguns professores. O “problema” não se dava apenas pelo fato de se sobressair academicamente frente a outros colegas brancos e abastados, mas, sim (e principalmente), pela precoce consciência social de menina negra e pobre que não aceitava com passividade as condições às quais era submetida, quebrando assim a expectativa da sociedade. Essa consciência sobre sua situação de negritude no Brasil foi especialmente fomentada por um tio, Osvaldo Catarino Evaristo, com quem conviveu durante a infância e parte da adolescência.

            Foram justamente todas essas influencias familiares e educacionais que ajudaram a moldar o caráter questionador de Conceição sobre a situação da vida negra na sociedade brasileira. Não à toa, a partir de seus 17 anos, passou a participar de diversos movimentos sociais de valorização da cultura negra.

            Em 1973, com a ajuda de amigos, mudou-se para o Rio de Janeiro a fim de iniciar sua carreira docente e buscar novas oportunidades. Em meio a inúmeras dificuldades econômicas e sociais, conquistou seu diploma como professora e continuou seus estudos, formando-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, obtendo mestrado em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense.

            Conceição Evaristo e, hoje, umas das autoras brasileiras contemporâneas mais importantes e significativas para o país, e sua trajetória de vida, marcada pela superação e pela luta contra a desigualdade, encontra eco em sua obra literária. Não à toa – e muito merecidamente –, já foi prestigiada pelos prêmios mais importantes da literatura brasileira: em 2015, ganhou o Jabuti de Literatura na categoria Contos e Crônicas, por Olhos d’água; em 2017, recebeu diversas premiações: o prêmio Faz a Diferença, categoria Prosa; Prêmio Cláudia, categoria Cultura; e o prêmio de Literatura do Governo do Estado de Minas Gerais. Sua trajetória vitoriosa continuou com a conquista de outros prêmios importantes, como o Premio Juca Pato como intelectual do ano de 2023, e notoriedade mundial, com suas obras sendo traduzidas em diversos países pelo mundo. 

 

Contexto histórico

Breve entendimento sobre a literatura brasileira contemporânea

            O período da ditadura militar no Brasil – como todo fato histórico significativo – influenciou profundamente a produção literária do país, que passou a ser classificada como “literatura brasileira contemporânea” a partir da década de 1970. Desde então, a nossa criação literária passou a refletir uma sociedade em transformação, e passamos a ter contato com uma literatura que se debruça sobre temas como política, diversidade cultural, identidade e representatividade, violência urbana, individualismo e, mais recentemente, até mesmo questões relacionadas à globalização, à tecnologia e à mídia digital.

            Além disso, houve um fortalecimento da chamada “literatura de periferia” ou “literatura de minoria”, representada por autores como Itamar Vieira Junior (Torto arado, 2019), Jeferson Tenório (O avesso da pele, 2020) e Conceição Evaristo, entre outros. Esses escritores, que antes se encontravam à margem do cânone literário, passaram a ter voz e influência, trazendo novas pontos de vista e temáticas para a literatura brasileira.

Conceição Evaristo, inserida nesse contexto da literatura contemporânea brasileira, desempenha um papel crucial para o cenário nacional ao trazer novas perspectivas, principalmente sobre questões de raça, gênero e classe social em suas obras - assuntos que ficam bastante nítidos em Canção para ninar menino grande, na qual ela aborda experiências afro-brasileiras, destacando as vivências, lutas e resistências das mulheres negras no Brasil, características marcantes da literatura de minoria.

 

A “escrevivência”

            Apesar de sempre se referir a afinidade e ao contato com a literatura desde jovem – trabalhando em casas de escritores e vencendo concursos de escrita na escola –, a autora sempre faz questão de relatar, em suas entrevistas, que nem sempre esteve rodeada pelos livros e pela leitura, o que não significa que não esteve imersa, em sua infância e adolescência, em palavras: toda a sua família tinha o habito da “contação de histórias”.  Mas a relação com as narrativas começou a se estreitar mesmo quando, por volta de seus 11 anos, uma de suas tias se tornou servente de uma biblioteca pública em Belo Horizonte: Conceição, então, passou a frequentar intensamente o local, aumentando, cada vez mais, sua frequência de leitura e seu amor pela literatura.

            Sua estreia literária aconteceu apenas na década de 1990, aos 40 anos, com a publicação do conto “Ponciá Vicêncio” na coletânea Cadernos negros. No entanto, foi somente com o lançamento de seu primeiro romance, de mesmo título do conto, treze anos mais tarde, que sua voz ganhou mais projeção. Nessa obra, Evaristo já abordava temas como a escravidão, a diáspora africana e a luta por liberdade, explorando a narrativa por meio da perspectiva feminina negra, temática que, inclusive, é bastante frequente em seus trabalhos.

            Toda a sua literatura, que ela chama de “escrevivência”, e marcada pela sensibilidade e pelo comprometimento com a representatividade racial e social, assunto constante nas obras da autora, visto que se dedica, justamente, a dar voz às experiências e as perspectivas da comunidade negra no Brasil, em especial, das mulheres negras.

 

Conceição e a literatura contemporânea: “O que me inspira a escrever e a vida”

            Para Conceição Evaristo, as experiências de vida estão estreitamente relacionadas a escrita. Isso significa dizer que, segundo a concepção da autora, a realidade social, principalmente daqueles que vivem à margem da sociedade, está intimamente relacionada à produção literária. Foi com base nessa ideia que Conceição criou o termo “escrevivência” – neologismo que parte da junção das palavras “escrever” e “vivência” –, que representa, portanto, esse enraizamento das vivências em sua forma de escrever.

            De acordo com a autora, a escrevivência permite registrar as vozes marginalizadas, já que, por meio da escrita, suas experiências ganham destaque e, de certa maneira, contribuem para a quebra de estereótipos criados na sociedade. Além disso, ela não deixa de ser uma forma de resistência e de afirmação da identidade negra e diversa no Brasil.

            Nesse sentido, fica claro que Conceição, por meio dessa prática, produz uma literatura que emerge das vivencias pessoais, sociais e históricas e que dá visibilidade a uma comunidade que e, desde sempre, ignorada e negligenciada.

            O conceito e imprescindível para o entendimento adequado de suas obras, especialmente por se destacar como a linha condutora de toda a sua produção, inclusive na obra aqui analisada. Portanto, entender o conceito também significa entender as narrativas de Conceição Evaristo.

            Para além do significado do termo, é preciso pensar, paralelamente, a escrevivência sob a perspectiva de sua forma, pois, se uma das intenções da autora e solidificar em seu trabalho uma identidade social que sempre esteve a margem na história do país, a análise também deve ser feita considerando a parte estrutural da construção textual. Para isso, Conceição Evaristo se preocupa em produzir um projeto estético no qual a oralidade é peça fundamental: ela deseja criar, ao máximo, um texto que esteja próximo da “gramática do cotidiano”.

            Ao integrar a oralidade a sua escrita, a autora mostra ao leitor as diversas formas de se apresentar a Língua Portuguesa, demonstrando que nenhuma delas é superior à outra.

 

Síntese e análise da obra

Síntese

            Canção para ninar menino grande é um romance que narra a história de Fio Jasmim e dos diversos envolvimentos amorosos extraconjugais estabelecidos durante suas frequentes viagens. Como maquinista, Fio passava longos períodos fora de casa, distante de sua esposa, Pérola Maria, e dos filhos. O belo e atraente homem, a cada parada em suas viagens a trabalho, em cidades diferentes, envolvia-se com uma nova mulher, mesmo sendo casado desde os 20 anos (no início da narrativa, Fio já tem 44) com Perola Maria. Esses envolvimentos, ocasionalmente, resultavam em filhos ilegítimos. Perola Maria, ciente das infidelidades de Fio, optava por não acreditar na infidelidade de seu marido ou pelo perdão. 

O livro, em um primeiro momento, parece ser uma obra que trata de narrativas de mulheres que sofrem com a desilusão amorosa de um relacionamento toxico, mas e também uma obra sobre a solidão e a estereotipação vivenciadas por um homem negro.

            A história se inicia com uma narradora em primeira pessoa que resolve trazer um relato que lhe fora contado por uma das “personagens-amantes” do livro: Juventina. Para isso, essa voz anuncia ao leitor que se trata de uma história de amor e que tentara reproduzi-la em suas minúcias.

            Além de nos contextualizar brevemente sobre Juventina, a narradora também nos apresenta o personagem Fio Jasmim, o protagonista – e, aqui, há uma mudança de foco  a narrativa, que de primeira passa para terceira pessoa.

            Ao longo de dezoito breves capítulos, Conceição Evaristo não só apresenta os relacionamentos de Fio – em um espaço de tempo de 24 anos –, como também conta um pouco da história de vida de cada uma das mulheres seduzidas e depois abandonadas (muitas vezes, grávidas) pelo protagonista.

            Pérola Maria, a eleita de Fio Jasmim, apesar de ter conhecimento das traições e dos filhos bastardos do marido, preferia ignorar os fatos – já que, como e dito na obra, seu grande prazer no casamento era ter filhos. Vez ou outra, caia no choro quando alguém lhe contava suas infidelidades, mas, nessas ocasiões, o homem se fazia de arrependido, e meses depois ela aparecia grávida novamente e tudo voltava à normalidade.

            Fio se aproveitava de toda essa situação para levar adiante seus inúmeros relacionamentos extraconjugais, dentre os quais nos são apresentados oito, na seguinte ordem:

. Neide Paranhos (de Vale dos Laranjais);

. Angelina Devaneio da Cruz (de Alma das Flores);

· Aurora Correa Liberto (de Vila Azul);

· Antonieta Véritas da Silva (de Remanso Velho);

. Dolores dos Santos (de Ardência Antiga);

. Dalva Amorato (de Aguas Infindas);

. Juventina Maria Perpétua (sua cidade de origem não é citada; sabe-se apenas que Fio era vizinho de sua prima, a qual Juventina passou a visitar com frequência para encontrar o rapaz);

. Eleonora Distinta de Sá (única personagem mulher com a qual Fio Jasmim nunca estabeleceu um caso amoroso e que, portanto, não entra de fato na lista das amantes colecionadas por ele. Mais adiante, será explicitada a devida relação que se sucedeu entre eles).

           

Como já mencionado, cada um dos capítulos se ocupa em contar um pouco da história de vida dessas personagens, revelando suas dores, anseios e frustrações, além de descrever seu envolvimento com Fio Jasmim.

            No fim do livro, o que se verifica e uma reflexão em torno do que foi, em parte, a vida de Fio Jasmim: um homem que “colecionou” diversas amantes, mas que, ainda assim, nunca escapou da solidão que sempre o acompanhou. Essa solidão, fruto de suas próprias escolhas e de uma sociedade que o aprisiona em estereótipos, leva o protagonista a uma busca incessante por conexão e afeto, mas ele só encontra relacionamentos superficiais e passageiros.

Breve análise

            “Sé de joelhos se lê Conceição Evaristo. Em prece. E eu penso que desde “a raiz do tempo” se previa que Mestre Conceição Evaristo nos haveria de educar a todos com a grandeza de sua mensagem.” Essa declaração de Valter Hugo Mãe – importante e renomado artista e escritor português – resume, de maneira singela e precisa, o que significa ler uma obra de Conceição Evaristo, e é exatamente com essas palavras que o autor nos introduz à leitura de Canção para ninar menino grande.

            Originalmente, muitas das personagens mulheres que agora tem sua história explorada foram apenas citadas na edição de 2018. Incomodada com esse fato, a autora decidiu realizar uma revisão e dar voz, ao longo de dezoito breves capítulos, a essas figuras femininas anteriormente não exploradas.

            Quem conhece as narrativas de Conceição Evaristo sabe que, recorrentemente, elas apresentam mulheres como protagonistas - sobretudo mulheres negras. Dessa forma, leitores que já tiveram contato com sua obra podem estranhar o fato de que, aqui, tenha-se como figura central um homem, Fio Jasmim. A grande questão, entretanto, é que, apesar de essa figura masculina ocupar o protagonismo no livro, quem realmente tem um papel primordial na história são as mulheres: Fio fala muito pouco, e tudo o que se sabe sobre ele não se dá por meio do próprio, mas, sim, pela perspectiva do que as mulheres-amantes dizem sobre ele. Aliás, não só Fio, como todos os (poucos) homens que aparecem em Canção para ninar menino grande se expressam raramente, e, quando ganham voz, é justamente para elogiar as mulheres ou falar de seu desejo sexual por elas.

            A cada capitulo, o leitor esbarra em uma nova mulher, uma nova história de vida, um novo relacionamento de Fio Jasmim e um novo caso de abandono cometido por esse marcante personagem – muitas vezes, também nos deparamos com um novo filho, fruto dessas relações passageiras. Isso porque, a cada cidade-destino de sua viagem, Fio resolve explorar não só o local, como também as mulheres que ali habitam, ainda que seja casado e tenha uma extensa prole com sua esposa, Perola Maria.

            Durante sua permanência em cada uma dessas cidades, o protagonista consegue seduzir e cativar as mulheres mais bonitas, mesmo aquelas consideradas impossíveis de serem conquistadas. Aliás, Fio encanta tanto suas amantes quanto os habitantes das cidades, pois é detentor de fascinantes atributos, os quais a autora faz questão de apresentar logo no início da história.

            Com o avançar dos capítulos, o leitor toma contato com os relacionamentos de Fio e com um pouco da história de vida dessas mulheres que tem só uma coisa em comum: a paixão por Fio Jasmim. E justamente por isso que o nome do protagonista se torna um elemento importante, ao fazer analogia, literalmente, a um fio, já que ele adentra, atravessa e une a vida das mulheres pelas quais passa. Tem-se, aqui, personagens separadas geograficamente, mas com um vínculo em comum, que é o amor e o sofrimento pelo mesmo homem – embora, para algumas delas, tenha sido um amor breve e passageiro. Ainda sobre o nome, pode-se, inclusive, traçar um paralelo entre os atributos formosos e sedutores do protagonista e as qualidades da flor de jasmim, perfumosa e encantadora.

            A narrativa se sucede, portanto, a partir do relato de vida de cada uma dessas personagens e de seu envolvimento com Fio Jasmim, e termina com certa quebra de expectativa: se ao longo da obra constrói-se uma imagem de como a masculinidade toxica afeta profundamente a vida de tantas mulheres, o encerramento mostra como esse mesmo machismo pode ser lesivo ao próprio homem. O que Conceição faz, então, é deixar claro que esse desejo lascivo e insaciável de Fio pelas mulheres é um reflexo de sua criação, ou seja, da imposição feita por seu pai – e pela sociedade – de que ele deveria sempre ser uma figura viril e conquistadora, atitude que também o condena a solidão e a carência.

            Logo, o fato de sabermos da história de Fio por meio de outros personagens, como já explicitado anteriormente, e porque ele raramente fala, afinal, segundo a autora, os homens falam muito pouco sobre eles mesmos: existe uma grande dificuldade em se acessar a figura masculina, principalmente por toda a estereotipacao social que existe em torno de sua imagem. Isso tem relação intrínseca com a escrevivência, uma vez que traz a vivência de várias mulheres até mesmo para a construção de Fio, que representa esse “homem real” inacessível e estigmatizado. Não à toa, a suspeita que se instala ao longo da leitura da obra – de que Fio age como resposta a um trauma vivido na infância e à sua criação – confirma-se nos capítulos finais, quando o leitor tem contato com as lagrimas e com o sentimento intenso de solidão que permeia a vida do protagonista.

            Dessa forma, e nítido como o livro apresenta vivencias ficcionais completamente baseadas na realidade, naquilo que compõe, de fato, parte da vida de mulheres e homens negros, em suas experiências concretas.

            O grande enlevo da obra, portanto, é descobrir essa solidão de Fio. Até então, ele era “apenas” um mulherengo, mas, ao fim, são reveladas sua fragilidade e sua dor. É claro que isso não apaga a crítica à ideologia machista e misógina, parte fundamental da obra construída por Conceição. No entanto, paralelamente, não deixa de colocar luz sobre uma perspectiva que e pouco explorada na literatura e que também “justifica”, de certa forma, ações masculinas que levam aos sofrimentos diversos das mulheres – como os que são relatados em Canção para ninar menino grande.

            Sendo assim, não é uma obra tão simples de ser lida quando se consideram seus pormenores; por isso, ao refletir sobre os significados aqui trazidos, e preciso considerar tanto o ponto de vista das mulheres quanto o de Fio: como as mulheres se sentem? E por que Fio faz o que faz? É o que pretendemos destrinchar a seguir.








INTRODUÇÃO À OBRA: CANÇÃO DE NINAR MENINO GRANDE

Dados biográficos da autora   Foi no dia 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte (MG), que nasceu aquela que viria a se consagrar como...