26 dezembro 2022

UMA VOLTA NO TEMPO

DANUZA LEÃO

 

Teria ele se casado? Se lembraria de mim? Tive vontade de correr para ele, mas e a coragem?

 

Quem diria que anos depois – muitos anos depois – íamos nos cruzar numa rua de Paris.

Foi absolutamente inesperado; eu ia andando, ele vinha de outra rua, e quase nos esbarramos, o que felizmente não aconteceu. Apesar do passar do tempo, nem por um minuto duvidei de que fosse ele. Quando nos conhecemos, ele devia ter uns 30 anos, mais uns 20 tinham se passado e ele estava mais bonito do que havia sido. Os cabelos um pouco grisalhos, os traços mais firmes, de homem, e o corpo, o mesmo. Ah, que boa história foi aquela.

Não foi um caso de paixão, mas sim de amor, amor romântico. Terá durado um mês, dois? A verdade é que naquele tempo uma viagem a Paris tinha que ter, obrigatoriamente, um namoro. Nos víamos todos os dias e, quando o revi, lembrei do fim de semana que passamos em Deauville em pleno outono, as florestas que percorremos com as árvores em tons que iam do amarelo ao vermelho, passando por todos os tons de castanho, que lindas lembranças. Depois a volta, já com os dias contados para eu voltar.

Não se falava disso, claro, e houve a penúltima noite, e a última, e nos separamos sabendo que seria para sempre; calados, pois não havia nada a dizer, nem planos a fazer. Apenas sofremos, de mãos dadas e sem coragem de nos olhar. O tempo passou e a lembrança ficou.

Mas nunca me esqueci dele; não totalmente. Dos passeios no Luxembourg, dos cafés onde nos sentávamos durante horas contando nossas vidas, falando do passado, mas sem ousar falar de futuro, pois o futuro para nós era fora de questão. Foi um amor lindo, inesquecível, e nunca mais nos vimos nem nos escrevemos, nada. E ali estava ele, a dois passos de mim.

Teria ele se casado? Continuaria só? Se lembraria de mim, pelo menos às vezes? Tive vontade de correr para ele, mas e a coragem? Lembrei da música de Chico que diz que é desconcertante rever um grande amor. E como é.

Vi quando entrou num edifício e fiquei por ali, disfarçando, esperando que ele saísse, o que aconteceu uma meia hora depois. Durante esse tempo meu coração bateu loucamente, e eu pensava: falo com ele ou não? E se ele me der um olhar gelado? Afinal, tantos anos depois, tantas coisas devem ter acontecido em sua vida. Quando ele enfim saiu, ainda o segui por uns minutos, mas pensei: calma, Danuza, o que passou, passou. Não para todos, não para mim, mas coração de homem é diferente.

Ele parou na rua, fez sinal para um taxi. Era agora ou nunca, e foi nunca. Tive medo de que ele me tratasse friamente, como uma amiga, ou demorasse a me reconhecer.

Ou pior, que não me reconhecesse.


Esse encontro aconteceu há uns 15 anos ou até mais. Nunca mais nos cruzamos, e a vida seguiu, como costuma seguir, e escrevi esse registro aí em cima para nada, apenas um hábito que tenho.

Na última vez em que estive em Paris, comprei, como faço sempre, as revistas locais, inclusive a Paris Match, onde ele trabalhava. E, folheando a revista, vi um texto com uma pequena foto dele – que custei a reconhecer –, e o título: So Long, Bernard. Era uma despedida da revista onde ele trabalhou a vida toda.

Eu podia ter falado com ele, devia ter falado com ele. Ou não? Que mania, essa, de não aceitar que as coisas se acabem completamente, por que isso? E tenho pensado nele, muito mais do que quando nos separamos séculos atrás.

São tantas as perguntas, e tão poucas as respostas.





1. a) PC           b) PS               c) PC               d) PC               e) PC               f) PC                g) PS  

h) PS               i) PC                j) PC                k) PC               l) PC                m) PC

 

2. a) adversativa       b) adversativa           c) adversativa           d) conclusiva            

e) explicativa                        f) aditiva                    g) conclusiva             h) explicativa

 

3. (sugestões)

a) porque, já que, pois        b) logo, então, portanto, por isso            c) logo, então, portanto, por isso             d) porém, mas, todavia, entretanto                     e) Ou...ou       f) logo, então, assim por isso                    g) porém, mas, porém, entretanto                       h) porque, já que, que                    i) Ou...ou                    j) porque, já que, que



WHAT'S IN A NAME?

Russians use a patriarchal name as a middle name. They take the first name of their father and add a suffix. If it’s a boy, they add ovich or (e)vich, which means “son of”. If it’s a girl, they add ovna or evna, which means “daughter of”. So, for example, the complete name of Anastasia Romanov, daughter of Czar Nikolai II, was Anastasia Nikolaievna Romanov.

Note:

If the father’s name ends in a vowel, (e)vich or evna is added.

If the father’s name ends in a consonant, ovich or ovna is added.

- Try finding out the middle names of the people below.

NAME

FATHER’S NAME

FULL NAME

Anastasia Romanov

Nikolai

Anastasia Nokolaievna Romanov

Valentina Tereshkova

(firt woman in space)

Vladimir

 

Mikhail Gorbachev

(former president)

Sergey

 

Fyodor Dostoevsky

(writer)

Mikhail

 

Rudolph Nureyev

(dancer)

Hamet

 

 - What would your name be like in the Russian tradition?




A royal mystery – The story

In 1918, after the Bolshevik revolution, Nikolai II and all his family were executed in the basement of a building in Ekateringburg, Russia. The remains of the family were buried at an unknown place about 20 km outside the city and were officially recovered only in 1991 after the perestroika. There was a problem though. They should have been eleven bodies, but only nine were found. Forensic specialists determined that the two missing bodies were those of the youngest Romanov children, Alexei and Anastasia. So Anastasia actually might have escaped the execution. But did she?

Over a sixty-two-year period, a woman better known as Anna Anderson, attempted to prove her identity as Anastasia. She lost three cases, and most members of the remaining Romanov family considered her an impostor. Her life inspired four films, a play, a musical and several books. Anna died in 1984, but her story is so passionate that even today there are people who believe her to be Anastasia. No matter who she really was, one thing is for sure: Anna Anderson truly believed that she was Anastasia Romanov.




The evidence

In 1994, a new fact came to give light to the mystery. Listen to the interview and find out:

1. If Anna Anderson really was Anastasia

2. How it was proved.

3. As many facts as possible:

a) in favor of Anna

b) against Anna


DID YOU HEAR THAT?

A) Watch the video excerpt. How impressionable are the characters?   LINK TO THE VIDEO B) The end - What will happen if Tom decides to...